Categoria: Brasil

  • Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim desponta como atração turística

    Porto Rolim/RO – A pesca esportiva não é a única atração da localidade de Porto Rolim de Moura do Guaporé, na região de Alta Floresta do Oeste. O local, que a partir dos últimos dois anos, se tornou um dos mais procurados pelos turistas no Estado, encanta tanto por suas belezas naturais, quanto pela hospitalidade de seu povo. Uma gente simples, espontânea e sempre pronta para largar o que está fazendo para atender bem a quem vem de fora.

    Porto Rolim tem cerca de 600 habitantes. No local há uma igreja católica, duas evangélicas, uma escola, um posto de saúde, um ginásio de esportes, um campo de futebol e pequenos comércios. As opções de lazer são a pesca, os passeios de barco pelos rios Mequéns e Guaporé e os bailes realizados nos finais de semana.

    Em Porto Rolim o turista se depara com um cenário repleto de matas nativas, águas calmas, pássaros e peixes de várias espécies. Os animais podem ser vistos nas margens do rio, geralmente fugindo da proximidade dos curiosos. Os botos cor-de-rosa são os mais sociáveis. Em alguns momentos eles demonstram estar se exibindo para os visitantes.

    Em terra, a principal opção é conhecer a história e o modo de vida dos moradores que nasceram na pequena localidade. Ladislau Gomes, 78 anos, é um dos mais procurados pelos que vem de fora, quando o assunto é conhecer o surgimento de Porto Rolim e a história de sua gente. Ele conta que ao contrário de muitas outras pessoas que nasceram no local, preferiu ficar e aguardar o progresso. “Sempre acreditei na chegada do desenvolvimento, afinal, aqui também é Brasil”, disse.

    Outro bom contador de histórias é Gervazio Gonçalves, de 70 anos. Ele já foi picado por cobra e teve que enfrentar onças e jacarés. Questionado se era o homem que havia escapado de um jacaré, ele responde: “Não, foi o jacaré que escapou de mim”. Deixando as brincadeiras de lado, Gervazio conta que o ataque de um jacaré, durante uma pescaria, foi a situação mais perigosa que já enfrentou. O animal só não conseguiu matá-lo, porque ao morder sua perna, abocanhou também uma árvore que estava a seu lado e acabou não conseguindo fechar a boca. “Foi um dia em que vi a morte na vista”, recorda ele, enquanto mostra as cicatrizes deixadas pelo bicho em sua perna direita.

    Os que chegaram depois

    O empresário Rone Edson da Silva já faz parte do grupo dos novos moradores. Ele deixou a cidade de Campinas (SP) para morar em Porto Rolim. Nas duas primeiras vezes se deslocou ao local para pescar, em companhia de amigos. Na terceira vez convenceu a mulher a acompanhá-lo em uma temporada de seis meses, mas o prazo foi se estendo e o casal acabou decidindo fixar residência na pequena localidade. “Sempre gostei de pescar e quando cheguei aqui me apaixonei pelo povo e pelo lugar”, disse.

    Cristina, esposa de Rone, também se adaptou bem ao local. “Ele me chamou para passar seis meses aqui e essa temporada já dura dois anos”, afirmou. Satisfeita com a opção que fez, ela conta que o maior peixe que já pescou no local foi um exemplar de Pirarara, de 28 quilos.

    Claudionor José Dias, conhecido na localidade como Fumaça, chegou há cinco anos e há dois, administra o estacionamento que dá acesso ao rio, na chegada de Porto Rolim. Cobrando 10 reais a diária, ele e um funcionário cuidam dos veículos dos turistas dia e noite. Fumaça trabalha também na orientação do visitante em relação as opções turísticas da região. “Temos indicação tanto para quem quer permanecer em locais abertos, quanto para os que preferem espaços mais reservados”, explica.

