Autor: daniel

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  • Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim/RO – A pesca esportiva não é a única atração da localidade de Porto Rolim de Moura do Guaporé, na região de Alta Floresta do Oeste. O local, que a partir dos últimos dois anos, se tornou um dos mais procurados pelos turistas no Estado, encanta tanto por suas belezas naturais, quanto pela hospitalidade de seu povo. Uma gente simples, espontânea e sempre pronta para largar o que está fazendo para atender bem a quem vem de fora.

    Porto Rolim tem cerca de 600 habitantes. No local há uma igreja católica, duas evangélicas, uma escola, um posto de saúde, um ginásio de esportes, um campo de futebol e pequenos comércios. As opções de lazer são a pesca, os passeios de barco pelos rios Mequéns e Guaporé e os bailes realizados nos finais de semana.

    Em Porto Rolim o turista se depara com um cenário repleto de matas nativas, águas calmas, pássaros e peixes de várias espécies. Os animais podem ser vistos nas margens do rio, geralmente fugindo da proximidade dos curiosos. Os botos cor-de-rosa são os mais sociáveis. Em alguns momentos eles demonstram estar se exibindo para os visitantes.

    Em terra, a principal opção é conhecer a história e o modo de vida dos moradores que nasceram na pequena localidade. Ladislau Gomes, 78 anos, é um dos mais procurados pelos que vem de fora, quando o assunto é conhecer o surgimento de Porto Rolim e a história de sua gente. Ele conta que ao contrário de muitas outras pessoas que nasceram no local, preferiu ficar e aguardar o progresso. “Sempre acreditei na chegada do desenvolvimento, afinal, aqui também é Brasil”, disse.

    Outro bom contador de histórias é Gervazio Gonçalves, de 70 anos. Ele já foi picado por cobra e teve que enfrentar onças e jacarés. Questionado se era o homem que havia escapado de um jacaré, ele responde: “Não, foi o jacaré que escapou de mim”. Deixando as brincadeiras de lado, Gervazio conta que o ataque de um jacaré, durante uma pescaria, foi a situação mais perigosa que já enfrentou. O animal só não conseguiu matá-lo, porque ao morder sua perna, abocanhou também uma árvore que estava a seu lado e acabou não conseguindo fechar a boca. “Foi um dia em que vi a morte na vista”, recorda ele, enquanto mostra as cicatrizes deixadas pelo bicho em sua perna direita.

    Os que chegaram depois

    O empresário Rone Edson da Silva já faz parte do grupo dos novos moradores. Ele deixou a cidade de Campinas (SP) para morar em Porto Rolim. Nas duas primeiras vezes se deslocou ao local para pescar, em companhia de amigos. Na terceira vez convenceu a mulher a acompanhá-lo em uma temporada de seis meses, mas o prazo foi se estendo e o casal acabou decidindo fixar residência na pequena localidade. “Sempre gostei de pescar e quando cheguei aqui me apaixonei pelo povo e pelo lugar”, disse.

    Cristina, esposa de Rone, também se adaptou bem ao local. “Ele me chamou para passar seis meses aqui e essa temporada já dura dois anos”, afirmou. Satisfeita com a opção que fez, ela conta que o maior peixe que já pescou no local foi um exemplar de Pirarara, de 28 quilos.

    Claudionor José Dias, conhecido na localidade como Fumaça, chegou há cinco anos e há dois, administra o estacionamento que dá acesso ao rio, na chegada de Porto Rolim. Cobrando 10 reais a diária, ele e um funcionário cuidam dos veículos dos turistas dia e noite. Fumaça trabalha também na orientação do visitante em relação as opções turísticas da região. “Temos indicação tanto para quem quer permanecer em locais abertos, quanto para os que preferem espaços mais reservados”, explica.

    União de forças

    Em Porto Rolim as entidades de classe realmente unem forças. A Polícia Militar Ambiental trabalha junto com a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e com a Associação Ecológica Comunitária de Conservadores do Rio Guaporé e seus Afluentes (Ecomeg), criada recentemente por moradores locais. O objetivo do trabalho em conjunto é defender a preservação ambiental e incentivar o turismo. “Trabalhamos com fiscalização e educação ambiental”, explicou o presidente da Ecomeg, Delmácio Ferreira Alvez.

