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  • A longa agonia do Rio Palmeira

    A longa agonia do Rio Palmeira

    A longa agonia do Rio Palmeira

    Espigão do Oeste/RO – Desde o inicio da colonização desta terra, quando os primeiros mateiros se embrenharam nas picadas, saindo de Pimenta Bueno para as terras da Colonizadora Itaporanga, encontravam nas margens daquele rio de águas caudalosas e límpida uma referencia para o descanso.

    A picada foi tomando forma de estrada. A pinguela de troncos feita pelos pioneiros se transformou em ponte de madeira. Com o tempo veio o concreto e o rio continuou ali imponente, suprindo o povoado em todas as suas dependências. Por muito tempo o rio Palmeira foi à única opção de lazer das famílias que ali vinham para banhar em suas águas ou para pescar.

    Em ritmo acelerado o pequeno povoado foi crescendo, se tornando uma progressista cidadezinha. E para atender as necessidades primordiais dessa massa humana novamente surge ele para cumprir o seu papel social. Bombas e canos passaram a sugar suas águas e levar até as residências para jorrar nas torneiras. Mas o tempo e o descaso apoiado na desculpa do desenvolvimento desenfreado, foram, com o passar dos anos, cobrando um preço muito alto do velho rio.

    As matas ciliares que antes protegiam os seus barrancos foram caindo, dando lugar às pastagens. Seus afluentes, pequenas veias que irrigavam o seu leito, passaram a ser represados para dar de beber aos crescentes rebanhos que começaram a se formar no município. Suas margens passaram a sofrer a ação do homem com toda sorte de ataques. Se não bastasse isso, os agrotóxicos usados sem controle pelos proprietários para combater as pragas nas pastagens chegaram até as suas águas, causando um mal irreversível.

    Seus peixes tão abundantes em épocas remotas foram desaparecendo junto com toda a vida animal, quebrando assim o elo que sustentava todo o seu ecossistema. Sem ter como se defender de tantos crimes ambientais, o velho e imponente rio foi se entregando, perdendo a sua majestade. Suas águas antes limpas e de correntezas revoltas foram se amarelando, diminuindo as forças, se dobrando vencidas até se transformarem em um manso regato.

    Hoje com tristeza percebemos que três décadas após as primeiras pessoas se servirem de suas águas, o rio Palmeiras não é mais nem a sombra do que foi, porém mesmo agonizando, continua a cumprir o seu destino, do rio largo de outrora, hoje é apenas um filete de água que teima em serpentear pelo seu leito arenoso entre os seixos e os troncos de madeiras expostos ao sol, como um trágico monumento, tristes lembranças de sua imponência de outros tempos.

    Mesmo diminuído pela ação predadora do homem durante tanto tempo, o velho rio ainda tem forças para doar o que sobrou de suas águas para continuar a matar a sede de seu povo, mas quando não restar mais nenhuma poça de água para ser bombeada para as torneiras das casas, onde o município irá encontrar outro substituto para o exaurido rio. Talvez quando a população acordar para tentar fazer alguma coisa pelo rio será muito tarde. As novas gerações herdarão apenas um grande sulco, rasgando a terra, onde as pedras e a lama serão as únicas lembranças de que um dia ali existiu um rio chamado Palmeira.

    Autor – Luizinho Carvalho

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  • Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – Apesar da insistência das autoridades em afirmar que a situação na reserva Roosevelt está sob controle e que o número de garimpeiros não passa de algumas dezenas, a realidade dentro da reserva é bem outra. Novos fatos dão conta de que uma situação inusitada começa a tomar grandes proporções dentro da reserva. É do conhecimento de todos que centenas de garimpeiros mantem o trabalho nas grotas, revirando o cascalho cada vez mais fundo na busca das pedras brilhantes.

    Os homens, na sua maioria rudes, trabalham seminus e enlameados, se amontoando nas grotas com pás, picaretas e jatos de água, removendo a terra na busca do diamante. Essa louca corrida atrás da fortuna viu a sua situação começar a se complicar de uns três meses para cá, com o cerco cada vez maior da Policia Federal, que está coibindo a entrada de combustível, alimentos e bebidas para dentro da reserva Roosevelt.

    A interrupção da chegada desses itens de vital importância para a manutenção, tanto de máquinas como de homens no trabalho dentro das grotas pelos meios legais, tem causado um grande prejuízo para os garimpeiros com a explosão dos preços agora cobrado pelos varadores. Com esse bloqueio das autoridades os preços perderam o controle dentro do Baixão, a ponto de produtos como o tambor de 200 litros de óleo Diesel valer de 1200 a 1600 reais, uma Coca Cola de 2 litros é comercializada a 10 reais, caixa de bombom garoto por 15, a gasolina não sai por menos de 10 reais, o mesmo preço é cobrado por um quilo de frango.

