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  • Rondônia está mais quente nos últimos 16 anos

    Porto Velho/RO – No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje, 05 de junho, uma triste constatação para os mais de 1,5 milhões de habitantes de Rondônia: o Estado se tornou mais quente nos últimos 16 anos. E este seria apenas um dos sintomas do aquecimento global.

    A previsão é de que até o final deste século teremos na Amazônia, uma vegetação de savana – árvores de pequeno e médio portes, com caules retorcidos e pobreza de diversidade.

    Segundo a expectativa de estudiosos do aquecimento global, este fenômeno seguirá um arco, começando pelo Pará, indo para Mato Grosso e atingindo Rondônia.

    Estudo realizado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), revela que nos últimos 16 anos a temperatura em Rondônia aumentou em torno de 0,2 a 0,5 graus centígrados. A elevação pode parecer pouca, mas na região tropical, onde Rondônia está situada, as mudanças acontecem de forma gradual.

    “Pesquisei as temperaturas locais desde 1928 até 2006, consideramos variações anuais e dividimos pelos 16 anos. Isto significa que em determinados períodos o calor ficou realmente mais intenso”, afirma o meteorologista e climatologista do Sipam, Ranyere Nóbrega.

    Segundo Nóbrega, a elevação de temperaturas também está relacionada com o crescimento da cidade. A junção de prédios, asfalto e a retirada de vegetação natural contribuem com o aumento de temperatura e nem mesmo a arborização da cidade iria resolver o problema de excesso de calor. “As árvores podem transmitir uma impressão de menos calor por causa das sombras, mas isso não significa a diminuição no registro dos termômetros, que manteriam altas temperaturas”, revela.

    Savana

    Pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) calculam o tamanho do estrago que o aquecimento global trará à Amazônia neste século. Eles cruzaram dados de 15 modelos de computador usados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) com outros de vegetação e clima feitos no Brasil e constataram que até 18% da área que atualmente é mata deve virar uma vegetação rala, semelhante ao cerrado. Com o clima mais seco, a savana tende a crescer. Pelo estudo, a floresta amazônica vai ganhar 30,4% de savana entre 2090 e 2099.

    Explicações

    O pesquisador Ranyere Nóbrega, do Sipam de Rondônia, ressalta que o clima na Terra está mudando e a tendência é que estas alterações sejam mais notadas nos próximos anos. “Estamos tendo o fenômeno La Niña, que traz mais chuvas e tem entrada de ar frio. O El Niño é o contrário disto. Estes dois fenômenos antes aconteciam uma vez a cada década, hoje eles não têm mais um padrão”, explicou.

    As principais causas do aquecimento global são: alta emissão de dióxido de carbono (CO²) e metano no ar. O Brasil é o quarto lugar na emissão de CO² e cerca de 60% deste total vem das queimadas e do desmatamento. Os Estados Unidos estão em primeiro lugar no ranking de países poluidores.

    Rondônia não possui dados separados sobre sua contribuição no aquecimento global, mas o pesquisador afirma que a junção de queimadas e agropecuária é um fator preocupante. O modelo de pecuária extensiva, por exemplo, que utiliza grandes áreas, influi diretamente na emissão de gases poluidores. Na queimada usada para limpar as áreas, se forma o dióxido de carbono. Já a pecuária gera o metano.

    Outra fonte bem conhecida na emissão de CO² é a descarga dos carros. A queima dos combustíveis fósseis, como os derivados do petróleo também é muito poluente. “Independente da origem, uma coisa é certa: os níveis de dióxido de carbono nunca estiveram tão altos”, ressaltou.

    Mudanças

    As mudanças começam a ser sentidas com ondas de frio ou épocas de seca intensa. As friagens em Rondônia, por exemplo, estão mais constantes e rápidas. Os fenômenos que antes aconteciam com raridade, agora estão mais intensos e freqüentes, um problema que não está acontecendo só em Rondônia, todo o mundo começou a perceber alterações no comportamento climatológico nos últimos anos, segundo Ranyere Nóbrega.

