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  • Amazônia já perdeu 16% de suas matas

    Amazônia já perdeu 16% de suas matas

    A Amazônia Brasileira é vítima de um desmatamento acelerado. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, 652.908 quilômetros quadrados, correspondentes a 16% de sua área, já foram desmatados. “A pressão humana na Amazônia, que era de 03% em 1970, saltou para 16%, em 35 anos, disse Jaridson Costa, presidente da H20 Amazônia Ambiental, uma Organização Não Governamental (ONG) criada em Rondônia para combater a agressão ao meio ambiente”.

    Em 2004 foram desmatados 26 mil quilômetros de florestas na região. Nos dois anos anteriores o desmatamento girou em torno de 25 mil quilômetros. “Perdemos uma área do tamanho do estado de Sergipe por ano, no bioma Amazônia”, disse Jaridson. Segundo ele, as principais causas seriam a expansão das fronteiras agrícolas e o aumento das áreas de pastagens para pecuária. Ele citou como exemplo os plantios de soja que se alastram pela Amazônia brasileira, criando o chamado deserto verde.

    As áreas desmatadas seguem o curso das estradas oficiais e eixos de desenvolvimento da Amazônia. “As estradas oficiais propiciam a abertura de estradas não oficiais, que não aparecem no monitoramento por satélite”, lembrou Jaridson.

    Aquecimento global

    Segundo Jaridson, os efeitos da perda de floresta na Amazônia são vários, mas o mais grave é a contribuição ao aquecimento global, o chamado efeito estufa, que provoca alterações climáticas da terra. “Essa perda de floresta implica também no processo de savanização da Amazônia, o que é potencializado com as queimadas, causando problemas respiratórios graves à população”, disse. Com o desmatamento e as queimadas e conseqüentemente, a destruição da fauna e da flora, muitas espécies de árvores e de animais também se tornam sujeitas ao desaparecimento.

  • Uma vida dedicada ao meio ambiente

    Uma vida dedicada ao meio ambiente

    Costa Marques – O maranhense Bernardo José Pereira trabalhou em defesa da natureza desde criança. Dedicou tempo, dinheiro e sonhos ao que ele chama de “uma espécie de Deus”. Hoje, com 58 anos de idade, ainda vive em função do meio ambiente. Mora no Parque Ecológico Lagoa Azul, localizado a 2 quilômetros da cidade de Costa Marques. Na área, de 5 hectares, Seu Bernardo, como é conhecido na região, plantou 60 mil árvores. Entre as espécies de plantas cultivadas por ele, há desde flores, como a menor orquídea do mundo, a variedades de madeiras nobres, como o mogno. Leia entrevista abaixo.

    Amazônia a Vista : Desde quando o Sr. descobriu esta paixão pela natureza?

    Seu Bernardo: Tudo começou aos cinco anos de idade. Eu descobri a maravilha que é a natureza, que vida e natureza são a mesma coisa, ou seja, não existe vida fora da natureza, portanto qualquer dano contra a natureza atenta diretamente contra a vida.

    Amazônia a Vista: Qual seu grau de instrução?

    Seu Bernardo : Sou autodidata. Nunca freqüentei escola, mesmo assim consegui fazer vários cursos, como o de eletrônica, de panificação e de botânica. Hoje trabalho como artesão, mas na verdade sou ambientalista. Alguns me chamam de ecologista, porque sou estudioso das plantas, mas ser ambientalista vai além de um simples estudo sobre plantas. É preciso amar a vida acima de tudo e isso não se aprende na escola. É um dom de nascença.

    Amazônia a Vista : O Sr. tem preferência por algum partido político?

    Seu Bernardo : Não. Minha política é exclusivamente ambiental.

    Amazônia a Vista: Tem religião?

    Seu Bernardo : Sim. Amo, adoro, respeito a natureza religiosamente. A natureza representa para mim uma espécie de Deus, ou pelo menos a legítima representante de Deus aqui no planeta terra. Está relacionada diretamente com a vida. Amar, respeitar e proteger a natureza é a minha religião.

    Amazônia a Vista : O Sr. dedicou sua vida à preservação da natureza?

    Seu Bernardo : Sim, dediquei e dedicaria 10 vidas se eu as tivesse.