    Com esse desequilíbrio nos preços dos produtos de primeira necessidade e a falta da “Pedra Boa” que sumiu das resumidoras, os garimpeiros estão pagando para trabalhar nas grotas. Já existem comentários de vários entreveros entre membros de equipe causados pela atual situação. Com o gasto muito alto para manter um par de máquinas funcionando, os proprietários estão se endividando cada vez mais. Existem casos em que esses aventureiros estão há mais de 6 meses no local, sem ter como retornar para a cidade devido as dividas. Outro problema que vem causando apreensão, principalmente nas lideranças indigenas é o fato da discórdia entre os trabalhadores brancos que na maioria das vezes trabalham no regime de porcentagem com os donos de máquinas e como as “Pescadas” não estão dando nem para cobrir os gastos, estão sem receber as suas parcelas pelo trabalho.

    Barril de pólvora

    Existem ocasiões onde conseguem alguma pedra de valor e logo apostam em investir tudo para tentar recuperar o prejuízo, daí acontece de não dar em nada e o prejuízo vai aumentando, assim como a insatisfação dos chamados “Rodados” que sobrevivem da sua força de trabalho. Vários desses donos de máquinas optaram por abandonar o equipamento até as coisas melhorarem, deixando centenas de escavadores desempregados dentro das fofocas. Muitos desses estão sobrevivendo de comer de favor em algum barraco até surgir alguma vaga de trabalho.

    A prostituição é outro grave problema que tomou proporções assustadoras dentro do garimpo. Vários barracos têm de 4 a 5 mulheres que entraram com a desculpa de cozinhar para a turma, mas que na verdade movimentam o rentável negócio da prostituição. As lideranças indígenas tentam não se envolver nesses problemas, mas como afirmou o cacique Pamaré, é muito difícil controlar todo mundo. Por isso não é prematuro afirmar que o garimpo do “Baixão” se transformou em um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. A bebida, as drogas e a prostituição aliadas ao descontentamento dos garimpeiros com os donos de máquinas são os componentes necessários que poderão deflagrar um novo derramamento de sangue dentro do Lage e não duvidem se novamente os Cinta Larga forem responsabilizados pelas mortes que certamente irão ocorrer.

  • Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia

    Aldeia Tenente Marques/Espigão do Oeste/RO – Encravada no extremo Sul do Estado de Rondônia, na divisa com o Mato Grosso, está localizada a Reserva Roosevelt, terra “Sagrada dos Índios Cinta Larga”. A reserva é um imenso território verde dividido em quatro áreas: Área indígena Aripuanã, Parque Aripuanã, área indígena Roosevelt e área indígena Serra Morena.

    Com a extensão de 2,7 milhões de hectares de pura floresta Amazônica, esta área tem o tamanho de paises como à Bélgica ou 20 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Essa imensidão verde no chamado “Paralelo 11” é onde está localizada a nação dos últimos descendente dos Tupis. A tribo Cinta Larga teve suas terras demarcadas no inicio dos anos 70, porém o Brasil só ouviu falar delas pela primeira vez após a sua invasão por milhares de mineradores. Invasão essa que resultou no massacre de 29 garimpeiros, ocorrido em abril de 2004, atraindo para a região as atenções de todo o planeta.

    Desde a demarcação de suas terras, os 1.394 índios que formam a nação Cinta Larga, até hoje não foram incluídos em nenhum programa de ajuda do Governo Federal. Abandonados ao longo desse período pela ausência do poder público, os índios Cinta Larga se viram forçados a fazerem alianças com organizações de idoneidade muitas vezes duvidosas, para obter dinheiro e trazer as melhorias para a tribo.

    Na década de 80, eram os madeireiros que invadiam a reserva na extração clandestina do mogno e da cerejeira. No fim da década de 90 juntaram-se aos garimpeiros e contrabandistas de diamantes que há muito se interessam pela região. Região essa que esconde aquilo que pode ser uma das maiores jazidas de diamante do mundo.

    Riqueza incalculável

    A riqueza que dorme no subsolo da Roosevelt é incalculável. As terras da Reserva Roosevelt abrigam várias rochas de kimberlitos, que ao brotarem do subsolo, trazem os diamantes das profundezas da terra para perto da superfície. Para entender o significado dessa descoberta, basta dizer que as maiores jazidas de diamante do mundo têm, cada uma, um único kimberlito.

