Categoria: Brasil

  • Focos de calor diminuem, mas fumaça ainda oferece riscos

    Porto Velho/RO – No mês de agosto em Rondônia foram registrados 2.840 focos de calor, 58% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando a incidência foi de 6.699 focos. Segundo dados do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), nem todos os focos estão relacionados as queimadas, mesmo assim, a fumaça proveniente de incêndios é o suficiente para tirar a tranqüilidade de motoristas que precisam trafegar nas estradas rondonienses.

    Em agosto, a fumaça também prejudicou as atividades no aeroporto internacional Jorge Teixeira, em Porto Velho. Na semana passada, mais de uma vez foi necessário algumas aeronaves operarem por instrumento, pela dificuldade que os pilotos encontraram em fazer decolagem visual.

    As estatísticas da Polícia Rodoviária Federal demonstram que não foi registrado, este ano, nenhum acidente que esteja relacionado a fumaça que toma alguns trechos das estradas, mas os profissionais que precisam das malhas viárias para trabalhar sabem que é necessário redobrar os cuidados nesta época do ano.

    O caminhoneiro Raimundo Souza da Silva afirmou que há duas semanas preferiu parar o caminhão e avaliar, de longe, se havia condições de passar pela fumaça que vinha de uma queimada, numa propriedade situada na BR 364, sentido Cuiabá. “Não quis me arriscar, há três anos quase bati em outro caminhão numa tentativa dessas. Depois que o carro entra na fumaça você perde quase toda a visibilidade e tudo pode acontecer”, adverte.

    Conscientização

    Mesmo assim, técnicos que entendem do assunto consideram positivo a diminuição nos focos de incêndio em Rondônia. “Isso é reflexo da fiscalização que está sendo feita em todo o Estado. Os agricultores sabem que a multa é pesada”, diz Luiz Alberto Catanhede, coordenador do Prevfogo do Ibama.

    Mais quente

    O meteorologista do Sipam, Luiz Alves dos Santos Neto explica que o mês de agosto em Rondônia foi o mês mais quente dos últimos cinco anos. “Foi também muito seco, ou seja, favorecendo todas as características para queimadas. O quer deve ter acontecido foi conscientização mesmo por parte da população”, acredita.

    Migração

    Os focos de calor em Rondônia diminuíram de um ano para o outro, mesmo assim ainda foram maior do que o incidente no Estado vizinho, o Acre, que registrou 161 focos de calor em agosto, contra 2100 no mesmo período do ano passado. Por isso é possível que a fumaça proveniente de Rondônia esteja migrando para o Acre. “Isso já aconteceu há alguns anos aqui em Rondônia, quando os ventos trouxeram fumaça de queimadas do Mato Grosso”, diz Ana Cristina Strava Corrêa, coordenadora da Divisão de Análise Ambiental do Sipam.

  • Incêndio destrói vegetação do Parque Chico Mendes

    Ouro Preto/RO – Um incêndio de duas frentes, que começou na quarta-feira, dia 9, por volta das 11 horas, causou uma devastação na área em recuperação da reserva do Parque Municipal Chico Mendes, onde também funciona a torre de retransmissão regional da Embratel.

    A devastação foi tamanha que até no inicio dessa semana, ainda havia focos de fogo no morro. A rede de cabo de fibra ótica que desce da torre da Embratel teve 300 metros destruídos. O fogo atingiu também a estrada de acesso às rampas de salto de parapentes e queimou parte da grama de onde os pilotos efetuam os saltos.

    O Corpo de Bombeiros, guarda-parques, membros da associação de chacareiros e voluntários ajudaram a combater o incêndio, que se espalhou a partir de dois focos que surgiram, na parte norte e noroeste do morro.

    Agentes do Ibama também estiveram no parque e constataram que um dos responsáveis pelo fogo teria sido o dono de uma chácara localizada nas proximidades, além de um outro homem, que chegou a ser detido, mas foi liberado em virtude de suspeita de problemas mentais. No outro dia, o mesmo homem voltou à reserva, portando uma caixa de fósforos e ameaçando atear fogo novamente, mas voltou a ser imobilizado e entregue à polícia.

