Categoria: Brasil

  • Corredeiras e pedras formam cenário de patrimônios naturais

    Porto Velho/RO – Patrimônio natural de Porto Velho, as cachoeiras de Santo Antônio e Teotônio, destacadas na mini-série Mad Maria – que retratou a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré no início do século passado – chamam a atenção pelas suas corredeiras e pedras, que formam paredões evidentes ao longo de vários quilômetros.

    As duas possuem peculiaridades que atraem diferentes perfis para visitação: a cachoeira de Santo Antônio recebe turistas e banhistas pela beleza natural e porque suas corredeiras não oferecem perigo aos visitantes. Já a cachoeira de Teotônio, principalmente no período de seca (entre abril e setembro) chama a atenção pela diversidade de peixes encontrados no local.

    A cachoeira de Teotônio possui dezenas de paredões que ficam parcialmente submersos pelas águas do rio Madeira e que formam tombos de até 45 metros de profundidade, um perigo para a vida dos pescadores e até de oficiais do Corpo de Bombeiros.

    Quedas

    O mistério é que mesmo os pescadores mais experientes caem nos tombos. Alguns para soltar linhas e anzóis que ficam presos e geralmente não são encontrados devido à dificuldade de resgate. Só este ano 22 pessoas morreram nas corredeiras de Teotônio. “É muito difícil encontrar um corpo, pois não podemos pular nas corredeiras”, explica o sub-comandante do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, capitão Cleildo Rodrigues de Cristo.

    Pelo menos por enquanto essa preocupação parece ter diminuído para o efetivo que atua no grupo de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros. É que com a chegada das chuvas, os tombos são totalmente cobertos pelas águas e os índices de mortes diminuem significativamente, porque também diminui a quantidade de pescadores no local.

    “Todos que chegam aqui no meu bar dizem que são cuidadosos, mas muitos nunca mais voltaram para contar a história”, diz a comerciante Maria Paula, que mora nas proximidades da cachoeira de Teotônio.

    Em virtude dos índices de acidentes e mortes, o Corpo de Bombeiros orienta aos visitantes que evitem tomar banho nas corredeiras e ao longo das duas cachoeiras são encontradas placas de sinalização que alertam para os perigos que caminham lado a lado com a beleza natural, ímpar na região de Porto Velho.

    Peixes

    Embora as espécies mais procuradas sejam os Jaús, Dourados e Pintados, também é possível fisgar Pirararas, além de uma grande variedade de outros peixes que sobem o rio e ficam na base da cachoeira de Teotônio e fazem a alegria dos pescadores esportivos e até dos predadores.

    Risco

    Uma dessas cachoeiras, a de Teotônio, corre o risco de sumir do mapa, com a inundação para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, na região de Porto Velho. O projeto da usina prevê que a cachoeira fique com o aspecto permanente de temporada de cheia, ou seja, com praticamente todas suas pedras e paredões cobertos pelas águas do rio Madeira.

    Como chegar

    A cachoeira de Teotônio fica distante do centro de Porto Velho cerca de 40 quilômetros. O acesso pode ser via terrestre, através de veículos particulares seguindo pela BR 364 sentido Rio Branco. A cachoeira de Santo Antônio fica mais próxima da Capital, cerca de seis quilômetros. O acesso pode ser via terrestre, seguindo pela Estrada do Cujubim, de veículos particularidades ou ônibus de linha, que cobram tarifa intermunicipal de R$ 1,80.

  • Burocracia emperra reativação de patrimônio turístico

    Porto Velho/RO – A restauração das locomotivas que compõem o acervo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é aguardada com muita ansiedade por moradores de Porto Velho e região, mas há impasses emperrando a reativação das máquinas. Atualmente está em andamento a troca de dormentes dos trilhos que ligam Porto Velho à cachoeira de Santo Antônio.

    Segundo o superintendente estadual de Turismo, Alexandre Pereira, as obras já passam do igarapé Bate Estacas e dentro de mais 30 dias serão concluídas. Para que o restante do patrimônio histórico seja finalmente recuperado, resta ser autorizado em Brasília o processo de cessão do complexo para que a Prefeitura fique responsável pela restauração dos bens móveis e imóveis do acervo, o que abrange desde as locomotivas e vagões até os galpões da antiga Estação de Porto Velho. Dinheiro não falta, segundo os gerenciadores. O entrave agora é meramente burocrático.