    União de forças

    Em Porto Rolim as entidades de classe realmente unem forças. A Polícia Militar Ambiental trabalha junto com a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e com a Associação Ecológica Comunitária de Conservadores do Rio Guaporé e seus Afluentes (Ecomeg), criada recentemente por moradores locais. O objetivo do trabalho em conjunto é defender a preservação ambiental e incentivar o turismo. “Trabalhamos com fiscalização e educação ambiental”, explicou o presidente da Ecomeg, Delmácio Ferreira Alvez.

    O cabo Jairo Feitosa, comandante do grupamento local, explicou que a fiscalização é feita por água e por terra e que apesar da grande extensão da área, não há grandes problemas. Segundo ele, o trabalho é mais de orientação do que de repressão. “A maioria dos turistas já sabe como deve proceder em um local como Porto Rolim”, disse.

    Alex Maroni, de 18 anos de idade, também faz parte do grupo de defesa de Porto Rolim. Ele chegou há quatro e não pretende deixar o local, onde trabalha como guia turista e piloteiro. Enquanto está trabalhando, segundo ele, sua preocupação se concentra na defesa da natureza e na segurança do visitante. “Eu gostaria que eles não bebessem demais, não tirassem os coletes e nem deixasse lixo aqui”, recomenda.

    Estrutura oferecida

    Em Porto Rolim, há a disposição do turista, quatro hotéis de pequeno porte, com diárias que variam de 15 a 50 reais, incluindo o café da manhã. As demais refeições são servidas a parte e apenas quando são solicitadas. O custo do almoço é de cerca de 10 reais, por pessoa. Para maior segurança, as reservas devem ser feitas antecipadamente.

    A opção mais segura para o visitante é manter contato com a Ecomeg, pelo telefone 69 3646 3019. A associação cuida de tudo para o turista, providenciando inclusive barco e piloto. O custo é de 140 reais a diária do barco, com motor e piloteiro.

    Acesso

    Porto Rolim está localizado a 700 quilômetros de Porto Velho. O acesso em via terrestre a partir de Porto Velho é pela BR 364. Após Presidente Médici deve-se entrar na RO 479, transitar por 50 quilômetros até Rolim de Moura, seguir então pela R0 383 até

    Alto Alegre por aproximadamente 65 quilômetros e em seguida seguir outros 130 pela RO 490, até as margens do Rio Mequéns, onde está localizado o Estacionamento do Fumaça.

    Em via fluvial, o turista deve seguir a partir de Pimenteiras do Oeste, pelo rio Guaporé e seu braço que deságua no rio Mequéns, em frente à Rolim de Moura do Guaporé, numa distância de aproximadamente 250 quilômetros. Em barcos regionais de turismo esse trecho é percorrido em 30 horas. Numa lancha com motor de 90 hp, esse tempo se reduz para cinco horas. Em uma voadeira com motor de 15 hp, são necessárias nove horas. Saindo de Costa Marques, são aproximadamente 330 quilômetros navegando pelo Rio Guaporé.

  • Índios buscam formação superior

    Índios buscam formação superior

    Índios buscam formação superior

    Cacoal/RO – O número de índios que tenta ingressar em um curso superior cresce a cada ano em Cacoal. Atualmente há dez jovens de várias etnias do município, estudando em faculdades das cidades de Cacoal, Pimenta Bueno, Porto Velho e em Curitiba, no Paraná. Um número muito maior que esse, no entanto, deseja dar continuidade aos estudos, mas enfrenta várias barreiras, principalmente a financeira.

    Segundo a chefe do setor de educação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Cacoal, Ana Néri, normalmente os próprios indígenas que estão concluindo o ensino médio demonstram interesse em ingressar no ensino superior. Ela destacou que os pais dos jovens também procuram o setor de educação para que os filhos continuem estudando, porém esbarram na falta de recursos para mantê-los nas faculdades.

    Ana explicou que atualmente apenas seis acadêmicos são beneficiados com bolsa integral, sendo quatro pela Faculdade São Lucas, de Porto Velho e dois pela Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed). Na Faculdade de Pimenta Bueno (FAP) há um acadêmico com bolsa de 50% e nas Faculdades Integradas de Cacoal (Unesc) dois que arcam com todas as despesas do curso. “Também temos um aluno estudando na Universidade Federal do Paraná”, informou.