    Mata nativa

    O fogo provocado no morro do Parque Municipal Chico Mendes causou estrago devastador na vegetação, prejudicando o restabelecimento da mata nativa, que vem se formando lentamente, após consecutivas queimadas. Ainda não existe uma dimensão exata do tamanho da área incendiada, mas a olho nu a destruição foi quase que geral.

    A partir de 1999, a área do parque Chico Mendes passou a receber operações de plantio de mudas de espécies diversas. Milhares de sementes foram lançadas por voluntários nas áreas degradadas. O incêndio da semana passada destruiu praticamente tudo e o reflexo da devastação ecológica ficará claro quando as folhas secas das árvores queimadas começarem a cair.

    Queimadas descontroladas

    A primeira reserva a sofrer incêndio neste ano foi a do Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA). Numa parte da área, houve um incêndio há cerca de 30 dias, que destruiu cinco hectares. Segundo Jairo Estevam, guarda-parque da reserva, a destruição foi em proporção considerada alarmante.

    A última semana foi marcada por queimadas descontroladas em vários pontos da região central. Alem do incêndio devastador que foi registrado na reserva do Parque Municipal Chico Mendes, outras ocorrências surgiram na cidade e na área rural. O empresário Dérico Lorenzetti, que tem um lote na BR-364, a 11 quilômetros, no sentido Jaru, compareceu na Delegacia de Polícia, para comunicar que um incêndio que originou-se numa propriedade perto da sua, avançou verticalmente e foi queimando cerca, pasto e tudo que encontrava pela frente. O responsável pelo principio do fogo não foi identificado.

    Laudicéia Ramos do Nascimento, moradora da linha 81 (RO-470), no quilômetro 24, lote 34, também registrou na polícia que sua moradia incendiou e praticamente tudo que havia na casa foi consumido pelo fogaréu.

  • Pavimentação da 319 deve gerar novas unidades de conservação

    Manaus/AM – Pelo menos 13 novas unidades de conservação deverão ser criadas ainda este ano, com a pavimentação da estrada 319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM). A informação é do Ibama, que adotou a medida para reprimir a possível ocupação de terras de forma desordenada. Atualmente várias equipes do instituto estão realizando estudos no local, que está sob Limitação Administrativa Provisória (Alap).

    A preocupação de ambientalistas é a de que o anúncio da pavimentação ou construção de estradas na Amazônia provoque uma corrida de especulação e ocupação desordenada da terra, com grandes prejuízos para a natureza e para as populações locais, mesmo que a obra não venha a ser implementada. “Rondônia é o Estado da Amazônia que apresenta mais problemas ambientais. Receber uma grande população numa área vizinha à BR é um avanço para o desmatamento”, adverte André Muggiati, membro da organização ambientalista Greenpeace.

    Para o superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga, o estudo no local também serve para destinar terras indígenas, reservas extrativistas e separar a área para agricultura. “A intenção é cumprir todos os passos antes que seja feita a pavimentação na BR”, explica.

    A BR 319 é a segunda no País a passar por esta análise e separação de terras antes de ser pavimentada. “Seguindo exemplo do que foi feito na BR 163, que liga o Mato Grosso (MT) ao Pará (PA)”, explica o analista ambiental do Ibama, Júlio Rosa da Silva.

    No Amazonas

    Localizada no coração do Estado do Amazonas, a rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) passa pelo problema do desmatamento ilegal. Para reverter este processo, a região do entorno da BR-319 foi decretada como Área sob Limitação Administrativa Provisória, o que deve frear o crescimento desordenado e predatório e promover o desenvolvimento da região em bases sustentáveis.

    As Limitações Administrativas são porções de território com alto risco de danos graves aos seus recursos naturais, onde se proíbe o desmatamento pelo prazo de sete meses para a realização de estudos com vistas à criação de Unidades de Conservação.

    Atualmente as obras da rodovia estão parcialmente paralisadas por conta de uma determinação do Tribunal de Contas da União.

    Distrito Florestal Sustentável

    Além da criação das unidades de conservação, está sendo planejada a implantação de um Distrito Florestal Sustentável na região da rodovia BR-319.

    O Distrito Florestal Sustentável tem a finalidade de estimular a integração entre políticas públicas e as ações dos setores sociais e empresariais, visando o desenvolvimento regional com atividades de base florestal. O objetivo é estabelecer um novo padrão de desenvolvimento baseado na floresta em pé.