    Até o mês passado, a dúvida girava em torno de quem ficaria responsável pela administração do acervo. A Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) protocolou um ofício solicitando a área para a Prefeitura, mas somente após a cessão a Prefeitura poderá dar início ao processo de restauração das máquinas. O Estado ficou responsável apenas pelos trilhos da Madeira-Mamoré.

    Reforma

    O gerente regional da Secretaria do Patrimônio da União, Antônio Roberto dos Santos Ferreira, acredita que até o final deste ano a União dê autorização para que a administração municipal possa trabalhar. “Depois fica fácil. Se a área for cedida até o final do ano, no primeiro trimestre de 2007 todas as benfeitorias já deverão estar concluídas”, acredita.

    A reforma dos bens móveis, como vagões e locomotivas e a reforma dos bens imóveis – como a praça, o museu e o restante do complexo ficarão sob a responsabilidade da Fundação MunicipaI Iaripuna.

    De acordo com Antônio Roberto, a GRPU dispõe de R$ 5 milhões que podem ser usados em reformas e urbanização. O montante pode ser repassado à Prefeitura para a restauração do patrimônio.

    Estado

    O Governo do Estado também aguarda um parecer favorável da União para executar as obras de restauração dos bens imóveis da Madeira-Mamoré. Segundo o titular da Secretaria de Estado da Cultura e Esportes (Secel), Antônio Ocampo, o órgão encomendou projeto de restauração de três locomotivas, três vagões e uma litorina, no valor de R$ 872 mil. “Se a restauração tiver que ser feita pelo Estado não haverá problema algum”, afiança Ocampo.

    Destruição

    Quando foi desativada, em 1972, o acervo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré ficou sob a responsabilidade do 5º Batalhão de Engenharia e Construção (5º BEC). A determinação emanada de Brasília, na época, era para extinguir o complexo ferroviário. A destruição foi quase completa: locomotivas e vagões foram jogados dentro do rio ou encostados nos barrancos, onde se encontram até hoje. Grande parte dos equipamentos, móveis e aparelhos foram usados para enfeitar residências de grandes figurões da época.

    Como se tratava de uma ferrovia federal, o acervo da Madeira-Mamoré pertence à União, sendo que a responsabilidade pela administração da ferrovia foi repassada ao Governo do Estado, que até hoje administra o acervo.

    Posse

    O governo do Estado chegou a solicitar a posse dos bens móveis e imóveis da Estrada de Ferro, mas não conseguiu enviar a documentação necessária para Brasília. Tendo em vista este impasse e o Estado deplorável em que se encontra o acervo, quando se instalou em Rondônia, a Gerência do Patrimônio da União reuniu os órgãos e entidades responsáveis pelo patrimônio histórico do Estado para encontrar uma solução para o problema.

    Foi definido então, que a Estrada de Ferro seria dividida em lotes, que seriam cedidos em parte para as prefeituras dos três municípios onde está instalada a ferrovia – Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim, para que a restauração fosse ser feita por etapas. Com isso, além da União, que é obrigada a zelar pela ferrovia, já que se trata de um bem tombado, as prefeituras também ficarão responsabilizadas pelo acervo, sendo que o Governo do Estado também pode colaborar, segundo o gerente regional da Secretaria do Patrimônio da União em Rondônia, Antônio Roberto dos Santos Ferreira.

    A primeira etapa deste processo já começou com a solicitação da Prefeitura de Porto Velho sobre o primeiro lote da ferrovia, que compreende os sete primeiros quilômetros, que já foi envidado para a Secretaria do Patrimônio da União, sendo que o processo de cessão deve estar concluído até o final deste ano.

  • Forte Príncipe da Beira completa 230 anos de resistência

    Costa Marques/RO – O Real Forte do Príncipe da Beira, localizado no município de Costa Marques/RO, às margens do Rio Guaporé, na divisa do Brasil com a Bolívia, é um dos principais pontos turísticos do estado de Rondônia. O monumento, que este ano completou 230 anos de construção, guarda em suas ruínas histórias de sofrimento e dor que foram adicionadas à sua missão de proteger a fronteira brasileira e consolidar a posse da Coroa Portuguesa no extremo noroeste do Brasil.