    Ana informou também que a Funai oferece a alguns alunos uma pequena ajuda de custo, mas o benefício só contempla os que iniciaram o curso até 2007. Ela explicou que houve um corte no orçamento da Funai para a educação e que isto está dificultando manter os que já estão estudando e oferecer novas oportunidades aos que querem ingressar na faculdade. “Para nós da Funai, manter um acadêmico estudando é um orgulho, porque são muitas as dificuldades enfrentadas para se conseguir isso”, disse.

    Segundo Ana, algumas instituições, a exemplo da Facimed, oferecem uma bolsa integral por vestibular. Todos os interessados fazem a prova e o melhor colocado fica com a vaga. Ela destacou ainda que entre os benefícios conquistados para os indígenas está a isenção de taxa para o vestibular da Universidade Federal de Rondônia (Unir). “Todos os indígenas que participaram do vestibular 2008 foram isentos da taxa”, disse.

    Reconhecimento e proteção

    O acadêmico do 7º período do curso de Turismo da Faculdade São Lucas, Gasodá Suruí, é um dos exemplos de persistência em busca do sonho da formação superior. Sua principal meta como estudante é conquistar reconhecimento e proteção para o seu povo. Ele divide um quarto com mais três colegas Suruís. Juntos eles dividem também as dificuldades e os bons momentos da vida universitária.

    Segundo Gasodá, a adaptação longe da família foi difícil e demorada. Além das dificuldades com a língua portuguesa, ele se deparou com a curiosidade dos não índios, que lhe dirigiam as mais diversas perguntas. Hoje, porém, a realidade é outra. Gasodá já conquistou muitos amigos na sala de aula e uma boa interação com os professores. “Fomos muito incentivados por pessoas como a Ana Néri e aprendemos que para ser vencedor temos que enfrentar as dificuldades”, disse.

    O acadêmico afirma que decidiu dar continuidade aos estudos para poder buscar saúde, educação e vida de qualidade para sua comunidade. Ele ressaltou que ao concluir os cursos, eles mesmos poderão trabalhar em benefício de suas famílias. “Somos nós quem melhor pode entender os problemas de nosso povo”, afirmou.

    Gasodá destacou também que a cada dia procura se superar, capacitando-se em vários cursos e participando de seminários que divulguem a cultura e a importância do povo indígena para a sociedade brasileira. “Não quero parar de estudar. Vou fazer mestrado e doutorado, tanto no Brasil quanto lá fora”, disse.

  • Terra dos Suruís a vista na Internet

    Terra dos Suruís a vista na Internet

    Terra dos Suruís a vista na Internet

    Cacoal/RO – O Povo Suruí oficializa na próxima terça-feira, dia 17, na Aldeia Sete de Setembro, em Cacoal, parceria com a multinacional do mundo virtual Google Earth. Os índios vão fornecer informação sobre sua terra e sua cultura para o site de buscas Google e em contrapartida terão o direito de monitorar a situação de seu território. Cerca de 40 jornalistas de vários países do mundo devem comparecer ao município para registrar o fato histórico.

    O líder indígena Almir Suruí, que já travou diversas lutas em defesa da preservação da floresta, foi quem buscou a parceria. Ele informou que a Associação Metareilá, da qual é presidente, trabalha com o plano de gestão de seu território e dentro desse plano surgiu a necessidade de ser firmada uma pareceria com sistemas tecnológicos para divulgar a atual situação da floresta e para buscar meios de conscientizar as pessoas quanto a preservação do meio ambiente. Almir explicou que propôs a parceria ao Google Earth, porque a internet está nas residências, o que facilita o acesso de todas as pessoas que estejam interessadas em contribuir com a natureza. “Através da Internet poderemos levar nossa mensagem ao mundo e juntos discutirmos sugestões para preservar o meio ambiente”, disse.

