Categoria: Destaques

  • Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – A garimpagem de diamantes na Reserva Indígena Roosevelt, localizada no município de Espigão do Oeste, a cerca de 500 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia, foi paralisada. Pelo menos é isso que garantem os caciques da Tribo Cinta Larga, que há 30 dias expulsaram mais 270 garimpeiros do local. No dia 20 de maio os barracos também foram derrubados e o maquinário foi retirado da área.

    Cerca de 2 mil índios habitam a Reserva Roosevelt, formada por 231 mil hectares. A destruição ambiental da área vem tomando proporções cada vez maiores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) já elaborou um plano de recuperação da área degradada, mas o projeto só deverá ser colocado em prática depois que a situação da garimpagem ilegal for resolvida.

    Funcionários da Funai acreditam que no mínimo 10 mil garimpeiros tenham estado no local nos últimos seis anos. Somente no trecho conhecido como Baixão, a área garimpada já ultrapassa 10 km de extensão.

    A terra dos Cinta Larga já foi palco também de vários conflitos entre índios e garimpeiros. Há dois anos, 29 corpos de garimpeiros foram retirados da área em uma única operação policial. Funcionários da Funai acreditam, porém, que no mínimo 100 já teriam sido assassinados dentro da reserva.

    Negociação

    Os caciques João Bravo, Alfredo, Uita e Tataré afirmaram que decidiram fechar o garimpo, na tentativa de negociar com o Governo Federal a legalização da garimpagem. Eles não informaram, no entanto, por quanto tempo vão aguardar uma posição das autoridades. “O fechamento do garimpo representa prejuízo para nós, mas vamos mantê-lo fechado para que as autoridades confiem em nossa palavra”, disse Tataré.

    O desejo dos índios é de que a garimpagem seja feita apenas por eles, sem a participação de homens brancos. “Homem branco traz muitos problemas aos índios”, disse João Bravo.

    Estupros

    Mesmo afirmando que querem usar as riquezas encontradas em suas terras para melhorar a vida de quem vive na reserva, os índios reclamam que até agora o garimpo só trouxe problemas ao Povo Cinta Larga. O cacique Uita afirmou que houve inclusive casos de garimpeiros que estupraram crianças indígenas. “Houve vários estupros. A gente não fala, porque ninguém acredita em nós”, reclamou.

    Quanto ao assassinato de garimpeiros, Uita disse que foram praticados por índios de aldeias distantes da área do garimpo. “Isso aí não foi feito por gente daqui. Nós vamos proibir até a entrada de vários parentes que vem de fora fazer besteira aqui dentro”, disse.

    Fiscalização

    Além da fiscalização que é feita pelos índios, a Polícia Federal e a Polícia Militar mantém barreiras nas principais entradas do garimpo. Homens da Funai e da Polícia Ambiental também permanecem na reserva.

    O delegado Rodrigo Carvalho, disse que a Polícia Federal mantém seis bases de fiscalização do garimpo, mas que muitas máquinas, equipamentos e garimpeiros acabam conseguindo entrar na área por caminhos alternativos, usando inclusive propriedades rurais particulares. “As vezes conseguimos deter esse pessoal, mas outras vezes não”, disse.

    Quanto ao estupro de crianças indígenas dentro da reserva, o delegado disse que a Polícia Federal ainda não foi informada sobre o assunto.

  • Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Jaru-RO – Os índios da etnia Uru-Eu-Wau-Wau se reuniram nos dias 10, 11 e 12 de maio, para participar de mais duas festas da menina moça. O cerimonial é realizado sempre que uma índia, com idade entre 10 e 13 anos, deixa de ser criança para entrar na fase adulta. Na maioria das vezes a menina sai da festa já casada.

    A menina passa a permanecer a maior parte do tempo na maloca, no mínimo uma semana antes da festa, período em que recebe orientações dos pais sobre a nova fase de sua vida. Um dia antes, é banhada pela mãe com óleo de babaçu, em sinal de purificação. Os preparativos para a festa também começam no dia anterior, quando os índios da aldeia e seus convidados saem em busca de caça, peixe, mandioca, castanha e lenha.

