Categoria: Destaques

  • Cacique diz que vai trabalhar em parceria

    Cacoal/RO – O cacique Pio Cinta Larga, que assumiu na última quinta-feira a administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Cacoal, disse ontem (25) que vai montar sua equipe de trabalho a partir da próxima segunda-feira. Ele informou que ainda não nomeou ninguém porque está aguardando a presença do novo coordenador do Grupo da Força Tarefa Cinta Larga, João Batista Maglia, que permaneceu durante o dia de ontem na base da Polícia Federal, em Pimenta Bueno. “Como trabalharemos em parceria, prefiro esperar o João Batista para formarmos a equipe juntos”, disse Pio.

    Pio disse que os líderes indígenas de outras etnias também serão ouvidos na hora das decisões. Além de cuidar das áreas administrativa e financeira da administração regional da Funai, o cacique tem a atribuição de administrar qualquer situação ocorrida nas aldeias das etnias Cinta Larga, Suruí, Kwaza, Apurinã e Mequéns, localizadas nos municípios de Cacoal, Pimenta Bueno e Espigão do Oeste.

    Quanto aos 16 funcionários exonerados pelo presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira, o cacique disse que vai conversar com seus parentes para depois decidir se vai reaproveitá-los em novas funções. A maioria dos exonerados ocupava cargos de chefia de postos indígenas nas aldeias e os demais trabalhavam nos setores administrativo e financeiro da Funai. Sobre os motivos das demissões, o cacique disse apenas que foi pego de surpresa pelas exonerações.

    Apesar de ser o primeiro índio a ocupar o cargo em Rondônia e o segundo no Brasil, Pio disse que está preparado para suas novas funções. Antes de assumir a Funai, o cacique era um dos principais chefes do garimpo de diamantes da Reserva Roosevelt, localizado no município de Espigão do Oeste.

    Questionado sobre sua vida pessoal, o cacique disse que tem apenas uma esposa e seis ou sete filhos. Sobre sua idade ele afirmou que “a única coisa que não sei da minha vida é quantos anos tenho”.

  • Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Aldeia Tenente Marques/Espigão do Oeste/RO – Encravada no extremo Sul do Estado de Rondônia, na divisa com o Mato Grosso, está localizada a Reserva Roosevelt, terra “Sagrada dos Índios Cinta Larga”. A reserva é um imenso território verde dividido em quatro áreas: Área indígena Aripuanã, Parque Aripuanã, área indígena Roosevelt e área indígena Serra Morena.

    Com a extensão de 2,7 milhões de hectares de pura floresta Amazônica, esta área tem o tamanho de paises como à Bélgica ou 20 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Essa imensidão verde no chamado “Paralelo 11” é onde está localizada a nação dos últimos descendente dos Tupis. A tribo Cinta Larga teve suas terras demarcadas no inicio dos anos 70, porém o Brasil só ouviu falar delas pela primeira vez após a sua invasão por milhares de mineradores. Invasão essa que resultou no massacre de 29 garimpeiros, ocorrido em abril de 2004, atraindo para a região as atenções de todo o planeta.

    Desde a demarcação de suas terras, os 1.394 índios que formam a nação Cinta Larga, até hoje não foram incluídos em nenhum programa de ajuda do Governo Federal. Abandonados ao longo desse período pela ausência do poder público, os índios Cinta Larga se viram forçados a fazerem alianças com organizações de idoneidade muitas vezes duvidosas, para obter dinheiro e trazer as melhorias para a tribo.

    Na década de 80, eram os madeireiros que invadiam a reserva na extração clandestina do mogno e da cerejeira. No fim da década de 90 juntaram-se aos garimpeiros e contrabandistas de diamantes que há muito se interessam pela região. Região essa que esconde aquilo que pode ser uma das maiores jazidas de diamante do mundo.

    Riqueza incalculável

    A riqueza que dorme no subsolo da Roosevelt é incalculável. As terras da Reserva Roosevelt abrigam várias rochas de kimberlitos, que ao brotarem do subsolo, trazem os diamantes das profundezas da terra para perto da superfície. Para entender o significado dessa descoberta, basta dizer que as maiores jazidas de diamante do mundo têm, cada uma, um único kimberlito.