    O cabo Jairo Feitosa, comandante do grupamento local, explicou que a fiscalização é feita por água e por terra e que apesar da grande extensão da área, não há grandes problemas. Segundo ele, o trabalho é mais de orientação do que de repressão. “A maioria dos turistas já sabe como deve proceder em um local como Porto Rolim”, disse.

    Alex Maroni, de 18 anos de idade, também faz parte do grupo de defesa de Porto Rolim. Ele chegou há quatro e não pretende deixar o local, onde trabalha como guia turista e piloteiro. Enquanto está trabalhando, segundo ele, sua preocupação se concentra na defesa da natureza e na segurança do visitante. “Eu gostaria que eles não bebessem demais, não tirassem os coletes e nem deixasse lixo aqui”, recomenda.

    Estrutura oferecida

    Em Porto Rolim, há a disposição do turista, quatro hotéis de pequeno porte, com diárias que variam de 15 a 50 reais, incluindo o café da manhã. As demais refeições são servidas a parte e apenas quando são solicitadas. O custo do almoço é de cerca de 10 reais, por pessoa. Para maior segurança, as reservas devem ser feitas antecipadamente.

    A opção mais segura para o visitante é manter contato com a Ecomeg, pelo telefone 69 3646 3019. A associação cuida de tudo para o turista, providenciando inclusive barco e piloto. O custo é de 140 reais a diária do barco, com motor e piloteiro.

    Acesso

    Porto Rolim está localizado a 700 quilômetros de Porto Velho. O acesso em via terrestre a partir de Porto Velho é pela BR 364. Após Presidente Médici deve-se entrar na RO 479, transitar por 50 quilômetros até Rolim de Moura, seguir então pela R0 383 até

    Alto Alegre por aproximadamente 65 quilômetros e em seguida seguir outros 130 pela RO 490, até as margens do Rio Mequéns, onde está localizado o Estacionamento do Fumaça.

    Em via fluvial, o turista deve seguir a partir de Pimenteiras do Oeste, pelo rio Guaporé e seu braço que deságua no rio Mequéns, em frente à Rolim de Moura do Guaporé, numa distância de aproximadamente 250 quilômetros. Em barcos regionais de turismo esse trecho é percorrido em 30 horas. Numa lancha com motor de 90 hp, esse tempo se reduz para cinco horas. Em uma voadeira com motor de 15 hp, são necessárias nove horas. Saindo de Costa Marques, são aproximadamente 330 quilômetros navegando pelo Rio Guaporé.

  • Índios buscam formação superior

    Índios buscam formação superior

    Índios buscam formação superior

    Cacoal/RO – O número de índios que tenta ingressar em um curso superior cresce a cada ano em Cacoal. Atualmente há dez jovens de várias etnias do município, estudando em faculdades das cidades de Cacoal, Pimenta Bueno, Porto Velho e em Curitiba, no Paraná. Um número muito maior que esse, no entanto, deseja dar continuidade aos estudos, mas enfrenta várias barreiras, principalmente a financeira.

    Segundo a chefe do setor de educação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Cacoal, Ana Néri, normalmente os próprios indígenas que estão concluindo o ensino médio demonstram interesse em ingressar no ensino superior. Ela destacou que os pais dos jovens também procuram o setor de educação para que os filhos continuem estudando, porém esbarram na falta de recursos para mantê-los nas faculdades.

    Ana explicou que atualmente apenas seis acadêmicos são beneficiados com bolsa integral, sendo quatro pela Faculdade São Lucas, de Porto Velho e dois pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed). Na Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) há um acadêmico com bolsa de 50% e nas Faculdades Integradas de Cacoal (Unesc) dois que arcam com todas as despesas do curso. “Também temos um aluno estudando na Universidade Federal do Paraná”, informou.

