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  • Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Jaru-RO – Os índios da etnia Uru-Eu-Wau-Wau se reuniram nos dias 10, 11 e 12 de maio, para participar de mais duas festas da menina moça. O cerimonial é realizado sempre que uma índia, com idade entre 10 e 13 anos, deixa de ser criança para entrar na fase adulta. Na maioria das vezes a menina sai da festa já casada.

    A menina passa a permanecer a maior parte do tempo na maloca, no mínimo uma semana antes da festa, período em que recebe orientações dos pais sobre a nova fase de sua vida. Um dia antes, é banhada pela mãe com óleo de babaçu, em sinal de purificação. Os preparativos para a festa também começam no dia anterior, quando os índios da aldeia e seus convidados saem em busca de caça, peixe, mandioca, castanha e lenha.

    Às 3 horas da manhã todos que estão na aldeia são chamados para ajudar a descascar castanhas. Às 6 os pais enfeitam a menina com pulseiras e colares e cantam para ela, orientando-a sobre suas novas responsabilidades. Quando não há casamento, a menina é banhada novamente pela mãe e em seguida começa a trabalhar, preparando a comida da festa.

    Casamento surpresa

    De acordo com os índios mais velhos da aldeia, quem decide sobre os casamentos são os pais dos jovens. O noivo pode ser escolhido com antecedência ou momentos antes do casamento.

    A festa da menina moça Deí, 11 anos, da Aldeia Alto Jaru, acabou em casamento. Ela e o jovem Buri foram informados de que se casariam no momento da cerimônia. Em silêncio os dois aceitaram a decisão dos familiares e cumpriram os rituais matrimoniais.

    Deitados e cobertos na rede, Dei e Buri ouviram os conselhos dos mais velhos, que os orientaram em relação as responsabilidades do casamento. Em seguida receberam autorização para sair da maloca. Ela com baldes na mão e ele com flechas. A partir daí a festa teve continuidade, enquanto Deí assumiu os deveres de uma mulher casada e passou a cozinhar para os familiares e convidados.

    Valorização cultural

    Os membros da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, destacaram a importância da festa para a valorização cultural do Povo Uru-Eu-Wau-Wau. “Estamos aqui como convidados para mostrar que apoiamos essas manifestações e que isso é importante não só para eles, mas também para nós, que somos de outra cultura”, disse a historiadora Ivaneide Bandeira Cardoso.

    Segundo o antropólogo Samuel Cruz, os Uru-Eu-Wau-Wau deixaram de fazer suas manifestações culturais por um bom tempo, mas agora estão retomando esta prática, valorizando sua própria cultura. “Isso com certeza terá reflexos também na relação deles com o território”, disse. Samuel destacou também a importância da festa no sentido de reunir os moradores das aldeias vizinhas, fortalecendo os laços parentescos.

  • Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Espigão do Oeste/RO – Alvo de destruição desde novembro de 1999, pelos menos temporariamente, a Reserva Roosevelt deve ficar livre da exploração de diamantes. Para abrir negociações com o Governo Federal, os índios da etnia Cinta Larga decidiram suspender a garimpagem. Eles garantem que o garimpo está parado há quase 30 dias. “Já mandamos recolher todo o maquinário do baixão, só falta os caminhões fazerem o transporte”, assegurou o cacique Uita Cinta Larga. Nossa equipe de reportagem esteve na aldeia e conferiu a passagem de caminhões na estrada que dá acesso à área de garimpagem.

    Segundo as lideranças indígenas, a medida foi tomada para chamar a atenção do Ministério da Justiça sobre a situação do povo Cinta Larga. “O garimpo fica fechado, mas o Governo tem que garantir recursos para nossa comunidade. Hoje sem o garimpo o índio não tem como sobreviver. A única renda alternativa é a pecuária, mesmo assim índio não sabe cuidar de gado ainda, precisa ser treinado”, disse o cacique Pio Cinta Larga.