    Consequências

    O aquecimento global pode ocasionar falta de água potável, dificuldades para cultivo de alimentos e o aumento de doenças tropicais como malária e dengue. Além disso, seca como a que aconteceu em 2005 poderão ser bem mais frequentes.

    Como colaborar

    Com o uso racional da energia elétrica. “Principalmente porque temos em Rondônia, termoelétricas, que queimam o diesel, altamente poluente”, lembra Nóbrega.Troca das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes – as brancas e utilizando transportes não poluentes, como a bicicleta, por exemplo.

  • Curiós são os mais cobiçados por traficantes

    Porto Velho – Os curiós (Oryzoborus angolensis) representam a espécie mais cobiçada por criadores e pessoas que traficam animais da fauna rondoniense. Só no ano passado, dos 408 animais que deram entrada no viveiro do Ibama, após serem apreendidos em criadouros ilegais, 119 eram curiós, entretanto, segundo técnicos que atuam no Ibama, esse número não representa a quantidade desses pássaros que vivem enclausurados ou que são destinados ao tráfico nacional e internacional de animais.

    Somente nos três primeiros meses deste ano, o Ibama já apreendeu 83 animais, destes, 31 são curiós. “O número de animais em cativeiros deve ser muito maior, mas é preciso que seja feita a denúncia para que Ibama consiga chegar até eles”, alerta João Veríssimo de Souza, responsável pelo setor de Fauna do Ibama.

    Para tentar inibir este número, a superintendência do Ibama lançou recentemente no Estado, a campanha “Curió, denuncie quem prende ou vende”. Apesar de a campanha levar somente o nome do curió, é válida para todos os demais animais silvestres. “O curió foi escolhido por ser o animal mais contrabandeado em Rondônia”, explica Nanci Costa, superintendente substituta do Ibama. Ela alerta que todas as pessoas da sociedade são responsáveis pela fauna e também pela flora existente em nosso planeta. “Às vezes pode acontecer de se saber de alguém que cria ilegalmente e se fazer vista grossa. Isso não pode acontecer. É preciso denunciar”, lembra.

    A denúncia de criação ilegal e de tráfico de animais pode ser feita por telefone e o denunciante não precisa se identificar. Está à disposição da sociedade a linha verde, pelo número: 0800-61-80-80. A ligação é gratuita. O Ibama também disponibiliza a linha 3217-3598 para atender as denúncias.

    Multas e prisões

    No ano passado, as apreensões de animais silvestres encontrados em cativeiros de Rondônia resultaram em 15 autos de infração e R$ 22,5 mil em multas. Segundo a lei de Crimes Ambientais, “é crime matar, perseguir, caçar, apanhar espécies da fauna silvestre sem a devida autorização ou permissão do órgão competente”. Para quem infringir a orientação a lei prevê de seis meses a um ano de detenção e multa de R$ 500 por pássaro. O valor é acrescido de mais R$ 500 se o animal estiver em extinção.

    Clone

    A lei abre exceção para os casos em que os animais são tratados em criadores regulares. Em Porto Velho estão cadastrados dois mil criadores regulares de pássaros, que também são fiscalizados para evitar a propagação de criação ilegal, mas não faltam tentativas de burlarem a fiscalização. Até mesmo as anilhas estão sendo clonadas pelos criadores ilegais e pelos traficantes.

    A anilha é uma pulseira colocada no pássaro com um número de registro. Atualmente os criminosos estão copiando o número de uma anilha original e fabricando outra peça com a mesma numeração. Como os números são cadastrados, geralmente a fraude é descoberta, o animal é apreendido e o fraudador multado em R$ 500 por pássaro.

    De acordo com a Polícia Federal, entre as anilhas enviadas pelo IBAMA para perícia, há algumas clonadas por ourives dos Estados da Bahia e de Goiás. A Polícia Federal também atua no combate ao tráfico de animais silvestres e dá apoio ao IBAMA, quando este é solicitado.