    “Nas Unidades de Conservação a serem criadas, as Florestas Nacionais e as Florestas Estaduais se inserem no modelo de desenvolvimento sustentável que se busca para a Amazônia, a exploração através de manejo sustentável”, explica o analista ambiental Júlio Rosa da Silva.

    Unidades a serem criadas

    Parque Nacional do Caorei, Parque Nacional do Umari, Parque Nacional do Jari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Canutama, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Ipixuna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Igaó-Açu, Reserva Extrativista do Médio Purus, Ampliação da Floresta Nacional Balata-Tufari, Floresta Nacional de Iquiri, Floresta Nacional de Tapauá, Floresta Estadual de Beruri, Reserva Extrativista do Ituxi, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Capanã Grande.

  • Reativação da BR 319 causa polêmica

    Porto Velho/RO – A reativação da BR 319 tem causado discussão entre setores econômicos e ambientais. A rodovia liga Porto Velho a Manaus e possui cerca de 800 quilômetros. Até Humaitá o trecho é trafegável. A proposta do Governo Federal, apoiada por segmentos da industria e comércio rondonienses, é a reativação do trecho que liga Humaitá a Manaus, com aproximadamente 600 quilômetros.

    A organização ambientalista Greenpeace tem manifestado preocupação com a reativação da BR 319. Para o coordenador da Campanha Amazônia, André Muggiati, o Governo Federal ainda não cumpriu os procedimentos legais para a reativação. O gerente do Ibama em Rondônia, Osvaldo Pitaluga, afirma que todos os procedimentos estão sendo adotados.

    Muggiati afirmou que a reativação da BR 319 depende de um licenciamento ambiental e que para licenciar o Ibama precisa apresentar os Estudos de Impactos ambientais (EIA), o Relatório dos Impactos ao Meio Ambiente (Rima) e realizar audiências públicas.

    Audiências públicas

    Pitaluga falou que o Ibama de Rondônia será responsável também pela área do sul do Amazonas e que as fases preliminares para o licenciamento estão sendo cumpridas. “Fizemos audiências públicas em Humaitá, Lábrea, Tapauá, Manaus, Canutama e Beruri para discutir a destinação das áreas daquela região. Durante as audiências, as propostas foram aceitas em sua grande maioria, algumas com alterações. O relatório final está sendo fechado em Brasília e será divulgado nos próximos dias”, afirmou Pitaluga.

    Como resultado das audiências, ele afirma que haverá o reconhecimento das terras indígenas, das comunidades tradicionais (ribeirinhos e extrativistas), reservas extrativistas de desenvolvimento sustentável, além de florestas públicas nacionais e

    estaduais. Pitaluga diz que após a criação das unidades de conservação serão feitos o EIA e o Rima. As audiências públicas serão realizadas em seguida. Ainda não há prazo para o término destas etapas.

    Degradação

    Para o Greenpeace, a rodovia, que já foi asfaltada há mais de 20 anos, atualmente pode ser um problema porque naquela época Rondônia não possuía a população que tem hoje, nem degradação ambiental tão elevada.

    “Nossa preocupação é que a BR 319 seja mais um fator de degradação. A princípio questionamos a necessidade da estrada. A Amazônia é a maior bacia hidrográfica do mundo – o transporte natural da região é o hidroviário. O transporte rodoviário é altamente problemático porque envolve alto custo de manutenção. Além disso, os caminhões emitem o dióxido de carbono que é altamente poluente. Se querem um transporte alternativo por causa do período de seca do Rio Madeira, por que não uma ferrovia, que é um meio mais limpo e racionalizado?”, argumenta Muggiati.

    Para Pitaluga, “qualquer ação humana terá impacto no meio ambiente. Para evitar os abusos é preciso que o poder público aja. O Ibama está cumprindo todas as etapas necessárias ao licenciamento”, afirmou.

  • Rondônia possui 42 Unidades de Conservação

    Porto Velho/RO – Para reparar o impacto ambiental causado com o desenvolvimento do Estado de Rondônia, foi proposto pelo Banco Mundial, um projeto chamado Plano Agro Florestal de Rondônia (Planaforo), que previa, além de recursos para infra-estrutura, a determinação para que o Estado mantivesse várias unidades de conservação. Com isso em 1995 foram criadas 42 Unidades de Conservação, 12 de proteção integral e 37 utilizadas para uso sustentável.

