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  • Oito espécies de primatas habitam parque

    Corumbiara/RO – No Parque Estadual de Corumbiara, região do cone sul de Rondônia, uma área de transição entre os cerrados do pantanal mato-grossense e a Floresta Amazônica, vivem 57 espécies de mamíferos e 173 espécies de aves. A área de fronteira com a Bolívia é quase toda coberta por vegetação natural e chama a atenção pela pureza da flora e da fauna.

    Neste cenário destacam-se oito tipos de primatas, incluindo o Barrigudo (Lagothrix lagothricha), o Coxiú (Chiropotes albinasus), Auatá (Ateles chamek) e Guariba (Alouatta fusca).Dois tipos de primata representam os demais que vivem na região, são eles o Barrigudo e o Uacarari.

    Barrigudo – O macaco Barrigudo possui de 51 a 69 centímetros e sua calda mede entre 60 e 72 centímetros. Recebe esse nome por causa da proeminência da barriga. Em cativeiro, seu peso alcança até seis quilos. O pelo é curto e abundante e a cabeça compacta e redonda. Uma das suas principais características é possuir calda preênsil. Come folhas e frutas, mantém hábitos diurnos e vive nas árvores em grupos de 12 ou mais indivíduos. O macaco Barrigudo é dócil e calmo, pode ser domesticado. Habita o Brasil, Colômbia, Equador e Peru.

    Uacarari – Na Amazônia, os macacos Ucaris constituem a espécie menos conhecida entre os cientistas e até mesmo por habitantes da região oeste da Amazônia, onde vivem. Eles estão em florestas inundadas, de difícil penetração. Descobertos há mais de 150 anos, foram muito pouco observados. Vivem em bandos de 50 indivíduos. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Namirauá (IDSN), existem apenas duas espécies de Ucaris, ambas exclusivas do oeste amazônico: o Ucari de face vermelha (Cacajao calvus – com quatro subespécies), e o Uacari cabeça preta (Cacajao melonocephalus – com duas subespécies).

    Seus nomes populares são Ucaris, Aaris, Mcaco-bicó. Dos seis tipos de Ucari, o único estudado por mais tempo foi o Ucari que corre na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. As espécies adultas medem de 50 a 60 centímetros de comprimento e os machos chegam a pesar pouco mais de quatro quilos.

    Pesquisa

    A Universidade Federal de Rondônia (Unir) registrou na Usp, em 1981, pesquisadores para estudar o mimetismo em lagartos no Vale do Guaporé. Depois disso, a região continuou carente de pesquisa animal, em virtude de dificuldades que os pesquisadores encontram de realizarem seus estudos. Um exemplo disso ocorreu com o pesquisador visitante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Marcus Maria Von Roosmalem, que em 2000 descobriu duas novas espécies de macacos na Amazônia, mas foi multado pelo Ibama porque tentou, sem autorização, retirar da floresta quatro macacos.

    Incêndios periódicos no Parque Corumbiara para renovação das pastagens, além do fato de as cabeceiras dos rios estarem situadas fora do território protegido aceleram o desmatamento e ainda a caça de cervos e animais maiores, considerados em declínio populacional, também justificam as pesquisas.

    Unidades de Conservação

    A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi à primeira unidade de conservação desta categoria instalada no Brasil. Sua proposta resulta da solicitação encaminhada pelo biólogo José Márcio Ayres ao Governo do Estado do Amazonas, em 1985, para a criação de uma área de proteção para o primata Uacari branco (Cacajao calvus calvus), objeto de estudo de sua tese e doutorado, e ameaçado de extinção (Cambridge, 1986).

    De acordo com o site da reserva, o resultado obteve a criação da Reserva Ecológica Mamirauá, com uma área de 1,12 milhões de hectares. Na condição de Reserva Ecológica, havia proibição legal de permanência das populações locais. Depois de diversas negociações políticas modificou-se a categoria para Reserva de Desenvolvimento Sustentável, em acordo com a legislação estadual. Em nenhum momento, porém, ao longo do processo de negociação, as populações foram removidas da área.