    Contrabando

    O Brasil é uma das principais fontes do contrabando de fauna, com 15% a 20% do total mundial. Mais de 12 milhões de animais são tirados, a cada ano, do País, conforme dados apresentados durante a Conferência Sul-Americana sobre o comércio ilegal da Fauna Silvestre. Essa sangria agrava o risco de extinção que pesa sobre 208 espécies brasileiras, dentre elas, o curió.

    O mercado internacional é estimulado por pessoas que buscam exemplares raros. Para se ter idéia, um curió, com seu som de violino, pode ter custo igual ao de um automóvel zero quilômetro. A Conferência serviu para alertar que a reprodução de pássaros ornamentais e canoros já é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa, inclusive, a partir de fêmeas adquiridas de contrabando.

    Canto

    O Curió é uma ave passeriforme da família Fringillidae, granívora, nativa do Brasil e desde muito tempo apreciada pelo seu canto. Mede cerca de 15 cm. O macho é preto na parte superior do corpo, castanho-avermelhado na parte inferior e branco na parte interna das asas. Ave em extinção na natureza e bastante comum entre os chamados “criadores amadoristas” devido ao intenso tráfico para utilização em torneios de canto, onde uma ave campeã pode valer um bom dinheiro.

    São submetidos a diversas formas de “condicionamento” para forçá-los a cantarem, como o confinamento em pequenas caixas para ficarem ouvindo gravações de cantos, exatamente como uma das técnicas de “lavagem cerebral” feita em humanos durante sessões de tortura. Deve-se notar que o tráfico e a receptação e manutenção de animais ilegais é crime no Brasil, assim como os maus tratos. Aqueles que vêem um crime ser cometido e se omitem também estão incentivando que mais animais se extinguam na natureza e fiquem na mão de torturadores, os quais se dizem “amadores”, mas objetivam mesmo é o lucro fácil que a venda de um único exemplar de canto bonito pode render.

  • Rondonienses embarcam no sonho do ouro

    Porto Velho/RO – A intervenção pela União, ocorrida no garimpo ilegal de ouro que já está sendo chamado de “Novo Eldorado da Amazônia”, não impede o deslocamento diário de milhares de trabalhadores de Rondônia, que saem em busca do ouro. O garimpo está localizado ao norte do município de Apuí, no Estado do Amazonas e nas proximidades de Jacarecanga, no Pará, a 70 quilômetros de Apuí.

    Somente no último final de semana, sete ônibus partiram lotados de Porto Velho em direção à mina. Com a descoberta do novo foco de ouro, a história volta a se repetir na região norte e o sonho pela riqueza fácil mais uma vez atrai homens de várias localidades, que sem se importar com as dificuldades deixam para trás a família, para certificarem-se de que a “fofoca” desta vez pode fazer mudar suas vidas.

    Em menos de dois meses, o número de garimpeiros que trabalham no local – cinco grotas abertas com cerca de 30 hectares – aumentou de 50 para cerca de 5 mil homens.

    Os ônibus continuam partindo de Porto Velho em direção ao garimpo, todas as segundas, quartas, sextas e sábados. De acordo com os motoristas, sempre lotados. As viagens são organizadas por uma agência de viagens e iniciam nas proximidades da rodoviária.

    O garimpeiro Elizeu Monteiro é mais uma das pessoas que viajou no sonho da riqueza rápida. Ele embarcou no ônibus que saiu dia 16, de Porto Velho às 23h. As despesas com a viagem ficaram em torno de R$ 200, fora o gasto com alimentação. As compras precisam ser levadas de casa, assim como uma barraca ou rede. “Só o que temos certeza quando saímos é que vamos nos abrigar dentro da mata, debaixo de uma lona”, diz.