    De acordo com o chefe do grupo de Unidade de Conservação da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Nilo Magalhães, entende-se por áreas que possuem proteção integral, as Reservas Biológicas e os Parques. As reservas biológicas são de uso restrito à pesquisas, já nos parques são permitidas visitações públicas. Ambos foram criados com o objetivo de manter a manutenção das diversidades biológicas.

    Já as florestas são mantidas para que se tenha recurso florestal para utilização em manejo. Além disso podem ser licitadas para que empresas utilizem desse recurso, como acontece na Floresta Estadual de Rio Vermelho B, na região de Porto Velho, localizada à margem esquerda do rio Madeira.

    As áreas protegidas para Uso Sustentável são as Reservas Extrativistas e as Florestas Estaduais, utilizadas para fazer o manejo florestal e corte de madeira de forma seletiva.

    Preservação

    Como a área monitorada é extensa, para manter a biodiversidade, órgãos ambientalistas atuam na criação e na demarcação de limites, através de fiscalização e punição aos infratores.

    Na região de Porto Velho, o Parque Ecológico é monitorado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Os técnicos trabalham para evitar a invasão da área e para manter o ambiente adequado para a fauna e flora existentes no local. “Nossa maior preocupação é com a instalação de empreendimentos próximos e mesmo o loteamento da área, que poderiam pôr em risco a biodiversidade”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente Wilson Correa da Silva.

    As áreas estaduais e federais contam com o apoio de equipes da polícia ambiental para monitoração das unidades. “Todas as áreas, especialmente as reservas extrativistas são vigiadas freqüentemente”, explica Nilo Magalhães.

    Segundo a superintendente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, aproximadamente mil homens trabalham em conjunto para manutenção e equilíbrio da biodiversidade do Estado. “As regiões nunca ficam sem fiscalização”, garante.

  • Atingidos por barragem fazem passeata em Porto Velho

    Porto Velho/RO – Sensibilizar as autoridades da necessidade de fornecimento de energia elétrica com tarifas reduzidas. Com este ideal, cerca de 250 manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizaram, na manhã desta quarta-feira, dia 26, uma caminhada pelo centro de Porto Velho, marcha que foi encerrada com reunião na sede das Centrais Elétricas de Rondônia e ainda não teve resultado divulgado.

    Os manifestantes propõem que famílias de baixa renda e que consomem até 100 megawatts/mês não paguem a conta de energia elétrica. “O Brasil tem a quinta tarifa mais cara de todo o mundo e é o que menos gasta para produzir”, afirma Estefânia Monteiro, uma das coordenadoras do movimento. A diretoria do MAB também defende que a medida seria uma forma de beneficiar as comunidades deslocadas da Vila São Pedro e Cachoeira de Samuel para o município de Candeias do Jamari e Triunfo, quando começou a construção da usina Samuel há 24 anos e critica a construção das usinas Jirau e Santo Antônio, na região de Porto Velho.

    De acordo com Estefânia Monteiro, o movimento é contra a forma como foi elaborado o projeto de construção das usinas e afirma que a real intenção das autoridades é tornar o rio navegável. “As hidrelétricas serão só lucro”, diz. Ela critica, ainda, o fato de o projeto afirmar que não existe produção agrícola nas margens do rio.

    De acordo com ela, o MAB já indagou Furnas, empresa responsável pelas obras junto à Odebrecht, e ela não respondeu como ficarão as famílias ribeirinhas sem a agricultura e a pesca. “Em vários lugares onde foram feitas barragens, inúmeras espécies de peixes também desapareceram”, informa.

    O MAB é um movimento nacional presente em 15 estados do País. Surgiu a partir da necessidade das famílias atingidas por barragens lutarem por seus direitos.

  • Sueco compra parte da selva Amazônica

    Brasília/DF – A Comissão da Amazônia aprovou, no último dia 3, requerimento solicitando que os ministros do Meio Ambiente, da Defesa, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e o Presidente do Incra se pronunciem sobre a compra de 161.874 hectares de terras pelo sueco Johan Eliash, às margens do rio Madeira, no estado do Amazonas.