    Às 3 horas da manhã todos que estão na aldeia são chamados para ajudar a descascar castanhas. Às 6 os pais enfeitam a menina com pulseiras e colares e cantam para ela, orientando-a sobre suas novas responsabilidades. Quando não há casamento, a menina é banhada novamente pela mãe e em seguida começa a trabalhar, preparando a comida da festa.

    Casamento surpresa

    De acordo com os índios mais velhos da aldeia, quem decide sobre os casamentos são os pais dos jovens. O noivo pode ser escolhido com antecedência ou momentos antes do casamento.

    A festa da menina moça Deí, 11 anos, da Aldeia Alto Jaru, acabou em casamento. Ela e o jovem Buri foram informados de que se casariam no momento da cerimônia. Em silêncio os dois aceitaram a decisão dos familiares e cumpriram os rituais matrimoniais.

    Deitados e cobertos na rede, Dei e Buri ouviram os conselhos dos mais velhos, que os orientaram em relação as responsabilidades do casamento. Em seguida receberam autorização para sair da maloca. Ela com baldes na mão e ele com flechas. A partir daí a festa teve continuidade, enquanto Deí assumiu os deveres de uma mulher casada e passou a cozinhar para os familiares e convidados.

    Valorização cultural

    Os membros da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, destacaram a importância da festa para a valorização cultural do Povo Uru-Eu-Wau-Wau. “Estamos aqui como convidados para mostrar que apoiamos essas manifestações e que isso é importante não só para eles, mas também para nós, que somos de outra cultura”, disse a historiadora Ivaneide Bandeira Cardoso.

    Segundo o antropólogo Samuel Cruz, os Uru-Eu-Wau-Wau deixaram de fazer suas manifestações culturais por um bom tempo, mas agora estão retomando esta prática, valorizando sua própria cultura. “Isso com certeza terá reflexos também na relação deles com o território”, disse. Samuel destacou também a importância da festa no sentido de reunir os moradores das aldeias vizinhas, fortalecendo os laços parentescos.

  • Festival combate pesca predatória

    Cacoal/RO – Será realizado no dia 30 de abril o 2º Festival de Pesca Esportiva de Cacoal, evento que vai reunir cerca de 100 equipes vindas de toda a região central do estado. A competição é promovida pela Associação Ecológica Amigos da Pesca (Aspec), em parceria com a prefeitura e iniciativa privada. Serão oferecidos R$ 20 mil em prêmios.

    O secretário de Indústria e Comércio de Cacoal, Moisés Fernandes, disse que o festival vai abrir a temporada de pesca em Rondônia, depois de encerrado o Período do Defeso da Piracema, que terminou no dia 15 de março. O Defeso da Piracema é determinado pela Lei n° 7.679, de 23 de novembro de 1988, e estabelecido anualmente pelo Ibama, com a colaboração de órgãos, instituições e associações envolvidas com a pesca em cada bacia hidrográfica.

    A prefeita Sueli Aragão (PMDB) afirmou que o II Festival de Pesca Esportiva de Cacoal será um momento importante para a conscientização da comunidade local quanto à preservação dos recursos naturais e para a divulgação das potencialidades turísticas do município. Várias equipes de outras cidades já começaram a reservar apartamentos e cabanas nos hotéis de Cacoal que, nos últimos anos, vem se despontando na frente em infra-estrutura hoteleira e de turismo, em função da eficácia nos investimentos públicos.

    Os peixes fisgados durante a competição serão devolvidos com vida ao Rio Machado, onde 20 fiscais vão atuar durante o evento para medir, fotografar e devolver o pescado às águas. “A comunidade vai entender que o mais importante não é pegar os peixes e matá-los, mas respeitar a natureza, os peixes e as futuras gerações”, disse o secretário de Indústria e Comércio.

    Segundo o secretário de Indústria e Comércio, a Associação Ecológica Amigos da Pesca de Cacoal já conseguiu mostrar à comunidade que um bom pescador é aquele que sai para pescar, independente de qual seja o resultado. “Se o pescador traz o peixe, complementou a premissa de tudo o que ele organizou. Se ele não traz ou deixou de pegar o peixe esperado, não fica nervoso ou aborrecido, porque realizou a pescaria da mesma forma e é isso o que importa”. O objetivo do festival é combater ações predatórias por meio do conhecimento e prática das leis da pesca.