    Para sua instalação elaborou-se um plano de manejo com base no resultado de pesquisas sociais e biológicas pelo período de cinco anos (1991-1996). Nesse plano de manejo constam as normas para o uso sustentado dos recursos naturais definidas com base nos resultados das pesquisas e das negociações realizadas com suas populações de moradores e usuários da reserva e com as principais organizações sociais atuantes na área. Este processo de negociação permanece, por meio das avaliações anuais dos investimentos e resultados, em assembléias anuais.

    Os resultados de dez anos de investimentos nesta área possibilitam avaliar as vantagens desta categoria de unidade de conservação que tem por base principal o desenvolvimento de um modelo de área protegida para grandes áreas de florestas tropicais. Por meio do manejo participativo, conservou-se a biodiversidade, os processos ecológicos e evolutivos.

  • Corredeiras e pedras formam cenário de patrimônios naturais

    Porto Velho/RO – Patrimônio natural de Porto Velho, as cachoeiras de Santo Antônio e Teotônio, destacadas na mini-série Mad Maria – que retratou a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré no início do século passado – chamam a atenção pelas suas corredeiras e pedras, que formam paredões evidentes ao longo de vários quilômetros.

    As duas possuem peculiaridades que atraem diferentes perfis para visitação: a cachoeira de Santo Antônio recebe turistas e banhistas pela beleza natural e porque suas corredeiras não oferecem perigo aos visitantes. Já a cachoeira de Teotônio, principalmente no período de seca (entre abril e setembro) chama a atenção pela diversidade de peixes encontrados no local.

    A cachoeira de Teotônio possui dezenas de paredões que ficam parcialmente submersos pelas águas do rio Madeira e que formam tombos de até 45 metros de profundidade, um perigo para a vida dos pescadores e até de oficiais do Corpo de Bombeiros.

    Quedas

    O mistério é que mesmo os pescadores mais experientes caem nos tombos. Alguns para soltar linhas e anzóis que ficam presos e geralmente não são encontrados devido à dificuldade de resgate. Só este ano 22 pessoas morreram nas corredeiras de Teotônio. “É muito difícil encontrar um corpo, pois não podemos pular nas corredeiras”, explica o sub-comandante do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, capitão Cleildo Rodrigues de Cristo.

    Pelo menos por enquanto essa preocupação parece ter diminuído para o efetivo que atua no grupo de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros. É que com a chegada das chuvas, os tombos são totalmente cobertos pelas águas e os índices de mortes diminuem significativamente, porque também diminui a quantidade de pescadores no local.

    “Todos que chegam aqui no meu bar dizem que são cuidadosos, mas muitos nunca mais voltaram para contar a história”, diz a comerciante Maria Paula, que mora nas proximidades da cachoeira de Teotônio.

    Em virtude dos índices de acidentes e mortes, o Corpo de Bombeiros orienta aos visitantes que evitem tomar banho nas corredeiras e ao longo das duas cachoeiras são encontradas placas de sinalização que alertam para os perigos que caminham lado a lado com a beleza natural, ímpar na região de Porto Velho.

    Peixes

    Embora as espécies mais procuradas sejam os Jaús, Dourados e Pintados, também é possível fisgar Pirararas, além de uma grande variedade de outros peixes que sobem o rio e ficam na base da cachoeira de Teotônio e fazem a alegria dos pescadores esportivos e até dos predadores.

    Risco

    Uma dessas cachoeiras, a de Teotônio, corre o risco de sumir do mapa, com a inundação para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, na região de Porto Velho. O projeto da usina prevê que a cachoeira fique com o aspecto permanente de temporada de cheia, ou seja, com praticamente todas suas pedras e paredões cobertos pelas águas do rio Madeira.

    Como chegar

    A cachoeira de Teotônio fica distante do centro de Porto Velho cerca de 40 quilômetros. O acesso pode ser via terrestre, através de veículos particulares seguindo pela BR 364 sentido Rio Branco. A cachoeira de Santo Antônio fica mais próxima da Capital, cerca de seis quilômetros. O acesso pode ser via terrestre, seguindo pela Estrada do Cujubim, de veículos particularidades ou ônibus de linha, que cobram tarifa intermunicipal de R$ 1,80.

