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  • Construção de hidrelétricas inundará Casarão dos Ingleses

    Mutum-Paraná/RO – Cerca de 13 quilômetros da BR 364, na região de Mutum-Paraná – sentido Rio Branco/AC – devem ser inundados com a construção das usinas Jirau e Santo Antônio, obra que deve ter início em 2007. Além deste trecho, todas as pedras da cachoeira de Teotônio, na região de Porto Velho, ficarão debaixo d´água. Até uma antiga casa que fica nas proximidades de Teotônio, conhecida como Casarão dos Ingleses, ficará submersa. As audiências que vão apresentar à sociedade estes problemas serão realizadas entre 8 e 11 de novembro.

    Além disso, cerca de 300 famílias que moram às margens do rio Madeira terão que ser transferidas para outras localidades. Segundo o Estudo de Impactos Ambientais (EIA), o nível do Madeira, que em período de cheia é de 200 hectares, com a construção das barragens, será de 250 hectares constantemente.

    De acordo o superintendente do Ibama, Osvaldo Pitaluga, todos os impactos que a construção causará serão repassados à população, que decidirá sobre a efetivação da obra. “Não vamos esconder nada. Serão medidos os prós e os contras que o empreendimento trará”, afirma Pitaluga.

    Segundo o superintendente, haverá várias formas de investimentos viabilizados com a construção do empreendimento. A compensação, que equivale a 0,5% do valor da obra, que será de R$ 20 bilhões, será usada para construção de unidades de conservação, indenizações diretas à famílias afetadas e envio de recursos federais para construção de escolas, creches, hospitais e outros investimentos na área de infra-estrutura.

    Geração

    A barragem Santo Antônio será construída na região de Porto Velho e a de Jirau na região de Mutum Paraná. As duas devem gerar 6.450 MW de energia para garantir o abastecimento para a população brasileira nas próximas décadas e diminuir os riscos de apagões. Com a construção das hidrelétricas, a energia gerada em Rondônia será transmitida para o sul do País através de linhas de transmissão que vão ligar os estados do Mato Grosso, Acre e Amazonas.

    O projeto prevê o uso de usinas tipo Bulbo, que ficam submersas no rio, o que permite a diminuição dos impactos ambientais, já que este tipo de usina não exige grandes alagações, a exemplo da usina de Samuel, em Rondônia, que alagou grande extensão de terra.

    Canal

    Segundo ainda, o Estudo de Impactos Ambientais, com a construção das barragens os peixes não vão conseguir subir o rio para desovar, fenômeno chamado de piracema. Para evitar este desastre, será construído um canal de transposição, também chamado de escada de peixes, no lado esquerdo do Madeira para que os peixes possam subir o rio e seja garantida a preservação das espécies.

    Audiências

    As audiências públicas que integram o processo de licenciamento da construção das usinas do Madeira acontecerão de 8 a 11 de novembro. As reuniões serão realizadas na zona urbana de Porto Velho e nos distritos de Jaci-Paraná, Abunã e Mutum Paraná. Se o projeto for aprovado pela população, a expectativa é a de que as obras sejam licitadas ainda este ano.

  • Indígenas conseguem crédito especial e liberam BR 230

    Brasília/DF – A comissão indígena que negociava em Brasília a liberação de recursos para pagamento de dívidas da Funai com fornecedores rondonienses conseguiu junto ao Ministério da Justiça adicionar um pedido de crédito especial no valor de R$ 1,7 milhão que devem ser liberados através de decreto presidencial no mês de novembro.

    Além desse valor, os indígenas conseguiram de imediato, recurso especial no valor de R$ 25 mil para ser utilizado na fiscalização do patrimônio indígena. Com a resposta positiva por parte do Governo Federal, os indígenas liberam as rodovias do Estanho e a BR 230 (Transamazônica) e as atividades administrativas da Funai voltam ao normal nesta segunda-feira, dia 16.