    Atualmente o patrimônio é mantido aberto pelo 1º Pelotão de Fuzileiros de Selva Destacado do Exército Brasileiro, mas é o único Forte brasileiro que não recebe recursos para sua manutenção.

    Alexandre Pereira, secretário estadual de Turismo explicou que os recursos para manutenção do Forte Príncipe são inviabilizados por falta de projeto parlamentar, ou seja, nenhum deputado federal, nem senador rondoniense apresentam emendas para este fim. “Já tentei verbas diretamente no Ministério do Turismo para manutenção do Forte, mas fui informado que não há outra maneira de ser viabilizada se não for através de emendas que devem ser incluídas ao orçamento”, informa.

    Segundo o secretário, há em análise um projeto para adequar o município de Costa Marques e prepará-lo para receber os turistas, como a reforma do aeroporto, implementação da rede de saneamento básico do município e sistema de tratamento do lixo. “Pensamos em ordenar o município primeiro, que é o local que recebe os turistas antes que visitem o Forte”, justifica.

    O secretário explicou ainda, que para viabilizar este projeto será necessário R$ 70 milhões. No ano de 2006 a Secretaria de Turismo de Rondônia foi contemplada com apenas R$ 4 milhões, através de emendas do deputado federal Nilton Capixaba (PTB).

    Para remediar e tentar evitar o total abandono do Forte, que mesmo assim recebe turistas de todo o Brasil e do Exterior, o serviço de capina e limpeza do patrimônio está sendo feito pelo efetivo do 1º Pelotão de Fuzileiros de Selva do Exército Brasileiro.

    História

    O Real Forte Príncipe da Beira fica à direita do Rio Guaporé e é o mais antigo monumento histórico de Rondônia. Sua construção teve início em 2 de junho de 1776 pelo engenheiro Domingos Samboceti, que faleceu de malária durante a obra. Foi concluída em 20 de agosto de 1783 pelo capitão engenheiro Ricardo Franco de Almeida e Serra.

    A edificação foi feita em forma de quadrado com 970m de perímetro, muralhas de 10m de altura e quatro baluartes armados, cada um, com quatorze canhoneiras, construído de acordo com o sistema Vaubam. No entorno, um profundo fosso somente permitia ingresso através de ponte elevadiça, que conduzia a um portão com 3m de altura, aberto na muralha norte. No interior haviam quatorze residências para o comandante e os oficiais, além de capela, armazém e depósitos.

    Sua construção foi realizada por cerca de 200 operários trazidos de vários Estados. Conforme os registros históricos, as pedras vieram de Belém/PA via fluvial. Para deixar evidente os sacrifícios exigidos para a construção, quatro de seus canhões – de bronze e calibre 24 – enviados de Belém em 1825, através do rio Tapajós, levaram cinco anos para chegar ao seu destino. 18 canhões instalados no Forte funcionam até os dias de hoje.

    O monumento foi abandonado em 1889 e permaneceu em absoluto esquecimento cerca de 40 anos, sendo saqueado e invadido pela floresta. Em 1914 foi reencontrado pelo Major Rondon, que retornou em 1930 e construiu as instalações da unidade militar, mantida até hoje pelo Exercito Brasileiro. No 1º Pelotão existe um museu criado pelos próprios militares que expõem fotografias antigas, reportagens, balas de canhões e outras peças que mantém viva uma parte da história do Brasil.

    Onde fica

    Localiza-se há mais de 3.000km do litoral, em ponto de difícil acesso, e em pleno coração da floresta Amazônica. Suas coordenadas geográficas são: 12° 25/* 47/*/* de latitude sul, 21° 17/* 20/*/* de longitude oeste, e a altitude 220m.

    O Forte distancia-se 375km da cidade de Guajará Mirim/RO.

    Saindo de Porto Velho e seguindo pela BR-364, são 700 quilômetros até chegar a Costa Marques. Em Presidente Médici, os viajantes devem seguir pela BR- 429, que é a rodovia que leva à cidade. Ela possui aproximadamente 400 quilômetros e não é pavimentada, o que pode dificultar o acesso à região, principalmente na época das chuvas.

    Visitas

    O Forte está aberto para visitas de segunda a sábado durante o dia. Maiores informações podem ser adquiridas pelo telefone (69) – 3652-1000.

    Costa Marques possui rede de hotéis.