  • C-matur vai revitalizar o verde e fomentar o turismo no Chico Mendes

    C-matur vai revitalizar o verde e fomentar o turismo no Chico Mendes

    C-matur vai revitalizar o verde e fomentar o turismo no Chico Mendes

    Ouro Preto/RO – A administração está com atenção voltada para a revitalização da área degradada no incêndio ocorrido em agosto, no Parque Municipal Chico Mendes. O local tem uma bela vista, inúmeras trilhas e rampas de salto de paraglyding e asa delta.

    A primeira ação da administração foi dar condições para a Associação dos Chacareiros agir, reativando o convênio de repasse que dá sustentação a manutenção dos guarda-parques que monitoram a entrada do morro e protegem a cerca de fronteira com sítios e chácaras. A associação, por sua vez, contratou um caminhão caçamba e com ajuda de um trator do Departamento Estadual de Estradas e de Rodagens (DER) iniciou um serviço de recuperação paliativa da estrada pavimentada de acesso a torre da Embratel, que está se deteriorando e completamente esburacada. Homens a serviço da associação ajudam na operação tapa-buraco.

    Regina Daudt, turismóloga nomeada coordenadora de meio ambiente e turismo (C-matur), informou que o convênio com a associação expira no fim do mês, porém o prefeito Braz Resende (PL) autorizou que seja providenciado um aditivo para que a associação dê continuidade as ações que vem sendo desenvolvidas. Regina também anuncia que a meta da administração é ampliar o laço de parcerias com órgãos públicos e entidades do terceiro setor, a fim de envolver a sociedade civil organizada nas ações ambientais e de turismo. Mesmo com a precariedade da estrada de acesso ao parque, na guarita de entrada, o livro de presença no parque registra entre 1,5 a 1,7 visitas mensais ao morro da Embratel.

    Fiscalização

    O secretário de Infra-estrutura e Obras, Braz Paganini, autarquia que está vinculada a C-matur, expediu uma determinação de suspensão temporária de trilheiros que faziam Enduro na área do parque municipal. O promotor público Aluildo de Oliveira Leite andou pelas trilhas ecológicas e percebeu o afundamento de trechos e pequenas erosões, provocados pelas rodas emborrachadas que penetram no solo, nas subidas das trilhas e cobrou fiscalização.

    A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) já havia orientado a associação para regras ambientais que devem ser seguidas, e o secretário Paganini decidiu suspender a presença de trilheiros de moto no parque, até que se certifique das normas.

    Manoel Henrique dos Santos, presidente da associação de chacareiros, salienta que o objetivo central das atividades que estão sendo desenvolvidas é de proteger, revitalizar áreas degradadas e dar melhor proteção ao parque.

    Empresas Embratel e a Brasil Telecom, mais as emissoras de TV que mantêm estações de retransmissão no alto do morro Chico Mendes foram notificadas e serão convidadas a colaborar com a manutenção do parque, já que utilizam o local há anos e não contribuem com a manutenção. Em dois casos, os usuários não pagam e ainda fazem locação de espaço em desuso para outras empresas, de acordo com informação do presidente da associação. Outra medida será reduzir o horário limite de permanência no morro em horário noturno, que é até 23 horas.

  • Tecnologia incentiva a retomada da exploração de seringa

    Guajará-Mirim/RO – A introdução de novas tecnologias de processamento da borracha nos seringais está motivando a volta dos seringueiros às colocações (locais em que trabalham). A extração do látex sempre foi a principal atividade extrativista na floresta amazônica, mas chegou a ponto de não haver mais comprador para o produto, que foi símbolo de riqueza na região.

    Em Rondônia, os seringueiros da Reserva Extrativista do Rio Ouro Preto, localizada nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré já tinham desistido da atividade de extração do látex da seringueira, em decorrência dos baixos preços e da concorrência dos seringais de cultivo.

    Agora, os produtores extrativistas estão confiantes na nova tecnologia de processamento de borracha, um método simples que pode ser usado pelo próprio seringueiro com um custo relativamente baixo. Trata-se da técnica de produção da Folha Defumada Líquida (FDL).

    Rentabilidade

    A nova técnica, desenvolvida pelo professor Floriano Pastore Júnior, da Universidade Federal de Brasília, pode resgatar a rentabilidade dos seringais e é produzida com o ácido Pirolenhoso (APL), ou com ácido acético, químicas encontradas facilmente em lojas de produtos químicos.

