Autor: daniel

  • Boi-bumbá

    Boi-bumbá, tradição celebrada, inicialmente, como uma festa no meio da rua, atualmente, reúne uma multidão de pessoas, num bumbódromo, para assistir à disputa entre os dois bois, representados pelos grupos Vermelho, ou Garantido, e Azul, ou Caprichoso. Na década de 60 o boi-bumbá foi para as quadras, criando então o Festival Folclórico. Em 1985, montou-se um bumbódromo de madeira, com arquibancadas, camarotes e uma arena acimentada para a apresentação dos grupos. Em 1988, foi inaugurada a versão em alvenaria, definitiva. A festa, realizada todos os anos no mês de junho, começou quando, em 1912, a comunidade passou a levar o boizinho de pano de Lindolfo Monteverde, chamado de Garantido, para brincar no quintal de moradores ilustres. Os bois-bumbás dançam em círculo ao som das toadas e o toque das palminhas ao ritmo cateretê, carimbó e marcha. As torcidas completam o show, que é uma mistura de teatro com um rico desfile. Quando acontece a Festa de Parintins, em junho, a pacata cidade que vive da pesca e da agricultura se mobiliza. As cores azul e vermelho, dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, dominam todos os lugares.

  • Vitória-Régia

    Havia uma jovem índia que apreciava muito as estrelas e queria se transformar em uma delas. Ela acreditava que, para se tornar estrela, precisava ter contato com a lua.

    Então, um belo dia, caminhou em direção aos picos das colinas. Ao cair da noite, a lua surgiu com todo o seu esplendor, acompanhada de estrelas radiantes. A jovem índia, buscando tocar a lua, que refletida no lago naquele momento, se desequilibrou, caiu e desapareceu nas águas.

    A lua, ao ver o que acontecera, ficou com pena da bonita jovem e resolveu, então, transformá-la em uma flor – Vitória-Régia, a estrela das águas, tão linda quanto as estrelas do céu e com um perfume inconfundível.

  • Amazônia Clássica

    Amazônia Clássica – É uma divisão política e geográfica, que inclui os seis estados num conjunto também conhecido como região norte: Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Pará e Amapá. São aquelas unidades com predominância da floresta tipo hiléia.

  • Vitória-régia

    A maior flor do mundo, a vitória-régia, também é da Amazônia e chega a medir 2 metros de diâmetro.

  • Economia verde – a bioeconomia

    A Amazônia tem o encanto e a frescura das telas acabadas de concluir. Conserva a tepidez do último dia da criação. E as impressões digitais do Supremo Criador. Ali, está dispersa por todos os cantos a grandiosidade. Nas águas, na terra e no céu. Não há maior esplendor crepuscular em nenhuma outra parte do mundo. Nem mais ofuscante meio-dia. Nem mais fascinante luar. Ali, o clarão da lua constitui uma alvorada azul, que é transformada em prata, ao toque mágico com a epiderme das águas e flui em torrentes argênteas ao longo das copas farfalhantes. Tudo tem grandeza excepcional. Até o próprio perigo.

    Em 1864, após uma grande seca no Ceará, uma grande leva de brasileiros que estavam passando necessidades naquele estado-irmão descobriram um grande filão – explorar o látex de uma árvore nativa da Amazônia (encontrada apenas nesta floresta tropical), foi utilizada como matéria-prima para confecção de pneus. Estávamos em plena revolução industrial, e na Europa a borracha fazia sucesso. Nossos conterrâneos cearenses fizeram a “América” explorando nossos seringais, enquanto os europeus tentavam em vão cultivar a árvore mágica da Amazônia no clima temperado. Após a primeira grande guerra, depois de várias tentativas, conseguiram domesticar a Hevea brasiliensis em clima tropical de suas colônias no oriente, mais precisamente no Ceilão.