    Os índios dizem que nesse momento o mais importante não é a legalização do garimpo, como já foi cogitado em Brasília. “Resolver a situação não é legalizar, é acabar com a perseguição que o índio vive passando. Hoje somos vistos na rua como se fôssemos bicho. Somos perseguidos. Não queremos mais viver nessa situação”, disse Pio. Diferente do que transparece na cidade -índios em carros caros-nas aldeias a situação é de pobreza.

    Durante a permanência de nossa equipe de reportagem na aldeia do cacique Pio, uma vaca teve que ser sacrificada, porque quebrou a perna durante a vacinação contra a febre aftosa. Em poucos minutos a carne foi distribuída na comunidade, mas não chegou a ser suficiente para atender a todas as famílias. Na aldeia há apenas carne com facilidade. O restante da alimentação precisa ser comprado em Espigão do Oeste, a cerca de 90 km da aldeia, distância feita em mais de 3 horas de viagem, por causa das péssimas condições das estradas.

    Riqueza no fundo do quintal

    Ao comentar as condições em que os índios estão vivendo, Uita lembrou a última vez que negociaram com o Governo Federal para fechar o garimpo. Houve uma liberação de recursos, através da FUNAI, mas segundo ele, os Cinta Largas nunca foram beneficiados. “Não podemos ficar passando fome com uma riqueza no fundo do nosso quintal, como aconteceu na outra vez que fechamos o garimpo,” relembra.

    Questionado se há prazos para o Governo apresentar uma solução para o garimpo, Pio Cinta Larga não foi claro em relação a retomada da garimpagem. “Estamos indo à Brasília para negociar mais uma vez com o Governo e estamos abertos a receber propostas,” afirmou.

    Segundo a liderança Panderê Cinta Larga, o Governo Federal teria feito uma proposta de instalar uma mineradora na reserva e repassar 25% do faturamento para a comunidade indígena, mas ele mesmo reconhece que a medida não deverá ser implantada dentro de um curto espaço de tempo. “Tem todo um processo burocrático que conhecemos, como a aprovação de lei e talvez essa não seja a medida mais adequada para nossa comunidade. Hoje olho para trás e prefiro a vida que levávamos antes do garimpo”, concluiu.

  • Crime ambiental na mira da PRF

    Cacoal/RO – A Polícia Rodoviária Federal vai intensificar as ações de combate ao crime ambiental no Brasil. A informação foi prestada pelo inspetor João Bosco Ribeiro da Silveira, chefe da 3ª Delegacia/21ªSRPRF-RO/AC. Segundo ele, durante o ano de 2005, a polícia flagrou vários crimes ambientais no país, em fiscalização de rotina. “Apesar do pouco efetivo e da grande malha viária, tem se conseguido a muito custo dar uma resposta à sociedade, no combate ao crime ambiental que ocorre nas rodovias federais”, disse.

    A Polícia Rodoviária Federal registrou, durante o ano de 2005, 1.408 ocorrências de crimes ambientais, sendo apreendidos no total 2.791 animais silvestres retirados ilegalmente da fauna brasileira, 6.037 metros cúbicos de carvão extraídos de forma irregular, 506.512 metros cúbicos de madeira também extraídas de forma irregular e 4.400 quilogramas de pescado ilegal. Foram constatadas também 69.000 irregularidades em veículos transportando substâncias tóxicas.

    A intensificação da fiscalização, segundo o inspetor, visa fortalecer o combate ao crime ambiental, principalmente a circulação de produtos com documentação falsificada ou adulterada. Ele citou como exemplo, a recente apreensão de uma grande quantidade de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) falsificadas, ocorrida no posto de Jarú/RO.

    De acordo com o inspetor, a disponibilidade de novas tecnologias no mercado de informática, como scanner e impressoras mais potentes, tem facilitado a vida dos falsificadores e dificultado a atuação da policia de modo geral, “que necessita sempre de atualização na área, para poder desempenhar um trabalho mais efetivo”.