  • Indígenas conseguem crédito especial e liberam BR 230

    Brasília/DF – A comissão indígena que negociava em Brasília a liberação de recursos para pagamento de dívidas da Funai com fornecedores rondonienses conseguiu junto ao Ministério da Justiça adicionar um pedido de crédito especial no valor de R$ 1,7 milhão que devem ser liberados através de decreto presidencial no mês de novembro.

    Além desse valor, os indígenas conseguiram de imediato, recurso especial no valor de R$ 25 mil para ser utilizado na fiscalização do patrimônio indígena. Com a resposta positiva por parte do Governo Federal, os indígenas liberam as rodovias do Estanho e a BR 230 (Transamazônica) e as atividades administrativas da Funai voltam ao normal nesta segunda-feira, dia 16.

    Segundo o diretor de assistência da Funai, Slowacki de Assis, R$ 400 mil serão destinados para realização de atividades produtivas, R$ 400 para funcionamento de postos indígenas, R$ 400 para assistência social e R$ 500 para proteção e fiscalização do território.

    Em Brasília a comissão indígena que negociou com o governo – composta de sete caciques – marcou nova audiência, após as eleições, com representantes da Casa Civil para tratar do recurso que deve ser destinado para a Funai em 2007.

    Segundo Adriano Karipuna, liderança indígena da tribo Karipuna, a Funai de Rondônia vai precisar de pelo menos R$ 1,6 milhões para custeio das despesas no ano que vem. O orçamento para a Funai em todo o País é de R$ 677 milhões e é distribuído em 64 regiões, incluindo Brasília.

    Pedido Inicial

    O pedido inicial dos indígenas era de R$ 1,6 milhão, mas se restringia a administração da Funai em Porto Velho, responsável por uma área onde vivem cerca de 3 mil indígenas. No Estado – incluindo a parte sul do Amazonas, administrada por Rondônia – vivem cerca de nove mil indígenas, de 45 povos.

    Prejuízos

    Com o fechamento da rodovia 230, que liga o município de Humaitá a Apuí, este município que fica ao sul do Amazonas e possui cerca de 19 mil habitantes já estava sem combustível e racionando energia elétrica, que é movida a óleo diesel.

    Segundo o chefe do núcleo de Operações Especiais da Polícia Federal em Rondônia, Régis Ramos, o fluxo de veículos naquele trecho da Transamazônica é pequeno, cerca de 100 veículos por dia e no período mais chuvoso – entre os meses de fevereiro e maio – chega a ser ainda menor, uma vez que a estrada ainda não é asfaltada.

  • Índios cobram justiça pelo assassinato de sertanista

    Porto Velho/RO – Após dois anos do assassinato do sertanista Apoena Meireles, o sentimento na Fundação Nacional do Índio (Funai) de Porto Velho é de muita saudade. Na tarde de sexta-feira, dia 6, os indígenas que estão alojados na sede da entidade realizaram um ritual e dançaram em homenagem ao sertanista. Acreditam até que as dificuldades financeiras que estão enfrentando não existiriam se Apoena estivesse entre eles e reclamam da justiça brasileira em não punir o responsável pelo assassinato.

    As buscas pelo autor do crime foram suspensas há mais de um ano e o caso está parado porque o assassino, foragido, alcançou a maioridade. Na Vara da Infância e da Juventude não se obtém maiores detalhes sobre o processo.

    Apoena Meireles era funcionário da Funai e foi morto com dois tiros no tórax, após reagir a um assalto, no interior de uma das agências do Banco do Brasil de Porto Velho, em 9 de outubro de 2004. Passado o choque, rumores e desconfianças, agora, os indígenas dizem que a única coisa que querem é que seja feita justiça.

    O líder indígena Orlando Karitiana acredita que a morte de Apoena foi tratada com descaso. “A justiça brasileira nos decepciona muito, não foi feita justiça pela morte do Apoena, assim como para o assassinato de muitas outras lideranças”, diz. “No Brasil não tem justiça. Ela só existe para os ricos”, desabafa.

    Sangue de índio

    O sertanista Apoena Merireles era tido como um exemplo e tinha boa relação com indígenas de todas as etnias. Por eles brigava por melhores condições de vida e incentivava para que nunca esquecessem suas culturas e tradições. “Apoena vivia no meio dos índios porque gostava, não porque era preciso. Acho que tinha sangue de índio”, acredita Raimundo Nonato Karitiana.