    Segundo o diretor de assistência da Funai, Slowacki de Assis, R$ 400 mil serão destinados para realização de atividades produtivas, R$ 400 para funcionamento de postos indígenas, R$ 400 para assistência social e R$ 500 para proteção e fiscalização do território.

    Em Brasília a comissão indígena que negociou com o governo – composta de sete caciques – marcou nova audiência, após as eleições, com representantes da Casa Civil para tratar do recurso que deve ser destinado para a Funai em 2007.

    Segundo Adriano Karipuna, liderança indígena da tribo Karipuna, a Funai de Rondônia vai precisar de pelo menos R$ 1,6 milhões para custeio das despesas no ano que vem. O orçamento para a Funai em todo o País é de R$ 677 milhões e é distribuído em 64 regiões, incluindo Brasília.

    Pedido Inicial

    O pedido inicial dos indígenas era de R$ 1,6 milhão, mas se restringia a administração da Funai em Porto Velho, responsável por uma área onde vivem cerca de 3 mil indígenas. No Estado – incluindo a parte sul do Amazonas, administrada por Rondônia – vivem cerca de nove mil indígenas, de 45 povos.

    Prejuízos

    Com o fechamento da rodovia 230, que liga o município de Humaitá a Apuí, este município que fica ao sul do Amazonas e possui cerca de 19 mil habitantes já estava sem combustível e racionando energia elétrica, que é movida a óleo diesel.

    Segundo o chefe do núcleo de Operações Especiais da Polícia Federal em Rondônia, Régis Ramos, o fluxo de veículos naquele trecho da Transamazônica é pequeno, cerca de 100 veículos por dia e no período mais chuvoso – entre os meses de fevereiro e maio – chega a ser ainda menor, uma vez que a estrada ainda não é asfaltada.

  • Degradação de rios modifica vida de ribeirinhos

    Ji-Paraná/RO – A ausência de matas ciliares e o assoreamento dos rios que banham as cidades de Presidente Médici e Ji-Paraná estão modificando a vida dos moradores ribeirinhos da região. A escassez de peixe no Rio Muqui, afluente do Rio Machado, levaram os pescadores a buscar alternativas para sobreviver e alimentar suas famílias. A piscicultura em tanques-rede poderá ser uma saída.

    Dados registrados no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Rio Muqui já teve 43 por cento de sua área desmatada. Apenas no período 2003-2004 foram 766 hectares. Técnicos da Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater), do escritório de Ji-Paraná, visitaram áreas onde já pode se detectar o baixo nível de água e a morte de pequenos rios e igarapés.

    A preocupação com a degradação dos rios já chegou à população, que vem se articulando em busca de alternativas para impedir o seu avanço. Recentemente um evento reuniu moradores da Linha 16 – Gleba G, em Ji-Paraná e técnicos de organismos governamentais e não governamentais a beira do Rio Urupá para apresentar um projeto de recuperação das matas ciliares. Mas a preocupação chegou também aos pescadores que sobrevivem da atividade e não tem outras perspectivas de geração de renda. A recuperação dos rios e matas leva tempo. Para minimizar a situação e atender aos anseios dos pescadores, técnicos da Emater estão incentivando a criação de peixes em tanques-rede.

    Tanque-rede

    O custo para implantação de tanques-rede é uma técnica barata e simples, se comparada à piscicultura tradicional em viveiros de terra. Esse tipo de criação permite ter o maior número de peixes no menor espaço possível. Enquanto nos tanques-rede a produtividade é de 200 kg de peixe por m3, numa piscicultura tradicional esse número cai para apenas 500g a 1 kg por m2, dependendo do sistema adotado.

    Outra vantagem é que o sistema permite o aproveitamento de uma grande variedade de lagos, lagoas e bacias existentes, dispensando o alagamento de novas terras, reduzindo os gastos com a construção de viveiros. No Brasil, com um potencial de quase seis milhões de hectares de águas represadas nos açudes e grandes reservatórios, construídos principalmente com a finalidade de geração de energia hidrelétrica, a produção comercial de peixes em tanques-rede está apenas começando.