    No período de 2003 a 2004, milhares de garimpeiros, despertados pela cobiça dessas imensas riquezas transformaram a área em terra de ninguém. A corrupção na região se tornou endêmica, envolvendo garimpeiros, policiais e contrabandistas, que ora se associavam na extração ilegal de diamantes, ora brigavam entre si.

    Hoje, o garimpo está deserto, mas se houver uma brecha, em 24 horas pode ser invadido por milhares de “Garimpeiros” e “Rodados”, que só esperam a oportunidade certa para participar da “Varação”. Uma vez dentro da reserva invadem os baixões e grotas agindo como em um assalto programado. Ficam ali algumas semanas, retiram milhões em pedras e vão embora, deixando atrás de si um rastro de destruição e degradação ambiental com a devastação ecológica da flora e da fauna em torno do garimpo, sem falar na poluição e assoreamento dos rios.

    Essa corrida desenfreada na extração de diamantes atraiu para a região traficantes, contrabandistas e a prostituição, gerando uma situação de tensão e violência às quais os índios não estavam acostumados e que atualmente não querem mais se submeter. Com essa riqueza ao alcance das mãos e tantos interesses em jogo os fatos são distorcidos. As lideranças indígenas, aos olhos da sociedade, passaram a ser os bandidos da história, mas, na realidade, pela sua ingenuidade e a falta de conhecimento da malandragem do branco, são ludibriados pelos receptadores, pelos servidores públicos corruptos e donos de máquinas.

    Agem de acordo com sua cultura, embora pareçam estar envolvidos com os brancos, mas a realidade é bem outra. Após os grandes levantes ocorridos no interior do garimpo durante os últimos anos, os índios ao que parece aprenderam com o revés sofrido. As atividades no garimpo diminuíram, os índios passaram a se organizar com o surgimento de associações e cooperativas para melhor administrar suas terras e riquezas.

    Construção de hidrelétrica

    Após anos de contato com o chamado mundo dos brancos, novas lideranças começam a surgir entre os Cinta Larga. Entre essas lideranças o maior destaque é João Bravo, líder emergente da comunidade Tenente Marques. João Bravo é o responsável pelas grandes mudanças ocorridas na sua aldeia. Em 2001 o líder tribal deu inicio a construção de uma usina hidrelétrica na bifurcação do Rio Roosevelt, com capacidade para gerar 20 CV que fornece energia elétrica para toda a aldeia que fica a dois kilometros do local.

    Todo o projeto da construção da usina, mais o canal de 110 metros em concreto que leva a água até a casa de máquinas onde fica a unidade geradora de energia. “Todo esse trabalho foi feito pela comunidade, não teve ajuda nenhuma do governo”, afirmou João Bravo, enquanto apontava para o longo canal de concreto. Ao caminhar pela Aldeia Tenente Marques as margens do rio, o visitante pode comprovar as inúmeras inovações que foram introduzidas pelo líder indígena.

    Novas casas

    As antigas choupanas de pau a pique e barro batido cobertas de sapé que formavam a aldeia, deram lugar a novas casas de madeira cobertas com telhas e pintadas na cor verde e amarela. “Igual às cores da bandeira do Brasil”, afirma orgulhoso João Bravo. São novidades que estão mudando o ritmo de vida dos moradores. Nessa verdadeira evolução a comunidade ganhou três pistas de pouso para pequenas aeronaves e desfruta de boas estradas, interligando a aldeia às demais comunidade. Todo esse trabalho foi executado com a utilização de tratores e caminhões caçambas da própria comunidade indígena.

    Recentemente o Cacique João Bravo implantou o projeto de piscicultura na aldeia, com a construção de tanques onde foram colocados 100 mil alevinos. Esse projeto pioneiro na área indígena tem como principal objetivo atender ao consumo da população e também a comercialização da produção excedente.

    A pecuária também já entrou forte nas terras da aldeia. Funcionários foram contratados para erguer milhares de metros de cerca nas pastagens de braquiúra com a tecnologia da eletrificação. Currais modernos foram construídos para facilitar o manejo dos rebanhos que é feito por vaqueiros não índios contratados pela aldeia.