    Quando a Polícia Federal iniciou as investigações sobre a matança de 29 garimpeiros, na reserva Roosevelt, a 500 quilômetros de Porto Velho, em abril de 2004, Meireles foi até Juína, no Mato Grosso, conversar com o cacique cinta-larga Papai Grande. O líder indígena determinou aos demais chefes da etnia em Rondônia que atendessem o sertanista e o ajudassem a atenuar a crise entre índios e não-índios, gerada pela exploração de diamantes. O caso foi apenas um exemplo do respeito de que Apoena gozava junto aos povos indígenas.

    Minérios

    No dia em que foi assassinado, Apoena havia chegado de Brasília e deveria seguir para a reserva Roosevelt, em Espigão do Oeste, onde conversaria com os índios Cinta-largas para pedir que esperassem pela liberação do garimpo. Ele era um dos responsáveis pelo garimpo permanecer fechado. No local há uma grande jazida de diamantes onde 29 garimpeiros haviam sido executados em abril daquele ano. Por esses motivos cogitou-se na época do assassinato, que Apoena pudesse ter sido executado por um grupo interessado nos minérios e não latrocínio, como a polícia desvendou em seguida.

    Assalto

    O adolescente que atirou em Apoena, com 17 anos na época, ainda chegou a ser preso. Explicou que tentou assaltar o sertanista para conseguir dinheiro para comprar drogas. Era um jovem de classe média e todos ficaram estarrecidos com a banalidade pela qual o sertanista havia sido morto.

    O jovem foi recolhido à Casa de Internação Provisória quatro dias após o crime, mas por ordem do juiz Ênio Salvador Vaz, da Vara da Infância e da Juventude da comarca de Porto Velho, foi transferido, no dia 23 do mesmo mês, para a Casa Família Roseta, instituição que atende dependentes químicos e fugiu no dia 27 de dezembro de 2004. Ele teria saído tranqüilamente pela porta lateral e corrido para o mato no fundo do terreno.

    Divulgação

    Uma das maiores dificuldades que a polícia encontrou na época foi o fato de não poder divulgar a foto do jovem por se tratar de um crime que ele cometeu quando ainda não havia atingido a maioridade. Nunca foi divulgado o retrato falado do menor e a polícia não tem idéia do paradeiro dele. O caso continua sem solução, uma triste constatação para os índios. “Brancos não imaginam o que representa a perda de Apoena para nós. Se estivesse aqui certamente estaríamos dançando por alguma coisa boa”, diz Orlando Karitiana.

    Investigação

    Conselheira da Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé, Ivaneide Bandeira cobra uma “investigação mais aprofundada” sobre as causas da morte do sertanista Apoena Meireles. Ela considera que já se passaram dois anos do assassinato e as investigações ficaram restritas à hipótese de latrocínio. “O fato de Apoena estar envolvido na investigação sobre o garimpo ilegal de diamantes na Terra Indígena de Roosevelt deveria ter provocado um maior interesse pelas causas do assassinato. Ele detinha informações importantes e um dia antes de morrer disse, em uma reunião com o povo Suruí, que pretendia “desmontar as falcatruas” que existiam na Reserva Roosevelt”, afirmou.

    Ivaneide Bandeira também cobra justiça para o matador, que fugiu de Rondônia, tomando rumo ignorado. “Não se pode descartar a hipótese de que atrás do assassino estivesse gente graúda com interesses na exploração de diamantes”, ressalta ela.

    Dificuldades

    Os indígenas de Rondônia e do Sul do Amazonas desencadearam uma serie de protestos na semana passada para pressionar o Governo Federal a liberar recursos para a Funai da Capital. A BR-230 foi bloqueada e a sede do órgão em Porto Velho ocupada por índios. As dívidas da Funai, que chegam à casa dos R$ 600 mil, impedem a produção agrícola nas aldeias. Desta forma, muitos povos têm passado por dificuldades.

  • Índios intensificam movimento pela liberação de recursos

    Porto Velho/RO – O movimento que teve início na semana passada, visando a liberação de recursos para atender as necessidade dos indígenas que vivem em Rondônia, deve continuar até que os líderes consigam uma resposta positiva por parte do Governo Federal. Eles querem o adiantamento de um suplemento de fundo para cobrir despesas com fornecedores em todo o Estado. Se não forem atendidos, os indígenas prometem fechar a BR 364 na próxima quarta-feira, dia 4.