    Ana informou também que a Funai oferece a alguns alunos uma pequena ajuda de custo, mas o benefício só contempla os que iniciaram o curso até 2007. Ela explicou que houve um corte no orçamento da Funai para a educação e que isto está dificultando manter os que já estão estudando e oferecer novas oportunidades aos que querem ingressar na faculdade. “Para nós da Funai, manter um acadêmico estudando é um orgulho, porque são muitas as dificuldades enfrentadas para se conseguir isso”, disse.

    Segundo Ana, algumas instituições, a exemplo da Facimed, oferecem uma bolsa integral por vestibular. Todos os interessados fazem a prova e o melhor colocado fica com a vaga. Ela destacou ainda que entre os benefícios conquistados para os indígenas está a isenção de taxa para o vestibular da Universidade Federal de Rondônia (Unir). “Todos os indígenas que participaram do vestibular 2008 foram isentos da taxa”, disse.

    Reconhecimento e proteção

    O acadêmico do 7º período do curso de Turismo da Faculdade São Lucas, Gasodá Suruí, é um dos exemplos de persistência em busca do sonho da formação superior. Sua principal meta como estudante é conquistar reconhecimento e proteção para o seu povo. Ele divide um quarto com mais três colegas Suruís. Juntos eles dividem também as dificuldades e os bons momentos da vida universitária.

    Segundo Gasodá, a adaptação longe da família foi difícil e demorada. Além das dificuldades com a língua portuguesa, ele se deparou com a curiosidade dos não índios, que lhe dirigiam as mais diversas perguntas. Hoje, porém, a realidade é outra. Gasodá já conquistou muitos amigos na sala de aula e uma boa interação com os professores. “Fomos muito incentivados por pessoas como a Ana Néri e aprendemos que para ser vencedor temos que enfrentar as dificuldades”, disse.

    O acadêmico afirma que decidiu dar continuidade aos estudos para poder buscar saúde, educação e vida de qualidade para sua comunidade. Ele ressaltou que ao concluir os cursos, eles mesmos poderão trabalhar em benefício de suas famílias. “Somos nós quem melhor pode entender os problemas de nosso povo”, afirmou.

    Gasodá destacou também que a cada dia procura se superar, capacitando-se em vários cursos e participando de seminários que divulguem a cultura e a importância do povo indígena para a sociedade brasileira. “Não quero parar de estudar. Vou fazer mestrado e doutorado, tanto no Brasil quanto lá fora”, disse.

  • Índios Suruís são treinados pelo Google

    Índios Suruís são treinados pelo Google

    Índios Suruís são treinados pelo Google

    Cacoal/RO – A diretora do Google Earth Solidário, Rebecca Moore, representantes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), da Amazon Conservation Team Brasil (ACT Brasil) e de outras entidades internacionais permaneceram em Cacoal durante uma semana, para tratar da parceria firmada entre o Google e o Povo Suruí. Por meio da parceria, os índios vão disponibilizar na Internet, informações sobre sua história e sua cultura, além de poder acompanhar a situação do desmatamento em suas terras. 20 índios Suruís estão sendo treinados pelo Google para administrar o sistema tecnológico.

    Rebecca Moore afirmou que não haverá monitoramento em tempo real da terra dos Surís. Segundo ela, com a parceria os usuários do Google do mundo inteiro vão poder conhecer a história e outras informações sobre os Suruís, enquanto os índios vão poder usar o sistema como uma ferramenta para mostrar suas necessidades, seus projetos e outras informações que julgarem necessário para buscar um futuro sustentável.

    Questionada sobre a posição do Governo Brasileiro em relação a parceria, Rebecca disse que a legislação brasileira não impede que ela seja firmada. “O Google está disponível para todo o Brasil. Milhares de pessoas disponibilizam suas informações lá. Os Suruís é que estão começando agora”, disse.

    Quanto a data em que o sistema tecnológico entrará no ar, Rebecca disse que vai depender apenas dos próprios índios, já que são eles que vão decidir o que vão disponibilizar na Internet, como também adicionar as informações. “Eu ofereço a ferramenta e ensino a usá-la, mas são eles que vão fazer”, afirmou.