    A competição terá duração de seis horas. Os pescadores deverão ter em mãos a Carteira de Pesca emitida pelo Ibama, vão usar coletes salva-vidas e estarão assegurados contra acidentes durante a prova. Os pescadores poderão pescar com linhada de mão, molinete ou carretilha, com varas e linhas de medidas livres. O vencedor será a equipe que pescar o maior peixe, em comprimento, de todas as espécies, exceto peixe elétrico, raia, munssum e pirambóia. As inscrições estarão abertas até o dia 29 de abril.

  • Malária ataca garimpeiros na Reserva Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – O garimpo de diamantes na reserva indígena Roosevelt é a passagem de garimpeiros que procuram o Hospital Municipal de Espigão d’ Oeste com sintomas da malária. Em apenas cinco dias, vinte e duas pessoas fizeram exame de malária no hospital, todas estavam contaminadas pela doença. Dessas apenas uma não tinha passado pelo garimpo. “A realidade é essa. O garimpo está aí, e tudo está caindo em Espigão d’Oeste. A prova está nas fichas, eles não podem mentir,” afirma a diretora do hospital Ivani Lourdes Conte.

    Na semana passada, o garimpeiro Ermínio Pacífico Menezes, 46 anos, não resistiu e morreu de malária. Em estado grave ele foi atendido no hospital de Pimenta Bueno, que o encaminhou ao CEMETRON em Porto Velho. Ele morreu 200 quilômetros antes de chegar na capital. Do garimpo até o hospital de Pimenta Bueno o garimpeiro teve que percorrer mais de 150 quilômetros.

    Segundo a diretora do hospital de Espigão d’Oeste, Ivani Lourdes Conte, uma paciente com malária, que tinha chegado do garimpo, afirmou que mais de cinqüenta pessoas lá dentro apresentavam sintomas da doença e iriam procurar a unidade de saúde.

    A preocupação da diretoria da unidade é com relação ao alto consumo de medicamentos. “Eles consomem tudo, é vitamina, é dipirona, é plasyl. Eles chegam com vômito, muita febre, dor de cabeça, e tem vezes que a febre é tanto que chega convulsionando. Eles chegam para nós num estado assim, muito defasado”, disse.

  • Depois de três dias BR 364 é liberada

    Depois de três dias BR 364 é liberada

    Cacoal/RO – Índios de 23 etnias liberaram, às 21 horas de ontem, a BR 364. Eles manteram a rodovia fechada por 3 dias, no trecho que liga os municípios de Pimenta Bueno e Cacoal, no Estado de Rondônia e permaneceram no local até ter a garantia de que as suas reivindicações seriam atendidas. Entre as principais solicitações dos indígenas estava a exoneração do coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Orlando Castro Ribeiro e do coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Josafá Piahy Marreiro.

    Os líderes indígenas participaram de uma reunião, na tarde de ontem, na prefeitura municipal, com a prefeita Sueli Aragão, o senador Valdir Raupp e a deputada federal Marinha Raupp, todos integrantes do partido PMDB. Os índios cobraram das autoridades a exoneração do coordenador regional da Funasa, Josafá Marreiro, porque o mesmo havia sido indicado para o cargo pela bancada do partido. Depois de cerca de 3 horas de negociações, Sueli Aragão anunciou que teria mantido conversa telefônica com Josafá Marreiro e o mesmo teria afirmado que se fosse ele o motivo do movimento ele pediria a própria exoneração. O anúncio foi comemorado com palmas pelos índios que decidiram, então, liberar a rodovia.

    Entre os índios que participaram do movimento estavam representantes das etnias Cinta Larga, Surui, Apurinã, Terena, Tenharin, Kwazar, Sater Mawé, Munduruku, Mura, Mequéns, Apurinã do Amazonas, Parintintin, Aikaná, Kanoé, Wajurú, Orumaé, Orueu, Oroba e Orowin, além de outros povos do Estado do Mato Grosso do Sul e do Amazonas, que se juntaram ao protesto em solidariedade aos “parentes índios”.