    A implantação de tanques-rede para pescadores em Rondônia é recente. O anseio partiu da própria comunidade que sentiu a necessidade de buscar alternativas para suprir a escassez do peixe nativo. Segundo Antônio Carlos Bonfim, técnico da Emater responsável pelo projeto em Ji-Paraná, dos nove projetos iniciais, três foram financiados pela linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf “D”, do Banco da Amazônia. O investimento total foi de 61 mil reais, dos quais sete mil reais de recursos próprios e 54 da linha de crédito financiada através do banco.

    Tambaqui e pirarucu

    Há sete meses os pescadores, Raimundo Umbelino das Neves, Jerônimo de Oliveira e Francisco Bezerra trabalham em 24 tanques-rede (21 de 18m3 e três de 50m3) com capacidade para 26.400 unidades. Os peixes produzidos pelos três pescadores são das espécies tambaqui, pirarucu e pintado. Hoje os tanques já contam com cerca de dez mil peixes e mais dez mil estão sendo esperados para complementar o projeto. Alimentados exclusivamente a base de ração os tambaquis estão na fase de crescimento. Ao atingir o peso de 1,5 quilos o peixe será comercializado na região.

    Além de tambaquis, o pirarucu também está sendo criado em cativeiro. Jerônimo, Raimundo e Francisco têm 46 unidades dessa espécie em fase experimental. Também chamado de “bacalhau da Amazônia” o pirarucu é o peixe de maior peso e maior porte das espécies dos escamados. O valor de sua carne é muito nutritivo. Porém, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proibiu sua pesca. “A procura era muito grande e os pescadores estavam colocando as redes no rio sem dó. Eles disseram que a espécie estava ficando em extinção, e por isso foi proibida”, dizem os pescadores da região. Sidnei Antônio Marconi, zootecnista e gerente técnico da Emater, diz ainda não existir estudos que comprovem a viabilidade da criação de pirarucu em cativeiro. Mas, para Jerônimo, 52 anos, que sempre foi pescador, foi preciso buscar essa alternativa porque “o rio não está mais dando conta de oferecer peixe e, com o Governo proibindo a pesca fica difícil pra gente”.

    Alimentação

    Criados quase que exclusivamente à base de ração, a alimentação tem sido o maior problema encontrado por quem decide pelo sistema tanque-rede. As elevadas taxas de estocagem deste sistema são dependentes de rações de alta qualidade nutricional, pois os peixes estão em um ambiente “confinado”, o que não permite o acesso ao alimento natural. As rações deverão permitir uma conversão alimentar adequada, pois os custos com a alimentação podem chegar a 70% dos custos totais de produção.

    Para o pequeno piscicultor, principalmente esse que saiu da pesca artesanal e procura na atividade uma forma de garantir seu lucro, a criação de peixes em cativeiro acaba não sendo tão viável. Para tentar minimizar esse problema o Governo do Estado tem procurado incentivar indústrias de ração na região. Em Rolim de Moura já existe uma indústria em fase de instalação e acredita-se que, com a ração sendo fabricada no Estado, esse custo possa baixar e permitir maior lucro ao criador.

  • Índios cobram justiça pelo assassinato de sertanista

    Porto Velho/RO – Após dois anos do assassinato do sertanista Apoena Meireles, o sentimento na Fundação Nacional do Índio (Funai) de Porto Velho é de muita saudade. Na tarde de sexta-feira, dia 6, os indígenas que estão alojados na sede da entidade realizaram um ritual e dançaram em homenagem ao sertanista. Acreditam até que as dificuldades financeiras que estão enfrentando não existiriam se Apoena estivesse entre eles e reclamam da justiça brasileira em não punir o responsável pelo assassinato.