    Segundo Rebecca Moore, o mesmo treinamento oferecido em Cacoal será realizado em Porto Velho, nos dias 23 e 24 desse mês, para índios de 12 comunidades diferentes. Rebecca também elogiou a política de inclusão social do Governo Brasileiro, citando como exemplo a oferta de Internet a diversas comunidades indígenas.

    Acontecimento histórico

    O presidente da Associação Metareilá, Almir Suruí, que buscou a parceria com o Google, acredita que o sistema tecnológico facilitará o trabalho que ele e outros líderes indígenas vêm realizando em defesa do meio ambiente, inclusive do território Suruí. Ele também não vê riscos na exposição de informações na Internet. “Somos nós que vamos escolher o que divulgar”, disse.

    Segundo Almir Suruí, não serão fornecidas informações sobre plantas nem animais. A previsão, segundo ele, é a de que as informações estejam disponíveis na Internet dentro de no máximo 60 dias.

    O coordenador do Programa de Meio Ambiente da Usaid, Ernane Pilla, classificou a parceria como um fato histórico. Ele também afirmou que trata-se de um sistema seguro para os Suruís. “O Google está dando a ferramenta e os índios é que vão fornecer as informações que eles quiserem”, disse.

    Segundo Ernane Pilla, a parceria com o Google é uma forma dos Índios Suruís se fortalecer como povo. “Se fortalecendo eles têm mais chances de ter o controle do que está acontecendo na terra deles”, afirmou.

    Nova sede

    A programação preparada para comemorar a assinatura do termo de parceria do Google com os Suruís incluiu a inauguração da nova sede da Associação Indígena Metareilá, no distrito do Riozinho. Além de membros de instituições internacionais, prestigiaram o evento, representantes da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Prefeitura de Cacoal, da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e de outras Ongs rondonienses.

    Na Aldeia Indígena Sete de Setembro, localizada na Linha 11, também houve atividades especiais. Durante três dias, os índios apresentaram danças e outros rituais aos visitantes. Houve ainda visitas a mata e a áreas de reflorestamento dos Suruís. A programação foi registrada por equipes jornalísticas de vários países.

  • Terra dos Suruís a vista na Internet

    Terra dos Suruís a vista na Internet

    Terra dos Suruís a vista na Internet

    Cacoal/RO – O Povo Suruí oficializa na próxima terça-feira, dia 17, na Aldeia Sete de Setembro, em Cacoal, parceria com a multinacional do mundo virtual Google Earth. Os índios vão fornecer informação sobre sua terra e sua cultura para o site de buscas Google e em contrapartida terão o direito de monitorar a situação de seu território. Cerca de 40 jornalistas de vários países do mundo devem comparecer ao município para registrar o fato histórico.

    O líder indígena Almir Suruí, que já travou diversas lutas em defesa da preservação da floresta, foi quem buscou a parceria. Ele informou que a Associação Metareilá, da qual é presidente, trabalha com o plano de gestão de seu território e dentro desse plano surgiu a necessidade de ser firmada uma pareceria com sistemas tecnológicos para divulgar a atual situação da floresta e para buscar meios de conscientizar as pessoas quanto a preservação do meio ambiente. Almir explicou que propôs a parceria ao Google Earth, porque a internet está nas residências, o que facilita o acesso de todas as pessoas que estejam interessadas em contribuir com a natureza. “Através da Internet poderemos levar nossa mensagem ao mundo e juntos discutirmos sugestões para preservar o meio ambiente”, disse.

    Segundo Almir, a partir da assinatura do termo de parceria ficará disponível no Google Earth o monitoramento via satélite do território indígena Suruí, a história do povo, sua cultura e o plano de gestão trabalhado pelos índios para o crescimento e fortalecimento do povo indígena. Também haverá informações da maneira como a cultura dos não índios afeta a cultura indígena e de formas para consolidar as duas culturas. Segundo ele, não serão divulgadas, informações sobre animais, plantas e conhecimentos tradicionais do povo indígena.