    Em seguida os norte-americanos lograram êxito com a borracha sintética, o que determinou a queda de importância do precioso látex originário de nossas florestas tropicais. Com apenas um produto – a borracha, conseguimos durante algum tempo transformar Manaus e Belém em cidades importantes no roteiro econômico mundial. Neste período surgiram teatros nas duas cidades que faziam inveja em grandes metrópoles européias.

    É certo que vivemos um novo tempo. Passamos a era da Agricultura, deixamos para trás a era industrial, e ingressamos no século da biotecnologia. Que papel a Amazônia terá neste novo momento mundial? E nós, amazônidas, como nos comportaremos diante de uma riqueza ainda não mensurada?

    Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo (entre os quais figuram Estados Unidos, China, Índia, África do Sul, Indonésia, Malásia e Colômbia), o Brasil está em primeiro lugar disparado: detém 23% do total de espécies do planeta. Só para efeito de comparação, a Suíça tem apenas um planta “endêmica” (que só existe lá), a Alemanha, 19 e o México, 3.000. O Brasil tem 20.000, apenas na Amazônia. Apenas 5% da flora mundial foi estudada até hoje e só 1% é utilizada como matéria-prima. A biodiversidade brasileira, portanto, é o cofre de um patrimônio químico inexplorado de remédios, alimentos, fertilizantes, pesticidas, cosméticos, solventes, óleos e energias, além de moléculas, enzimas e genes em número quase infinito.

    A Floresta Amazônica abriga 5.000 espécies de árvores. A Floresta temperada da América do Norte só tem 650 espécies de árvores. A Amazônia pode ter até 300 tipos de árvores por hectare. Uma Floresta temperada não tem mais de 25 tipos de árvores por hectare. O Brasil é o país com a maior diversidade biológica. A Colômbia vem em segundo e a Indonésia em terceiro. Em território brasileiro da Amazônia Legal temos o Vale do Juruá, no Acre (considerada a primeira área em diversidade biológica do planeta), e Cacaulândia, em Rondônia (festejada juntamente com Pakitza e Tambopata, no Peru, como as vice-campeãs em biodiversidade).

    Pouco tem sido feito para que tomemos conhecimento de que somos detentores de um patrimônio natural equivalente a dois (2) trilhões de dólares. Em assim sendo, o Brasil pode se transformar na maior potência mundial da bioeconomia. Um mundo no qual o Brasil tem uma vantagem competitiva inigualável: a riqueza de sua biodiversidade. A variedade de espécies de plantas e animais existentes no ecossistema brasileiro contém um tesouro biológico de genes, moléculas e microorganismos sem paralelo no conjunto das nações do globo. A água, segundo estudiosos de cenários futuros, será o foco de grandes disputas internacionais. Neste quesito também somos abençoados pelo criador por termos a maior bacia fluvial do globo, com possibilidades reais de implantarmos projetos de grande porte de piscicultura em água doce, de fornecimento de água para regiões carentes desse produto.

    Hoje, tanto se fala em venda de crédito de carbono, em projetos que compensem o desgaste ambiental produzido pelo homem no século XX. Em projetos de reflorestamento, de redução de emissão de gases poluentes, em aproveitamento racional do lixo produzido, entre outros. São medidas mitigadoras importantes, necessárias e racionais que se harmonizam com o desenvolvimento sustentável, amparados no trinômio economia, meio ambiente e social. Diante de tantas oportunidades e ameaças os habitantes da Amazônia precisam entender melhor qual o seu papel, o que podem fazer pela sua terra, como podem sobreviver em meio a essa riqueza, de forma digna, permitindo a pesquisa da biodiversidade ainda existente, sem comprometer o futuro das gerações vindouras. Esta cultura precisa urgentemente ser implantada, permitindo alguma compensação aos que preservam a riqueza da Amazônia, que com certeza está sendo socializada com toda a humanidade.

    Edson Silva, Auditor para a implantação do processo de Qualidade Ambiental.