    No período de 2003 a 2004, milhares de garimpeiros, despertados pela cobiça dessas imensas riquezas transformaram a área em terra de ninguém. A corrupção na região se tornou endêmica, envolvendo garimpeiros, policiais e contrabandistas, que ora se associavam na extração ilegal de diamantes, ora brigavam entre si.

    Hoje, o garimpo está deserto, mas se houver uma brecha, em 24 horas pode ser invadido por milhares de “Garimpeiros” e “Rodados”, que só esperam a oportunidade certa para participar da “Varação”. Uma vez dentro da reserva invadem os baixões e grotas agindo como em um assalto programado. Ficam ali algumas semanas, retiram milhões em pedras e vão embora, deixando atrás de si um rastro de destruição e degradação ambiental com a devastação ecológica da flora e da fauna em torno do garimpo, sem falar na poluição e assoreamento dos rios.

    Essa corrida desenfreada na extração de diamantes atraiu para a região traficantes, contrabandistas e a prostituição, gerando uma situação de tensão e violência às quais os índios não estavam acostumados e que atualmente não querem mais se submeter. Com essa riqueza ao alcance das mãos e tantos interesses em jogo os fatos são distorcidos. As lideranças indígenas, aos olhos da sociedade, passaram a ser os bandidos da história, mas, na realidade, pela sua ingenuidade e a falta de conhecimento da malandragem do branco, são ludibriados pelos receptadores, pelos servidores públicos corruptos e donos de máquinas.

    Agem de acordo com sua cultura, embora pareçam estar envolvidos com os brancos, mas a realidade é bem outra. Após os grandes levantes ocorridos no interior do garimpo durante os últimos anos, os índios ao que parece aprenderam com o revés sofrido. As atividades no garimpo diminuíram, os índios passaram a se organizar com o surgimento de associações e cooperativas para melhor administrar suas terras e riquezas.

    Construção de hidrelétrica

    Após anos de contato com o chamado mundo dos brancos, novas lideranças começam a surgir entre os Cinta Larga. Entre essas lideranças o maior destaque é João Bravo, líder emergente da comunidade Tenente Marques. João Bravo é o responsável pelas grandes mudanças ocorridas na sua aldeia. Em 2001 o líder tribal deu inicio a construção de uma usina hidrelétrica na bifurcação do Rio Roosevelt, com capacidade para gerar 20 CV que fornece energia elétrica para toda a aldeia que fica a dois kilometros do local.

    Todo o projeto da construção da usina, mais o canal de 110 metros em concreto que leva a água até a casa de máquinas onde fica a unidade geradora de energia. “Todo esse trabalho foi feito pela comunidade, não teve ajuda nenhuma do governo”, afirmou João Bravo, enquanto apontava para o longo canal de concreto. Ao caminhar pela Aldeia Tenente Marques as margens do rio, o visitante pode comprovar as inúmeras inovações que foram introduzidas pelo líder indígena.

    Novas casas

    As antigas choupanas de pau a pique e barro batido cobertas de sapé que formavam a aldeia, deram lugar a novas casas de madeira cobertas com telhas e pintadas na cor verde e amarela. “Igual às cores da bandeira do Brasil”, afirma orgulhoso João Bravo. São novidades que estão mudando o ritmo de vida dos moradores. Nessa verdadeira evolução a comunidade ganhou três pistas de pouso para pequenas aeronaves e desfruta de boas estradas, interligando a aldeia às demais comunidade. Todo esse trabalho foi executado com a utilização de tratores e caminhões caçambas da própria comunidade indígena.

    Recentemente o Cacique João Bravo implantou o projeto de piscicultura na aldeia, com a construção de tanques onde foram colocados 100 mil alevinos. Esse projeto pioneiro na área indígena tem como principal objetivo atender ao consumo da população e também a comercialização da produção excedente.

    A pecuária também já entrou forte nas terras da aldeia. Funcionários foram contratados para erguer milhares de metros de cerca nas pastagens de braquiúra com a tecnologia da eletrificação. Currais modernos foram construídos para facilitar o manejo dos rebanhos que é feito por vaqueiros não índios contratados pela aldeia.

    Saúde e Educação

    Na saúde o líder da tribo investiu na aquisição de ambulância traçada e medicamentos para o postinho. Agentes de saúde contratados fazem o acompanhamento diário da população local, principalmente das crianças.

    Segundo levantamentos feitos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a taxa de mortalidade infantil na reserva é zero. Na educação, João Bravo brigou até com o Governo do Estado para viabilizar a construção de uma nova escola para a comunidade. “O governador não queria fazer a escola. Eu mandei prender carro da Seduc na aldeia, só depois que começou a construção da escola eu liberei carro”, comentou o chefe da aldeia.