    Saúde e Educação

    Na saúde o líder da tribo investiu na aquisição de ambulância traçada e medicamentos para o postinho. Agentes de saúde contratados fazem o acompanhamento diário da população local, principalmente das crianças.

    Segundo levantamentos feitos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a taxa de mortalidade infantil na reserva é zero. Na educação, João Bravo brigou até com o Governo do Estado para viabilizar a construção de uma nova escola para a comunidade. “O governador não queria fazer a escola. Eu mandei prender carro da Seduc na aldeia, só depois que começou a construção da escola eu liberei carro”, comentou o chefe da aldeia.

    Depois dessa suposta briga pela construção da nova escola, uma parceria foi firmada com o Governo do Estado, que através do Setor de Educação Indígena da Seduc equiparou as escolas na tribo. Professores indígenas foram graduados e hoje são capacitados para atuar na rede de ensino, atendendo em sala de aula toda a clientela da aldeia em idade escolar. Com esse trabalho dirigido pelos próprios professores da comunidade, conseguem manter suas tradições em harmonia com a modernidade.

    Mesmo sendo conhecedor da imensa riqueza em forma de diamantes que repousa sobre os seus pés, o líder João Bravo, que é conhecido por todos como “Um homem muito sistemático”, utiliza essa riqueza e a liderança que exerce, não em beneficio próprio, mas em projetos de bem estar comum, que geram o desenvolvimento e o conforto para a sua comunidade. “Muitos falam que eu sou rico, mas não verdade tudo aqui não é meu, pertence à comunidade”, defende-se o velho líder.

    Lições a governantes

    A liberação ou não do garimpo da Reserva Roosevelt ainda será tema para longas discussões nos luxuosos gabinetes de Brasilia, mas enquanto a situação não se define, esse emergente líder indígena segue, dando lições a muitos governantes de como se administra os recursos de uma comunidade.

    Hoje a aldeia de João Bravo tem a estrutura de uma verdadeira empresa, gerando emprego a dezenas de funcionários não índios que moram e trabalham na comunidade, executando trabalhos em diferentes setores que mantem em perfeito funcionamento toda a estrutura da aldeia. “Aqui cada um tem a sua ocupação. Quando amanhece cada qual já vai para o serviço, é como em qualquer empresa”, afirmou o vaqueiro Joaquim Calvacante, que trabalha há quase dois anos na aldeia.

    Apesar desse progresso que algumas aldeias têm conseguido, a sombra do garimpo com sua riqueza e seus perigos é uma ameaça constante a essa paz momentânea que a tribo desfruta. Todos na aldeia sabem que para defender suas terras, suas mulheres e crianças contra a invasão dos ambiciosos aventureiros que teimam em rondar suas fronteiras, os índios Cinta Larga hoje contam apenas com a coragem de líderes como João Bravo, que ao longo dos seus 63 anos ainda luta tenazmente por dias melhores para o seu povo.

  • Educação indígena recebe atenção

    Espigão do Oeste/RO – O município é diferenciado dos demais pela sua proximidade com reservas indigenas das etnias Suruis, Cinta Larga e Aporinã. A presença tão próxima da população indígena trouxe ao município uma responsabilidade a mais na manutenção das reservas. Um bom exemplo é na questão da educação indígena, que é feita pela Seduc, através da Representação de Ensino de Espigão do Oeste, que atualmente conta com uma equipe técnica pedagógica só para desenvolver a educação indígena.

    A equipe coordenada pela professora Vera França Taurino realiza todo o acompanhamento pedagógico das escolas indigenas da reserva Cinta Larga. As ações da equipe têm como objetivo prestar apoio técnico durante o planejamento, execução e avaliação das aulas ministradas pelos professores índios e não índios que atuam dentro das aldeias indigenas. Todo o trabalho anual é feito com planejamento antecipado pela equipe técnica que periodicamente visita as escolas dentro da reserva em um trabalho de campo, onde acompanha de perto todo o progresso dos alunos diante das atividades propostas pelos educadores. As lideranças das comunidades indígena Cinta Larga têm participado desse trabalho desenvolvido pela professora Vera França e sua equipe, participando dos encontros pedagógicos e discutindo as prioridades das escolas.

    Hoje a educação indígena desenvolvida nas aldeias é de qualidade. Uma prova disso é a grande freqüência dos alunos durante as aulas.