    Sistema será administrado pelos índios

    Almir afirmou também que o sistema tecnológico para a divulgação dos Susuís está sendo construído por uma equipe de profissionais de Brasília, que são parceiros dos indígenas. Ele informou que todo o processo está sendo acompanhado por assessores da Funai e que os índios é quem selecionarão o que poderá ser divulgado. “Temos uma equipe de índígenas que está sendo treinada especialmente para administrar o sistema”, disse.

    Questionado sobre os riscos que a exposição na Internet pode causar ao seu povo, Almir argumentou que todo o sistema tecnológico e de comunicação, se não usado com sabedoria, pode causar perigo. Ele ressaltou que deve-se saber como e para que usar o meio de comunicação. “Acredito que os riscos são poucos, pois nós é que administraremos o sistema e o google apenas oferecerá o espaço e a estrutura para a divulgação”, disse.

    O povo indígena Suruí é formado por cerca de 1250 pessoas. O território é de cerca de 248 mil hectares, abrangendo os municípios de Cacoal, Espigão do Oeste e Ministro Andreazza em Rondônia e Rondolândia e Aripuanã no Mato Grosso. Os Suruís serão pioneiros neste tipo de parceria. “Além de divulgar o nosso povo, esta parceria beneficiará e valorizará o povo de Cacoal e de toda a região”, disse.

  • Cacique diz que vai trabalhar em parceria

    Cacoal/RO – O cacique Pio Cinta Larga, que assumiu na última quinta-feira a administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Cacoal, disse ontem (25) que vai montar sua equipe de trabalho a partir da próxima segunda-feira. Ele informou que ainda não nomeou ninguém porque está aguardando a presença do novo coordenador do Grupo da Força Tarefa Cinta Larga, João Batista Maglia, que permaneceu durante o dia de ontem na base da Polícia Federal, em Pimenta Bueno. “Como trabalharemos em parceria, prefiro esperar o João Batista para formarmos a equipe juntos”, disse Pio.

    Pio disse que os líderes indígenas de outras etnias também serão ouvidos na hora das decisões. Além de cuidar das áreas administrativa e financeira da administração regional da Funai, o cacique tem a atribuição de administrar qualquer situação ocorrida nas aldeias das etnias Cinta Larga, Suruí, Kwaza, Apurinã e Mequéns, localizadas nos municípios de Cacoal, Pimenta Bueno e Espigão do Oeste.

    Quanto aos 16 funcionários exonerados pelo presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira, o cacique disse que vai conversar com seus parentes para depois decidir se vai reaproveitá-los em novas funções. A maioria dos exonerados ocupava cargos de chefia de postos indígenas nas aldeias e os demais trabalhavam nos setores administrativo e financeiro da Funai. Sobre os motivos das demissões, o cacique disse apenas que foi pego de surpresa pelas exonerações.

    Apesar de ser o primeiro índio a ocupar o cargo em Rondônia e o segundo no Brasil, Pio disse que está preparado para suas novas funções. Antes de assumir a Funai, o cacique era um dos principais chefes do garimpo de diamantes da Reserva Roosevelt, localizado no município de Espigão do Oeste.

    Questionado sobre sua vida pessoal, o cacique disse que tem apenas uma esposa e seis ou sete filhos. Sobre sua idade ele afirmou que “a única coisa que não sei da minha vida é quantos anos tenho”.

  • Cacique assume administração da Funai

    Cacoal/RO – O cacique Pio Cinta Larga, um dos principais líderes da Reserva Roosevelt, é o novo administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cacoal. Ele assume o cargo interinamente, em substituição ao antigo administrador, Trajano Fonseca Azevedo, exonerado ontem (23) pelo presidente nacional da Funai, Marcio Augusto Freitas de Meira. Além de Trajano foram exonerados outros 15 funcionários que exerciam cargos de confiança. É a primeira vez em Rondônia que um indígena assume a função.