    Fofoca

    Mesmo com as dificuldades, esses trabalhadores demonstram muita persistência. Elizeu já trabalha no ramo há 20 anos e nem pensa duas vezes em partir em direção a uma fofoca de ouro – termo utilizado para confirmar a existência de minério em uma determinada área. Ele mora no distrito de Triunfo (Candeias do Jamari) e viajou junto com outros três companheiros. Um deles, Manoel Theodoro de Souza, já garimpou no rio Madeira, na Venezuela e no Suriname. “Onde tem uma fofoca lá eu estou”, diz. “Puxei 900 gramas de uma vez na Serra Sem Calça (próximo ao município de Jaru) determinada vez”, orgulha-se.

    O motorista do ônibus que leva os trabalhadores ao garimpo, Cláudio da Silva Araújo, reveza o trabalho com outros colegas. Segundo ele, a viagem é longa e cansativa. O ônibus sai às 23h de Porto Velho e chega ao garimpo às 17h do dia seguinte. “Nada impede a ida deles ao local. Todos têm o mesmo sonho”, comenta. Segundo ele, a grama do ouro nas localidades próximas ao garimpo custa R$ 40,00.

    Promessa de ouro

    O garimpo é uma atividade em que os praticantes precisam de um aliado muito forte para trabalhar, a sorte. É por causa dela e da promessa de conseguir até 30 quilos de ouro em uma única rocha, que os garimpeiros estão se mobilizando atrás da fortuna. Até o presidente da cooperativa de garimpeiros (Minacoop), Washington Charles Cordeiro Campos, parte para o garimpo de Apuí essa semana.

    “Vou lá junto com o vice-presidente para organizar a atividade dos garimpeiros”, afirma. Agora é a hora de os governos aprovarem a exploração em benefício de milhares de trabalhadores que estão atuando no local. Querendo ou não, são empregos que estão sendo gerados e todos os que possuem familiares aqui virão gastar na Capital. Além disso, a maioria dos garimpeiros é de Rondônia”, defende.

    De acordo com Washington, a procura pelo garimpo está motivando trabalhadores que atuavam no rio Madeira e de outros pontos de extração do Estado. “Para se ter uma idéia, praticamente já não encontramos batéia (bacia que serve para lavar sedimentos de minerais preciosos), para comprar em Porto Velho”, disse.

    União dificulta ingresso

    Nem tudo pode ser sonho. Os trabalhadores que chegarem ao garimpo esta semana correm o risco de não poder explorar o minério, em virtude de um bloqueio de novas autorizações de estudos de viabilidade e de direito de exploração da reserva, emitido pela União, e que pode impedir a entrada de novos trabalhadores no garimpo.

    Dois requerimentos de direito de exploração, que estavam em andamento no Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), tiveram a tramitação suspensa com a intervenção. Um deles é do lavrador José Ferreira da Silva Filho, que se diz dono das terras onde foi descoberto o minério e que cobra até 10% de comissão da exploração aos garimpeiros.

    Segundo a engenheira Maria José Salum, diretora de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, a intenção do governo é regulamentar a reserva e firmar parceria com os próprios garimpeiros.

  • Puroborás lutam pelo reconhecimento

    Vale do Guaporé/RO – Contactado pelo Marechal Candido Mariano Rondon, em 1919, o povo Puroborá, que vivia em uma área entre os municípios de São Francisco do Guaporé e Seringueiras já conquistou importantes vitórias na luta que vem empreendendo desde 2002 pela busca do reconhecimento de sua etnia.

    Em 2007, um grupo de Trabalho da Funai deverá fazer um laudo antropológico para dar andamento ao processo que inclui a demarcação da terra onde viveram os antepassados Puroborá. Os recursos para o trabalho foram incluídos no orçamento da Funai de 2007.

    A área esta hoje ocupada por fazendeiros, mas por lei deve ser devolvida aos índios, com o pagamento de indenizações pelas benfeitorias encontradas na região, segundo o administrador substituto da Funai em Porto Velho, Osman Brasil.