    Os seringueiros contam também com a assessoria técnica da Emater e apoio do Centro Nacional de Populações Tradicionais do Ibama (CNPT), que financiou a compra de 13 quites de produção de FDL, que já estão à disposição nas associações dos seringueiros da Resex – Rio Ouro Preto. Cada quite é composto de duas calandras, duas bandejas de coagulação, uma proveta para dosagem, baldes graduados e tambores para coleta de látex.

    Seringueiro

    O seringueiro é um extrator nato e quando não consegue tirar seu sustento da floresta tenta sobreviver através da agricultura. O problema é que como agricultor, geralmente não consegue ter uma renda satisfatória.

    A engenheira florestal da Emater do município de Guajará-Mirim, Helena Silva Santos, responsável pelo Programa de Assessoria Técnica Social e Ambiental à Reforma Agrária – ATES, diz que quando começou a trabalhar na reserva extrativista encontrou 95 famílias vivendo basicamente da produção de farinha de mandioca, atividade em que os seringueiros mal conseguem a subsistência.

    “A atividade agrícola dentro da reserva é inconveniente porque utiliza o fogo para o preparo da área e isto põe em risco a integridade da reserva, além de degradar rapidamente o solo e exigir novos desmatamentos”, explica.

    Dobro

    Segundo a engenheira, atualmente 180 famílias estão morando na reserva extrativista, distribuídas em 10 comunidades e muitas delas já receberam financiamento do Pronaf para reabertura das estradas de seringa e trilhas de coleta da castanha e do açaí.

  • Madeira é retirada ilegalmente das florestas rondonienses

    Porto Velho/RO – A ação ilegal dos toreiros (responsáveis por levar a madeira das reservas para o pátio das serrarias) pode ser comprovada nas estradas vicinais que cortam o Estado de Rondônia, onde o tráfego de caminhões carregados é intenso.

    As rodovias federais e estaduais são evitadas porque nelas, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) fazem constantes vistorias, o que acaba dificultando a ação ilegal de exploração da madeira, mesmo assim, segundo a PRF até o mês de outubro quase três mil metros cúbicos de madeira, o equivalente a uma pequena floresta, foram apreendidos nas rodovias federais de Rondônia, resultado de mais de 100 ocorrências policiais.

    As regiões mais devastadas pelos toreiros são a Ponta do Abunã, Ariquemes e Pimenta Bueno. Eles desmatam áreas preservadas e até indígenas, mesmo com a constante fiscalização da polícia, de órgãos ambientalistas e da parceria de indígenas, que costumam delatar este tipo de procedimento.

    Clandestinidade

    A ação de fiscalização e os perigos enfrentados nas estradas e nas florestas parecem não assustar os toreiros. Muitos afirmam atuar na clandestinidade por não ter condições financeiras para manter um projeto de manejo, que é solicitado pelo Ibama, para a exploração de madeira. Eles acreditam que somente os grandes madeireiros têm condições para explorar legalmente a madeira em Rondônia.

    Um outro saldo negativo que decorre da exploração ilegal da madeira, é que todos os anos dezenas de acidentes ceifam a vida destes profissionais. Em caso de fatalidade, por atuar na ilegalidade, a família da vítima não tem direito a nenhum benefício por parte da seguridade social.

    “Pode ser gerado mais um problema social porque a família pode ficar totalmente desassistida”, diz o inspetor Alvino Domingues, chefe da seção de policiamento e fiscalização da Polícia Rodoviária Federal RO e AC. “Sem contar o extresse diário que estes profissionais enfrentam, além do risco de ser presos. O ideal é que façam um plano de manejo. Além de trabalhar na legalidade, vão permitir que se mantenha a cultura e terão madeiras de forma racional e sempre”, recomenda Domingues.

    Fiscalização

    Segundo o inspetor Alvino Domingues, as fiscalizações são feitas nas rodovias federais, porém há alguns casos de apreensão nas estradas vicinais. “Geralmente os toreiros precisam passar por algum trecho da rodovia federal e geralmente são abordados pelas equipes”, explica.

    Sanções

    Toreiros flagrados realizando transporte ilegal de madeira são presos e em seguida liberados para aguardar condenação. São condenados por cometer crime ambiental e o valor das multas pecuniárias estipuladas pelos órgãos ambientalistas (Ibama e Sedam) variam de acordo com o local em que foram apreendidos. Perante a Polícia Judiciária (civil ou federal), os toreiros cumprem sanções disciplinares como pagamento de cestas básicas ou realizam trabalhos comunitários.