    Conforme a carta aberta encaminhada ao Ministério da Justiça, as lideranças das comunidades indígenas, estariam indignadas com a forma que a administração executiva regional da Funai de Cacoal estaria tratando a execução das políticas e dos recursos apropriados aos índios. Por estes motivos eles teriam desencadeado o movimento em defesa de seus interesses e direitos constitucionais. No documento, as lideranças ressaltaram que o movimento teria o objetivo de chamar a Funai à responsabilidade parar tratar os recursos destinados aos índios.

    Conforme o cacique Marcelo Cinta Larga, por várias vezes as lideranças tentaram dialogar com as pessoas responsáveis pela Funai e pela Funasa para encontrar uma solução para os problemas enfrentados pelos índios, mas não teriam sido atendidos. Ele ressaltou que a forma encontrada para chamar a atenção dos governantes foi o fechamento da rodovia e afirmou também que ela permaneceria fechada enquanto as reivindicações não fossem atendidas. “Nos queremos resolver o problema de forma pacífica, mas exigimos que o nosso povo seja respeitado”, disse.

    Reivindicações atendidas

    Além de terem sido atendidos com a mudança do administrador da Funai em Cacoal, Orlando Castro Silveira para Rômulo Siqueira e a exoneração do coordenar regional da Funasa, Josafá Marreiro, os índios reivindicaram, entre outras coisas, a nomeação de indígenas para a chefia de todos os postos indígenas subordinados a Cacoal, uma auditoria administrativa no grupo tarefa Cinta Larga, a execução do plano emergencial de proteção da terra indígena Cinta Larga e a extensão do mesmo para todas as terras indígenas sob a jurisdição da Funai/Cacoal e a elaboração dos planos de desenvolvimento sustentável e de proteção de todas as terras indígenas.

  • ANA forma banco de dados sobre água e cultura

    A Agência Nacional de Águas (ANA) está formando um banco de dados sobre a água na cultura brasileira. O acervo inclui desde músicas e canções populares, poesias, livros e peças de teatro até manifestações na escultura, pintura, paisagismo, arquitetura e urbanismo. Também estão sendo registradas expressões sobre o tema na língua portuguesa e nas línguas indígenas, bem como no humor, nas tradições religiosas e nos rituais e crenças populares.

    A iniciativa está alinhada com o tema escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para celebrar, em 22 de março de 2006, o Dia Mundial da Água. A data foi adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1992 e tem um tema específico a cada ano. A celebração do Dia Mundial da Água tem por objetivo fomentar em todo o mundo, de acordo com o contexto e as prioridades de cada nação, atividades de conscientização pública sobre a conservação e o uso da água, assim como a implementação da Agenda 21.

    O resultado do trabalho da ANA, bem como outras iniciativas brasileiras sobre o tema, será apresentado nos eventos associados à 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), entre os dias 20 e 31 de março, em Curitiba.

  • Convenção discute biopirataria

    Brasília – A Oitava Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), que acontecerá em Curitiba, de 20 a 31 de março deste ano, tratará de pelo menos dois temas de grande interesse de povos indígenas e comunidades locais: acesso e repartição de benefícios oriundos do uso de recursos genéticos e proteção dos chamados conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Os dois itens são importantes para combater um dos principais problemas enfrentados pelos países megadiversos: a biopirataria.

    A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) foi o primeiro instrumento legal internacional a reconhecer a relevância dos conhecimentos, inovações e práticas de comunidades indígenas e locais para conservação e uso sustentável da diversidade biológica (Artigos 8j e 10c).

    “Como resultado desses dispositivos, e da luta organizada dos representantes dessas comunidades na última década, eles possuem um espaço político considerável para participar e influenciar o processo da CDB”, destaca Bráulio Ferreira de Souza Dias, gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    Nesta linha, desde o ano passado, o Ministério investe na capacitação de líderes, para que estas comunidades possam participar do evento de forma efetiva. Além de uma cartilha, explicando como a convenção funciona, foram promovidos três cursos, em Curitiba, São Luís e Manaus.