    Amazônia a Vista : Soube que o Sr. ganhou bastante dinheiro com seu trabalho nas oficinas.

    Seu Bernardo : Ganhei mais ou menos 1 milhão de reais nos valores de hoje.

    Amazônia a Vista : Onde está este dinheiro?

    Seu Bernardo : Gastei tudo produzindo mudas, apagando incêndios, plantando árvores, pesquisando alternativas de desenvolvimento sustentado, viajando, buscando e repassando conhecimentos para um desenvolvimento menos predatório do que este, imposto pelas políticas públicas.

    Amazônia a Vista : O Sr. tem alguma propriedade?

    Seu Bernardo : Tudo que tenho é esta chácara. Plantei aqui 60 mil plantas. Este local abriga uma das maiores biodiversidades plantadas do Brasil. Infelizmente boa parte das plantas, principalmente as mais raras e sensíveis estão sendo destruídas pelo fogo, invasão de gado, poluição externa e falta de recursos.

    Amazônia a Vista: Que tipo de trabalho já foi desenvolvido aqui?

    Seu Bernardo : Montei viveiros de plantas, produzi mudas, fiz acordos com madeireiros, com o Ibama e conseguimos devolver à natureza 22 milhões de mudas. Se não deu certo a culpa não foi minha. Os responsáveis pelas árvores plantadas não as protegeram e as áreas reflorestadas viraram pastagens. Até quatro anos atrás eu mantinha quatro funcionários aqui. Juntos mantinhamos os viveiros, apagávamos incêndios nas florestas, colhíamos sementes, juntávamos lixo. Foram 20 anos fazendo este trabalho aqui em Costa Marques.

    Amazônia a Vista: De onde vinham os recursos usados na manutenção da chácara?

    Seu Bernardo : Aqui existia um rio limpo, onde corria água o ano inteiro. Estruturei a chácara e a usava como balneário. Com o dinheiro das mudas e das polpas de frutas que vendíamos dava para ir conciliando, sem muitos problemas. Tenho também uma área de terra conhecida como Parque das Orquídeas. Já dei entrada no Ibama, pedindo o reconhecimento dela como RPPN -Reserva Particular do Patrimônio Natural. Lá construí trilhas onde eu já explorava o ecoturismo, levando turistas, pesquisadores e alunos da Unir e de outras universidades.

    Amazônia a Vista : E hoje, de onde vem os recursos?

    Seu Bernardo : Bem, o nosso rio foi assassinado. Jogaram porcos e gado nas nascentes. Lutei 10 anos, mas não consegui que ninguém fizesse nada. O rio está morto igual ao Rio Tietê. Construí uma piscina, trouxe luz elétrica, mas não tive dinheiro para terminar a estrutura, como você está vendo. Nas trilhas ecológicas onde eu ganhava alguns trocados estou impedido de entrar.

    Amazônia a Vista : Com que recursos o Sr. mantém sua família?

    Seu Bernardo : Estou vivendo de artesanatos e das polpas de frutas produzidas aqui, que vendo para os colégios e para a Prefeitura.

    Amazônia a Vista : Porque o Sr. não pode entrar na futura RPPN?

    Seu Bernardo : Você sabe que atrás de um ambientalista existe sempre um fazendeiro cheio de razão. Um destes achou por bem fechar a passagem, já que a reserva está na fundiária, mas a Justiça está cuidando disso.

    Amazônia a Vista : O seu trabalho já foi notícia no mundo inteiro. O Sr. nunca conseguiu um projeto para apoiá-lo nesta causa?

    Seu Bernardo : Não, mesmo porque o Poder Público não apóia pessoa física e também não sou político. Minha política é única e exclusivamente ambiental. Não tiro uma única folha da natureza sem avaliar os prejuízos futuros para os seres vivos e a classe política não morre de amores por ambientalistas, nem pelo meio ambiente. Todos têm muita pressa em enriquecer.

    Amazônia a Vista : Como estudioso e pesquisador de modelos de desenvolvimento sustentado, o que o Sr. acha deste modelo atual?