    Depois dessa suposta briga pela construção da nova escola, uma parceria foi firmada com o Governo do Estado, que através do Setor de Educação Indígena da Seduc equiparou as escolas na tribo. Professores indígenas foram graduados e hoje são capacitados para atuar na rede de ensino, atendendo em sala de aula toda a clientela da aldeia em idade escolar. Com esse trabalho dirigido pelos próprios professores da comunidade, conseguem manter suas tradições em harmonia com a modernidade.

    Mesmo sendo conhecedor da imensa riqueza em forma de diamantes que repousa sobre os seus pés, o líder João Bravo, que é conhecido por todos como “Um homem muito sistemático”, utiliza essa riqueza e a liderança que exerce, não em beneficio próprio, mas em projetos de bem estar comum, que geram o desenvolvimento e o conforto para a sua comunidade. “Muitos falam que eu sou rico, mas não verdade tudo aqui não é meu, pertence à comunidade”, defende-se o velho líder.

    Lições a governantes

    A liberação ou não do garimpo da Reserva Roosevelt ainda será tema para longas discussões nos luxuosos gabinetes de Brasilia, mas enquanto a situação não se define, esse emergente líder indígena segue, dando lições a muitos governantes de como se administra os recursos de uma comunidade.

    Hoje a aldeia de João Bravo tem a estrutura de uma verdadeira empresa, gerando emprego a dezenas de funcionários não índios que moram e trabalham na comunidade, executando trabalhos em diferentes setores que mantem em perfeito funcionamento toda a estrutura da aldeia. “Aqui cada um tem a sua ocupação. Quando amanhece cada qual já vai para o serviço, é como em qualquer empresa”, afirmou o vaqueiro Joaquim Calvacante, que trabalha há quase dois anos na aldeia.

    Apesar desse progresso que algumas aldeias têm conseguido, a sombra do garimpo com sua riqueza e seus perigos é uma ameaça constante a essa paz momentânea que a tribo desfruta. Todos na aldeia sabem que para defender suas terras, suas mulheres e crianças contra a invasão dos ambiciosos aventureiros que teimam em rondar suas fronteiras, os índios Cinta Larga hoje contam apenas com a coragem de líderes como João Bravo, que ao longo dos seus 63 anos ainda luta tenazmente por dias melhores para o seu povo.

  • Educação indígena recebe atenção

    Espigão do Oeste/RO – O município é diferenciado dos demais pela sua proximidade com reservas indigenas das etnias Suruis, Cinta Larga e Aporinã. A presença tão próxima da população indígena trouxe ao município uma responsabilidade a mais na manutenção das reservas. Um bom exemplo é na questão da educação indígena, que é feita pela Seduc, através da Representação de Ensino de Espigão do Oeste, que atualmente conta com uma equipe técnica pedagógica só para desenvolver a educação indígena.

    A equipe coordenada pela professora Vera França Taurino realiza todo o acompanhamento pedagógico das escolas indigenas da reserva Cinta Larga. As ações da equipe têm como objetivo prestar apoio técnico durante o planejamento, execução e avaliação das aulas ministradas pelos professores índios e não índios que atuam dentro das aldeias indigenas. Todo o trabalho anual é feito com planejamento antecipado pela equipe técnica que periodicamente visita as escolas dentro da reserva em um trabalho de campo, onde acompanha de perto todo o progresso dos alunos diante das atividades propostas pelos educadores. As lideranças das comunidades indígena Cinta Larga têm participado desse trabalho desenvolvido pela professora Vera França e sua equipe, participando dos encontros pedagógicos e discutindo as prioridades das escolas.

    Hoje a educação indígena desenvolvida nas aldeias é de qualidade. Uma prova disso é a grande freqüência dos alunos durante as aulas.

  • “Meu povo tem o direito de viver em Paz”

    No dia 08 de abril completaram exatos três anos que aconteceu o fatídico confronto na terra dos Cintas Largas que culminaram com a morte de 29 garimpeiros. Durante todos esses anos o fato foi investigado pelas autoridades competentes, mas nunca se preocuparam em dar uma resposta convincente para a opinião pública do que realmente ocorreu na reserva naquele dia.

    Graças a esse silêncio das autoridades o episódio foi, e continua sendo explorado com muito sensacionalismo por toda a mídia do país, causando um grande constrangimento para o povo da Reserva Roosevelt. Durante esse tempo a nação indígena tem convivido com essa culpa, marcados pelo estigma de ser um povo belicoso e dado à violência. Contrariando toda essa pragmática afirmação, as lideranças lutam para reconstruir a vida na aldeia, buscando melhores dias para os seus descendentes. Tentando entender melhor a saga desse povo, visitei a aldeia central do Roosevelt e Capitão Cardoso.