    As buscas pelo autor do crime foram suspensas há mais de um ano e o caso está parado porque o assassino, foragido, alcançou a maioridade. Na Vara da Infância e da Juventude não se obtém maiores detalhes sobre o processo.

    Apoena Meireles era funcionário da Funai e foi morto com dois tiros no tórax, após reagir a um assalto, no interior de uma das agências do Banco do Brasil de Porto Velho, em 9 de outubro de 2004. Passado o choque, rumores e desconfianças, agora, os indígenas dizem que a única coisa que querem é que seja feita justiça.

    O líder indígena Orlando Karitiana acredita que a morte de Apoena foi tratada com descaso. “A justiça brasileira nos decepciona muito, não foi feita justiça pela morte do Apoena, assim como para o assassinato de muitas outras lideranças”, diz. “No Brasil não tem justiça. Ela só existe para os ricos”, desabafa.

    Sangue de índio

    O sertanista Apoena Merireles era tido como um exemplo e tinha boa relação com indígenas de todas as etnias. Por eles brigava por melhores condições de vida e incentivava para que nunca esquecessem suas culturas e tradições. “Apoena vivia no meio dos índios porque gostava, não porque era preciso. Acho que tinha sangue de índio”, acredita Raimundo Nonato Karitiana.

    Quando a Polícia Federal iniciou as investigações sobre a matança de 29 garimpeiros, na reserva Roosevelt, a 500 quilômetros de Porto Velho, em abril de 2004, Meireles foi até Juína, no Mato Grosso, conversar com o cacique cinta-larga Papai Grande. O líder indígena determinou aos demais chefes da etnia em Rondônia que atendessem o sertanista e o ajudassem a atenuar a crise entre índios e não-índios, gerada pela exploração de diamantes. O caso foi apenas um exemplo do respeito de que Apoena gozava junto aos povos indígenas.

    Minérios

    No dia em que foi assassinado, Apoena havia chegado de Brasília e deveria seguir para a reserva Roosevelt, em Espigão do Oeste, onde conversaria com os índios Cinta-largas para pedir que esperassem pela liberação do garimpo. Ele era um dos responsáveis pelo garimpo permanecer fechado. No local há uma grande jazida de diamantes onde 29 garimpeiros haviam sido executados em abril daquele ano. Por esses motivos cogitou-se na época do assassinato, que Apoena pudesse ter sido executado por um grupo interessado nos minérios e não latrocínio, como a polícia desvendou em seguida.

    Assalto

    O adolescente que atirou em Apoena, com 17 anos na época, ainda chegou a ser preso. Explicou que tentou assaltar o sertanista para conseguir dinheiro para comprar drogas. Era um jovem de classe média e todos ficaram estarrecidos com a banalidade pela qual o sertanista havia sido morto.

    O jovem foi recolhido à Casa de Internação Provisória quatro dias após o crime, mas por ordem do juiz Ênio Salvador Vaz, da Vara da Infância e da Juventude da comarca de Porto Velho, foi transferido, no dia 23 do mesmo mês, para a Casa Família Roseta, instituição que atende dependentes químicos e fugiu no dia 27 de dezembro de 2004. Ele teria saído tranqüilamente pela porta lateral e corrido para o mato no fundo do terreno.

    Divulgação

    Uma das maiores dificuldades que a polícia encontrou na época foi o fato de não poder divulgar a foto do jovem por se tratar de um crime que ele cometeu quando ainda não havia atingido a maioridade. Nunca foi divulgado o retrato falado do menor e a polícia não tem idéia do paradeiro dele. O caso continua sem solução, uma triste constatação para os índios. “Brancos não imaginam o que representa a perda de Apoena para nós. Se estivesse aqui certamente estaríamos dançando por alguma coisa boa”, diz Orlando Karitiana.