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  • O povo do vale

    ‘Vocês vão para aquele lado? Então façam o favor de parar numa casa azul, que fica na beira da estrada e avisar a dona da casa que o marido dela fez a cirurgia e passa bem’, diz Seu Bernardo, um dos entrevistados de nossa equipe, ao ser informado sobre nosso próximo destino. Em uma outra ocasião, ouvimos de um jovem: ‘Aquele senhor quer saber se vocês podem dar uma carona prá ele e a senhora dele até Costa Marques?’. Os pedidos de carona são ainda mais freqüentes nas margens do rio. Será que dá para vocês darem uma carona de barco para mim, até a próxima vila? – questiona outro morador. Este tipo de comportamento é comum no Vale do Guaporé, onde nós da equipe Amazônia a vista tivemos o prazer de permanecer durante uma semana.

    As belezas naturais do lugar são incontestáveis, mas o povo também é encantador. Uma gente simples, espontânea e sempre pronta para largar o que está fazendo para atender bem a quem vem de fora, mesmo que esses visitantes sejam curiosos como nós, que querem saber em pouco tempo, tudo sobre uma comunidade centenária como a de Santo Antônio, ou sobre um ambiente rico em biodiversidade como o Vale do Guaporé. Se a entrevista é feita por volta do horário do almoço, não há como deixar o local sem almoçar. Praticamente ao mesmo tempo em que se faz o convite, se joga o anzol no rio e em poucos minutos a refeição está garantida.

    Bem guiados tanto por água quanto por terra, conhecemos lugares e gente encantadores. Longe do toque do celular – já que ainda não há rede em Costa Marques – e da tensão de se produzir notícia com tempo marcado, curtimos um cenário repleto de matas nativas, águas calmas, pássaros e peixes de várias espécies. Os animais que se concentravam nos rios ou em suas margens fugiam da proximidade dos curiosos, enquanto os botos cor-de-rosa, em grupos, pareciam querer pousar para as câmeras. A sensação é indescritível.

    Trabalhar no Vale do Guaporé foi uma experiência única e inesquecível. Foi possível unir, sem grande esforço, o útil ao agradável e fazer um jornalismo significante e verdadeiro.

    Eli Batista é jornalista

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  • Índios e caboclos

    Índios e caboclos gostam da tartaruga para comer. As crianças, além de comer, gostam da tartaruga para brincar. Abrem um orifício no centro do casco, ali amarram um barbante e, pronto, a tartaruga pode ser puxada pelo quintal, como as crianças urbanas fazem com os carrinhos de brinquedos.

  • Insetos

    Com 30 milhões de espécies, os insetos foram o maior grupo de seres vivos na Terra, sem levar em conta bactérias e microrganismos. Na região Amazônia está um terço deles.

  • Lenda do Tamba-Tajá

    Na tribo Macuxi havia um índio forte e muito inteligente. Um dia ele se apaixonou por uma bela índia de sua aldeia. Casaram-se logo depois e viviam muito felizes, até que um dia a índia ficou gravemente doente e paralítica. O índio Macuxi, para não se separar de sua amada, teceu uma tipóia e amarrou a índia à sua costa, levando-a para todos os lugares em que andava. Certo dia, porém, o índio sentiu que sua carga estava mais pesada que o normal e, qual não foi sua tristeza, quando desamarrou a tipóia e constatou que a sua esposa tão querida estava morta. O índio foi à floresta e cavou um buraco à beira de um igarapé. Enterrou-se junto com a índia, pois para ele não havia mais razão para continuar vivendo.

    Algumas luas se passaram. Chegou a lua cheia e naquele mesmo local começou a brotar na terra uma graciosa planta, espécie totalmente diferente e desconhecida de todos os índios Macuxis. Era a TAMBA-TAJÁ, planta de folhas triangulares, de cor verde escura, trazendo em seu verso uma outra folha de tamanho reduzido, cujo formato se assemelha ao órgão genital feminino.