    O reconhecimento do povo Puroborá está calcado na Resolução 069, da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Governo Brasileiro, que dá o direito de reconhecimento de remanescentes de povos como os indígenas e que no Brasil também inclui os quilombolas.

    Embora a lei seja clara a respeito, sabe-se que a retomada das terras do Puroborás não será fácil. “Nós encontramos muita resistência na região. Além de tentativas de captação dos índios pelos fazendeiros, também já foram feitas ameaças de morte para que os indígenas desistissem de retomar a terra”, relata Antonio Evangelista Sansão Puruborá, um dos líderes e articulador do processo de reconhecimento do povo.

    De acordo com Osman Brasil, os Puroborás foram expulsos de suas terras na década de 1970, quando foi criada a terra indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau. Mais três povos, Wajuru, Cujubim e Miqueleno, também reivindicaram o reconhecimento em Rondônia.

  • Animais peçonhentos se tornam ameaça

    Porto Velho/RO – São registrados por ano em Rondônia cerca de 600 acidentes envolvendo animais peçonhentos. O problema se agrava nesta época do ano, em virtude do período de chuvas. Estes animais só atacam quando se sentem ameaçados.

    As cobras Jararaca, Coral e Surucucu ‘bico de jaca’ representam 90% das ocorrências de acidentes com animais peçonhentos no Estado. O restante fica por conta das aranhas – 8%- e os escorpiões -2%- segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

    Segundo o biólogo Flávio Terrassine, a chuva não é o único motivo que faz com que os animais saiam da toca nos quatro meses de inverno. “Essa é a época de acasalamento. De cada 20 aranhas que chegam até nós, por exemplo, 18 são machos, todas em busca de fêmeas para o acasalamento”, explica. Escorpiões, abelhas e formigas, especialmente a amazônica ‘tuncandeira’ complementam a lista de peçonhentos.

    Flávio, que também é pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), diz que a maioria dos acidentes com animais peçonhentos poderia ser evitada, se as pessoas não invadissem o espaço desses bichos. “Só atacam quando se sentem ameaçados e os ataques geralmente acontecem no momento de se alimentar ou defender”, explica. Segundo ele, também há a falta de informação. “As pessoas não se vestem adequadamente para entrar no mato. É preciso calçar botas e vestir calças compridas”, orienta.

    A aranha ‘armadeira’ é a mais comum na região. Ela pode alcançar até 13 centímetros, bem menor que a temida caranguejeira, mas muito mais perigosa. “Como o nome já sugere, ela é agressiva, se arma para atacar”, ressalta Flávio. Elas habitam com maior freqüência bananeiras e terrenos baldios, o que eleva o risco de ataques, levando em conta o grande número de imóveis abandonados, ao longo dos municípios rondonienses.

    Veneno

    As serpentes Sucuri e Jibóia, de acordo com o biólogo Saymon de Albuquerque habitam a região de Porto Velho. O pesquisador desmente a antiga crendice de que em alguns meses elas ficam venenosas. “Nem uma nem outra é venenosa, em época alguma”, afirma. Condutas adotadas, especialmente por ribeirinhos, para curar a picada de cobras são reprovadas pelos pesquisadores. “Amarrar com tipóia, cortar a parte mordida, colocar urina, seja o que for, não resolve. Só mesmo o soro antiofídico para curar”, afirma o biólogo.

    Captura

    O Corpo de Bombeiros recomenda a população a não matar animais. Segundo informações da corporação, o procedimento correto é acionar os bombeiros que farão a captura dos bichos com os instrumentos adequados. Os serviços podem ser solicitados pelo telefone número 193. Os bombeiros soltam o animal em seu habitat natural e em área isolada da população.

  • Crime ambiental acaba em apreensão de aeronave

    Porto Velho/RO – Um pequeno avião foi apreendido esta semana na linha 45, próximo ao município de Candeias do Jamari, distante 30 quilômetros da Capital, Porto Velho, por estar jogando sementes de pastagem em área da Floresta Nacional Jacundá.