    O sueco comprou os 161.874 hectares à título de Projeto de Manejo de Florestas, pagando U$ 8 milhões. O comprador já ganhou até certificado de preservação do Incra.

    A deputada federal Maria Helena (PSB/RR) defendeu a aprovação do requerimento, argumentando que não é plausível que o país imponha restrições para a compra de terras na Amazônia aos brasileiros e, paralelamente, libere a venda de maneira indiscriminada aos estrangeiros.

    “Enquanto os brasileiros são impedidos de comprar mais do que 2.500 hectares de terras na Amazônia sem autorização do Congresso Nacional, os estrangeiros estão livres para fazer o que bem entendem em nosso território. O sueco Johan Eliash, por exemplo, adquiriu essas terras para transformá-las em reservas ambientais com a finalidade de captar dinheiro do Fundo de Seqüestro de Carbono criado pelo Protocolo de Kyoto, quando, na verdade sabemos que esses recursos devem ser utilizados especificamente para fins de reflorestamento”, criticou a deputada.

    Funai é questionada

    Maria Helena questionou ainda a posição da Fundação Nacional do Índio (Funai) com relação a essa situação. Segundo ela, certamente existem etnias indígenas habitando a área em questão, no entanto, o órgão não se manifestou em momento algum sobre essa questão. “Os produtores roraimenses que habitam a reserva Raposa/Serra do Sol há décadas são considerados invasores pelo Governo Federal, no entanto, um estrangeiro recebe privilégios que não são concedidos aos cidadãos brasileiros. Queremos entender, afinal, qual é o critério utilizado pela Funai para definir quem tem direito sobre essas áreas”, disse.

    Audiência pública

    A Comissão da Amazônia Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, mandou convidar para serem ouvidos em audiência pública, os ministros de Estado do Meio Ambiente, da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, para que se pronunciem sobre a compra dos mais de 161 mil hectares de terras pelo sueco Johan Eliash.

    Sueco oferece U$ 18 bilhões

    O sueco Johan Eliash, que é presidente da empresa de material esportivo Head, propôs no último dia 6, a compra da Amazônia por US$ 18 bilhões. A oferta foi anunciada durante a reunião de empresários em Londres e a justificativa do sueco seria para preservar a floresta amazônica.

    O sueco disse querer manter intacta a floresta para aplacar as mudanças climáticas que seriam responsáveis por tragédias como o furacão Katrina e o Tsunami de 2004. “A redução do número de catástrofes reduziria os gastos das seguradoras, que em 2005 atingiu US$ 83 bilhões, o maior da história do planeta”, alegou o empresário.

    Eliash lembrou que é dono de 160 mil hectares de floresta em Manicoré e Itacoatiara, no Estado do Amazonas, o que causou irritação na Comissão da Amazônia, no Congresso Nacional. A proposta, segundo agências de notícias, não teria sido recebida com entusiasmo por muitos empresários que estavam presentes ao debate organizado pela seguradora Lloyd´s. Eles não acreditam na relação direta entre a preservação da Amazônia e as tragédias.

    Fonte: Das agências/ Diário da Amazônia

  • Extração de diamantes destrói território indígena em RO

    Espigão do Oeste/RO – O impacto ambiental é chocante na Reserva Indígena Roosevelt, em Espigão d’Oeste, Rondônia. A terra dos índios da etnia Cinta Larga tem mais de 27 milhões de hectares. Lá está a maior jazida de diamante do mundo. Aos poucos a garimpagem clandestina pela pedra preciosa vai corroendo este lado da Amazônia. Segundo a Polícia Federal, uma linha extensa de mais de dez quilômetros já foi totalmente destruída pelas máquinas. Destruição que não tem previsão de chegar ao fim.

    Depois do massacre de 29 garimpeiros na reserva, em 2004, a Polícia Federal intensificou a fiscalização nas barreiras que dão acesso ao território indígena. Mesmo assim, por passagens clandestinas, garimpeiros, máquinas e combustível continuam entrando livremente. O coordenador da Operação Roosevelt, delegado Mauro Spósito, diz que é preciso trabalhar de forma passiva nesta área. “Já explodimos pelo menos três passagens clandestinas. A invasão da Polícia Federal ao garimpo seria um risco muito grande de confronto com os índios”, disse o delegado.