    Apreensões

    Além do trabalho de fiscalização contra crimes ambientais, como o transporte ilegal de madeiras, a PRF atua paralelamente ao combate ao tráfico de drogas e contrabando. “Os traficantes tentam agir nas áreas mais obscuras possíveis e realizamos as atividades de fiscalização uma paralela a outra”, explica Domingues.

  • Construção de Gasoduto Urucu sem data definida

    Porto Velho/RO – Durante visita a Porto Velho, o ministro de Minas e Energias Silas Rondeau confirmou a contemplação das hidrelétricas do rio Madeira, a interligação ao Sistema de Integração Nacional e o gasoduto de Urucu Porto Velho no Plano Decenal de Expansão de Energia do Governo Federal para o Estado de Rondônia. O gasoduto Urucu Porto Velho é um investimento de R$ 1,2 bilhões, terá 520 quilômetros de extensão e deve gerar três mil empregos diretos e mais 12 mil indiretos. Quando pronto vai substituir o consumo de 1,2 milhão de litros de óleo diesel por dia, representando uma economia de R$ 60 milhões ao ano.

    O projeto é aguardado com ansiedade em Rondônia e as obras já deveriam ter começado este mês, mas continua sem data definida para o início. O ministro confirmou somente a conclusão das obras, para setembro de 2009.

    O gasoduto Urucu Porto Velho vai disponibilizar gás natural para a geração de energia ao sistema Rondônia e Acre e terá capacidade de vazão de 2,3 milhões de metros cúbicos ao dia. Deve proporcionar redução de 1/5 do custo atual da geração de energia, o que representa em média 25%.

    A energia elétrica produzida na região norte (através de sistema térmico) é das mais caras do País, o MW/h custa R$ 517,03 contra R$ 84,93 MH/h do restante do País. A contemplação da obra também significa fornecimento de energia para outras localidades, além do alinhamento industrial e comercial da região e melhoria no meio ambiente, pela redução na emissão de produtos tóxicos lançados no ar através do óleo diesel.

    Mais dois

    Na região norte são aguardados a construção de mais dois gasodutos. O primeiro que liga o município de Coari/AM a Manaus, já obteve a licença ambiental em maio e deve estar em funcionamento dentro de 22 meses. O investimento é na ordem de R$ 1 bilhão. O segundo deve ligar Urucu/AM a Porto Velho, em Rondônia.

    Para a concretização das duas obras será necessária a construção de duas estradas de 15 a 30 metros de largura, por toda a extensão dos gasodutos. Essas estradas ligariam duas importantes cidades da Amazônia: Manaus e Porto Velho, porém gera especulação sobre nova frente de migração, ocupação desordenada e desmatamento.

    Ambientalistas defendem que a rota dos gasodutos pode abrir as portas para que madeireiros, mineiros, fazendeiros e lavradores provoquem o desflorestamento de áreas protegidas, em alguns casos habitadas por grupos indígenas extremamente isolados.

    Urucu

    A primeira parte do projeto de exploração da reserva foi realizada em 1998, com a construção de um gasoduto ligando Urucu à cidade de Coari. Ao longo do trajeto de 280 km, o gasoduto trouxe impactos socioambientais negativos para as comunidades locais e a floresta.

    Impacto

    No “Plano de ação para a prevenção e controle do desmatamento da Amazônia” do grupo interministerial coordenado pela Casa Civil e que reúne onze ministérios, o projeto do Gasoduto Urucu-Porto Velho é considerado uma das quatro obras de maior impacto ambiental na Amazônia brasileira. O Plano foi apresentado em março deste ano.

  • Biodiesel deve reduzir a carga poluidora do ar em pelo menos 40%

    A partir de agora todo o diesel utilizado no País deve conter 2% de biodiesel, composto produzido a base de óleo de soja, mamona, girassol, dendê, babaçu e até sebo. A exploração deve beneficiar milhares de pequenos produtores do Brasil, diminuir a carga poluidora lançada no ar e a importação de diesel proveniente do petróleo.