    Seu Bernardo : Isso não é um modelo. É um desastre. Ninguém em sã consciência acredita que uma família possa viver, possa criar os filhos e educá-los, criando boi em quatro alqueires de terra, que é o que ela tem direito, dos 21 recebidos pelo INCRA.

    Amazônia a Vista : O Sr. acha que é pouca terra?

    Seu Bernardo : Não. A terra é o suficiente para uma família viver por várias gerações. O que está errado é o modelo. Ninguém vive apenas criando boi. Existem outras culturas. O Governo tem e pode elaborar projetos de zoneamento e identificação de aptidões para as culturas. Se no sul se produz uvas, aqui podemos produzir cupuaçu. Se em São Paulo se produz flores, aqui se produz açaí e assim por diante. Nossos produtos são apreciados no mundo todo. Só nos faltam políticas voltadas a este tipo de desenvolvimento.

    Amazônia a Vista : Como o Sr. vê o desenvolvimento do setor madeireiro?

    Seu Bernardo: Olha, peço para não opinar sobre este assunto. Peço também para não responder nada sobre desmatamento. Questão de segurança.

    Amazônia a Vista : O Sr. sofre muita pressão?

    Seu Bernardo : As vezes aparecem cartas anônimas, telefonemas com ameaças, mas já aprendi a conviver com isso. Acredito que essas coisas partem de pessoas desocupadas, porque quem tem o que fazer não faz este tipo de besteira.

    Amazônia a Vista : O Sr. está satisfeito com a vida que escolheu?

    Seu Bernardo : Sim. Faço o que gosto de fazer, moro num paraíso e nunca fiz nada do que me envergonhar. Já ganhei vários títulos de honra ao mérito pelo meu trabalho. Agora ganhei o título de cidadão honorário de Costa Marques, cidade que escolhi para viver e para desenvolver meu trabalho. Vivemos aqui num município bonito, com belezas naturais de sobra, como rios, praias, monumentos históricos, fauna e flora quase intocáveis, cidade de um povo ordeiro e pacato.

    Amazônia a Vista : O Sr. construiu muitos inimigos ao longo de sua via de ambientalista?

    Seu Bernardo : Não, mesmo porque meu trabalho consiste mais em educar. Não denuncio ninguém. Agora, existem pessoas inescrupulosas, que usam a força e a violência para conseguir o que querem, mas estas pessoas são logo identificadas pela sociedade, que as rejeita. São lixo dos piores.

    Amazônia a Vista : O Sr. nunca pensou em parar?

    Seu Bernardo : Ainda não. Gente como eu só para quando morre. Pretendo fazer tudo que ainda não fiz. Agora mesmo estou empenhado na criação de mais uma RPPN, que é um luxo. Você precisa conhecê-la.

  • Prêmio valoriza ações para conservação da Amazônia

    Trabalhos individuais ou coletivos voltados para conservação e preservação da Amazônia poderão concorrer à quarta edição do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, nas categorias Liderança Individual, Associação Comunitária, Organização Não-Governamental, Negócios Sustentáveis, Ciência e Tecnologia e Arte e Cultura. As inscrições estão abertas, são gratuitas e podem ser feitas por remessa postal registrada até 11 de novembro.

    As inscrições devem ser endereçadas ao Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente; Caixa Postal 10805; CEP 70306-970 – Brasília – DF. O prêmio é aberto a pessoas físicas ou jurídicas, com ou sem fins lucrativos, e instituições de pesquisas públicas e privadas.

    Criado em 2002 pela Secretaria da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, vem reconhecendo e estimulando iniciativas individuais, comunitárias, de ONGs, empresas e pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A idéia é identificar experiências relevantes e difundí- las para despertar a população para a necessidade da preservação e da recuperação ambiental.

    Na primeira edição do prêmio, em 2002, Marina Silva, então senadora, foi a vencedora na categoria Liderança Individual. Também já foram premiados grupos como a Associação dos Seringueiros do Cazumbá, Comissão Pró-Índio da Acre, Associação em áreas de Assentamento no Estado do Maranhão e Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu.

    A Comissão Julgadora concluirá o relatório de avaliação até 30 de novembro, e os vencedores serão divulgados entre os dias 1º e 9 de dezembro.