  • “Meu povo tem o direito de viver em Paz”

    No dia 08 de abril completaram exatos três anos que aconteceu o fatídico confronto na terra dos Cintas Largas que culminaram com a morte de 29 garimpeiros. Durante todos esses anos o fato foi investigado pelas autoridades competentes, mas nunca se preocuparam em dar uma resposta convincente para a opinião pública do que realmente ocorreu na reserva naquele dia.

    Graças a esse silêncio das autoridades o episódio foi, e continua sendo explorado com muito sensacionalismo por toda a mídia do país, causando um grande constrangimento para o povo da Reserva Roosevelt. Durante esse tempo a nação indígena tem convivido com essa culpa, marcados pelo estigma de ser um povo belicoso e dado à violência. Contrariando toda essa pragmática afirmação, as lideranças lutam para reconstruir a vida na aldeia, buscando melhores dias para os seus descendentes. Tentando entender melhor a saga desse povo, visitei a aldeia central do Roosevelt e Capitão Cardoso.

    Durante as conversas com as lideranças mais velhas passei a conhecer a luta enfrentada por esse povo que ao contrário do que dizem, formam uma sociedade patriarcal, com uma convivência muito alegre e festiva, gostam de receber suas visitas com grandes festas onde homens, mulheres e crianças dançam e riem com a maior naturalidade. Os problemas nas aldeias surgiram com a descoberta do garimpo, daí por diante a situação tem se tornado em parte muito mais difícil, porque se por um lado os índios têm dificuldades para trabalharem suas terras e sustentar seu povo, por outro são excluídos pela sociedade pelo fato da maioria ser analfabeto, não ter cultura e ter costumes diferentes dos brancos.

    Na aldeia central do Roosevelt a liderança é do Cacique João Pamaré Cinta Larga. Com boa instrução, João Pamaré não tem dificuldades para se expressar com seus interlocutores. “Quando tivemos contato com o branco achamos que seríamos aceitos em seu meio, mas com a descoberta do garimpo tentamos trabalhar em comum acordo com eles, não foi possível, verificamos que enquanto trabalhávamos com os brancos, houve uma desestruturação das comunidades e uma enorme evasão de parentes para a cidade, daí surgiram todas as coisas ruins.

    João Pamaré Cinta Larga também falou do temor dos mais velhos com a evasão de jovens que vão para cidade. “Nossos jovens começam a conviver com os brancos e logo não querem mais viver como nós, isso é muito ruim para o futuro do povo, precisamos que eles aprendam língua dos brancos, que estudem como os brancos, possam ser doutores, professores, qualquer coisa, mas não esquecendo nossas origens”. O cacique da Aldeia Roosevelt fez questão de mencionar a preocupação das lideranças. “Não queremos que os jovens da aldeia venham a passar pelas mesmas dificuldades que minha geração está enfrentando hoje, nessa convivência com o branco”.

    Durante os dias que passei na aldeia, as conversas com as lideranças mais velhas sempre foram carregadas de desabafos contra a atual situação por que passam os remanescentes da grande Nação Tupi. No dia marcado para voltar à cidade pude conversar com o ex – cacique geral da etnia que visitava a aldeia. Ita Cinta Larga como os demais lideres, criticou o abandono dos índios por parte do governo federal. “Não temos um bom atendimento de saúde, temos grandes dificuldades, pois estamos a centenas de quilômetros da cidade e nosso posto de saúde é de pequena estrutura, não atende as nossas necessidades, se houver alguma emergência não sabemos o que pode acontecer com parente.”

    Sentado sobre um grande tronco caído ao lado da maloca, o líder Ita Cinta Larga também falou dos temores dos índios com a segurança de suas terras. “Outro problema que preocupa é não termos controle dos limites da reserva, muitas vezes descobrimos o branco trabalhando de forma clandestina nas grotas, quando acham “pedra boa” na hora de repartir acabam brigando e muitas vezes matam amigo para ficar com pedra. Quando volta à cidade sem companheiro fala que foi o Cinta Larga que matou, homem branco tem muita malícia e pouca palavra”, reclamou o líder indígena.