    Entre os temas discutidos estavam histórico, atualidades e perspectivas internacionais da CDB e da COP 8; agrobiodiversidade e políticas públicas; conhecimento milenar indígena; preservação, recuperação e uso sustentável da biodiversidade em terras indígenas. O MMA também está apoiando financeiramente a viagem de lideranças para a reunião preparatória da COP 8, que acontece no final de janeiro, em Granada, Espanha.

    Principais temas

    Entre os principais pontos de discussão na COP 8 está a negociação para criação de um Regime Internacional de Acesso e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade. Entre outras regras, o Brasil defende que o regime seja vinculante, ou seja, tenha regras que devam ser cumpridas obrigatoriamente pelos países signatários e que regulamente também o tema dos conhecimentos tradicionais.

    A briga pela criação deste regime nasceu da constatação de que os recursos genéticos e os conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade vêm sendo sistematicamente acessados por instituições de pesquisa e empresas de desenvolvimento tecnológico de países usuários (pobres em biodiversidade e ricos em biotecnologia). Embora alguns dos países signatários da CDB tenham criado legislações específicas para o tema, elas não têm sido respeitadas fora das jurisdições nacionais.

    Atualmente, por não existir um instrumento que garanta o respeito a essas legislações, o acesso tem sido realizado sem o consentimento livre e informado das populações detentoras dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais.

    Esses acessos ilegais têm resultado em pedidos de direitos de propriedade intelectual (patentes, registro, marcas, etc) que, em sua maioria, não repartem benefícios. As negociações internacionais sobre o tema têm importância estratégica para o Brasil, que é o país de maior biodiversidade e um dos grandes provedores de recursos genéticos. Algumas estimativas apontam que o mercado mundial de biotecnologia, o qual utiliza os princípios ativos e códigos genéticos existentes na natureza, movimenta, por ano, um valor total que pode ultrapassar U$ 700 bilhões.

  • Exército apreende trinta castanheiras em operação

    Ariquemes/RO- Os soldados do Exercito Brasileiro que desembarcaram em Ariquemes no dia 27.03 retornaram ao 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC), levando mais de 100 metros cúbicos de madeiras, que foram apreendidas em operação conjunta com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), todas em Alto Paraíso.

    O município de Alto Paraíso, junto com Ariquemes, Buritis, Campo Novo, Cujubim, Monte Negro e Machadinho do Oeste formam os pontos de maior concentração de extração ilegal de madeiras. O comandante da operação, tenente Renato Acácio Suffi, revelou que foram apreendidas cerca de 30 toras de castanheira, espécie cuja extração é proibida por lei federal e corre o risco de extinção.

    Para a operação que durou apenas um dia, o exército disponibilizou seis caminhões e um ônibus. Todos os caminhões voltaram para o 5º BEC carregados. “O Exército Brasileiro trabalhou apenas em apoio ao Ibama, que dispõe de pequeno quantitativo de homens e equipamentos para fazer a remoção da madeira ilegal”, revelou o tenente Suffi.

    Novas operações

    O chefe do Ibama em Ariquemes , Evandro Haggemann, explicou que em vários municípios da região do Vale do Jamari, os donos de madeireiras deixam as toras jogadas em vias públicas. “Desta forma eles tentam burlar a fiscalização, dizendo que a madeira não é deles. Por isso solicitamos o apoio do exército para atuar no município de Alto Paraíso”, explica.

    Novas operações conjuntas entre o Exército e o Ibama não estão descartadas. “Estamos a disposição para trabalhar em prol da justiça, quando houver designação atenderemos prontamente o pedido”, revela.

  • Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Jarú/RO – Os invasores estão indo mais longe na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Além de retirar a madeira, em derrubadas seletivas, eles estão plantando e criando gado nas fundiárias das aldeias. Os índios estão revoltados com a situação e ameaçam retirá-los do local a força, caso a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não resolvam o problema.

    Com 1 milhão e 867 mil hectares, a Reserva Indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau é a maior do Estado de Rondônia e a terceira maior do País. Espalhados em pequenas aldeias, vivem os índios Uru-Eu, Wau-Wau, contactados pelos brancos no decorrer da década de 80. Há também na área, dois grupos de índios isolados.