    Fonte: Ministério do Meio Ambiente

  • Comunidade descobre labirinto de pedras

    Comunidade descobre labirinto de pedras

    Comunidade descobre labirinto de pedras

    Forte Príncipe da Beira – Moradores do distrito de Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, fizeram uma descoberta histórica. Encontraram amontoados de pedras com indícios de terem servido como moradia de antigos habitantes da região. A construção, que passou a ser chamada pela comunidade de labirinto, tem inclusive uma parede construída toda em pedra, que resistiu a ação do tempo.

    O labirinto foi descoberto há cerca de dois anos, em meio a uma mata intacta, num local de difícil acesso ao público. A área, de propriedade da União, está sob a responsabilidade do Exército. O jovem Elvis Pessoa, morador do distrito, disse que ainda não foi feito nenhum tipo de pesquisa científica no local. “Labirinto foi o nome que demos, mas ninguém sabe mesmo o que é, já que não há nenhum registro disso aqui”, afirmou. Segundo ele, a história registra apenas o Forte Nossa Senhora da Conceição, o Real Forte Príncipe da Beira, a casa de pólvora e o forno.

    Como as pedras do labirinto são iguais as que foram usadas para construir o Forte Príncipe da Beira, a 4 quilômetros do local, há suspeitas de que a obra do Forte tenha sido executada com material extraído da própria região. As suspeitas vão de encontro ao que diz os registros históricos, os quais citam que as pedras teriam vindo inicialmente de Belém, via fluvial e posteriormente de Corumbá, subindo o Rio Paraguai até o Jauru e daí por terra até a margem do Rio Guaporé, em uma distância de aproximadamente 1500 quilômetros.

  • Caminho das Águas incentiva turismo

    Rondônia – O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com as prefeituras dos municípios de Cacoal, Pimenta Bueno, Rolim de Moura e Vilhena, pertencentes ao Estado de Rondônia, está desenvolvendo o projeto Caminho das Águas. O projeto tem a finalidade de incentivar o turismo nesta região. Recursos de aproximadamente 3 milhões de reais estão previstos para serem utilizados no projeto, que teve início este ano e deverá ser concluído em 2007.

    Segundo o secretário de indústria e comércio do município de Cacoal, Moisés Vieira, o projeto deverá criar e consolidar um fluxo turístico no “Caminho das Águas”, gerando empregos e renda às empresas e empreendedores das regiões participantes. Entre os resultados esperados está o de aumentar em 20% o fluxo de visitantes nos equipamentos turísticos da região, em 50% o número de pessoas diretamente ocupadas no segmento do turismo, em 30% o número de empreendedores, melhorar em 20% os indicadores de satisfação dos usuários da infra-estrutura turística e aumentar em 80% o número de atrativos turísticos na região.

    Cada prefeitura participante do projeto elegeu um Conselho Municipal de Turismo. Os membros se reúnem uma vez por mês para discutir o andamento e as metas do projeto. O conselho é composto por representantes de agências de viagens, universidades, entidades filantrópicas, hotéis, restaurantes e empreendedores do ramo turístico. Os recursos para a realização do projeto estão sendo viabilizados pelo Governo do Estado de Rondônia, Prefeituras Municipais, Sebrae e empreendedores.

  • Curso discute ações do PPG7 na Amazônia

    As experiências apoiadas na Amazônia pelo Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), do MMA, estão em debate no curso Academia Amazônica: Teoria e prática para a construção do desenvolvimento sustentável na Amazônia, em Manaus (AM).

    A iniciativa capacitará alunos de pós-graduação de instituições de ensino e pesquisa do Amazonas, Acre, Pará, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso e Distrito Federal para se tornarem multiplicadores do conceito de sustentabilidade em suas dimensões ecológica, social, econômica e política.

    As aulas iniciaram no dia 26 e seguem até 14 de outubro. Além de palestras e seminários, as atividades incluem visitas às áreas de pesquisa do Inpa e de experiências apoiadas pelo Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), Projeto de Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (ProVárzea) e Projeto de Apoio ao Manejo Florestal na Amazônia (Promanejo), todos integrantes do PPG7.

    A Academia Amazônica é uma proposta da GTZ, a partir de experiências aplicadas no Vietnã e no Egito. No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente decidiu realizar o curso em uma das capitais amazônicas, envolvendo instituições regionais.