    Os 16 funcionários foram exonerados a pedido de lideranças indígenas da região. Segundo o presidente, todos deverão ser reaproveitados pelo novo administrador. Ele não quis detalhar os motivos das demissões. Disse apenas que trata-se de decisões políticas.

    O presidente, que desde terça-feira vinha mantendo reuniões na região, com lideranças das etnias Cinta Larga, Suruí, Apurinã e Mequéns, disse que nomeou o indígena no cargo a pedido dos índios. Segundo Marcio Meira, o cacique será assessorado por toda a equipe da Funai. “É um ato legítimo e um momento importante para a população indígena”, disse.

    Ainda ontem o presidente nomeou também o novo coordenador do Grupo da Força Tarefa Cinta Larga da Reserva Roosevelt, João Batista Maglia, que trabalhava na Funai em Brasília. Quanto a situação do garimpo de diamantes, o presidente disse que a garimpagem está paralisada e que enquanto não houver uma legislação favorável, a atividade será ilegal.

    Com a reativação do Grupo de Força Tarefa, o presidente acredita que os índios Cinta Larga terão maior apoio para administrar a situação na reserva. “Estive no garimpo e a situação na área hoje é tranqüila”, disse.

    Índios serão ouvidos

    O cacique José Itabira Suruí, líder geral do Povo Suruí, disse que Pio Cinta Larga teve muita coragem em assumir o cargo de administrador da Funai e que terá que ter muita força e fé em Deus para conseguir fazer um bom trabalho. “É uma tarefa muito difícil para nós índios”, definiu.

    Segundo Itabira, a principal estratégia de Pio deverá ser o diálogo com as demais etnias. “Ele tem que conversar muito com os parentes. Espero que ele consiga o que o branco não conseguiu”, disse.

    Questionado sobre suas metas, Pio disse que primeiro vai montar uma equipe de confiança e depois vai analisar a situação da Funai para depois por seus projetos em prática. Ele prometeu também manter constante diálogo com os índios de todas as etnias.

  • Cintas Larga libertam reféns

    Os índios Cintas-Largas libertaram ontem, no fim da tarde, os cinco reféns detidos desde sábado na Terra Indígena Roosevelt, em Rondônia. O comissário das Nações Unidas (ONU) David Martins Castro e o procurador da República Reginaldo Pereira, que estavam entre as pessoas detidas, seguiram de helicóptero até a cidade de Cacoal, no interior de Rondônia. Outros dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram transportados de carro.

    Desde o início da tarde, o presidente da Funai, Márcio Meira, negociava a liberação dos reféns com os Cintas-Largas. Em troca, os índios pediam o fim da exploração ilegal de diamantes na Terra Indígena Roosvelt – uma das quatro povoadas pela etnia – e projetos de desenvolvimento sustentável para fornecer alternativas de sobrevivência da população indígena.

    Após decidirem manter cinco pessoas detidas na Reserva Indígena Roosevelt, no leste de Rondônia, índios da etnia Cinta-Larga divulgaram uma carta na qual afirmam que a região “tornou-se um barril de pólvora” desde a descoberta de uma jazida de diamante no local há sete anos. No texto, os índios afirmam não querer a liberação de garimpo em terras indígenas e exigiam políticas de desenvolvimento sustentável para libertar os reféns.

  • As cobaias do Garimpo Roosevelt

    As cobaias do Garimpo Roosevelt

    As cobaias do Garimpo Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – Desde o início da semana o movimento nas ruas de Espigão do Oeste tem aumentado com o grande número de garimpeiros que chegam à cidade fugindo do garimpo Roosevelt. Em pequenos grupos os mineradores chegam à cidade, trazendo nas costas o que sobrou de suas “traias”.

    Após as denúncias veiculadas na mídia, dando conta da continuidade dos trabalhos dentro do garimpo, a Policia Federal aumentou o cerco em torno da reserva, ficando quase impossível à entrada de equipamentos e provisões para os homens continuarem o trabalho nas escavações.