    No final de 2004, numa negociação do coordenador da operação com as lideranças Cinta Larga, restos de máquinas foram retirados de dentro da reserva. Poucos meses depois, a garimpagem continuou a todo vapor. Os índios entregaram só os maquinários que não tinham mais utilidades. No último ano, mais de trinta garimpeiros foram presos, tentando entrar na reserva. “Todos respondem processo por formação de quadrilha e extração ilegal de minério”.afirma Spósito.

    Mais mortes

    A prova de que o garimpo é um barril de pólvora foi o assassinato de mais dois garimpeiros, um dia antes do massacre completar dois anos. Lismar Nunes da Silva, conhecido por Pernambuco e Francisco das Chagas foram mortos a tiros e flechadas. Um terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva, conseguiu sobreviver ao ataque. Ele foi atingido com um tiro de espingarda. “Ele estava em um estado de saúde muito ruim, falando com bastante dificuldade. Disse não conhecer o índio que teria feito isso e falou não saber os motivos, pois o índio simplesmente chegou atirando e dois mortos ficaram no garimpo, enquanto ele conseguiu sair,” declarou o delegado Rodrigo Carvalho, que atuou no caso.

    Segundo Carvalho, o clima é de tensão no local. “A gente ouviu outro garimpeiro que ajudou a socorrê-lo e ele disse que no garimpo, na última semana, não havia nenhuma liderança indígena e a situação era de bastante instabilidade, porque ele disse que só tinha índio sem patente, índio sem importância, e muita bebida alcoólica, o que favorece o acontecimento de brigas”.

    Depois das duas últimas mortes, a Polícia Federal já anunciou que mais uma vez será feita a retirada de maquinários. “Vamos prender todos os garimpeiros que insistirem em permanecer no local”, alertou o delegado Mauro Spósito. Ele diz que a PF aguarda apenas a negociação da Fundação Nacional do Índio com as lideranças indígenas, para começar a operação.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Robôs vão defender a Amazônia

    O projeto ainda não está sendo divulgado pela empresa responsável, a Petrobras, mas existe a possibilidade de que nos próximos anos, ribeirinhos da região dividam o espaço nos rios e florestas com outros seres, ainda considerados estranhos, feitos de acrílico e com braços mecânicos. É o Robô Ambiental Híbrido, que está sendo criado com a finalidade de defender a Amazônia. O projeto, que é de um grupo de cientistas e técnicos, já foi divulgado pela revista Momento Brasil.

    A meta do “Robocop da Amazônia” é melhorar as condições de monitoramento da Petrobras sobre a região para prevenir e impedir desastres ambientais, caso ocorra algum acidente na produção ou transporte de combustível. A empresa enfrenta desafios cada vez maiores na Amazônia desde pelo menos 1988, quando começou a atuar na bacia do rio Solimões, onde se localiza a província mineral de Urucu, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus.

    O projeto também poderá beneficiar projetos de aproveitamento de recursos energéticos, como o Urucu-Porto Velho, cujas obras foram liberadas. A intenção é fazer o transporte da matéria-prima da floresta para as áreas de processamento.

    A idéia da criação do robô evoluiu a partir do projeto Cognatos, de José Vagner Garcia, evoluindo para um plano de construção de dezenas de robôs, provavelmente de três modelos distintos, para não apenas vigiar áreas específicas da Amazônia como também para a realização de estudos de experiências inovadoras em computação, sensoriamento remoto, bioquímica e biotecnologia.

    Amazonbots

    A Petrobras trata o assunto como segredo industrial, mas os primeiros protótipos desse AmazonBot indicam um equipamento com cerca de 2,5 metros de comprimento, 300 quilos de peso e fundo transparente. Ele é chamado híbrido porque poderá carregar um piloto, ou ser monitorado à distância.

    O que existe de concreto até agora projetado pela Petrobras é a existência de equipamentos encarregados de detectar anomalias ambientais, especialmente as provocadas por vazamentos de gás ou óleo em qualquer quantidade, além de promover pesquisas científicas de vários tipos. Para isso, a empresa conta com laboratório de robótica em seu centro de pesquisas, projetando cada vez mais equipamentos com maior capacidade ainda em percorrer a floresta e os rios de forma independente da presença humana.