    A mistura do biodiesel também deve beneficiar o País na produção de energia gerada a diesel. A expectativa é a de que o Brasil se torne um dos maiores produtores de energia, em decorrência dos produtos utilizados ser renováveis e encontrados com abundância na natureza.

    Para se ter idéia dos impactos que poderão ser minimizados, a Ceron (Centrais Elétricas de Rondônia) utiliza seis milhões de litros de diesel por mês para gerar energia para os distritos da Ponta do Abunã e Baixo Madeira e alguns municípios da zona da Mata (região central de Rondônia). Isso significa que 120 mil litros serão de biodiesel. “E menos poluição lançada ao ar”, diz Marcelo Villa Rios, que faz parte da equipe de operação de sistemas da Ceron.

    Na semana passada a empresa Petrobras divulgou o lançamento nacional do biodiesel e em São Paulo, a primeira frota de ônibus experimentou circular utilizando a mistura B30. Com o biodiesel, especialistas acreditam que o custo da energia e do combustível possam ficar estabilizados nos próximos anos. Em Rondônia, o grupo Gurgacz, de Ji-Paraná, se prepara para fornecer sebo bovino para a produção de biodiesel.

    B2

    A mistura que contém biodiesel mais difundida no país é o B2, óleo diesel com 2% do combustível em sua composição. Atualmente, 3.287 postos revendedores da Petrobras comercializam a mistura. A meta da empresa é a de que, até julho de 2007, todo o diesel distribuído por ela no país seja composto por 2% de biodiesel.

    O uso da mistura, segundo Ivonice Campos, diretora técnica da empresa B100, reduz em 40% a carga poluidora (reduzindo, por exemplo, a emissão de fuligem e enxofre) e diminui a importação de diesel proveniente do petróleo.

  • Burocracia emperra reativação de patrimônio turístico

    Porto Velho/RO – A restauração das locomotivas que compõem o acervo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é aguardada com muita ansiedade por moradores de Porto Velho e região, mas há impasses emperrando a reativação das máquinas. Atualmente está em andamento a troca de dormentes dos trilhos que ligam Porto Velho à cachoeira de Santo Antônio.

    Segundo o superintendente estadual de Turismo, Alexandre Pereira, as obras já passam do igarapé Bate Estacas e dentro de mais 30 dias serão concluídas. Para que o restante do patrimônio histórico seja finalmente recuperado, resta ser autorizado em Brasília o processo de cessão do complexo para que a Prefeitura fique responsável pela restauração dos bens móveis e imóveis do acervo, o que abrange desde as locomotivas e vagões até os galpões da antiga Estação de Porto Velho. Dinheiro não falta, segundo os gerenciadores. O entrave agora é meramente burocrático.

    Até o mês passado, a dúvida girava em torno de quem ficaria responsável pela administração do acervo. A Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) protocolou um ofício solicitando a área para a Prefeitura, mas somente após a cessão a Prefeitura poderá dar início ao processo de restauração das máquinas. O Estado ficou responsável apenas pelos trilhos da Madeira-Mamoré.

    Reforma

    O gerente regional da Secretaria do Patrimônio da União, Antônio Roberto dos Santos Ferreira, acredita que até o final deste ano a União dê autorização para que a administração municipal possa trabalhar. “Depois fica fácil. Se a área for cedida até o final do ano, no primeiro trimestre de 2007 todas as benfeitorias já deverão estar concluídas”, acredita.

    A reforma dos bens móveis, como vagões e locomotivas e a reforma dos bens imóveis – como a praça, o museu e o restante do complexo ficarão sob a responsabilidade da Fundação MunicipaI Iaripuna.

    De acordo com Antônio Roberto, a GRPU dispõe de R$ 5 milhões que podem ser usados em reformas e urbanização. O montante pode ser repassado à Prefeitura para a restauração do patrimônio.

    Estado

    O Governo do Estado também aguarda um parecer favorável da União para executar as obras de restauração dos bens imóveis da Madeira-Mamoré. Segundo o titular da Secretaria de Estado da Cultura e Esportes (Secel), Antônio Ocampo, o órgão encomendou projeto de restauração de três locomotivas, três vagões e uma litorina, no valor de R$ 872 mil. “Se a restauração tiver que ser feita pelo Estado não haverá problema algum”, afiança Ocampo.