    Com isso muitos garimpeiros estão abandonando a área, por não ter mais condições de manter as equipes trabalhando. Esse reflexo que vem se abatendo sobre o garimpo da Reserva Roosevelt está repercutindo na desistência de muitos grupos de garimpeiros tidos como “Manso”, que buscavam as pedras com o uso de pares de máquina, em um trabalho em parceria com os índios.

    Segundo alguns dos mineradores, as dificuldades começaram a surgir com o racionamento dentro da “Fofoca” e o alto preço dos combustíveis no barranco. A maioria não tem mais como manter os trabalhos. Os donos de máquinas dispensam os “Rodados”, que sem ter o que fazer no garimpo, saem de magrudada para fugir da fiscalização da Polícia Federal e retornar a Espigão do Oeste.

    Como a maioria não tem uma ocupação fixa, passam o dia perambulando pelas ruas da cidade em busca de sabes se lá o que. Pedro Simão, o Coxipó, é só um entre as dezenas de retirantes do garimpo, meio que desconfiado arriscou falar de sua passagem pelo Garimpo Roosevelt: “Esse garimpo só deu para minha cabeça. Com dois meses lá dentro não consegui quase nada, o pouco que arrumei gastei para me manter”, disse.

    Os gastos com mantimentos e combustível e a porcentagem dos índios, praticamente consume toda a produção de pedras dos donos de máquinas, por isso a maioria está desistindo do garimpo, esperando por dias melhores. “O garimpo hoje só tá bom para os compradores de pedras. Eles não correm riscos e pagam o que querem pelas pedras, além do mais tá acontecendo muito rolo lá dentro, hoje não compensa mais enfrentar essa parada”, afirmou o garimpeiro.

    Com esse aumento repentino da população, novamente o município de Espigão do Oeste começa a vivenciar o lado negativo do garimpo. Os postos de atendimento médico do município já sentem o reflexo dessa debandada dos garimpeiros. Todos os dias vários enfermos dão entrada na rede municipal de saúde, sem contar na insegurança da população, que se vê ameaçada com a presença de tantos forasteiros perambulando pelas ruas sem uma ocupação.

  • Sucata de garimpo se acumula na base da PF

    Sucata de garimpo se acumula na base da PF

    Sucata de garimpo se acumula na base da PF

    Espigão do Oeste/RO – Com as várias operações que foram realizadas pela Polícia Federal no interior do Garimpo da Reserva Roosevelt, desde o ano de 2001, toneladas de máquinas e equipamentos foram retirados do local. Entre eles figuram muitas máquinas pesadas como tratores sobre esteiras, PCs, tratores de pneus, Toyotas Bandeirantes, caminhões, camionetes e outros veículos menores.

    A maior parte deste material acabou sendo liberada pela justiça através de cautela, para atender as entidades públicas como prefeitura, câmara, Policia Militar, Policia Civil e algumas outras empresas. O restante do material retirado das grotas, tais como resumidoras, motores estacionários, bombas, maracás, dragas, mangueiras e tambores, na sua maior parte se encontra retido no pátio da Base do Bradesco, destacamento de controle da Policia Federal, localizado nas proximidades do garimpo.

    O delegado da Polícia Federal responsável pela fiscalização da área do Roosevelt, Rodrigo Carvalho informou que é muito grande a quantidade de equipamentos presos na Base do Bradesco. Segundo ele, esses equipamentos foram se acumulando após as várias operações realizadas pela Policia Federal dentro do garimpo. “Todo esse equipamento apreendido está acondicionado no pátio da base à espera de uma definição por parte da justiça, uma vez que a maioria é peça de processos. Enquanto a situação não se define, a maior parte do material continua se deteriorando com a ação do tempo, expostos no pátio”, disse.

    Das quatro bases que a Policia Federal mantém no local, a base do Bradesco é o ponto de fiscalização mais próximo ao garimpo. Isso explica a grande quantidade de equipamentos apreendidos. “A base do Bradesco é um ponto estratégico para a coibição da entrada dos garimpeiros. Deste local até o garimpo são menos de 40 quilometros, sem contar que este trecho é a principal entrada para a aldeia central do Roosevelt, por isso o movimento no local é muito grande”, explicou o delegado.