    Durante as conversas com as lideranças mais velhas passei a conhecer a luta enfrentada por esse povo que ao contrário do que dizem, formam uma sociedade patriarcal, com uma convivência muito alegre e festiva, gostam de receber suas visitas com grandes festas onde homens, mulheres e crianças dançam e riem com a maior naturalidade. Os problemas nas aldeias surgiram com a descoberta do garimpo, daí por diante a situação tem se tornado em parte muito mais difícil, porque se por um lado os índios têm dificuldades para trabalharem suas terras e sustentar seu povo, por outro são excluídos pela sociedade pelo fato da maioria ser analfabeto, não ter cultura e ter costumes diferentes dos brancos.

    Na aldeia central do Roosevelt a liderança é do Cacique João Pamaré Cinta Larga. Com boa instrução, João Pamaré não tem dificuldades para se expressar com seus interlocutores. “Quando tivemos contato com o branco achamos que seríamos aceitos em seu meio, mas com a descoberta do garimpo tentamos trabalhar em comum acordo com eles, não foi possível, verificamos que enquanto trabalhávamos com os brancos, houve uma desestruturação das comunidades e uma enorme evasão de parentes para a cidade, daí surgiram todas as coisas ruins.

    João Pamaré Cinta Larga também falou do temor dos mais velhos com a evasão de jovens que vão para cidade. “Nossos jovens começam a conviver com os brancos e logo não querem mais viver como nós, isso é muito ruim para o futuro do povo, precisamos que eles aprendam língua dos brancos, que estudem como os brancos, possam ser doutores, professores, qualquer coisa, mas não esquecendo nossas origens”. O cacique da Aldeia Roosevelt fez questão de mencionar a preocupação das lideranças. “Não queremos que os jovens da aldeia venham a passar pelas mesmas dificuldades que minha geração está enfrentando hoje, nessa convivência com o branco”.

    Durante os dias que passei na aldeia, as conversas com as lideranças mais velhas sempre foram carregadas de desabafos contra a atual situação por que passam os remanescentes da grande Nação Tupi. No dia marcado para voltar à cidade pude conversar com o ex – cacique geral da etnia que visitava a aldeia. Ita Cinta Larga como os demais lideres, criticou o abandono dos índios por parte do governo federal. “Não temos um bom atendimento de saúde, temos grandes dificuldades, pois estamos a centenas de quilômetros da cidade e nosso posto de saúde é de pequena estrutura, não atende as nossas necessidades, se houver alguma emergência não sabemos o que pode acontecer com parente.”

    Sentado sobre um grande tronco caído ao lado da maloca, o líder Ita Cinta Larga também falou dos temores dos índios com a segurança de suas terras. “Outro problema que preocupa é não termos controle dos limites da reserva, muitas vezes descobrimos o branco trabalhando de forma clandestina nas grotas, quando acham “pedra boa” na hora de repartir acabam brigando e muitas vezes matam amigo para ficar com pedra. Quando volta à cidade sem companheiro fala que foi o Cinta Larga que matou, homem branco tem muita malícia e pouca palavra”, reclamou o líder indígena.

    Tive que concordar com o sábio índio diante dos inúmeros casos que temos conhecimento na região, fatos que a mídia explorou muitas vezes sem o devido conhecimento e cautela, denegrindo e desonrando o povo da floresta, fomentando o ódio dos brancos contra os índios. Alterando a voz em alguns momentos o velho líder indígena continuou seu desabafo enquanto cavoucava o chão com um graveto de madeira, “Quero dizer que nós Cinta Larga não invadimos os comércios, as residências, as terras, não ameaçamos os filhos do branco e muito menos a vida do branco”. “Nós, Cinta Larga só querer do governo brasileiro a garantia da nossa terra”.

    Em dado momento o velho líder apanha com o graveto uma enorme formiga preta que caminhava no chão de terra batida. Ita Cinta Larga levanta o inseto que agarrado ao galho fica imóvel na sua extremidade. O velho índio, considerado um analfabeto pelo fato de não ter cursado uma escola dos brancos, olha fixamente para o inseto e murmura uma entrecortada frase na sua língua materna: “Mbaveej máá nzyja atawaap ta mene pira”!. Rapidamente olhei para o professor Anemã Cinta Larga ao meu lado e ele entendeu o meu gesto. Baixou a cabeça e respeitosamente me traduziu o triste lamento do velho cacique. “Parente muito triste com tudo que aconteceu com a gente”! Parente fala! “Meu povo tem o direito de viver paz”.