    A união das duas folhas simboliza o grande amor existente entre o casal da tribo Macuxi. O caboclo da Amazônia costuma cultivar esta curiosa planta, atribuindo a ela poderes místicos. Se, por exemplo, em uma determinada casa a planta crescer viçosa com folhas exuberantes, trazendo no seu verso a folha menor, é sinal que existe muito amor naquela casa. Mas se nas folhas grandes não existirem as pequeninas, não há amor naquele lar. Se a planta apresenta mais de uma folhinha em seu verso, acredita-se então que existe infidelidade entre o casal.

  • Vale do Apertado encanta visitantes

    Vale do Apertado encanta visitantes

    Vale do Apertado encanta visitantes

    O cenário do Vale do Apertado é capaz de encantar até mesmo ao mais exigente amante da natureza. O local é formado por um ambiente rústico, paisagem nativa, ecossistema

    frágil, flora e fauna ímpar. O acesso à área ocorre pela BR-364. Partindo-se de Pimenta Bueno serão percorridos 70 km em sentido Vilhena. A partir daí, no KM 132, segue-se mais 12 km, pelo lado esquerdo, numa estrada estadual de terra.

    O Vale do Apertado chama a atenção não só de técnicos ligados a área ambiental, mas também de pessoas de várias regiões do Estado de Rondônia. Mesmo cientes da falta de estrutura do local, os turistas não deixam de visitá-lo. Segundo o auditor ambiental Edson Silva, membro da Associação Pimentense dos Amigos do Meio Ambiente (APAMA), a

    área é especial e merece ser considerada de interesse turístico em virtude das

    paisagens notáveis e dos acidentes naturais adequados à prática

    desportiva -raffiting, cannying, boiacross, arborismo, rappel- nas águas e

    rochas. Ele acredita que as cavidades naturais subterrâneas existentes no Vale do Apertado podem também ser constituídas em patrimônio cultural brasileiro, devendo ser

    preservadas e conservadas para permitir estudos e pesquisas técnico-científica, voltadas para atividades étnico-cultural, recreativa e educativa.

    Segundo o auditor, as grutas ou cavernas da região foram formadas por processo natural, onde há inscrições rupestres -desenhos e escritas- que merecem ser estudadas para avaliar o período e a possível origem dos habitantes que viveram no local. Atualmente as grutas são habitadas por um indeterminado número de morcegos, havendo a crença de que no passado serviram de moradia para os primeiros habitantes da região. “O local se apresenta como área de potencial espeleológico devido à sua constituição geológica e geomorfológica, suscetíveis ao desenvolvimento de cavidades naturais subterrâneas, em decorrência da formação calcárea de suas rochas”, disse o auditor.

    Belezas serão preservadas

    Para que o cenário do Vale do Apertado possa ser dividido com os amantes da vida ao ar livre, segundo Edson Silva, torna-se necessário a elaboração de estudo de impacto ambiental para as ações ou empreendimentos de qualquer natureza, previstos em áreas de ocorrência de cavidades naturais subterrâneas ou de potencial espeleológico. “Ao lado de todo este potencial turístico, teremos um empreendimento de geração de energia – a PCH Rondon II- que irá preservar as belezas naturais do local”, disse o auditor. Ele lembrou também, que como compensação a empresa irá ainda oportunizar uma área de reserva ambiental no entorno do lago da usina geradora de energia elétrica, além de oferecer oportunidades de empregos aos moradores de Pimenta Bueno e região.

    O ambientalista Filinto Ribeiro, que também é membro da APAMA, disse que as belezas naturais do Vale do Apertado são únicas no Estado. Segundo ele, entre as principais atrações do local estão as cachoeiras, que chegam a 70 metros de altura. “Temos vários pontos turísticos na região de Pimenta Bueno”, disse.

    Quanto as metas da Prefeitura para o local, a secretária de Meio Ambiente e Turismo, Márcia Figueiredo, disse que o município passará a investir em infraestrutura após a conclusão da PCH Rondon II. “Pretendemos firmar parcerias com a empresa que está construindo a usina e outras entidades para explorar o potencial turístico do Vale do apertado”, disse.