    O crime ambiental foi descoberto quando dois analistas ambientais do Ibama, que estavam na Flona Jacundá, viram o avião ainda em terra e suspeitaram da ação. O avião foi levado para o Aeroclube de Porto Velho e agentes da Polícia Federal foram ao local para iniciar os procedimentos de apuração. O piloto Jocival Soares de Carvalho informou que o dono da aeronave seria Francisco de Souza Lima. Segundo ainda, Carvalho, o avião havia sido contratado por Jaime da Silva Santos para despejar as sementes na área.

    Informações do Ibama dão conta de que Jaime Santos é proprietário de uma área próxima à Flona Jacundá e que fez a derrubada de 198 hectares de árvores da Unidade de Conservação. O gerente do Ibama, Osvaldo Pitaluga, disse que Jaime Santos alega que a área faz parte de sua propriedade. “Aquela área é de Unidade de Conservação e não é particular”, afirmou Pitaluga.

    Para o gerente do Ibama, a possível intenção do proprietário é a de transformar parte da área da Flona Jacundá em área de pastagem de gado.

  • Operação Passagem combate exploração ilegal de madeira

    Porto Velho/RO – Nove pessoas foram presas ontem, dia 7, acusadas de exploração e comércio ilegal de madeira em unidades de conservação e em terras indígenas localizadas na região oeste de Rondônia. A operação foi desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ibama. Seis dos presos eram servidores do Ibama, a maioria lotada em Guajará-Mirim.

    Com a prisão de seis servidores sobe para 15 o número de servidores do Ibama presos em Rondônia por envolvimento em corrupção ou facilitação de crime ambiental nos últimos três anos.

    Ainda existem 62 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos nos próximos dias em todo o Estado. Nesse período, 32 empresas do setor madeireiro serão investigadas para que seja averiguada a participação de outras pessoas com a quadrilha que foi desarticulada.

    Ação

    A quadrilha atuava em Rondônia desde 2004 e era formada por servidores públicos federais lotados no Ibama de Guajará-Mirim e por empresários do setor madeireiro. Eles agiam por meio de empresas fantasmas, que eram vistoriadas pelos servidores envolvidos, para vender ATPFs (Autorização para Transporte de Produtos Florestais) de forma ilícita, comercializar créditos de planos de manejo e exportar ilegalmente madeira para a Bolívia.

    A Operação Passagem recebeu este nome em alusão as duas pontes existentes entre Guajará Mirim e Porto Velho e por onde a madeira passava antes de ser enviada para a Bolívia. Segundo o chefe da delegacia de Meio Ambiente, Janderliê Gomes de Lima, a Polícia detectou vários núcleos de organização criminosa, um único núcleo formado por um empresário e alguns servidores do Ibama lucrou R$ 4 milhões em dois anos.

    O superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga não descarta a hipótese de que a madeira era retirada também da reserva estadual de Guajará-Mirim. “Existe uma estrada nas proximidades. Precisa de fiscalização intensiva”, disse, lembrando que a área pertence ao Estado.

    Investigação

    A investigação se deu a partir de uma auditoria feita no Ibama de Guajará-Mirim, entre setembro e outubro de 2005. A auditoria apontou diversas irregularidades e crimes que teriam sido cometidos por servidores. Relatórios indicavam, inclusive, que 11 empresas do município de Nova Mamoré teriam sido beneficiadas.

    O serviço de inteligência policial constatou também que parte da madeira comercializada ilegalmente foi extraída das terras indígenas Lages e Ribeirão, no Oeste do estado. Em agosto, foi localizado um dos locais onde a madeira ilegal era estocada.

    Durante as investigações foram presos em flagrante quatro integrantes da quadrilha: dois servidores do Ibama, um contador e um empresário.

    Penalidade

    Segundo o superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga, os servidores envolvidos com crimes ambientais respondem processos administrativos e podem ser demitidos. Além disso, respondem por crime no código civil, podendo ser presos ou responsabilizados financeiramente pela justiça comum e obrigados a ressarcir valores aos cofres públicos pelo crime ambiental.