    Após retornar das aldeias passei a questionar o posicionamento muitas vezes irresponsável da imprensa, tanto local como nacional pelo modo como vem tratando o povo Cinta Larga. Fazendo um mau uso dos meios de comunicação, expondo esse povo a execração, imputando – lhe toda a culpa por tudo de mal que acontece na região. Muito desses “Profissionais da Mídia” nunca sequer estiveram próximo ao garimpo, mas se baseiam em boatos carregados de exageros ou em alguns telefonemas para escrever suas matérias, com essa negligencia deliberadamente estão incitando a violência e o ódio dos brancos contra os povos da floresta. Hoje tenho plena certeza que o maior desejo dos 1362 índios que formam a Nação Cinta Larga, é ter a garantia de viver em paz em suas terras. Somente isso!

    Luizinho Carvalho é jornalista

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  • Aberta temporada de concessão de florestas

    Rondônia – No dia 21 de setembro (Dia da Árvore) o Ministério do Meio Ambiente anunciou o nome da primeira floresta nacional disponível para concessão, a Floresta Nacional (Flona) do Jamari, em Rondônia.

    Anunciada como uma panacéia contra o avanço do desmatamento descontrolado sobre as florestas brasileiras (das quais 92% do total fica na Amazônia) a possibilidade de conceder fatias de pequenas, médias e grandes extensões de florestas para exploração sustentável por entidades e ou empresas tem recebido duras críticas.

    A idéia é valorizar os projetos sustentáveis que ofereçam maior número de empregos e que possam trazer benefícios sociais sem prejuízos para a natureza.

    Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva a Lei de Gestão de Floretas Públicas, que rege a concessão de florestas, vai mudar a visão tradicional de remoção de florestas. “Temos cada vez mais que compreender que a floresta em pé é muito mais rentável do que a sua destruição, com perda da biodiversidade, com perda dos serviços ambientais e prejuízo às comunidades”.

    Segundo a ministra, a lei permitirá aprofundar o manejo sustentável, o uso dos componentes da biodiversidade, o ecoturismo e várias outras atividades.

    Ação anti-brasileira

    Já o geógrafo Aziz Ab’Saber, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor emérito do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), foi duro. Para ele, “a exploração de áreas ditas auto-sustentáveis é uma ação anti-brasileira em relação à biodiversidade”, e o aluguel de Flonas para particulares “é um absurdo”. Para Ab’Saber, o melhor manejo para a floresta envolveria o reaproveitamento de áreas já devastadas, a partir da borda da floresta, para o plantio e o uso de solo.

    Arrecadação

    Uma parcela de até 30% do montante que for arrecadado com licitação será destinado ao Serviço Florestal e ao Ibama, para ser investida na fiscalização, monitoramento e controle das áreas licitadas. O restante, pelo menos 70%, será destinado ao Instituto Chico Mendes -o gestor da unidade- ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, ao Estado de Rondônia e aos municípios onde se localizam as áreas manejadas.

    Edital

    A licitação das concessões compreendem lotes com áreas de 45 mil, 30 mil e 15 mil hectares. Essa divisão foi feita para permitir a participação de produtos de diferentes escalas.

    Sustentabilidade

    A Floresta Nacional do Jamari tem 220 mil hectares de extensão, dos quais 92 mil serão alvo da concessão. A licitação levará em conta os critérios de preço e técnica. Danificar o menor número de árvores e criar o maior número de empregos diretos, por exemplo, são itens que podem fazer a diferença na pontuação entre os concorrentes.

    A concessão de florestas públicas pode ser liberada por um período que vai de cinco a 40 anos. Podem participar das licitações empresas brasileiras, independentemente da origem do capital, desde que estejam instaladas no país.

  • Desarticulada quadrilha do cobre

    Alto Alegre/RO – A mineração predatória e irresponsável está deixando suas marcas na região de Alto Alegre dos Parecis, a 520 quilômetros de Porto Velho. Na última quinta-feira, a extração ilegal de minério de cobre resultou na prisão em flagrante de sete pessoas, uma máquina escavadeira e 3,6 mil quilos da matéria-prima, na Linha P40, no quilômetro oito. Os acusados foram levados para o Departamento de Polícia de Alta Floresta, mas foram liberados depois de pagarem fiança.

    Na operação, realizada pela policia ambiental e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sedam), os envolvidos foram enquadrados no artigo 2 da Lei 8176/91, que prevê detenção, de um a cinco anos, além de multa para quem explorar matéria-prima sem autorização legal, e no artigo 55 da Lei 9.605/98, que determina detenção, de seis meses a um ano e multa para a execução de pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem permissão.