  • Extração de diamantes destrói território indígena em RO

    Espigão do Oeste/RO – O impacto ambiental é chocante na Reserva Indígena Roosevelt, em Espigão d’Oeste, Rondônia. A terra dos índios da etnia Cinta Larga tem mais de 27 milhões de hectares. Lá está a maior jazida de diamante do mundo. Aos poucos a garimpagem clandestina pela pedra preciosa vai corroendo este lado da Amazônia. Segundo a Polícia Federal, uma linha extensa de mais de dez quilômetros já foi totalmente destruída pelas máquinas. Destruição que não tem previsão de chegar ao fim.

    Depois do massacre de 29 garimpeiros na reserva, em 2004, a Polícia Federal intensificou a fiscalização nas barreiras que dão acesso ao território indígena. Mesmo assim, por passagens clandestinas, garimpeiros, máquinas e combustível continuam entrando livremente. O coordenador da Operação Roosevelt, delegado Mauro Spósito, diz que é preciso trabalhar de forma passiva nesta área. “Já explodimos pelo menos três passagens clandestinas. A invasão da Polícia Federal ao garimpo seria um risco muito grande de confronto com os índios”, disse o delegado.

    No final de 2004, numa negociação do coordenador da operação com as lideranças Cinta Larga, restos de máquinas foram retirados de dentro da reserva. Poucos meses depois, a garimpagem continuou a todo vapor. Os índios entregaram só os maquinários que não tinham mais utilidades. No último ano, mais de trinta garimpeiros foram presos, tentando entrar na reserva. “Todos respondem processo por formação de quadrilha e extração ilegal de minério”.afirma Spósito.

    Mais mortes

    A prova de que o garimpo é um barril de pólvora foi o assassinato de mais dois garimpeiros, um dia antes do massacre completar dois anos. Lismar Nunes da Silva, conhecido por Pernambuco e Francisco das Chagas foram mortos a tiros e flechadas. Um terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva, conseguiu sobreviver ao ataque. Ele foi atingido com um tiro de espingarda. “Ele estava em um estado de saúde muito ruim, falando com bastante dificuldade. Disse não conhecer o índio que teria feito isso e falou não saber os motivos, pois o índio simplesmente chegou atirando e dois mortos ficaram no garimpo, enquanto ele conseguiu sair,” declarou o delegado Rodrigo Carvalho, que atuou no caso.

    Segundo Carvalho, o clima é de tensão no local. “A gente ouviu outro garimpeiro que ajudou a socorrê-lo e ele disse que no garimpo, na última semana, não havia nenhuma liderança indígena e a situação era de bastante instabilidade, porque ele disse que só tinha índio sem patente, índio sem importância, e muita bebida alcoólica, o que favorece o acontecimento de brigas”.

    Depois das duas últimas mortes, a Polícia Federal já anunciou que mais uma vez será feita a retirada de maquinários. “Vamos prender todos os garimpeiros que insistirem em permanecer no local”, alertou o delegado Mauro Spósito. Ele diz que a PF aguarda apenas a negociação da Fundação Nacional do Índio com as lideranças indígenas, para começar a operação.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Festival combate pesca predatória

    Cacoal/RO – Será realizado no dia 30 de abril o 2º Festival de Pesca Esportiva de Cacoal, evento que vai reunir cerca de 100 equipes vindas de toda a região central do estado. A competição é promovida pela Associação Ecológica Amigos da Pesca (Aspec), em parceria com a prefeitura e iniciativa privada. Serão oferecidos R$ 20 mil em prêmios.

    O secretário de Indústria e Comércio de Cacoal, Moisés Fernandes, disse que o festival vai abrir a temporada de pesca em Rondônia, depois de encerrado o Período do Defeso da Piracema, que terminou no dia 15 de março. O Defeso da Piracema é determinado pela Lei n° 7.679, de 23 de novembro de 1988, e estabelecido anualmente pelo Ibama, com a colaboração de órgãos, instituições e associações envolvidas com a pesca em cada bacia hidrográfica.