    Investigação

    Conselheira da Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé, Ivaneide Bandeira cobra uma “investigação mais aprofundada” sobre as causas da morte do sertanista Apoena Meireles. Ela considera que já se passaram dois anos do assassinato e as investigações ficaram restritas à hipótese de latrocínio. “O fato de Apoena estar envolvido na investigação sobre o garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena de Roosevelt deveria ter provocado um maior interesse pelas causas do assassinato. Ele detinha informações importantes e um dia antes de morrer disse, em uma reunião com o povo Suruí, que pretendia “desmontar as falcatruas” que existiam na Reserva Roosevelt”, afirmou.

    Ivaneide Bandeira também cobra justiça para o matador, que fugiu de Rondônia, tomando rumo ignorado. “Não se pode descartar a hipótese de que atrás do assassino estivesse gente graúda com interesses na exploração de diamantes”, ressalta ela.

    Dificuldades

    Os indígenas de Rondônia e do Sul do Amazonas desencadearam uma serie de protestos na semana passada para pressionar o Governo Federal a liberar recursos para a Funai da Capital. A BR-230 foi bloqueada e a sede do órgão em Porto Velho ocupada por índios. As dívidas da Funai, que chegam à casa dos R$ 600 mil, impedem a produção agrícola nas aldeias. Desta forma, muitos povos têm passado por dificuldades.

  • Índios recuam e decidem esperar liberação de dinheiro sem bloquear 364

    Porto Velho/RO – Os indígenas que vivem em Rondônia decidiram aguardar até o dia 16, a decisão do Governo Federal em liberar recursos para que a Funai possa pagar dívidas com fornecedores rondonienses.

    Segundo Aurélio Tenharin, que está em Brasília acompanhando as negociações, representantes do Ministério da Justiça já se comprometeram em efetuar o repasse. Mesmo assim, uma comissão composta por sete indígenas de diferentes etnias ainda tenta uma audiência com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para tentar sensibilizá-lo da necessidade da liberação do recurso.

    Eles afirmam que precisam de pelo menos R$ 1 milhão para o pagamento de dívidas de aproximadamente R$ 600 mil. O restante do dinheiro seria para finalizar o exercício de 2006.

    Para pressionar a liberação do recurso, que pode ser viabilizado em forma de suplemento de fundo, os indígenas fecharam a BR 230 (Transamazônica), que liga os municípios de Humaitá e Apuí, no Amazonas, parte da rodovia do Estanho (Machadinho/Apuí) e ameaçam bloquear a BR 364, estrada que liga o Estado de Rondônia ao sul do País e uma das principais vias de escoamento produtivo da região norte.

    “Não queremos fechar a BR 364 para não prejudicar a população, por isso vamos aguardar até segunda-feira, mas se não nos atenderem não teremos outra opção”, diz Orlando Karintiana, líder indígena na aldeia Karintiana.

    Cerca de mil índios se posicionaram nas proximidades da BR 230 e outros 250 estão amontoados nas sedes da Funai de Porto Velho/RO e Ji-Paraná/RO. “Estamos passando dificuldades nas aldeias, por isso resolvemos nos espalhar”, explica Valmir Parintintin.

    Conflito

    O bloqueio da BR 230 gerou, na segunda-feira, um transtorno entre indígenas e um grupamento do Exército que tentava retornar ao município de Humaitá após prestar apoio ao processo eleitoral ocorrido em Apuí.

    A tropa foi impedida de passar e os índios sentido-se ameaçados decidiram serrar uma ponte nas proximidades do quilômetro 150. Os próprios soldados fizeram uma ponte improvisada, com troncos de árvores e conseguiram liberação dos indígenas para que voltassem ao quartel.

    Segundo o líder indígena Valmir Parintintin, os índios só liberam a passagem para ambulâncias. Alguns caminhoneiros estão parados no local e ônibus de linha tiveram que retornar para os municípios de origem.