    Tive que concordar com o sábio índio diante dos inúmeros casos que temos conhecimento na região, fatos que a mídia explorou muitas vezes sem o devido conhecimento e cautela, denegrindo e desonrando o povo da floresta, fomentando o ódio dos brancos contra os índios. Alterando a voz em alguns momentos o velho líder indígena continuou seu desabafo enquanto cavoucava o chão com um graveto de madeira, “Quero dizer que nós Cinta Larga não invadimos os comércios, as residências, as terras, não ameaçamos os filhos do branco e muito menos a vida do branco”. “Nós, Cinta Larga só querer do governo brasileiro a garantia da nossa terra”.

    Em dado momento o velho líder apanha com o graveto uma enorme formiga preta que caminhava no chão de terra batida. Ita Cinta Larga levanta o inseto que agarrado ao galho fica imóvel na sua extremidade. O velho índio, considerado um analfabeto pelo fato de não ter cursado uma escola dos brancos, olha fixamente para o inseto e murmura uma entrecortada frase na sua língua materna: “Mbaveej máá nzyja atawaap ta mene pira”!. Rapidamente olhei para o professor Anemã Cinta Larga ao meu lado e ele entendeu o meu gesto. Baixou a cabeça e respeitosamente me traduziu o triste lamento do velho cacique. “Parente muito triste com tudo que aconteceu com a gente”! Parente fala! “Meu povo tem o direito de viver paz”.

    Após retornar das aldeias passei a questionar o posicionamento muitas vezes irresponsável da imprensa, tanto local como nacional pelo modo como vem tratando o povo Cinta Larga. Fazendo um mau uso dos meios de comunicação, expondo esse povo a execração, imputando – lhe toda a culpa por tudo de mal que acontece na região. Muito desses “Profissionais da Mídia” nunca sequer estiveram próximo ao garimpo, mas se baseiam em boatos carregados de exageros ou em alguns telefonemas para escrever suas matérias, com essa negligencia deliberadamente estão incitando a violência e o ódio dos brancos contra os povos da floresta. Hoje tenho plena certeza que o maior desejo dos 1362 índios que formam a Nação Cinta Larga, é ter a garantia de viver em paz em suas terras. Somente isso!

    Luizinho Carvalho é jornalista

    [email protected]

  • Desarticulada quadrilha do cobre

    Alto Alegre/RO – A mineração predatória e irresponsável está deixando suas marcas na região de Alto Alegre dos Parecis, a 520 quilômetros de Porto Velho. Na última quinta-feira, a extração ilegal de minério de cobre resultou na prisão em flagrante de sete pessoas, uma máquina escavadeira e 3,6 mil quilos da matéria-prima, na Linha P40, no quilômetro oito. Os acusados foram levados para o Departamento de Polícia de Alta Floresta, mas foram liberados depois de pagarem fiança.

    Na operação, realizada pela policia ambiental e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sedam), os envolvidos foram enquadrados no artigo 2 da Lei 8176/91, que prevê detenção, de um a cinco anos, além de multa para quem explorar matéria-prima sem autorização legal, e no artigo 55 da Lei 9.605/98, que determina detenção, de seis meses a um ano e multa para a execução de pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem permissão.

    Segundo o prefeito do município, Mariton Benedito de Holanda, há pelo menos três meses, caminhões com placa de Ariquemes saem da cidade, à noite, carregados de minério. Segundo ele, pelo menos quatro equipes trabalham na região, extraindo o minério em sítios particulares com a conivência dos donos. “Eles ganham alguma coisa para deixar os mineradores trabalharem nas propriedades”, diz. Mas, Mariton afirma que, depois de descobrirem o potencial do negócio, os próprios sitiantes estão querendo assumir a extração.

    Alto valor

    O cobre é um produto de alto valor, se comparado à maioria dos outros componentes da pauta estadual. A matéria-prima é o metal não ferroso mais utilizado, depois do alumínio, por ser excelente condutor de eletricidade e calor. Mais de 40% das reservas mundiais estão localizadas no Chile e nos Estados Unidos. No Brasil, foram extraídas quase 132 toneladas de cobre, que movimentaram mais de R$ 993 milhões.

    Segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro de 2006, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), não existem reservas minerais medidas ou lavráveis de cobre em Rondônia. “Não há registro de cobre no Estado, além de Parecis”, afirma o geólogo Deolindo de Carvalho Neto, responsável pelo DNPM em Rondônia. Ele afirma que por duas vezes o DNPM de Rondônia formulou denúncia de extração ilegal de cobre ao Ministério Público e a Polícia Federal. “A empresa mineradora fez a denúncia afirmando que a sua área foi invadida”, afirma. Apesar de não ter vocação para mineração – o Estado representa 2,49% da atividade brasileira – o setor movimentou R$ 190 milhões, em 2005.

    Permissão para pesquisa

    Existem oito processos em andamento no DNPM de empresas que requerem autorizações de pesquisa de cobre ou minério de cobre, em Alto Alegre dos Parecis. Desde 1988, mineradoras grandes, como a Vale do Rio Doce, já buscavam permissão para pesquisa. Apenas a Mineração Paracaua tem o alvará de pesquisa para o cobre na região, concedido até abril de 2008. De acordo com Artur Oliveira, técnico em geologia e mineração do DNPM, a autorização foi dada em 2001, por três anos, e prorrogada em 2006, por mais dois anos.

  • Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Espigão do Oeste/RO – A comunidade Cinta Larga se reuniu em uma assembléia geral no dia 07 de setembro na aldeia central do Roosevelt para eleger as novas lideranças da etnia. A reunião começou pela manhã e contou com a participação de todas as tribos que se deslocaram até a aldeia central para participar do pleito.

    Em conformidade com as tradições a cerimônia foi toda realizada na língua materna (Tupi Mondé), começando com o candidato a cargo de cacique, Azumba Cinta Larga fazendo uma oração de agradecimento a Deus por aquele encontro. Os vários candidatos foram convidados a compor a mesa e depois cada um teve o uso da palavra para falar de suas propostas para a comunidade e tempo para pedir votos.

    A primeira eleição foi realizada para a escolha do novo presidente da associação indígena. Após a apuração dos votos foi eleito Marcelo Cinta Larga, tendo como vice o líder Pio Cinta Larga.

    A segunda eleição do dia foi realizada para a escolha do novo cacique da aldeia central do Roosevelt, apresentou os candidatos: Mascote, João Pelado, Canário, Azumba e João Pamaré que concorria pela reeleição. Após a contagem dos votos, foi eleito o novo cacique da aldeia central o líder Azumba Cinta Larga e como vice Canário Cinta Larga.

    Problemas das aldeias

    No dia seguinte uma nova reunião foi organizada pelos novos lideres que se reuniram com a comunidade indígena para discutirem os principais problemas das aldeias. Representantes das aldeias Capitão Cardoso, Juarez, Tenente Márquez, 14 de Abril, Flor do Prado mandaram seus representantes para participarem das discussões.

    O representante da educação escolar indígena Anemã Irun Cinta Larga também participou do encontro como representante da Seduc na coordenação das escolas indigenas das aldeias Cinta Larga. Cada liderança fez o uso da palavra para expor as suas dificuldades na comunidade. Ao final o novo presidente da associação indígena Marcelo Cinta Larga propôs criar uma nova identidade para a associação indígena, com ações voltadas para valorizar e resgatar as tradições e costumes do povo Cinta Larga.

    Escolha democrática

    O técnico em educação indígena Anemã Irun Cinta Larga falou da importância dessas transições que acontecem nas comunidades indigenas. As eleições para escolha de novas lideranças acontecem cada vez que a comunidade não está satisfeita com o líder. Na escolha todos podem votar, menos criança. “A permanência de líder não tem tempo determinado, enquanto estiver atendendo bem os pedidos da comunidade ele permanece, não tem limite para ele ficar como cacique”, afirmou Anemã.

    A escolha dos caciques é democrática e sem restrições aos seus membros. Qualquer um da comunidade pode se candidatar para o cargo. Após o encontro o representante da educação escolar indígena Anemã Cinta Larga pediu as lideranças o apoio na manutenção da educação indígena dentro das aldeias. “Esse apoio de novos lideres é muito importante para que os pais mantenham os jovens nas escolas”, finalizou o professor Anemã.

  • Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Ji-Paraná/RO – Em Ji-Paraná não chove há quase quatro meses e o nível do rio Machado, que deveria estar medindo entre seis e sete metros, está na marca dos 2,85 metros. Este ano é a pior estiagem desde o ano de 1989.