    A prefeita Sueli Aragão (PMDB) afirmou que o II Festival de Pesca Esportiva de Cacoal será um momento importante para a conscientização da comunidade local quanto à preservação dos recursos naturais e para a divulgação das potencialidades turísticas do município. Várias equipes de outras cidades já começaram a reservar apartamentos e cabanas nos hotéis de Cacoal que, nos últimos anos, vem se despontando na frente em infra-estrutura hoteleira e de turismo, em função da eficácia nos investimentos públicos.

    Os peixes fisgados durante a competição serão devolvidos com vida ao Rio Machado, onde 20 fiscais vão atuar durante o evento para medir, fotografar e devolver o pescado às águas. “A comunidade vai entender que o mais importante não é pegar os peixes e matá-los, mas respeitar a natureza, os peixes e as futuras gerações”, disse o secretário de Indústria e Comércio.

    Segundo o secretário de Indústria e Comércio, a Associação Ecológica Amigos da Pesca de Cacoal já conseguiu mostrar à comunidade que um bom pescador é aquele que sai para pescar, independente de qual seja o resultado. “Se o pescador traz o peixe, complementou a premissa de tudo o que ele organizou. Se ele não traz ou deixou de pegar o peixe esperado, não fica nervoso ou aborrecido, porque realizou a pescaria da mesma forma e é isso o que importa”. O objetivo do festival é combater ações predatórias por meio do conhecimento e prática das leis da pesca.

    A competição terá duração de seis horas. Os pescadores deverão ter em mãos a Carteira de Pesca emitida pelo Ibama, vão usar coletes salva-vidas e estarão assegurados contra acidentes durante a prova. Os pescadores poderão pescar com linhada de mão, molinete ou carretilha, com varas e linhas de medidas livres. O vencedor será a equipe que pescar o maior peixe, em comprimento, de todas as espécies, exceto peixe elétrico, raia, munssum e pirambóia. As inscrições estarão abertas até o dia 29 de abril.

  • Robôs vão defender a Amazônia

    O projeto ainda não está sendo divulgado pela empresa responsável, a Petrobras, mas existe a possibilidade de que nos próximos anos, ribeirinhos da região dividam o espaço nos rios e florestas com outros seres, ainda considerados estranhos, feitos de acrílico e com braços mecânicos. É o Robô Ambiental Híbrido, que está sendo criado com a finalidade de defender a Amazônia. O projeto, que é de um grupo de cientistas e técnicos, já foi divulgado pela revista Momento Brasil.

    A meta do “Robocop da Amazônia” é melhorar as condições de monitoramento da Petrobras sobre a região para prevenir e impedir desastres ambientais, caso ocorra algum acidente na produção ou transporte de combustível. A empresa enfrenta desafios cada vez maiores na Amazônia desde pelo menos 1988, quando começou a atuar na bacia do rio Solimões, onde se localiza a província mineral de Urucu, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus.

    O projeto também poderá beneficiar projetos de aproveitamento de recursos energéticos, como o Urucu-Porto Velho, cujas obras foram liberadas. A intenção é fazer o transporte da matéria-prima da floresta para as áreas de processamento.

    A idéia da criação do robô evoluiu a partir do projeto Cognatos, de José Vagner Garcia, evoluindo para um plano de construção de dezenas de robôs, provavelmente de três modelos distintos, para não apenas vigiar áreas específicas da Amazônia como também para a realização de estudos de experiências inovadoras em computação, sensoriamento remoto, bioquímica e biotecnologia.

    Amazonbots

    A Petrobras trata o assunto como segredo industrial, mas os primeiros protótipos desse AmazonBot indicam um equipamento com cerca de 2,5 metros de comprimento, 300 quilos de peso e fundo transparente. Ele é chamado híbrido porque poderá carregar um piloto, ou ser monitorado à distância.