  • Garimpo ilegal funciona livremente no rio Madeira

    Porto Velho/RO – Trabalhadores atuam tranqüilamente em dragas em garimpo ilegal no trecho do rio Madeira, abaixo de Porto Velho, sentido São Carlos. A área é proibida para o garimpo e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização, alega falta de efetivo para realizar o trabalho de fiscalização.

    Segundo o geólogo Arnaldo Cardoso, a única atividade permitida na área é a pesquisa. “A pesquisa é autorizada para pessoas físicas e jurídicas que estudam a existência e as propriedades de possíveis minérios. Os casos mais comuns são de pesquisa de ouro e areia, mas há também de diamantes”, explicou Cardoso.

    Segundo o geólogo, o órgão conta com poucos servidores. Novos profissionais estariam em fase de contratação. “Temos agora mais um geólogo, dois engenheiros de minas e um engenheiro ambiental, mas eles ainda estão em fase de treinamento”, afirmou.

    Legalizado

    No trecho acima de Porto Velho, entre a cachoeira de Teotônio até uma região conhecida como paredão, há uma área de garimpo regulamentado pelas portarias 1345/79 e 1034/80 do Ministério de Minas e Energia. Mas a área ainda não possui nenhuma Permissão de Lavra Garimpeira emitida. Entretanto, Cardoso afirma que “a extração que existe naquela reserva garimpeira não pode ser caracterizada como ilegal, porque há pedidos de autorização protocolados”.

    Mapa

    A Companhia de Pesquisa dos Recursos Minerais (CPRM) deve finalizar, até novembro, um novo mapa geológico e de recursos mineiras do Estado de Rondônia. Segundo o geólogo Marcos Quadros, o trabalho consiste em um levantamento geológico inicial e básico. “Não se tem o estudo da quantidade de minérios, este trabalho de prospecção mineral fica mais de interesse da iniciativa privada e a CPRM faz por convênio. Só fornecemos as informações básicas necessárias”, disse.

  • Índios intensificam movimento pela liberação de recursos

    Porto Velho/RO – O movimento que teve início na semana passada, visando a liberação de recursos para atender as necessidade dos indígenas que vivem em Rondônia, deve continuar até que os líderes consigam uma resposta positiva por parte do Governo Federal. Eles querem o adiantamento de um suplemento de fundo para cobrir despesas com fornecedores em todo o Estado. Se não forem atendidos, os indígenas prometem fechar a BR 364 na próxima quarta-feira, dia 4.

    O protesto pela liberação de recursos teve início na quinta-feira da semana passada, com a paralisação das atividades administrativas em sedes da Funai de vários municípios. Foi intensificada com o fechamento da BR 230 (transamazônica) e no início da próxima semana representantes de oito etnias que vivem em Rondônia desembarcam em Brasília para tentar uma audiência com o ministro da Justiça Marcos Thomaz Bastos.

    Atualmente cerca de 150 índios lotam o alojamento da Funai em Porto Velho. Ainda nesta sexta-feira, dia 29, mais 60 indígenas devem se juntar aos que se aglomeram na sede da Funai e contam com o auxílio de representantes de Ongs para se alimentarem. ´Estamos recebendo apoio para que o movimento não se enfraqueça´, diz Clóvis Kassupá, cacique da tribo Kassupá, etnia que vive na região de Guajará-Mirim, em Rondônia.

    Segundo Kassupá, a maior dificuldade que os indígenas encontram atualmente é a falta de transporte. ´Muitos estão vindo para Porto Velho de carona´, ressalta. A dificuldade tem uma explicação. Só a postos de gasolina a Funai deve cerca de R$ 100 mil. As altas dívidas impedem os fornecedores de continuar cedendo produtos e serviços.

    Reflexos

    A dívida total dos indígenas no mercado rondoniense chega a R$ 600 mil. Os reflexos já foram sentidos na agricultura. Algumas etnias não refizeram as plantações durante o verão, por falta de equipamentos agrícolas e até sementes.