    Segundo Almir, a partir da assinatura do termo de parceria ficará disponível no Google Earth o monitoramento via satélite do território indígena Suruí, a história do povo, sua cultura e o plano de gestão trabalhado pelos índios para o crescimento e fortalecimento do povo indígena. Também haverá informações da maneira como a cultura dos não índios afeta a cultura indígena e de formas para consolidar as duas culturas. Segundo ele, não serão divulgadas, informações sobre animais, plantas e conhecimentos tradicionais do povo indígena.

    Sistema será administrado pelos índios

    Almir afirmou também que o sistema tecnológico para a divulgação dos Susuís está sendo construído por uma equipe de profissionais de Brasília, que são parceiros dos indígenas. Ele informou que todo o processo está sendo acompanhado por assessores da Funai e que os índios é quem selecionarão o que poderá ser divulgado. “Temos uma equipe de índígenas que está sendo treinada especialmente para administrar o sistema”, disse.

    Questionado sobre os riscos que a exposição na Internet pode causar ao seu povo, Almir argumentou que todo o sistema tecnológico e de comunicação, se não usado com sabedoria, pode causar perigo. Ele ressaltou que deve-se saber como e para que usar o meio de comunicação. “Acredito que os riscos são poucos, pois nós é que administraremos o sistema e o google apenas oferecerá o espaço e a estrutura para a divulgação”, disse.

    O povo indígena Suruí é formado por cerca de 1250 pessoas. O território é de cerca de 248 mil hectares, abrangendo os municípios de Cacoal, Espigão do Oeste e Ministro Andreazza em Rondônia e Rondolândia e Aripuanã no Mato Grosso. Os Suruís serão pioneiros neste tipo de parceria. “Além de divulgar o nosso povo, esta parceria beneficiará e valorizará o povo de Cacoal e de toda a região”, disse.

  • Cacique assume administração da Funai

    Cacoal/RO – O cacique Pio Cinta Larga, um dos principais líderes da Reserva Roosevelt, é o novo administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cacoal. Ele assume o cargo interinamente, em substituição ao antigo administrador, Trajano Fonseca Azevedo, exonerado ontem (23) pelo presidente nacional da Funai, Marcio Augusto Freitas de Meira. Além de Trajano foram exonerados outros 15 funcionários que exerciam cargos de confiança. É a primeira vez em Rondônia que um indígena assume a função.

    Os 16 funcionários foram exonerados a pedido de lideranças indígenas da região. Segundo o presidente, todos deverão ser reaproveitados pelo novo administrador. Ele não quis detalhar os motivos das demissões. Disse apenas que trata-se de decisões políticas.

    O presidente, que desde terça-feira vinha mantendo reuniões na região, com lideranças das etnias Cinta Larga, Suruí, Apurinã e Mequéns, disse que nomeou o indígena no cargo a pedido dos índios. Segundo Marcio Meira, o cacique será assessorado por toda a equipe da Funai. “É um ato legítimo e um momento importante para a população indígena”, disse.

    Ainda ontem o presidente nomeou também o novo coordenador do Grupo da Força Tarefa Cinta Larga da Reserva Roosevelt, João Batista Maglia, que trabalhava na Funai em Brasília. Quanto a situação do garimpo de diamantes, o presidente disse que a garimpagem está paralisada e que enquanto não houver uma legislação favorável, a atividade será ilegal.

    Com a reativação do Grupo de Força Tarefa, o presidente acredita que os índios Cinta Larga terão maior apoio para administrar a situação na reserva. “Estive no garimpo e a situação na área hoje é tranqüila”, disse.

    Índios serão ouvidos

    O cacique José Itabira Suruí, líder geral do Povo Suruí, disse que Pio Cinta Larga teve muita coragem em assumir o cargo de administrador da Funai e que terá que ter muita força e fé em Deus para conseguir fazer um bom trabalho. “É uma tarefa muito difícil para nós índios”, definiu.

    Segundo Itabira, a principal estratégia de Pio deverá ser o diálogo com as demais etnias. “Ele tem que conversar muito com os parentes. Espero que ele consiga o que o branco não conseguiu”, disse.