    Destruição

    Quando foi desativada, em 1972, o acervo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré ficou sob a responsabilidade do 5º Batalhão de Engenharia e Construção (5º BEC). A determinação emanada de Brasília, na época, era para extinguir o complexo ferroviário. A destruição foi quase completa: locomotivas e vagões foram jogados dentro do rio ou encostados nos barrancos, onde se encontram até hoje. Grande parte dos equipamentos, móveis e aparelhos foram usados para enfeitar residências de grandes figurões da época.

    Como se tratava de uma ferrovia federal, o acervo da Madeira-Mamoré pertence à União, sendo que a responsabilidade pela administração da ferrovia foi repassada ao Governo do Estado, que até hoje administra o acervo.

    Posse

    O governo do Estado chegou a solicitar a posse dos bens móveis e imóveis da Estrada de Ferro, mas não conseguiu enviar a documentação necessária para Brasília. Tendo em vista este impasse e o Estado deplorável em que se encontra o acervo, quando se instalou em Rondônia, a Gerência do Patrimônio da União reuniu os órgãos e entidades responsáveis pelo patrimônio histórico do Estado para encontrar uma solução para o problema.

    Foi definido então, que a Estrada de Ferro seria dividida em lotes, que seriam cedidos em parte para as prefeituras dos três municípios onde está instalada a ferrovia – Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim, para que a restauração fosse ser feita por etapas. Com isso, além da União, que é obrigada a zelar pela ferrovia, já que se trata de um bem tombado, as prefeituras também ficarão responsabilizadas pelo acervo, sendo que o Governo do Estado também pode colaborar, segundo o gerente regional da Secretaria do Patrimônio da União em Rondônia, Antônio Roberto dos Santos Ferreira.

    A primeira etapa deste processo já começou com a solicitação da Prefeitura de Porto Velho sobre o primeiro lote da ferrovia, que compreende os sete primeiros quilômetros, que já foi envidado para a Secretaria do Patrimônio da União, sendo que o processo de cessão deve estar concluído até o final deste ano.

  • Forte Príncipe da Beira completa 230 anos de resistência

    Costa Marques/RO – O Real Forte do Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques/RO, às margens do Rio Guaporé, na divisa do Brasil com a Bolívia, é um dos principais pontos turísticos do estado de Rondônia. O monumento, que este ano completou 230 anos de construção, guarda em suas ruínas histórias de sofrimento e dor que foram adicionadas à sua missão de proteger a fronteira brasileira e consolidar a posse da Coroa Portuguesa no extremo noroeste do Brasil.

    Atualmente o patrimônio é mantido aberto pelo 1º Pelotão de Fuzileiros de Selva Destacado do Exército Brasileiro, mas é o único Forte brasileiro que não recebe recursos para sua manutenção.

    Alexandre Pereira, secretário estadual de Turismo explicou que os recursos para manutenção do Forte Príncipe são inviabilizados por falta de projeto parlamentar, ou seja, nenhum deputado federal, nem senador rondoniense apresentam emendas para este fim. “Já tentei verbas diretamente no Ministério do Turismo para manutenção do Forte, mas fui informado que não há outra maneira de ser viabilizada se não for através de emendas que devem ser incluídas ao orçamento”, informa.

    Segundo o secretário, há em análise um projeto para adequar o município de Costa Marques e prepará-lo para receber os turistas, como a reforma do aeroporto, implementação da rede de saneamento básico do município e sistema de tratamento do lixo. “Pensamos em ordenar o município primeiro, que é o local que recebe os turistas antes que visitem o Forte”, justifica.

    O secretário explicou ainda, que para viabilizar este projeto será necessário R$ 70 milhões. No ano de 2006 a Secretaria de Turismo de Rondônia foi contemplada com apenas R$ 4 milhões, através de emendas do deputado federal Nilton Capixaba (PTB).

    Para remediar e tentar evitar o total abandono do Forte, que mesmo assim recebe turistas de todo o Brasil e do Exterior, o serviço de capina e limpeza do patrimônio está sendo feito pelo efetivo do 1º Pelotão de Fuzileiros de Selva do Exército Brasileiro.