    Desde o contato com os brancos, os Uru-Eu-Wau-Wau passaram a enfrentar vários problemas de invasões. Temidos pela habilidade no uso do arco e da flecha e unidos na defesa de suas terras, eles já conseguiram evitar muitas tentativas de depredação. Em uma ocasião, chegaram a expulsar cerca de dois mil garimpeiros que tentavam entrar na reserva em busca de ouro.

    Ocupação das divisas

    Nos últimos anos, no entanto, a situação se agravou. Os invasores passaram a retirar madeiras da área de forma seletiva e a ocupar as proximidades da divisa da reserva, com o plantio de várias culturas. Há também cercas de arames no meio da mata. “Nos dividimos em várias aldeias para tentar cuidar de toda a área, mas o número de invasores é cada vez maior”, disse Pureí Uru-Eu-Wau-Wau, presidente da Associação Jupaú.

    Mesmo afirmando que seu povo está disposto a defender suas terras a qualquer custo, Purei disse que há necessidade de mais apoio por parte da Funai e do Ibama. “Esta derrubada está chegando cada vez mais para dentro da reserva. Já estamos perdendo as terras em volta das divisas”, disse.

    Desrespeito e roubo

    O cacique Tanguipi Uru-Eu-Wau-Wau disse que fazendeiros e madeireiros da região estão desrespeitando e roubando seu povo, já que invadem a reserva e levam tudo que encontram.

    “Eles tiram nossa madeira, nossa caça e nossos peixes”, disse. Ele ressaltou também, que ao contrário do branco, o índio não está saindo da reserva para roubar na propriedade de ninguém.

    Tanguipi afirmou que seu povo só quer paz e respeito, mas que se as invasões não se encerrarem, poderá ocorrer mortes na área. “Já que eles continuam teimando é porque querem morrer”, disse.

    Fiscalização será intensificada

    O administrador executivo regional da Funai, Rômulo Siqueira de Sá, disse que a fundação tem trabalhado na área em conjunto com o Ibama, a Polícia Federal e outros órgãos de fiscalização, na tentativa de resolver o problema. Há poucos dias, segundo ele, foram presos dois invasores que estavam retirando madeira da reserva.

    A partir desta semana, segundo o administrador, a fiscalização será reforçada. “Estamos deslocando mais gente para percorrer toda a área e intensificar a vigilância”, disse. O presidente do Ibama, Osvaldo Pittaluga, foi procurado por várias vezes, por telefone, mas não foi encontrado para prestar informações sobre a atuação do instituto na reserva.

  • Leite de seringueira vira tecido

    Vale do Anari – Os seringueiros do Vale do Anari e do município de Machadinho do Oeste, em Rondônia, encontraram uma forma de explorar economicamente as seringueiras nativas das reservas extrativistas da região, sem prejudicar o meio ambiente. Eles extraem o látex in natura das árvores e o aplicam numa base de pano, fabricando o material que está sendo chamado de tecido da floresta. O produto foi a evolução do saco defumado, tradicionalmente usado pelos seringueiros.

    O tecido da floresta se destaca pela beleza e pela versatilidade, podendo ser usado na confecção de roupas, nos acessórios de modo em geral e na decoração de ambientes. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Povos da Floresta da Amazônia, Erni Santos Lima, a durabilidade média do tecido é de cinco anos. Cada manta, medindo aproximadamente 0,80 x 1,20 m, custa R$ 20,00.

    Mercado da floresta

    O tecido fabricado pelos seringueiros de Rondônia será exposto na Feira Mercado da Floresta, que será realizada no período de 5 a 8 de novembro, na oca do Ibirapuera, em São Paulo.Também estarão participando da feira expositores do Acre, do Tocantins, do Amazonas, de Roraima, do Amapá e do Pará, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas (Sebrae).

    Além do tecido da floresta, Rondônia participará da Feira com as biojóias, que estão se tornando atrativas para consumidores e empresas do ramo de arte e de artesanatos. Também será apresentado o mel de abelhas, que está em processo de franca expansão. Entre as finalidades da feira está a de mostrar o que economicamente se consegue com a preservação ambiental.