    Operações

    A primeira grande operação realizada em parceria entre o Ibama e a Polícia Federal foi realizada em 2003, chamada Setembro Negro. As próximas operações Curupira I e II, realizadas em 2004 prenderam servidores e madeireiros dos estados do Mato Grosso, Rondônia e Pará. Nessa operação foram presas 250 pessoas. A operação Novo Empate foi a seguinte, mas não teve servidores presos. Em 2006 aconteceu a Operação Daniel, em Ji-Paraná e agora veio a operação Passagem.

  • Macacos e pássaros são apreendidos

    Porto Velho/RO – Cinco denúncias anônimas ajudaram o Ibama e a Polícia Ambiental a apreender, sexta-feira, 10 animais que viviam em cativeiro em Porto Velho. A maioria deles na região central da cidade.

    Um dos macacos apreendidos era usado como atrativo em um hotel.

    Alguns animais apresentavam indícios de maus-tratos. Um macaco tinha a região da cintura marcada pelas cordas que o prendia a uma árvore há mais de um ano, segundo os técnicos do Ibama. Os animais ficarão em observação durante 40 dias e provavelmente serão enviados para reservas de conservação localizadas fora do Estado, porque em Porto Velho não há nenhum local com condições adequadas para recebê-los.

    Foram apreendidos dois macacos da espécie Cairara (Cebus kaaporis), um macaco Aranha (Ateles geoffroyi), uma Curica (Caica caica) e seis pássaros Curiós (Oryzoborus angolensis), em diferentes bairros da cidade, sendo que um macaco era criado numa chácara na zona leste. Os ex-proprietários vão desembolsar uma multa de R$ 500 para cada animal apreendido, valor estipulado para bichos que não estão em extinção.

    Para os que estão ameaçados a multa varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil. O proprietário dos curiós terá que pagar uma multa de R$ 3 mil.

    Segundo a veterinária do Ibama Cláudia Vilela, de imediato os animais vão passar por uma série de exames e receber medicamentos para vermes. “Alguns macacos apresentam problemas de pele, provavelmente causados por fungos e outros estão com cáries e até caspa”, diz.

    De acordo com a veterinária, o principal problema de manter animais em cativeiros domésticos são as doenças que eles podem transmitir. O macaco, por exemplo, é transmissor de raiva, herpes e hepatite. “Não somos bem recebidos pelos proprietários dos bichos, mas eles não entendem que estamos visando mais o bem-estar deles do que propriamente dos animais. Nenhum destes, por exemplo, possui característica de ser doméstico”, diz o cabo Carlos Gomes, da Polícia Ambiental, que trabalhou nas operações do Ibama.

    Denúncia

    A apreensão dos animais foi possível através de denúncias anônimas da população, através do Linha Verde do Ibama, mas a Polícia Ambiental também recebe ligações da população. Os telefones para que a comunidade possa denunciar a existência de animais silvestres em cativeiros domésticos são 0800-618080 ou 3230-1088, 3230-1777 e 3230-1274.

  • MP discute impactos causados pelas hidrelétricas do Madeira

    Porto Velho/RO – O relatório de análise dos Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) sobre os aproveitamentos hidrelétricos de Santo Antônio e Jirau foram apresentados, nesta segunda-feira, durante audiência pública realizada no Ministério Público Estadual (MPE).

    O relatório foi elaborado por 30 consultores da Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (Cobrape), que analisaram o projeto de implantação das hidrelétricas do rio Madeira, ampliaram discussões e sugeriram complementações para os programas de monitoramento e de medidas dos impactos a serem causados com a obra.

    De acordo com o diretor da Cobrape, Carlos Alberto Amaral Pereira, o maior impacto causado com a obra será no aspecto sócio-econômico, devido ao provável inchaço populacional decorrente das obras, o que vai exigir melhoria na infra-estrutura tanto de Porto Velho quanto das cidades vizinhas à Capital. “É impossível numa obra desse porte não haver impacto biológico, físico e sócio-econômico”, diz Pereira.