    O que existe de concreto até agora projetado pela Petrobras é a existência de equipamentos encarregados de detectar anomalias ambientais, especialmente as provocadas por vazamentos de gás ou óleo em qualquer quantidade, além de promover pesquisas científicas de vários tipos. Para isso, a empresa conta com laboratório de robótica em seu centro de pesquisas, projetando cada vez mais equipamentos com maior capacidade ainda em percorrer a floresta e os rios de forma independente da presença humana.

    A idéia é prevenir para depois não remediar, porém é difícil, admitem os especialistas, trabalhar na criação destes robôs com quesitos de não poderem ser ruidosos; sem risco de poluição; ter comunicação com perfeição com os comandos da Amazônia e no Rio de Janeiro (Sede da Petrobras), através do satélite; possuir alta resistência; facilidade de manutenção e capacidade de manobra para se locomover na água e na lama, inclusive em condições impossíveis para qualquer ser humano.

    Fonte: Jornal Diário da Amazônia/; Jornal do Meio Ambiente/; Revista Momento Brasil.

  • Malária ataca garimpeiros na Reserva Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – O garimpo de diamantes na reserva indígena Roosevelt é a passagem de garimpeiros que procuram o Hospital Municipal de Espigão d’ Oeste com sintomas da malária. Em apenas cinco dias, vinte e duas pessoas fizeram exame de malária no hospital, todas estavam contaminadas pela doença. Dessas apenas uma não tinha passado pelo garimpo. “A realidade é essa. O garimpo está aí, e tudo está caindo em Espigão d’Oeste. A prova está nas fichas, eles não podem mentir,” afirma a diretora do hospital Ivani Lourdes Conte.

    Na semana passada, o garimpeiro Ermínio Pacífico Menezes, 46 anos, não resistiu e morreu de malária. Em estado grave ele foi atendido no hospital de Pimenta Bueno, que o encaminhou ao CEMETRON em Porto Velho. Ele morreu 200 quilômetros antes de chegar na capital. Do garimpo até o hospital de Pimenta Bueno o garimpeiro teve que percorrer mais de 150 quilômetros.

    Segundo a diretora do hospital de Espigão d’Oeste, Ivani Lourdes Conte, uma paciente com malária, que tinha chegado do garimpo, afirmou que mais de cinqüenta pessoas lá dentro apresentavam sintomas da doença e iriam procurar a unidade de saúde.

    A preocupação da diretoria da unidade é com relação ao alto consumo de medicamentos. “Eles consomem tudo, é vitamina, é dipirona, é plasyl. Eles chegam com vômito, muita febre, dor de cabeça, e tem vezes que a febre é tanto que chega convulsionando. Eles chegam para nós num estado assim, muito defasado”, disse.

  • Projeto de “um milhão de mudas” está parado

    Ouro Preto/RO – Há dois anos e meio foi desenvolvido um projeto e apresentado no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que visa dotar a unidade da Ceplac de Ouro Preto de capacidade para produzir até um milhão de mudas que seriam repassadas posteriormente aos produtores e prefeituras no território regional que abrange mais de duas dezenas de municípios da região central, mas a proposta ainda não recebeu sinal positivo.

    Técnicos da estação experimental mencionaram que o projeto está agora na fase de “ajustes”, para que receba aval do MDA. No projeto, o MDA repassa a verba em parceria com as prefeituras gestoras do programa, cada uma com sua proporcionalidade.

    Com o projeto em vigor, seria possível introduzir na Ceplac uma “Casa Vegetativa” com capacidade de produzir espécies de árvores que serviria às prefeituras da região para plantio nas margens de rios afluentes, a fim de reviver as matas ciliares, seriamente prejudicadas pela degradação ocasionadas pelo crescimento desordenado do período migratório.

    Hoje a Ceplac produz algumas mudas para essa finalidade, mas em escala menor, que não atende a contento a demanda regional. Com o funcionamento do laboratório vegetativo a Ceplac poderia compor com mais prefeituras e instituições no plano de atividades voltadas ao meio ambiente.