    História

    O Real Forte Príncipe da Beira fica à direita do Rio Guaporé e é o mais antigo monumento histórico de Rondônia. Sua construção teve início em 2 de junho de 1776 pelo engenheiro Domingos Samboceti, que faleceu de malária durante a obra. Foi concluída em 20 de agosto de 1783 pelo capitão engenheiro Ricardo Franco de Almeida e Serra.

    A edificação foi feita em forma de quadrado com 970m de perímetro, muralhas de 10m de altura e quatro baluartes armados, cada um, com quatorze canhoneiras, construído de acordo com o sistema Vaubam. No entorno, um profundo fosso somente permitia ingresso através de ponte elevadiça, que conduzia a um portão com 3m de altura, aberto na muralha norte. No interior haviam quatorze residências para o comandante e os oficiais, além de capela, armazém e depósitos.

    Sua construção foi realizada por cerca de 200 operários trazidos de vários Estados. Conforme os registros históricos, as pedras vieram de Belém/PA via fluvial. Para deixar evidente os sacrifícios exigidos para a construção, quatro de seus canhões – de bronze e calibre 24 – enviados de Belém em 1825, através do rio Tapajós, levaram cinco anos para chegar ao seu destino. 18 canhões instalados no Forte funcionam até os dias de hoje.

    O monumento foi abandonado em 1889 e permaneceu em absoluto esquecimento cerca de 40 anos, sendo saqueado e invadido pela floresta. Em 1914 foi reencontrado pelo Major Rondon, que retornou em 1930 e construiu as instalações da unidade militar, mantida até hoje pelo Exercito Brasileiro. No 1º Pelotão existe um museu criado pelos próprios militares que expõem fotografias antigas, reportagens, balas de canhões e outras peças que mantém viva uma parte da história do Brasil.

    Onde fica

    Localiza-se há mais de 3.000km do litoral, em ponto de difícil acesso, e em pleno coração da floresta Amazônica. Suas coordenadas geográficas são: 12° 25/* 47/*/* de latitude sul, 21° 17/* 20/*/* de longitude oeste, e a altitude 220m.

    O Forte distancia-se 375km da cidade de Guajará Mirim/RO.

    Saindo de Porto Velho e seguindo pela BR-364, são 700 quilômetros até chegar a Costa Marques. Em Presidente Médici, os viajantes devem seguir pela BR- 429, que é a rodovia que leva à cidade. Ela possui aproximadamente 400 quilômetros e não é pavimentada, o que pode dificultar o acesso à região, principalmente na época das chuvas.

    Visitas

    O Forte está aberto para visitas de segunda a sábado durante o dia. Maiores informações podem ser adquiridas pelo telefone (69) – 3652-1000.

    Costa Marques possui rede de hotéis.

  • Missão brasileira auxilia na construção de programa ambiental angolano

    Brasília/DF – O diretor de Educação Ambiental do Ministério de Meio Ambiente, Marcos Sorrentino, apresentou , nesta quarta-feira (18), ao ministro do Urbanismo e Ambiente da República de Angola Diekumpuna Sita N/*sadisi José, a primeira etapa do processo participativo de construção do Programa Nacional de Educação Ambiental de Angola (PronEa) que está sendo elaborado em parceria com o Brasil.

    Segundo Sorrentino, foram formados quatro grupos de trabalho que até o final de janeiro pretendem apresentar a primeira versão do PronEa angolano. “Uma missão virá ao Brasil com a incumbência de também finalizar uma cartilha, um vídeo e um conjunto de programas radiofônicos que serão utilizados na consulta popular que vai ser realizada nas 18 províncias angolanas”, informou.

    O diretor disse ainda que o ministro comprometeu-se em apoiar a participação qualificada de educadores ambientais de todos os setores e regiões de Angola durante um curso que será realizado em maio de 2007, em Luanda, destinado à formação de agentes promotores da mobilização da sociedade entorno da elaboração do PronEa angolano. “O ministro se comprometeu ainda com a implantação de uma Área Verde de Educação Ambiental no centro de Luanda e de uma Rede de Salas Verdes nas 18 províncias do país”, adiantou Marcos Sorrentino.

    De Angola a missão brasileira segue, dia 19, para Lisboa onde se reunirão com representantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com representantes da sociedade civil e do governo português com o objetivo de conquistar apoio para o desenvolvimento do PronEa em Angola.