    O agrupamento do Corpo de Bombeiros de Ji-Paraná está aconselhando que as pessoas não utilizem barcos e lanchas no Machado, pois a quantidade de pedras à mostra jamais foi vista antes.

    Alguns anos atrás, toda a Amazônia era completamente regular. No mês certo chovia, depois chegava a seca. Segundo informações do pesquisador em meteorologia, Daniel Panobianco, chuva só na segunda semana de outubro. “O calor excessivo é efeito da anomalia negativa de chuvas este ano. A estiagem começou muito antes do que se esperava”, explicou o pesquisador.

    A conseqüência do calor afeta a qualidade do ar, que segundo Panobianco, em alguns dias já chegou a ser avaliada como inadequado. Como conseqüência, os hospitais ficam lotados com crianças e idosos que apresentam falta de ar, tosse seca, ardor nos olhos, nariz e garganta. Cuidados simples e caseiros podem umidificar o ar dentro de casa e aliviar os sintomas provocados pelo ar seco.

    A umidade relativa do ar de Rondônia está abaixo de 12%, o que é considerado como estado de emergência pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação pode piorar, caso venha uma frente fria nos próximos dias. De acordo com o pesquisador, quanto mais friagens, mais tardia será à volta da estação chuvosa.

  • Puroborás lutam pelo reconhecimento

    Vale do Guaporé/RO – Contactado pelo Marechal Candido Mariano Rondon, em 1919, o povo Puroborá, que vivia em uma área entre os municípios de São Francisco do Guaporé e Seringueiras já conquistou importantes vitórias na luta que vem empreendendo desde 2002 pela busca do reconhecimento de sua etnia.

    Em 2007, um grupo de Trabalho da Funai deverá fazer um laudo antropológico para dar andamento ao processo que inclui a demarcação da terra onde viveram os antepassados Puroborá. Os recursos para o trabalho foram incluídos no orçamento da Funai de 2007.

    A área esta hoje ocupada por fazendeiros, mas por lei deve ser devolvida aos índios, com o pagamento de indenizações pelas benfeitorias encontradas na região, segundo o administrador substituto da Funai em Porto Velho, Osman Brasil.

    O reconhecimento do povo Puroborá está calcado na Resolução 069, da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Governo Brasileiro, que dá o direito de reconhecimento de remanescentes de povos como os indígenas e que no Brasil também inclui os quilombolas.

    Embora a lei seja clara a respeito, sabe-se que a retomada das terras do Puroborás não será fácil. “Nós encontramos muita resistência na região. Além de tentativas de captação dos índios pelos fazendeiros, também já foram feitas ameaças de morte para que os indígenas desistissem de retomar a terra”, relata Antonio Evangelista Sansão Puruborá, um dos líderes e articulador do processo de reconhecimento do povo.

    De acordo com Osman Brasil, os Puroborás foram expulsos de suas terras na década de 1970, quando foi criada a terra indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau. Mais três povos, Wajuru, Cujubim e Miqueleno, também reivindicaram o reconhecimento em Rondônia.

  • Animais peçonhentos se tornam ameaça

    Porto Velho/RO – São registrados por ano em Rondônia cerca de 600 acidentes envolvendo animais peçonhentos. O problema se agrava nesta época do ano, em virtude do período de chuvas. Estes animais só atacam quando se sentem ameaçados.

    As cobras Jararaca, Coral e Surucucu ‘bico de jaca’ representam 90% das ocorrências de acidentes com animais peçonhentos no Estado. O restante fica por conta das aranhas – 8%- e os escorpiões -2%- segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

    Segundo o biólogo Flávio Terrassine, a chuva não é o único motivo que faz com que os animais saiam da toca nos quatro meses de inverno. “Essa é a época de acasalamento. De cada 20 aranhas que chegam até nós, por exemplo, 18 são machos, todas em busca de fêmeas para o acasalamento”, explica. Escorpiões, abelhas e formigas, especialmente a amazônica ‘tuncandeira’ complementam a lista de peçonhentos.