    O problema do assoreamento das margens de rios importantes para as cidades da região central é gritante. Os dois únicos projetos que trabalhavam programas visando à reversão dessa situação (PGAI-GOP e Agenda 21), foram paralisados no ano passado e sua coordenadora, Wilma do Lago mudou-se para Brasília (DF).

    Os administradores que tomaram posse na eleição de 2004 não apresentaram projetos significativos de revigoramento do meio ambiente e proteção à biodiversidade, desinteresse que contribui negativamente para que seja dada continuidade a programas como o de distribuição de mudas por órgãos como a Ceplac.

  • Dois garimpeiros mortos por índios

    Espigão D’Oeste/RO- Faltando um dia para completar dois anos da chacina na Reserva Roosevelt, onde 29 garimpeiros foram mortos à noite durante emboscada feita por índios Cinta-Larga dentro de uma área de extração ilegal de diamantes, um novo conflito rompe uma trégua marcada pela tolerância da garimpagem ilegal em terras proibidas vigiadas por uma Força-tarefa envolvendo as polícias Federal e Militar.

    Surpreendidos por um grupo de índios os garimpeiros Lismar Nunes da Silva, o Pernambuco, e Francisco da Chagas, o Macarrão, foram assassinados. O terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva conseguiu escapar com vida após ter levado um tiro na barriga.

    O crime aconteceu no final do tarde do último dia cinco numa área de extração ilegal de diamantes a 50 quilômetros das aldeias comandadas pelos caciques João Bravo e Nacoça Pio Cinta-Larga.

    Arionilson foi levado por um outro garimpeiro a pé até uma base da Polícia Federal. Isso aconteceu às 6 horas de ontem, de onde foi levado de caminhonete a Pimenta Bueno. Na tarde de ontem o garimpeiro foi submetido a uma cirurgia em Cacoal e o estado de saúde dele é grave.

    Ontem policiais Federais, acompanhados de funcionários da Funai foram à aldeia do Cacique João Bravo Cinta-Larga. Por rádio os índios informaram que os corpos dos dois garimpeiros foram levados para a aldeia. Às 19 horas de ontem a Polícia Federal já estava na aldeia e a previsão era de que, na primeira hora dessa madrugada, eles estariam em Pimenta Bueno.

    O delegado da base central da Polícia Federal em Pimenta Bueno, Rodrigo Carvalho, informou que o motivo do crime ainda está sendo objeto de investigação. Sabe-se que os garimpeiros estavam na terra dos índios há pelo menos uma semana aventurando encontrar diamantes.

    O delegado informou também que os familiares das três vítimas moram em Pimenta Bueno e que as viúvas serão ouvidas no processo.

    Uma fonte revelou que a morte dos dois garimpeiros teria sido por causa de um desentendimento com os índios. Algo relacionado com a divisa de barranco na garimpagem ou o não-pagamento para poder garimpar em terras indígenas, prática comum.

    A mesma fonte revelou ainda que o crime teria sido cometido por Robertinho Cinta-Larga, e por um outro índio chamado Zezão, que pertenceria a uma etnia da região de Juína, no Mato Grosso.

    Um dos garimpeiros ouvido pelo delegado Rodrigo Carvalho, disse que existem pelo menos 200 pessoas trabalhando nas terras dos índios. Parte estaria sem o consentimento da tribo, outra não só teria permissão, como pagam para ter o direito de explorar a reserva de diamantes.

    A garimpagem não é apenas manual. Existem muitas máquinas trabalhando dentro da reserva. Essas máquinas teriam entrado pela região do Mato Grosso, para onde partem aviões levando diamantes extraídos de forma ilegal.

    A Polícia Federal mantém bases em torno da reserva com pelo menos 50 homens como parte da Força-Tarefa que tem a participação da Polícia Militar.