    A idéia é prevenir para depois não remediar, porém é difícil, admitem os especialistas, trabalhar na criação destes robôs com quesitos de não poderem ser ruidosos; sem risco de poluição; ter comunicação com perfeição com os comandos da Amazônia e no Rio de Janeiro (Sede da Petrobras), através do satélite; possuir alta resistência; facilidade de manutenção e capacidade de manobra para se locomover na água e na lama, inclusive em condições impossíveis para qualquer ser humano.

    Fonte: Jornal Diário da Amazônia/; Jornal do Meio Ambiente/; Revista Momento Brasil.

  • Da Selva para a cidade

    Porto Velho/RO- Um antibiótico natural poderosíssimo, capaz de prevenir e combater diversas doenças, tem diversos adeptos em Rondônia, apesar de sua comercialização ter sido proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É a vacina do sapo, também conhecida como kambô. Essa palavra indígena é usada tanto para se referir a rã phylomedusa bicolor quanto ao veneno obtido da secreção desse anfíbio. Na realidade não se trata de um sapo, e sim de uma rã.

    Os índios katukinas, do Acre, inicialmente eram os únicos detentores desse conhecimento. A vacina foi levada da selva para a cidade nos anos 60 pelo seringueiro Francisco Gomes Muniz, já morto. Ele viveu com os katukinas e aprendeu com o pajé a aplicar a vacina e a identificar a rã. De lá para cá, o kambô começou a ser aplicado nos centros urbanos do país.

    Em Porto Velho, a chamada vacina do sapo ganhou adeptos como a autônoma Maria Lopes, de 36 anos, que há cerca de um ano fez uma aplicação da substância. No caso, quem aplica a vacina não é chamado de doutor, e sim de “sapeiro”.

    “Soube que um sapeiro do Acre estava na cidade e fui procurá-lo”, conta ela. “Ele recomendou que eu tomasse quatro copos de água e fez três furinhos na batata da minha perna direita com um cipó incandescente. Com a ponta de um canivete, passou a secreção do sapo em cada furinho e me mandou sentar em uma cadeira. Comecei a sentir uma pressão muito grande na cabeça. Meus olhos se encheram de lágrimas e pareciam saltar para fora do meu rosto. Senti um mal estar horrível. Confesso que cheguei a me arrepender de ter feito aquilo. Vomitei várias vezes, mas logo depois já estava me sentindo bem. Minhas energias foram renovadas. Hoje, tenho mais disposição”, diz.

    Mas enquanto os adeptos e os “sapeiros” garantem a eficácia da chamada vacina do sapo, a Anvisa busca cada vez com maior insistência, a conscientização da população, além da regulamentação, para evitar abusos no consumo. A Anvisa já determinou a suspensão de toda a propaganda sobre as propriedades terapêuticas e medicinais da vacina. A agência considera o veneno algo típico da rotina indígena que está migrando descontroladamente para a cultura do homem branco e faz um alerta: Quem consome a substância está sujeito a sérios danos na saúde, já que o veneno está inserido em uma cultura, com rituais e alimentação apropriada. Ainda segundo a Anvisa, o uso do veneno fora das comunidades indígenas é perigosíssimo porque não há segurança comprovada e sequer uma avaliação científica.

    Reações são sinais de intoxicação

    As fortes reações provocadas pela vacina do sapo, de acordo com o cirurgião Alexandre Brito, de 33 anos, são sinais evidentes de intoxicação. Ele explica que a tontura, desorientação, aumento na freqüência dos batimentos cardíacos e na pressão arterial, deslocamento da pupila dos olhos e vômitos, reações típicas da vacina, são características tóxicas.

    “A forma como eles aplicam o veneno é muito perigosa. O furo feito na pele dos pacientes, para depois inserir a secreção, coloca a substância em contato direto com a circulação sanguínea e isso pode ser muito perigoso, porque há o risco de provocar sérias complicações e até uma parada cardíaca”, explica.

    Alexandre Brito alerta para que a população tenha cuidado antes de fazer a utilização de substâncias sem o poder de eficácia comprovado cientificamente, como o kambô.