    O protesto pela liberação de recursos teve início na quinta-feira da semana passada, com a paralisação das atividades administrativas em sedes da Funai de vários municípios. Foi intensificada com o fechamento da BR 230 (transamazônica) e no início da próxima semana representantes de oito etnias que vivem em Rondônia desembarcam em Brasília para tentar uma audiência com o ministro da Justiça Marcos Thomaz Bastos.

    Atualmente cerca de 150 índios lotam o alojamento da Funai em Porto Velho. Ainda nesta sexta-feira, dia 29, mais 60 indígenas devem se juntar aos que se aglomeram na sede da Funai e contam com o auxílio de representantes de Ongs para se alimentarem. ´Estamos recebendo apoio para que o movimento não se enfraqueça´, diz Clóvis Kassupá, cacique da tribo Kassupá, etnia que vive na região de Guajará-Mirim, em Rondônia.

    Segundo Kassupá, a maior dificuldade que os indígenas encontram atualmente é a falta de transporte. ´Muitos estão vindo para Porto Velho de carona´, ressalta. A dificuldade tem uma explicação. Só a postos de gasolina a Funai deve cerca de R$ 100 mil. As altas dívidas impedem os fornecedores de continuar cedendo produtos e serviços.

    Reflexos

    A dívida total dos indígenas no mercado rondoniense chega a R$ 600 mil. Os reflexos já foram sentidos na agricultura. Algumas etnias não refizeram as plantações durante o verão, por falta de equipamentos agrícolas e até sementes.

    O problema da falta de recursos não se reflete na saúde indígena, pois recentemente foram enviados R$ 1,5 milhões para atendimento nesta área, através da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

    Segundo Humberto Terena, coordenador da Federação da Organização Indígena de Rondônia (Foir), a falta de recursos para o indígena se repetiu em todo o País. Rondônia não contou com orçamento para a área indígena em 2006.

    Os 400 índios de quatro etnias da região de Humaitá (AM), que se posicionaram no quilômetro 150 da BR 230 (transamazônica), nesta terça-feira, continuam barrando a passagem de transportes no local.

  • Índios bloqueiam BR-230

    Humaitá/RO – Comunidades indígenas das etnias Tenharin, Jeahue, Mura e Parintintin fecharam a BR-230 (Transamazônica) desde o meio dia desta terça-feira, dia 26, visando pressionar a liberação de recursos por parte do Governo Federal para que a Funai consiga pagar dívidas.

    A Funai deve cerca de R$ 600 mil a fornecedores e estes não estão mais liberando material de apoio aos indígenas, como equipamentos agrícolas e até gasolina. Só com postos de combustível a despesa chega a R$ 100 mil. Os servidores da administração da Funai paralisaram as atividades desde quinta-feira, em solidariedade aos indígenas.

    Segundo o indígena Humberto Terena, coordenador da Federação da Organização Indígena de Rondônia (Foir), com a falta de material de apoio, os índios começam a passar por dificuldades. Alguns não conseguiram plantar este ano. A situação teria ocorrido na aldeia Marmelo, na região de Humaitá.

    De acordo com o cacique João Sena Tenharin, este ano, em sua aldeia, foram plantadas apenas mandiocas, e assim mesmo com recursos da aposentadoria dos próprios indígenas. “Não pudemos plantar arroz porque não temos semente, nem maquinário para retirar”, explica. Na aldeia Marmelo vivem cerca de 290 índios.

    Uma comissão indígena avisou, na tarde de ontem, o procurador da república Reginaldo Pereira da Trindade, responsável pelas questões indígenas em Rondônia, sobre o fechamento da BR e sobre a paralisação das atividades da administração da Funai na região de Porto Velho, Humaitá, Ji-Paraná e Guajará-Mirim. “Conseguimos sensibilizar os servidores sobre nossa situação e eles cruzaram os braços desde quinta-feira”, diz Humberto Terena.

    O procurador da república Reginaldo Pereira explicou que os indígenas podem conseguir suplementação de fundo através dos ministérios da Justiça ou do Planejamento. “O que eles estão querendo mesmo é serem ouvidos pelos ministros Márcio Thomaz Bastos e Guido Mantega para explicar a situação”, diz. O procurador afirma que entende a dificuldade e que esta situação está se repetindo em todo o país, porém, acredita que a solução poderia ser buscada de forma mais amena. “Pelo menos eles prometeram que será uma manifestação amigável”, diz.