    Segundo o prefeito do município, Mariton Benedito de Holanda, há pelo menos três meses, caminhões com placa de Ariquemes saem da cidade, à noite, carregados de minério. Segundo ele, pelo menos quatro equipes trabalham na região, extraindo o minério em sítios particulares com a conivência dos donos. “Eles ganham alguma coisa para deixar os mineradores trabalharem nas propriedades”, diz. Mas, Mariton afirma que, depois de descobrirem o potencial do negócio, os próprios sitiantes estão querendo assumir a extração.

    Alto valor

    O cobre é um produto de alto valor, se comparado à maioria dos outros componentes da pauta estadual. A matéria-prima é o metal não ferroso mais utilizado, depois do alumínio, por ser excelente condutor de eletricidade e calor. Mais de 40% das reservas mundiais estão localizadas no Chile e nos Estados Unidos. No Brasil, foram extraídas quase 132 toneladas de cobre, que movimentaram mais de R$ 993 milhões.

    Segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro de 2006, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), não existem reservas minerais medidas ou lavráveis de cobre em Rondônia. “Não há registro de cobre no Estado, além de Parecis”, afirma o geólogo Deolindo de Carvalho Neto, responsável pelo DNPM em Rondônia. Ele afirma que por duas vezes o DNPM de Rondônia formulou denúncia de extração ilegal de cobre ao Ministério Público e a Polícia Federal. “A empresa mineradora fez a denúncia afirmando que a sua área foi invadida”, afirma. Apesar de não ter vocação para mineração – o Estado representa 2,49% da atividade brasileira – o setor movimentou R$ 190 milhões, em 2005.

    Permissão para pesquisa

    Existem oito processos em andamento no DNPM de empresas que requerem autorizações de pesquisa de cobre ou minério de cobre, em Alto Alegre dos Parecis. Desde 1988, mineradoras grandes, como a Vale do Rio Doce, já buscavam permissão para pesquisa. Apenas a Mineração Paracaua tem o alvará de pesquisa para o cobre na região, concedido até abril de 2008. De acordo com Artur Oliveira, técnico em geologia e mineração do DNPM, a autorização foi dada em 2001, por três anos, e prorrogada em 2006, por mais dois anos.

  • Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Espigão do Oeste/RO – A comunidade Cinta Larga se reuniu em uma assembléia geral no dia 07 de setembro na aldeia central do Roosevelt para eleger as novas lideranças da etnia. A reunião começou pela manhã e contou com a participação de todas as tribos que se deslocaram até a aldeia central para participar do pleito.

    Em conformidade com as tradições a cerimônia foi toda realizada na língua materna (Tupi Mondé), começando com o candidato a cargo de cacique, Azumba Cinta Larga fazendo uma oração de agradecimento a Deus por aquele encontro. Os vários candidatos foram convidados a compor a mesa e depois cada um teve o uso da palavra para falar de suas propostas para a comunidade e tempo para pedir votos.

    A primeira eleição foi realizada para a escolha do novo presidente da associação indígena. Após a apuração dos votos foi eleito Marcelo Cinta Larga, tendo como vice o líder Pio Cinta Larga.

    A segunda eleição do dia foi realizada para a escolha do novo cacique da aldeia central do Roosevelt, apresentou os candidatos: Mascote, João Pelado, Canário, Azumba e João Pamaré que concorria pela reeleição. Após a contagem dos votos, foi eleito o novo cacique da aldeia central o líder Azumba Cinta Larga e como vice Canário Cinta Larga.

    Problemas das aldeias

    No dia seguinte uma nova reunião foi organizada pelos novos lideres que se reuniram com a comunidade indígena para discutirem os principais problemas das aldeias. Representantes das aldeias Capitão Cardoso, Juarez, Tenente Márquez, 14 de Abril, Flor do Prado mandaram seus representantes para participarem das discussões.

    O representante da educação escolar indígena Anemã Irun Cinta Larga também participou do encontro como representante da Seduc na coordenação das escolas indigenas das aldeias Cinta Larga. Cada liderança fez o uso da palavra para expor as suas dificuldades na comunidade. Ao final o novo presidente da associação indígena Marcelo Cinta Larga propôs criar uma nova identidade para a associação indígena, com ações voltadas para valorizar e resgatar as tradições e costumes do povo Cinta Larga.

    Escolha democrática

    O técnico em educação indígena Anemã Irun Cinta Larga falou da importância dessas transições que acontecem nas comunidades indigenas. As eleições para escolha de novas lideranças acontecem cada vez que a comunidade não está satisfeita com o líder. Na escolha todos podem votar, menos criança. “A permanência de líder não tem tempo determinado, enquanto estiver atendendo bem os pedidos da comunidade ele permanece, não tem limite para ele ficar como cacique”, afirmou Anemã.