    O problema da falta de recursos não se reflete na saúde indígena, pois recentemente foram enviados R$ 1,5 milhões para atendimento nesta área, através da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

    Segundo Humberto Terena, coordenador da Federação da Organização Indígena de Rondônia (Foir), a falta de recursos para o indígena se repetiu em todo o País. Rondônia não contou com orçamento para a área indígena em 2006.

    Os 400 índios de quatro etnias da região de Humaitá (AM), que se posicionaram no quilômetro 150 da BR 230 (transamazônica), nesta terça-feira, continuam barrando a passagem de transportes no local.

  • Índios bloqueiam BR-230

    Humaitá/RO – Comunidades indígenas das etnias Tenharin, Jeahue, Mura e Parintintin fecharam a BR-230 (Transamazônica) desde o meio dia desta terça-feira, dia 26, visando pressionar a liberação de recursos por parte do Governo Federal para que a Funai consiga pagar dívidas.

    A Funai deve cerca de R$ 600 mil a fornecedores e estes não estão mais liberando material de apoio aos indígenas, como equipamentos agrícolas e até gasolina. Só com postos de combustível a despesa chega a R$ 100 mil. Os servidores da administração da Funai paralisaram as atividades desde quinta-feira, em solidariedade aos indígenas.

    Segundo o indígena Humberto Terena, coordenador da Federação da Organização Indígena de Rondônia (Foir), com a falta de material de apoio, os índios começam a passar por dificuldades. Alguns não conseguiram plantar este ano. A situação teria ocorrido na aldeia Marmelo, na região de Humaitá.

    De acordo com o cacique João Sena Tenharin, este ano, em sua aldeia, foram plantadas apenas mandiocas, e assim mesmo com recursos da aposentadoria dos próprios indígenas. “Não pudemos plantar arroz porque não temos semente, nem maquinário para retirar”, explica. Na aldeia Marmelo vivem cerca de 290 índios.

    Uma comissão indígena avisou, na tarde de ontem, o procurador da república Reginaldo Pereira da Trindade, responsável pelas questões indígenas em Rondônia, sobre o fechamento da BR e sobre a paralisação das atividades da administração da Funai na região de Porto Velho, Humaitá, Ji-Paraná e Guajará-Mirim. “Conseguimos sensibilizar os servidores sobre nossa situação e eles cruzaram os braços desde quinta-feira”, diz Humberto Terena.

    O procurador da república Reginaldo Pereira explicou que os indígenas podem conseguir suplementação de fundo através dos ministérios da Justiça ou do Planejamento. “O que eles estão querendo mesmo é serem ouvidos pelos ministros Márcio Thomaz Bastos e Guido Mantega para explicar a situação”, diz. O procurador afirma que entende a dificuldade e que esta situação está se repetindo em todo o país, porém, acredita que a solução poderia ser buscada de forma mais amena. “Pelo menos eles prometeram que será uma manifestação amigável”, diz.

  • Rio Urupá terá matas ciliares protegidas

    Ji-Paraná/RO – Agricultores, mulheres e jovens da comunidade São Geraldo, na Linha 16 – Gleba G, distante aproximadamente 30 quilômetros de Ji-Paraná, se reuniram neste domingo, dia 24, em um Dia Especial Agroecológico, para dar início a um Projeto de Desenvolvimento Sócio-econômico e Ambiental. O Projeto deverá estar plenamente implantado em dois anos e será de grande importância para o desenvolvimento do turismo na região.

    Realizado pela Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia – Emater, o Dia Especial surgiu de um trabalho que está sendo desenvolvido com o objetivo de encontrar uma solução para a degradação a qual vem sofrendo o Rio Urupá e suas margens.