    Fonte: Informativo do Ministério do Meio Ambiente

  • Edital de nascentes recebe número recorde de projetos

    O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) recebeu 254 projetos para recuperação e plantio de matas em nascentes e margens de rios, córregos e lagos em todo o País. Trata-se do maior número de propostas recebidas para um único edital nos 16 anos de funcionamento do fundo. Do total de projetos, 54 foram descartados por chegarem fora do prazo, que se encerrou em 9 de setembro, ou por problemas de documentação.

    Dos projetos pré-selecionados, cerca de 50 deverão ser contemplados com os R$ 20 milhões do edital. As propostas envolvem educação ambiental, plantio de árvores nativas no entorno de nascentes, olhos d´água e margens de rios, córregos e lagos, criação de viveiros de mudas e ainda estudos sobre qualidade e quantidade de água em bacias hidrográficas. Do total de recursos, R$ 7 milhões são destinados à Bacia do Rio São Francisco. Cada projeto selecionado deverá investir pelo menos 50% dos recursos na plantação de árvores.

    A escolha dos projetos será feita por um grupo técnico com representantes do MMA, MI, ANA, Embrapa e universidades, que se reunirá entre 17 e 22 de outubro, e em seguida pelo Conselho Deliberativo do FNMA. A publicação das propostas selecionadas deve ocorrer até novembro. Também será avaliada a possibilidade de que sejam obtidos mais recursos para garantir a execução de um maior número de projetos.

    Fonte: Ministério do Meio Ambiente

  • Forte Príncipe da Beira está em ruínas

    Forte Príncipe da Beira está em ruínas

    Forte Príncipe da Beira está em ruínas

    Costa Marques- Aqui vive um infeliz Pacheco noite e dia, com grossa e comprida corrente fria e seu colar ao pescoço pendurado. O trecho é o único ainda legível do desabafo escrito na parede de uma das celas do Real Forte Príncipe da Beira, localizado às margens do Rio Guaporé, no município de Costa Marques, em Rondônia.

    Os registros históricos indicam que o texto teria sido escrito por um padre, que esteve preso na fortaleza. “Que crime foi cometido pelo padre ninguém sabe, mas pelos poemas que ele escreveu, suspeita-se de que a causa da prisão tenha sido sua insatisfação com as ações da coroa portuguesa”, disse o jovem Elvis Pessoa, secretário da Associação Comunitária do Forte (Ascomfor) e ex-coordenador de um projeto de guias turísticos, desenvolvido na comunidade. Outro indicativo dos poemas do padre, segundo Elvis, é o de que ele sabia que permaneceria preso até a morte.

    Há poucos registros sobre o Forte Príncipe da Beira no Brasil, já que o material completo estaria em poder do Governo de Portugal. Até mesmo na comunidade do Forte, poucas pessoas sabem contar a história. Os soldados do Batalhão do Exército que garante a segurança do local, apenas acompanham os visitantes, sem prestar qualquer informação relevante. O turista que quiser detalhes sobre o monumento tem que procurar um dos membros da Ascomfor. O jovem Elvis é um dos poucos que já desenvolveu pesquisas aprofundadas sobre o tema.

    Presídio político

    O Forte teria sido construído no período de 1776 a 1783, pelo Governo de Portugal. A Coroa Portuguesa pretendia usá-lo para se defender da ocupação que vinha sendo feita pelos espanhóis. A obra foi executada com 970 metros de perímetro, com muralhas de 10 metros de altura, 4 baluartes e um total de 56 canhões. Trabalharam na construção cerca de mil homens, entre funcionários da Coroa, escravos e índios. Os materiais teriam vindo da Inglaterra e da França. Suspeita-se também que parte dele, as pedras, por exemplo, teriam sido extraídas da própria região. “Os recursos gastos aqui, são comparados ao mesmo montante que seria necessário para construir Brasília”, comenta Elvis.

    O Forte não chegou a ser usado para a finalidade para a qual foi construído, mas teria servido como presídio político. Em 1889 ou em 1895, teria sido desativado pela república recém instaurada, por medida de economia. Cerca de 100 anos depois, teria sido redescoberto pelo então marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que desde então passou a lutar pela sua reativação, o que ocorreu, em parte, em 1932, com a instalação de um contigente do Exército em sua volta.