    A escolha dos caciques é democrática e sem restrições aos seus membros. Qualquer um da comunidade pode se candidatar para o cargo. Após o encontro o representante da educação escolar indígena Anemã Cinta Larga pediu as lideranças o apoio na manutenção da educação indígena dentro das aldeias. “Esse apoio de novos lideres é muito importante para que os pais mantenham os jovens nas escolas”, finalizou o professor Anemã.

  • Terra fértil da Amazônia é analisada

    Um grupo internacional de instituições de pesquisa está estudando uma forma de reproduzir o que os pesquisadores chamam de Terras Pretas de Índio, que são terras férteis, encontradas em diversos pontos da Floresta Amazônica, de forma aleatória, geralmente próxima aos rios. Nestes locais, durante milhares de anos as tribos indígenas que viviam ali enterraram todo o tipo de lixo usado por eles – orgânico e inorgânico. Muito tempo depois, descobriu-se que aqueles locais se transformaram nos solos mais férteis do mundo.

    Pesquisadores da Embrapa Solos, que faz parte do grupo de estudo, explicam que o objetivo é reproduzir estas terras num curto intervalo de tempo e de modo economicamente viável. Eles afirmam que as Terras Pretas de Índio contém três vezes mais fósforo e nitrogênio – que são os nutrientes para as plantas – se comparada ao solo comum, sem nunca ter recebido doses de fertilizantes. Além disso, consegue remover o carbono da atmosfera de modo muito mais eficaz do que qualquer outro tipo de solo (um hectare de Terra Preta pode estocar 250 toneladas de carbono ou mais, em contraponto a 100 toneladas nos solos próximos).

    Revolução Verde

    Os especialistas acreditam que, quando for possível reproduzir as Terras Pretas de Índio, haverá uma segunda Revolução Verde – só que desta vez, de uma forma ecologicamente correta. “Um verdadeiro ouro negro vegetal, que nós esperamos que se transforme em um passaporte para a tão desejada sustentabilidade da Agricultura Tropical”, explicam.

    Insumo agrícola

    De forma paralela, a Embrapa Solos também está estudando outras formas de aproveitamento dos lixões urbanos e rurais e propõe uma utilização mais nobre deste grande problema ambiental e de saúde pública: transformar os lixões em biocombustível ou insumos agrícolas. “As Terras Pretas de Índio são fruto da decomposição de todo aquele lixão que os nossos antigos índios enterraram”, explica o pesquisador Etelvino Henrique Novotny, da Embrapa Solos. O nome “Terra Preta” se deve ao alto acúmulo de carvão – ou biocarvão como também é chamado -, diferente dos solos comuns.

    Desde a década de 60, a ciência está estudando formas de aproveitamento e reprodutibilidade das Terras Pretas. Uma das últimas descobertas de utilização do carvão vegetal – presente nestas terras e fabricado na indústria – é como fertilizante e coadjuvante no seqüestro de gases do efeito estufa. Com o objetivo de estudar esses outros aproveitamentos do carvão vegetal foi formado o International Biochar Initiative (IBI), ao qual o pesquisador Etelvino, foi recém-convidado para fazer parte, ao lado de representantes de 13 países-membros.

  • Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Ji-Paraná/RO – Em Ji-Paraná não chove há quase quatro meses e o nível do rio Machado, que deveria estar medindo entre seis e sete metros, está na marca dos 2,85 metros. Este ano é a pior estiagem desde o ano de 1989.

    O agrupamento do Corpo de Bombeiros de Ji-Paraná está aconselhando que as pessoas não utilizem barcos e lanchas no Machado, pois a quantidade de pedras à mostra jamais foi vista antes.

    Alguns anos atrás, toda a Amazônia era completamente regular. No mês certo chovia, depois chegava a seca. Segundo informações do pesquisador em meteorologia, Daniel Panobianco, chuva só na segunda semana de outubro. “O calor excessivo é efeito da anomalia negativa de chuvas este ano. A estiagem começou muito antes do que se esperava”, explicou o pesquisador.

    A conseqüência do calor afeta a qualidade do ar, que segundo Panobianco, em alguns dias já chegou a ser avaliada como inadequado. Como conseqüência, os hospitais ficam lotados com crianças e idosos que apresentam falta de ar, tosse seca, ardor nos olhos, nariz e garganta. Cuidados simples e caseiros podem umidificar o ar dentro de casa e aliviar os sintomas provocados pelo ar seco.

    A umidade relativa do ar de Rondônia está abaixo de 12%, o que é considerado como estado de emergência pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação pode piorar, caso venha uma frente fria nos próximos dias. De acordo com o pesquisador, quanto mais friagens, mais tardia será à volta da estação chuvosa.