    Questionado sobre suas metas, Pio disse que primeiro vai montar uma equipe de confiança e depois vai analisar a situação da Funai para depois por seus projetos em prática. Ele prometeu também manter constante diálogo com os índios de todas as etnias.

  • Cintas Larga libertam reféns

    Os índios Cintas-Largas libertaram ontem, no fim da tarde, os cinco reféns detidos desde sábado na Terra Indígena Roosevelt, em Rondônia. O comissário das Nações Unidas (ONU) David Martins Castro e o procurador da República Reginaldo Pereira, que estavam entre as pessoas detidas, seguiram de helicóptero até a cidade de Cacoal, no interior de Rondônia. Outros dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram transportados de carro.

    Desde o início da tarde, o presidente da Funai, Márcio Meira, negociava a liberação dos reféns com os Cintas-Largas. Em troca, os índios pediam o fim da exploração ilegal de diamantes na Terra Indígena Roosvelt – uma das quatro povoadas pela etnia – e projetos de desenvolvimento sustentável para fornecer alternativas de sobrevivência da população indígena.

    Após decidirem manter cinco pessoas detidas na Reserva Indígena Roosevelt, no leste de Rondônia, índios da etnia Cinta-Larga divulgaram uma carta na qual afirmam que a região “tornou-se um barril de pólvora” desde a descoberta de uma jazida de diamante no local há sete anos. No texto, os índios afirmam não querer a liberação de garimpo em terras indígenas e exigiam políticas de desenvolvimento sustentável para libertar os reféns.

  • Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Garimpeiros pagam valores acima do mercado no Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – Apesar da insistência das autoridades em afirmar que a situação na reserva Roosevelt está sob controle e que o número de garimpeiros não passa de algumas dezenas, a realidade dentro da reserva é bem outra. Novos fatos dão conta de que uma situação inusitada começa a tomar grandes proporções dentro da reserva. É do conhecimento de todos que centenas de garimpeiros mantem o trabalho nas grotas, revirando o cascalho cada vez mais fundo na busca das pedras brilhantes.

    Os homens, na sua maioria rudes, trabalham seminus e enlameados, se amontoando nas grotas com pás, picaretas e jatos de água, removendo a terra na busca do diamante. Essa louca corrida atrás da fortuna viu a sua situação começar a se complicar de uns três meses para cá, com o cerco cada vez maior da Policia Federal, que está coibindo a entrada de combustível, alimentos e bebidas para dentro da reserva Roosevelt.

    A interrupção da chegada desses itens de vital importância para a manutenção, tanto de máquinas como de homens no trabalho dentro das grotas pelos meios legais, tem causado um grande prejuízo para os garimpeiros com a explosão dos preços agora cobrado pelos varadores. Com esse bloqueio das autoridades os preços perderam o controle dentro do Baixão, a ponto de produtos como o tambor de 200 litros de óleo Diesel valer de 1200 a 1600 reais, uma Coca Cola de 2 litros é comercializada a 10 reais, caixa de bombom garoto por 15, a gasolina não sai por menos de 10 reais, o mesmo preço é cobrado por um quilo de frango.

    Com esse desequilíbrio nos preços dos produtos de primeira necessidade e a falta da “Pedra Boa” que sumiu das resumidoras, os garimpeiros estão pagando para trabalhar nas grotas. Já existem comentários de vários entreveros entre membros de equipe causados pela atual situação. Com o gasto muito alto para manter um par de máquinas funcionando, os proprietários estão se endividando cada vez mais. Existem casos em que esses aventureiros estão há mais de 6 meses no local, sem ter como retornar para a cidade devido as dividas. Outro problema que vem causando apreensão, principalmente nas lideranças indigenas é o fato da discórdia entre os trabalhadores brancos que na maioria das vezes trabalham no regime de porcentagem com os donos de máquinas e como as “Pescadas” não estão dando nem para cobrir os gastos, estão sem receber as suas parcelas pelo trabalho.