    Segundo Elvis, o Forte Príncipe da Beira é o maior e o mais antigo da América Latina. É o único, porém, que ainda não foi restaurado. Boa parte das paredes encontra-se em ruínas.

  • Prefeita diz que garimpagem continua

    Prefeita diz que garimpagem continua

    Prefeita diz que garimpagem continua

    Espigão do Oeste – A prefeita Lúcia Tereza dos Santos (PTB) disse que apesar do esforço da Polícia Federal em cumprir a lei, inibindo a ação de garimpeiros, a garimpagem na Reserva Indígena Roosevelt nunca foi totalmente paralisada. “Trata-se de uma missão impossível, mesmo com todo o preparo e idoneidade da Polícia Federal”, disse. Segundo ela, além dos índios ser favoráveis a exploração, os garimpeiros também estão desesperados pela falta de política no setor.

    De acordo com a prefeita, o garimpo representa geração de empregos diretos, indiretos e esperança para o País, além de muito otimismo. “Quando as riquezas naturais são exploradas de forma regular e organizada, os benefícios delas se estendem por longo prazo”, disse.

    Só conseqüências ruins

    Por enquanto, segundo a prefeita, o garimpo só trouxe conseqüências ruis para o município de Espigão do Oeste, o que poderia ser totalmente diferente com a legalização. “Basta dizer que tivemos que enterrar homens e mulheres trabalhadores, sem identidades”, disse a prefeita, se referindo ao massacre ocorrido dentro do garimpo, que resultou na morte de 29 garimpeiros.

    Entre outros pontos negativos da atual situação, a prefeita citou o fato da permanência de no mínimo 2 mil homens no município, na expectativa da legalização. Segundo ela, são cidadãos carentes de tudo, não só de recursos financeiros, mas também de conforto para o espírito. “Aí começam a beber e a gerar problemas, principalmente nas áreas de segurança e de saúde”, disse.

  • Garimpo de diamantes é vasculhado

    Garimpo de diamantes é vasculhado

    Garimpo de diamantes é vasculhado

    Espigão do Oeste – O delegado da Polícia Federal, Mauro Spósito, disse que a exploração ilegal de diamantes na Reserva Indígena Roosevelt, localizada a cerca de 500 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia, está paralisada. Ele informou que os últimos garimpeiros, cerca de 100 homens, teriam sido retirados da área ainda durante o mês de agosto, com a ajuda dos próprios índios. “Vasculhamos tudo por ar e por terra. Hoje o garimpo está imobilizado”, disse.

    A partir de agora os acessos ao garimpo continuarão fechados, na tentativa de evitar o reinício da garimpagem. O delegado acredita que com a manutenção da fiscalização será possível impedir a entrada de máquinas, peças e combustível na área, inviabilizando a exploração, que atualmente só pode ser feita por meio de mecanização. “A própria destruição ambiental inviabilizou a garimpagem manual”, disse.

    A Polícia Federal continua investigando empresas de mineração estrangeiras e brasileiras, políticos, policiais federais, funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e várias outras pessoas que têm ligação com o garimpo. Somente no último ano foram presas cerca de 100 pessoas, acusadas de envolvimento com a exploração ilegal.

    Mortes dentro e fora

    Não se sabe ainda o volume nem o valor dos diamantes retirados do garimpo dos Índios Cinta Larga, mas a jazida encontrada na área é considerada uma das maiores e mais valiosas do mundo. De acordo com estimativas feitas pela Polícia Federal, no mínimo 5 mil garimpeiros já passaram pelo local em busca das pedras. A reserva indígena está localizada numa área de 23 mil hectares, dos quais 100 já foram totalmente devastados.

    Pelo menos 35 pessoas já morreram dentro do garimpo. Os índios são acusados pela morte da maioria delas. Além disso ocorreram vários outros assassinatos nos municípios da região, motivados pela disputa entre os próprios garimpeiros. As duas últimas três mortes relacionadas com o garimpo ocorreram há menos de 30 dias, duas dentro e uma fora da reserva.