    Flávio, que também é pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), diz que a maioria dos acidentes com animais peçonhentos poderia ser evitada, se as pessoas não invadissem o espaço desses bichos. “Só atacam quando se sentem ameaçados e os ataques geralmente acontecem no momento de se alimentar ou defender”, explica. Segundo ele, também há a falta de informação. “As pessoas não se vestem adequadamente para entrar no mato. É preciso calçar botas e vestir calças compridas”, orienta.

    A aranha ‘armadeira’ é a mais comum na região. Ela pode alcançar até 13 centímetros, bem menor que a temida caranguejeira, mas muito mais perigosa. “Como o nome já sugere, ela é agressiva, se arma para atacar”, ressalta Flávio. Elas habitam com maior freqüência bananeiras e terrenos baldios, o que eleva o risco de ataques, levando em conta o grande número de imóveis abandonados, ao longo dos municípios rondonienses.

    Veneno

    As serpentes Sucuri e Jibóia, de acordo com o biólogo Saymon de Albuquerque habitam a região de Porto Velho. O pesquisador desmente a antiga crendice de que em alguns meses elas ficam venenosas. “Nem uma nem outra é venenosa, em época alguma”, afirma. Condutas adotadas, especialmente por ribeirinhos, para curar a picada de cobras são reprovadas pelos pesquisadores. “Amarrar com tipóia, cortar a parte mordida, colocar urina, seja o que for, não resolve. Só mesmo o soro antiofídico para curar”, afirma o biólogo.

    Captura

    O Corpo de Bombeiros recomenda a população a não matar animais. Segundo informações da corporação, o procedimento correto é acionar os bombeiros que farão a captura dos bichos com os instrumentos adequados. Os serviços podem ser solicitados pelo telefone número 193. Os bombeiros soltam o animal em seu habitat natural e em área isolada da população.

  • Macacos e pássaros são apreendidos

    Porto Velho/RO – Cinco denúncias anônimas ajudaram o Ibama e a Polícia Ambiental a apreender, sexta-feira, 10 animais que viviam em cativeiro em Porto Velho. A maioria deles na região central da cidade.

    Um dos macacos apreendidos era usado como atrativo em um hotel.

    Alguns animais apresentavam indícios de maus-tratos. Um macaco tinha a região da cintura marcada pelas cordas que o prendia a uma árvore há mais de um ano, segundo os técnicos do Ibama. Os animais ficarão em observação durante 40 dias e provavelmente serão enviados para reservas de conservação localizadas fora do Estado, porque em Porto Velho não há nenhum local com condições adequadas para recebê-los.

    Foram apreendidos dois macacos da espécie Cairara (Cebus kaaporis), um macaco Aranha (Ateles geoffroyi), uma Curica (Caica caica) e seis pássaros Curiós (Oryzoborus angolensis), em diferentes bairros da cidade, sendo que um macaco era criado numa chácara na zona leste. Os ex-proprietários vão desembolsar uma multa de R$ 500 para cada animal apreendido, valor estipulado para bichos que não estão em extinção.

    Para os que estão ameaçados a multa varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil. O proprietário dos curiós terá que pagar uma multa de R$ 3 mil.

    Segundo a veterinária do Ibama Cláudia Vilela, de imediato os animais vão passar por uma série de exames e receber medicamentos para vermes. “Alguns macacos apresentam problemas de pele, provavelmente causados por fungos e outros estão com cáries e até caspa”, diz.

    De acordo com a veterinária, o principal problema de manter animais em cativeiros domésticos são as doenças que eles podem transmitir. O macaco, por exemplo, é transmissor de raiva, herpes e hepatite. “Não somos bem recebidos pelos proprietários dos bichos, mas eles não entendem que estamos visando mais o bem-estar deles do que propriamente dos animais. Nenhum destes, por exemplo, possui característica de ser doméstico”, diz o cabo Carlos Gomes, da Polícia Ambiental, que trabalhou nas operações do Ibama.

    Denúncia

    A apreensão dos animais foi possível através de denúncias anônimas da população, através do Linha Verde do Ibama, mas a Polícia Ambiental também recebe ligações da população. Os telefones para que a comunidade possa denunciar a existência de animais silvestres em cativeiros domésticos são 0800-618080 ou 3230-1088, 3230-1777 e 3230-1274.