    Massacre contra 29 garimpeiros

    O massacre de 29 garimpeiros clandestinos, mortos pelos índios cintas-largas em Rondônia, e os protestos contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, reabriram no país um debate caloroso sobre a questão indígena. O garimpo ilegal de diamantes, os limites dos direitos dos índios de defenderem suas terras e a desapropriação de cidades inteiras na demarcação das reservas foram alguns dos temas levantados ao longo das últimas semanas.

    Os garimpeiros foram assassinados pelos Cinta-Larga no início de abril, numa área próxima à reserva indígena Roosevelt, em Rondônia, que abriga 1.300 índios. A região possui as maiores jazidas de diamantes do país, o que gera constantes conflitos entre garimpeiros e índios. Os corpos foram encontrados dispostos lado a lado, em adiantado estado de decomposição, por uma equipe da Funai que conseguiu entrar na área, guiada pelos próprios guerreiros que participaram do ataque.

    Mas a questão não é tão simples como o presidente da Funai fez parecer. O fato é que os caciques da tribo dos Cinta-Larga João Bravo e Nacoça Pio, que vivem na reserva Roosevelt, já respondem a ação penal por contrabando de diamantes e formação de quadrilha. Eles são acusados, junto com funcionários da Funai e atravessadores de pedras preciosas, de participar da exploração ilegal de diamantes na reserva.

    Após a descoberta do massacre, a Funai e a Polícia Federal tiveram que negociar com os índios para entrar na reserva e resgatar os corpos das vítimas, numa operação difícil que envolveu inclusive a abertura de clareiras na mata para o pouso de helicópteros.

  • Ibama e PF preparam desocupação da Rebio Jaru

    Ouro Preto/RO – Os detentores de marcações na Fazenda Machadão (TD Bela Vista) devem se informar de uma possível operação de desocupação nas imediações da Reserva Biológica do Rio Jaru (Rebio-Jaru), prevista para ocorrer nos próximos dias.

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o apoio de agentes da Polícia Federal deve promover a operação de fiscalização na Rebio-Jaru, pelo lado de Vale do Paraíso, e também a retirada de posseiros que estiverem em terras consideradas dentro do limite da extensa reserva. Um helicóptero do Ibama sobrevoa á área da Rebio-Jaru no entorno da fronteira com Machadinho do Oeste. No fim de semana a aeronave estava nas imediações da reserva, no limite de Vale do Paraíso.

    A minuta que autoriza a ampliação da Rebio-Jaru, que obrigatoriamente vai envolver parte de terras da Fazenda TD Bela Vista (ou Machadão) foi assinada pelo presidente do Ibama, Marcus Barros em agosto de 2005, e pode se transformar em Decreto, pois segundo a gerência do escritório do Ibama, em Ji-Paraná, já está na mesa da ministra chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Roussef – restando a assinatura do presidente Lula. A partir do decreto de ampliação a Rebio-Jaru, que compreende 280.000ha – até a fronteira com o Mato Grosso – vai somar 340.000ha.

    Área é comercializada

    Ocorre que a área da fazenda TD Bela Vista, que pertence a Nilton Niero, residente no Estado do Paraná, já vem sendo comercializada há cinco anos para a associação de posseiros que têm mais de 1000 associados, e existem colonos morando em marcações e mantendo plantações e criações. A retirada não deverá ser feita sem que posseiros contestem a compra da fazenda, que mede 84.000 ha. Muitos já pagaram por parcelas ao proprietário e como existe constante comercialização de lotes, a transferência de marcações é freqüente.

    O argumento do Ibama é de que a Rebio vem sofrendo degradação a cada ano, e que a partir da ampliação até a margem do Rio Machado vai-se criar uma barreira natural contra a ação de posseiros e madeireiros. A operação do Ibama e da Polícia Federal visa localizar possíveis moradores que podem estar trabalhando em terras da Rebio. Segundo o gerente do escritório do órgão em Ji-Paraná, Valmir de Jesus, quem for detido manuseando área da reserva será preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia Federal.