    O procurador geral de Justiça, Abdiel Ramos Figueira defende a importância de maior número de discussões possíveis acerca da construção das hidrelétricas. “Só assim ficará claro o que quer a população do Estado de Rondônia”, defende. Ele afirmou que não há intenção do Ministério Público de inviabilizar o empreendimento, mas sim, analisar as conseqüências ambientais e sócio-econômicas e acompanhar as aplicações de medidas sobre estes impactos.

    Entre os impactos ambientais já apontados no EIA/RIMA estão a mudança da qualidade da água do Rio Madeira, o comprometimento da reprodução dos peixes e a perda de biodiversidade.

  • Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    O Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) e o Rouxinol do Rio Negro (Icterus chrysocephalus) são dois pássaros pouco conhecidos da maioria dos brasileiros, mas no Japão estas e outras espécies existentes na Amazônia são valiosas. Considerado a Monalisa do tráfico, o rouxinol contrabandeado dos seringais da Amazônia é vendido a US$ 120 mil (cerca de R$ 270 mil reais) no mercado internacional da biopirataria e do tráfico de animais.

    A revelação é do analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Amazonas, José Leland Juvêncio Barroso, em depoimento à CPI da Biopirataraia. Além de pássaros, segundo Leland, os biopiratas têm levado da Amazônia essências de plantas, microorganismos, peixes ornamentais, solo e até amostras de água dos rios amazônicos. Isso sem falar no sangue dos índios já à venda na rede mundial de computadores.

    Para o professor Gonzalo Enriquez, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o crescimento da biopirataria na Amazônia resulta da inércia governamental que tornou o País refém de detentores das tecnologias de ponta, que buscam de forma arbitrária, a transferência de recursos genéticos para suas indústrias, principalmente a farmacêutica.

    Grande Prejuízo

    O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco calcula que o prejuízo do Brasil pode variar de R$ 240 milhões a R$ 24 bilhões só no mercado de medicamentos e movimenta aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 1,7 trilhão) anuais.

    Capobianco disse à CPI da Biopirataria que o MMA adotou várias medidas para evitar essa sangria. As principais foram a regulação do acesso ao patrimônio genético e da repartição de benefícios; criação de nova legislação de acesso e repartição de benefícios; ação integrada de investigação e fiscalização, controle do registro de marcas, treinamento de fiscais para o combate à biopirataria, e a proteção dos conhecimentos tradicionais.

    Segundo ele, essas ações ajudam a reduzir pelo menos um tipo de biopirataria: a retirada ilegal de componentes da fauna e da flora brasileiras. Capobianco ainda acrescentou que o governo está preocupado com o uso indevido, o patenteamento e o comércio ilegal de recursos no exterior.

    Galo-da-serra

    O galo-da-serra é um pássaro do norte e noroeste da América do Sul. É considerado um dos mais espetaculares do mundo, tem plumagem fantástica e cortejo colorido. Somente duas espécies são conhecidas: o galo-da-serra andino (Rupicola peruviana) e o galo-da-serra-do-pará (Rupicola rupicola). Vivem sob árvores altas, perto dos rios e deixam este território somente na época da procriação para encontrar seu par.

    Ritual de procriação

    Os galos-da-serra ajudados pelas fêmeas preparam um círculo de dança limpando uma superfície plana que vai servir ao redor, enquanto as fêmeas agrupam-se em torno do palco. De repente um dos machos voa para o chão e executa uma dança estranha: abre as asas e vira a cabeça de um lado para o outro, bate os pés com força no chão e pula para cima e para baixo.

    Quando está exausto dá um grito característico, realiza a cena mais uma vez e volta ao galho. Um outro galo-da-serra toma o seu lugar no palco e o espetáculo continua até que todos os machos do bando tenham se apresentado.