  • Ribeirinhos são mais resistentes ao mercúrio

    Porto Velho/RO – Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir), da Universidade de Brasília (UNB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está pesquisando as comunidades ribeirinhas da região de Porto Velho para tentar descobrir por que estas populações tradicionais não apresentam seqüelas de contaminação de mercúrio.

    Foi constatado que os níveis de mercúrio dos ribeirinhos é de 15 partes por milhão (ppm) por cada grama de cabelo coletado, quando os níveis normais são de 6 ppm. “É mais que o dobro do aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, eles não apresentam sintomas comuns de contaminação, como danos à visão e ao sistema nervoso central”, diz Wanderley Bastos, professor da Unir.

    O pesquisador afirma que o Rio Madeira possui uma quantidade de mercúrio natural em níveis baixos, mas que tende a se concentrar nos peixes, espécies muito consumidas pelos ribeirinhos, mesmo assim, não foram detectados efeitos nocivos aparentes, como perda de coordenação motora e da visão. A análise clínica dos ribeirinhos está sendo feita por um médico toxologista, que verifica comprometimentos neurocomportamentais, como dificuldade de aprendizagem. “Queremos saber se há seqüelas não visíveis”, disse o pesquisador.

    Dieta

    A hipótese mais provável para não haver sintomas visíveis é a variedade da dieta ribeirinha. “Sabemos que o selênio é um inibidor natural do mercúrio. Alguns alimentos, como a castanha do Pará, são fontes naturais do selênio. Nossos questionamentos são: quanto de selênio os ribeirinhos ingerem e quanto de selênio há nas frutas e em outros alimentos? É neste estágio que estamos na pesquisa”, explicou Wanderley Bastos.

    Os pesquisadores estudam há um ano e meio a Comunidade Puruzinho.

    Contaminação

    Wanderley Bastos diz que a média de mercúrio do porto-velhense urbano é de 1 ppm, bem abaixo do nível máximo tolerável, 6 ppm. “Já tivemos fases de maior contaminação por mercúrio, na época do apogeu do garimpo de ouro no Madeira”, diz. Segundo ele, atualmente o garimpo não representa muito dano neste sentido, porque hoje se usa o método de destilação, através de um instrumento conhecido como retorta. O mercúrio se evapora, condensa e liqüefaz novamente, podendo ser reutilizado e assim não vai para a atmosfera e não contamina o meio ambiente. “Por ser mais barato, o método se difundiu e é o mais utilizado. Já foi uma evolução”, conclui.

  • Rondônia enfrenta os dias mais quentes da década

    Porto Velho/RO – Os 52 municípios do Estado de Rondônia enfrentam os dias mais quentes da década, segundo dados da estação meteorológica do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia). Nos meses de julho e agosto a temperatura média máxima se manteve a 3 graus acima da média, índice somente registrado em 1998, ano mais quente dos últimos 20 anos.

    Uma massa de ar seca que permanece na região centro-norte do País e dificulta a formação de nuvens explica a alta temperatura e a escassez de chuva na região. Para se ter uma idéia, em Porto Velho, capital de Rondônia, durante o mês de agosto só foram registradas duas ocorrências de chuva, uma no dia 14 e outra no dia 28. A chuva acumulada em agosto foi de 14 milímetros, quando deveria ter chovido pelo menos 20 milímetros durante o mês.

    A temperatura média mínima durante o mês de agosto em Rondônia foi 20ºC, um grau acima da média climatológica normal, que deveria ser 19ºC. Já a temperatura média máxima foi de 35ºC, quando o normal para o período deveria ser 32,9ºC. “Isto significa que mesmo as madrugadas e os finais de tarde, que costumam ser mais frios, este ano foram bem mais quentes do que a normalidade”, diz Luiz Alves dos Santos Neto, meteorologista do Sipam.

    Segundo o meteorologista da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Marcelo Gama, a tendência é que a distribuição de chuvas em Rondônia só atinja a normalidade a partir do mês de outubro. “Este mês de setembro deve continuar quente, talvez menos do que julho e agosto, mas a distribuição de chuvas deve continuar irregular neste período”, afirma Gama.