    Barril de pólvora

    Existem ocasiões onde conseguem alguma pedra de valor e logo apostam em investir tudo para tentar recuperar o prejuízo, daí acontece de não dar em nada e o prejuízo vai aumentando, assim como a insatisfação dos chamados “Rodados” que sobrevivem da sua força de trabalho. Vários desses donos de máquinas optaram por abandonar o equipamento até as coisas melhorarem, deixando centenas de escavadores desempregados dentro das fofocas. Muitos desses estão sobrevivendo de comer de favor em algum barraco até surgir alguma vaga de trabalho.

    A prostituição é outro grave problema que tomou proporções assustadoras dentro do garimpo. Vários barracos têm de 4 a 5 mulheres que entraram com a desculpa de cozinhar para a turma, mas que na verdade movimentam o rentável negócio da prostituição. As lideranças indígenas tentam não se envolver nesses problemas, mas como afirmou o cacique Pamaré, é muito difícil controlar todo mundo. Por isso não é prematuro afirmar que o garimpo do “Baixão” se transformou em um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento. A bebida, as drogas e a prostituição aliadas ao descontentamento dos garimpeiros com os donos de máquinas são os componentes necessários que poderão deflagrar um novo derramamento de sangue dentro do Lage e não duvidem se novamente os Cinta Larga forem responsabilizados pelas mortes que certamente irão ocorrer.

  • Terra fértil da Amazônia é analisada

    Um grupo internacional de instituições de pesquisa está estudando uma forma de reproduzir o que os pesquisadores chamam de Terras Pretas de Índio, que são terras férteis, encontradas em diversos pontos da Floresta Amazônica, de forma aleatória, geralmente próxima aos rios. Nestes locais, durante milhares de anos as tribos indígenas que viviam ali enterraram todo o tipo de lixo usado por eles – orgânico e inorgânico. Muito tempo depois, descobriu-se que aqueles locais se transformaram nos solos mais férteis do mundo.

    Pesquisadores da Embrapa Solos, que faz parte do grupo de estudo, explicam que o objetivo é reproduzir estas terras num curto intervalo de tempo e de modo economicamente viável. Eles afirmam que as Terras Pretas de Índio contém três vezes mais fósforo e nitrogênio – que são os nutrientes para as plantas – se comparada ao solo comum, sem nunca ter recebido doses de fertilizantes. Além disso, consegue remover o carbono da atmosfera de modo muito mais eficaz do que qualquer outro tipo de solo (um hectare de Terra Preta pode estocar 250 toneladas de carbono ou mais, em contraponto a 100 toneladas nos solos próximos).

    Revolução Verde

    Os especialistas acreditam que, quando for possível reproduzir as Terras Pretas de Índio, haverá uma segunda Revolução Verde – só que desta vez, de uma forma ecologicamente correta. “Um verdadeiro ouro negro vegetal, que nós esperamos que se transforme em um passaporte para a tão desejada sustentabilidade da Agricultura Tropical”, explicam.

    Insumo agrícola

    De forma paralela, a Embrapa Solos também está estudando outras formas de aproveitamento dos lixões urbanos e rurais e propõe uma utilização mais nobre deste grande problema ambiental e de saúde pública: transformar os lixões em biocombustível ou insumos agrícolas. “As Terras Pretas de Índio são fruto da decomposição de todo aquele lixão que os nossos antigos índios enterraram”, explica o pesquisador Etelvino Henrique Novotny, da Embrapa Solos. O nome “Terra Preta” se deve ao alto acúmulo de carvão – ou biocarvão como também é chamado -, diferente dos solos comuns.

    Desde a década de 60, a ciência está estudando formas de aproveitamento e reprodutibilidade das Terras Pretas. Uma das últimas descobertas de utilização do carvão vegetal – presente nestas terras e fabricado na indústria – é como fertilizante e coadjuvante no seqüestro de gases do efeito estufa. Com o objetivo de estudar esses outros aproveitamentos do carvão vegetal foi formado o International Biochar Initiative (IBI), ao qual o pesquisador Etelvino, foi recém-convidado para fazer parte, ao lado de representantes de 13 países-membros.