    Em março deste ano uma equipe formada por agrônomos, biólogos e ambientalistas de órgãos como Emater, Ibama, Caerd, Secretaria Municipal de Agricultura – Semagri, Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná – Ceulji/Ulbra, Colônia de Pescadores e Associação dos Produtores Rurais da Comunidade São Geraldo – Asprogel subiu 25 quilômetros do Rio Urupá para analisar e demarcar áreas em estado de degradação. A expedição surgiu a pedido da própria comunidade que, sentindo a crescente ação predatória contra a fauna e flora no local levou a preocupação a Ademir Carlos de Lima, engenheiro agrônomo e técnico da Emater.

    Educação ambiental

    A visita do grupo à Comunidade São Geraldo levou à necessidade de se iniciar, de imediato, um programa de orientação e educação ambiental com os moradores e freqüentadores da área para, posteriormente implantar projetos de desenvolvimento sustentável, mantendo o que já existe na área e recuperando as áreas degradadas, principalmente as matas ciliares. Para que essa ação seja concluída estão previstos dois de trabalho junto com a comunidade. Já se discute também a implantação de um projeto de turismo rural ou ecoturismo, objetivando promover a geração de emprego e renda no local.

    A realização do Dia Especial deu início às ações práticas do Projeto que será apresentado e, possivelmente aprovado pela Comunidade. Também será iniciada à capacitação de Agentes Comunitários de Desenvolvimento Comunitário Sustentável, já prevendo a multiplicação da educação ambiental na região. E, por fim os representantes da comunidade assinarão o compromisso para execução do Projeto junto com os organismos parceiros.

  • Ribeirinhos são mais resistentes ao mercúrio

    Porto Velho/RO – Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir), da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está pesquisando as comunidades ribeirinhas da região de Porto Velho para tentar descobrir por que estas populações tradicionais não apresentam seqüelas de contaminação de mercúrio.

    Foi constatado que os níveis de mercúrio dos ribeirinhos é de 15 partes por milhão (ppm) por cada grama de cabelo coletado, quando os níveis normais são de 6 ppm. “É mais que o dobro do aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, eles não apresentam sintomas comuns de contaminação, como danos à visão e ao sistema nervoso central”, diz Wanderley Bastos, professor da Unir.

    O pesquisador afirma que o Rio Madeira possui uma quantidade de mercúrio natural em níveis baixos, mas que tende a se concentrar nos peixes, espécies muito consumidas pelos ribeirinhos, mesmo assim, não foram detectados efeitos nocivos aparentes, como perda de coordenação motora e da visão. A análise clínica dos ribeirinhos está sendo feita por um médico toxologista, que verifica comprometimentos neurocomportamentais, como dificuldade de aprendizagem. “Queremos saber se há seqüelas não visíveis”, disse o pesquisador.

    Dieta

    A hipótese mais provável para não haver sintomas visíveis é a variedade da dieta ribeirinha. “Sabemos que o selênio é um inibidor natural do mercúrio. Alguns alimentos, como a castanha do Pará, são fontes naturais do selênio. Nossos questionamentos são: quanto de selênio os ribeirinhos ingerem e quanto de selênio há nas frutas e em outros alimentos? É neste estágio que estamos na pesquisa”, explicou Wanderley Bastos.

    Os pesquisadores estudam há um ano e meio a Comunidade Puruzinho.

    Contaminação

    Wanderley Bastos diz que a média de mercúrio do porto-velhense urbano é de 1 ppm, bem abaixo do nível máximo tolerável, 6 ppm. “Já tivemos fases de maior contaminação por mercúrio, na época do apogeu do garimpo de ouro no Madeira”, diz. Segundo ele, atualmente o garimpo não representa muito dano neste sentido, porque hoje se usa o método de destilação, através de um instrumento conhecido como retorta. O mercúrio se evapora, condensa e liqüefaz novamente, podendo ser reutilizado e assim não vai para a atmosfera e não contamina o meio ambiente. “Por ser mais barato, o método se difundiu e é o mais utilizado. Já foi uma evolução”, conclui.