  • Mais uma quadrilha que atuava em Rondônia e Mato Grosso é desarticulada

    Porto Velho/RO – A Polícia Federal iniciou em conjunto com o Ibama, na madrugada desta terça-feira (5), a Operação Daniel, destinada a desarticular uma quadrilha que atuava no comércio ilegal de madeira nos estados de Mato Grosso (MT) e Rondônia (RO). Até o final da manhã 34 pessoas já haviam sido presas. Foram expedidos 58 mandados de prisão temporária e 63 de busca e apreensão. Cerca de 250 policiais das superintendências da PF de Rondônia, Roraima, Amazonas, Acre, Mato Grosso e do Distrito Federal participam da operação.

    De acordo com a Polícia Federal a quadrilha atuava em 10 municípios de Rondônia e 2 do Mato Grosso há pelo menos cinco anos. Entre os integrantes da organização criminosa estariam sete servidores do Ibama dos escritórios de Ji-Paraná e Costa Marques, três agentes da Polícia Rodoviária Federal de Rondonópolis, o coordenador técnico da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia e ex-superintendente do Ibama/RO, uma advogada, quatro contadores e 42 empresários e lobistas da região.

    Em coletiva de imprensa na sede do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ministra Marina Silva ressaltou que as operações realizadas em parceria com PF têm dado forte contribuição ao combate a crimes ambientais. “Esse é um trabalho de muitas frentes e feito a várias mãos, por isso temos colhido resultados tão expressivos. Não vamos baixar a guarda”, alertou.

    Ação predatória

    Para a ministra houve um acirramento da ação predatória na Amazônia, no entanto, ela avalia que as práticas ilegais têm recebido resposta incisiva do poder público implicando, inclusive, na redução dos índices de desmatamento da região. “Nós entendemos que seria impossível combater crimes ambientais se não tivéssemos o trabalho de inteligência que expurgasse do nosso organismo, principalmente do poder público, todos aqueles tumores que estavam há décadas no sistema”.

    A ministra defendeu ainda participação mais efetiva dos estados nas ações de fiscalização de crimes ambientais. “O sistema não pode continuar sob responsabilidade exclusiva do governo federal. Temos feito um esforço para que cada um assuma suas competências, faça seu dever de casa”.

    As investigações tiveram início em fevereiro de 2006 após denúncia de um servidor do Ibama que estava sendo pressionado por empresários madeireiros a liberar ilegalmente Autorizações de Transporte de Produtos Florestais (ATPFs). Os empresários chegaram a oferecer de R$ 2 mil a R$5 mil para a liberação de ATPFs para empresas “fantasmas” que seriam utilizadas por madeireiras de Ji-Paraná, São Francisco do Guaporé e Costa Marques.

    Vídeos

    Com autorização judicial, a Polícia Federal gravou em vídeo 16 membros da quadrilha oferecendo vantagens indevidas ao servidor. Entre os crimes praticados estão a exploração e comércio ilícito de madeira retirada de unidades de conservação localizadas em Rondônia, constituição de empresas fantasmas, falsificação, adulteração, receptação e venda de ATPFs, além de furtos em gerências do Ibama e corrupção de servidores públicos.

    “Essa quadrilha atuava falsificando ATPFs, forjando ATPFs, corrompendo servidores públicos federais para promover a lavagem de madeira apreendida ilegalmente. Eles praticavam delitos de suporte. Crimes não ambientais que davam suporte ao crime ambiental”, explicou o delegado Jorge Pontes, chefe da Divisão de Crimes contra o meio Ambiente da PF.

    Para ele, a legislação brasileira em relação ao meio ambiente ainda é fraca e os altos lucros alcançados com a venda dos recursos naturais estimulam essa prática. “Infelizmente o crime organizado sempre conta com o apoio de agentes públicos e o crime ambiental se torna atrativo porque é altamente lucrativo”, acredita.

    Esta é a 13ª grande operação da PF em parceria com o Ibama desde 2003. Após o cumprimento dos mandados desta última operação o resultado total das 13 ações será de 415 pessoas presas, sendo 100 servidores do Ibama, 19 servidores públicos de outras instituições e 296 empresários, lobistas, advogados e contadores.

    O nome da operação foi inspirado na passagem bíblica que relata a história do profeta Daniel que, tendo sido lançado numa cova para ser devorado por leões, sobreviveu ileso.