  • Crime ambiental acaba em apreensão de aeronave

    Porto Velho/RO – Um pequeno avião foi apreendido esta semana na linha 45, próximo ao município de Candeias do Jamari, distante 30 quilômetros da Capital, Porto Velho, por estar jogando sementes de pastagem em área da Floresta Nacional Jacundá.

    O crime ambiental foi descoberto quando dois analistas ambientais do Ibama, que estavam na Flona Jacundá, viram o avião ainda em terra e suspeitaram da ação. O avião foi levado para o Aeroclube de Porto Velho e agentes da Polícia Federal foram ao local para iniciar os procedimentos de apuração. O piloto Jocival Soares de Carvalho informou que o dono da aeronave seria Francisco de Souza Lima. Segundo ainda, Carvalho, o avião havia sido contratado por Jaime da Silva Santos para despejar as sementes na área.

    Informações do Ibama dão conta de que Jaime Santos é proprietário de uma área próxima à Flona Jacundá e que fez a derrubada de 198 hectares de árvores da Unidade de Conservação. O gerente do Ibama, Osvaldo Pitaluga, disse que Jaime Santos alega que a área faz parte de sua propriedade. “Aquela área é de Unidade de Conservação e não é particular”, afirmou Pitaluga.

    Para o gerente do Ibama, a possível intenção do proprietário é a de transformar parte da área da Flona Jacundá em área de pastagem de gado.

  • Operação Passagem combate exploração ilegal de madeira

    Porto Velho/RO – Nove pessoas foram presas ontem, dia 7, acusadas de exploração e comércio ilegal de madeira em unidades de conservação e em terras indígenas localizadas na região oeste de Rondônia. A operação foi desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ibama. Seis dos presos eram servidores do Ibama, a maioria lotada em Guajará-Mirim.

    Com a prisão de seis servidores sobe para 15 o número de servidores do Ibama presos em Rondônia por envolvimento em corrupção ou facilitação de crime ambiental nos últimos três anos.

    Ainda existem 62 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos nos próximos dias em todo o Estado. Nesse período, 32 empresas do setor madeireiro serão investigadas para que seja averiguada a participação de outras pessoas com a quadrilha que foi desarticulada.

    Ação

    A quadrilha atuava em Rondônia desde 2004 e era formada por servidores públicos federais lotados no Ibama de Guajará-Mirim e por empresários do setor madeireiro. Eles agiam por meio de empresas fantasmas, que eram vistoriadas pelos servidores envolvidos, para vender ATPFs (Autorização para Transporte de Produtos Florestais) de forma ilícita, comercializar créditos de planos de manejo e exportar ilegalmente madeira para a Bolívia.

    A Operação Passagem recebeu este nome em alusão as duas pontes existentes entre Guajará Mirim e Porto Velho e por onde a madeira passava antes de ser enviada para a Bolívia. Segundo o chefe da delegacia de Meio Ambiente, Janderliê Gomes de Lima, a Polícia detectou vários núcleos de organização criminosa, um único núcleo formado por um empresário e alguns servidores do Ibama lucrou R$ 4 milhões em dois anos.

    O superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga não descarta a hipótese de que a madeira era retirada também da reserva estadual de Guajará-Mirim. “Existe uma estrada nas proximidades. Precisa de fiscalização intensiva”, disse, lembrando que a área pertence ao Estado.

    Investigação

    A investigação se deu a partir de uma auditoria feita no Ibama de Guajará-Mirim, entre setembro e outubro de 2005. A auditoria apontou diversas irregularidades e crimes que teriam sido cometidos por servidores. Relatórios indicavam, inclusive, que 11 empresas do município de Nova Mamoré teriam sido beneficiadas.

    O serviço de inteligência policial constatou também que parte da madeira comercializada ilegalmente foi extraída das terras indígenas Lages e Ribeirão, no Oeste do estado. Em agosto, foi localizado um dos locais onde a madeira ilegal era estocada.

    Durante as investigações foram presos em flagrante quatro integrantes da quadrilha: dois servidores do Ibama, um contador e um empresário.

    Penalidade

    Segundo o superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga, os servidores envolvidos com crimes ambientais respondem processos administrativos e podem ser demitidos. Além disso, respondem por crime no código civil, podendo ser presos ou responsabilizados financeiramente pela justiça comum e obrigados a ressarcir valores aos cofres públicos pelo crime ambiental.

    Operações

    A primeira grande operação realizada em parceria entre o Ibama e a Polícia Federal foi realizada em 2003, chamada Setembro Negro. As próximas operações Curupira I e II, realizadas em 2004 prenderam servidores e madeireiros dos estados do Mato Grosso, Rondônia e Pará. Nessa operação foram presas 250 pessoas. A operação Novo Empate foi a seguinte, mas não teve servidores presos. Em 2006 aconteceu a Operação Daniel, em Ji-Paraná e agora veio a operação Passagem.

  • Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    O Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) e o Rouxinol do Rio Negro (Icterus chrysocephalus) são dois pássaros pouco conhecidos da maioria dos brasileiros, mas no Japão estas e outras espécies existentes na Amazônia são valiosas. Considerado a Monalisa do tráfico, o rouxinol contrabandeado dos seringais da Amazônia é vendido a US$ 120 mil (cerca de R$ 270 mil reais) no mercado internacional da biopirataria e do tráfico de animais.

    A revelação é do analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Amazonas, José Leland Juvêncio Barroso, em depoimento à CPI da Biopirataraia. Além de pássaros, segundo Leland, os biopiratas têm levado da Amazônia essências de plantas, microorganismos, peixes ornamentais, solo e até amostras de água dos rios amazônicos. Isso sem falar no sangue dos índios já à venda na rede mundial de computadores.

    Para o professor Gonzalo Enriquez, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o crescimento da biopirataria na Amazônia resulta da inércia governamental que tornou o País refém de detentores das tecnologias de ponta, que buscam de forma arbitrária, a transferência de recursos genéticos para suas indústrias, principalmente a farmacêutica.

    Grande Prejuízo

    O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco calcula que o prejuízo do Brasil pode variar de R$ 240 milhões a R$ 24 bilhões só no mercado de medicamentos e movimenta aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 1,7 trilhão) anuais.

    Capobianco disse à CPI da Biopirataria que o MMA adotou várias medidas para evitar essa sangria. As principais foram a regulação do acesso ao patrimônio genético e da repartição de benefícios; criação de nova legislação de acesso e repartição de benefícios; ação integrada de investigação e fiscalização, controle do registro de marcas, treinamento de fiscais para o combate à biopirataria, e a proteção dos conhecimentos tradicionais.

    Segundo ele, essas ações ajudam a reduzir pelo menos um tipo de biopirataria: a retirada ilegal de componentes da fauna e da flora brasileiras. Capobianco ainda acrescentou que o governo está preocupado com o uso indevido, o patenteamento e o comércio ilegal de recursos no exterior.

    Galo-da-serra

    O galo-da-serra é um pássaro do norte e noroeste da América do Sul. É considerado um dos mais espetaculares do mundo, tem plumagem fantástica e cortejo colorido. Somente duas espécies são conhecidas: o galo-da-serra andino (Rupicola peruviana) e o galo-da-serra-do-pará (Rupicola rupicola). Vivem sob árvores altas, perto dos rios e deixam este território somente na época da procriação para encontrar seu par.

    Ritual de procriação

    Os galos-da-serra ajudados pelas fêmeas preparam um círculo de dança limpando uma superfície plana que vai servir ao redor, enquanto as fêmeas agrupam-se em torno do palco. De repente um dos machos voa para o chão e executa uma dança estranha: abre as asas e vira a cabeça de um lado para o outro, bate os pés com força no chão e pula para cima e para baixo.

    Quando está exausto dá um grito característico, realiza a cena mais uma vez e volta ao galho. Um outro galo-da-serra toma o seu lugar no palco e o espetáculo continua até que todos os machos do bando tenham se apresentado.