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  • Da Selva para a cidade

    Porto Velho/RO- Um antibiótico natural poderosíssimo, capaz de prevenir e combater diversas doenças, tem diversos adeptos em Rondônia, apesar de sua comercialização ter sido proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É a vacina do sapo, também conhecida como kambô. Essa palavra indígena é usada tanto para se referir a rã phylomedusa bicolor quanto ao veneno obtido da secreção desse anfíbio. Na realidade não se trata de um sapo, e sim de uma rã.

    Os índios katukinas, do Acre, inicialmente eram os únicos detentores desse conhecimento. A vacina foi levada da selva para a cidade nos anos 60 pelo seringueiro Francisco Gomes Muniz, já morto. Ele viveu com os katukinas e aprendeu com o pajé a aplicar a vacina e a identificar a rã. De lá para cá, o kambô começou a ser aplicado nos centros urbanos do país.

    Em Porto Velho, a chamada vacina do sapo ganhou adeptos como a autônoma Maria Lopes, de 36 anos, que há cerca de um ano fez uma aplicação da substância. No caso, quem aplica a vacina não é chamado de doutor, e sim de “sapeiro”.

    “Soube que um sapeiro do Acre estava na cidade e fui procurá-lo”, conta ela. “Ele recomendou que eu tomasse quatro copos de água e fez três furinhos na batata da minha perna direita com um cipó incandescente. Com a ponta de um canivete, passou a secreção do sapo em cada furinho e me mandou sentar em uma cadeira. Comecei a sentir uma pressão muito grande na cabeça. Meus olhos se encheram de lágrimas e pareciam saltar para fora do meu rosto. Senti um mal estar horrível. Confesso que cheguei a me arrepender de ter feito aquilo. Vomitei várias vezes, mas logo depois já estava me sentindo bem. Minhas energias foram renovadas. Hoje, tenho mais disposição”, diz.

    Mas enquanto os adeptos e os “sapeiros” garantem a eficácia da chamada vacina do sapo, a Anvisa busca cada vez com maior insistência, a conscientização da população, além da regulamentação, para evitar abusos no consumo. A Anvisa já determinou a suspensão de toda a propaganda sobre as propriedades terapêuticas e medicinais da vacina. A agência considera o veneno algo típico da rotina indígena que está migrando descontroladamente para a cultura do homem branco e faz um alerta: Quem consome a substância está sujeito a sérios danos na saúde, já que o veneno está inserido em uma cultura, com rituais e alimentação apropriada. Ainda segundo a Anvisa, o uso do veneno fora das comunidades indígenas é perigosíssimo porque não há segurança comprovada e sequer uma avaliação científica.

    Reações são sinais de intoxicação

    As fortes reações provocadas pela vacina do sapo, de acordo com o cirurgião Alexandre Brito, de 33 anos, são sinais evidentes de intoxicação. Ele explica que a tontura, desorientação, aumento na freqüência dos batimentos cardíacos e na pressão arterial, deslocamento da pupila dos olhos e vômitos, reações típicas da vacina, são características tóxicas.

    “A forma como eles aplicam o veneno é muito perigosa. O furo feito na pele dos pacientes, para depois inserir a secreção, coloca a substância em contato direto com a circulação sanguínea e isso pode ser muito perigoso, porque há o risco de provocar sérias complicações e até uma parada cardíaca”, explica.

    Alexandre Brito alerta para que a população tenha cuidado antes de fazer a utilização de substâncias sem o poder de eficácia comprovado cientificamente, como o kambô.

  • Relatório da ONU destaca o modelo brasileiro para gestão de água

    A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o Brasil como um dos países que mais avançaram

    na política de gestão de águas. Essa é a uma das conclusões do Relatório Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, apresentado no IV Fórum Mundial das Águas, que termina nesta quarta-feira (22) no México.

    O desempenho de 108 países foi analisado nos últimos três anos. Somente 14 apresentaram progressos nessa área. O Brasil, o único paíse sul-americando que recebeu destaque, foi um deles. O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), aprovado em janeiro deste ano pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, teve forte influência nesse resultado.

    Com ele, o Brasil cumpre o compromisso firmado na Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) de definir um plano de gestão integrado para os recursos hídricos. O objetivo do PNRH é assegurar quantidade e qualidade de água para o uso racional e sustentável. Iniciativas, como o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN- Brasil) e o Projeto Água Doce (PAD), para ampliar a renda e fortalecer o desenvolvimento sustentável nas chamadas Áreas Suscetíveis de Desertificação também contribuiram para o país assumir a posição de destaque.

    O relatório, intitulado “Água: uma Responsabilidade Compartilhada”, ainda revela dados alarmantes em relação à gestão da água potável no mundo: um quinto da população do planeta não possui água potável e 40% não dispõem de condições sanitárias básicas. O estudo, feito pela ONU a cada 3 anos, aponta a relação entre políticas de recursos hídricos e combate à pobreza.

    A expectativa para os próximos anos é ainda mais preocupante. Segundo o documento, a queda na vazão dos rios, crescimento da salinidade em estuários, perda de espécies de peixes e de plantas aquáticas e a redução dos sedimentos nas costas são problemas que devem aumentar significativamente até 2020. Eles terão impacto negativo na agricultura, na segurança alimentar e na pesca. As causas desse cenário são inúmeras. Uma delas é o aumento da procura por produtos agrícolas, principalmente aqueles que demandam água na produção, no mundo todo. O relatório observa que essa crescente demanda contribui hoje com 70% de retrações de água doce, sendo que apenas 30% retornam para o meio ambiente.

    As principais dificuldades dos países na gestão da água concentram-se na falta de conhecimento. Muitos países em desenvolvimento operam seus recursos hídricos sem levar em conta padrões precisos de oferta e procura. Outros obstáculos são: falhas de mercado, como sub-valorização do preço da água em zonas costeiras, pesca excessiva estimulada por subsídios, métodos destrutivos de pesca, como explosões de bancos de corais, mudanças climáticas.

    O relatório da ONU faz recomendações para os países melhorarem a gestão dos recursos hídricos. Ele sugere o pagamento de serviços ao ecossistema como forma de agregar valor a produtos originados de fontes naturais e determina que um sistema de gestão deve conter informações sobre “qual quando e como é distribuída a água” e decidir quem tem direito aos aos recursos e outros serviços adjacentes. Também determina que o desenvolvimento de um sistema de recursos hídricos deve contar com a participação dos governos federal, estaduais e municipais, além da sociedade civil.

    O documento foi produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e de governos nacionais, principalmente de países nórdicos. No relatório são avaliadas as tendências atuais e futuras para águas potáveis e marinhas de 66 áreas aquáticas localizadas entre fronteiras, com especial atenção para os países em desenvolvimento.

  • Luta contra caramujo africano

    Cacoal/RO – A Associação de Moradores do Bairro Nova Esperança em parceria com a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed), Secretaria Municipal de Saúde e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizaram, no último dia 18, uma ação de combate aos caramujos africanos que estão se proliferando na região. Angiostrongiliase abdominal e meningite eosinofílica são algumas das doenças que podem ser causadas pelo molusco. Além de coletar os caramujos, os participantes da ação orientaram os moradores quanto a forma de combate.

    Conforme o presidente da Associação de Moradores, Joberdes Bomfim da Silva, a infestação dos caramujos começou no último mês de novembro. Ele informou, que um morador levou a espécie para o bairro, pensando que ela fosse comestível e ao perceber que não era, soltou os moluscos com vida, o que fez com que eles se reproduzissem e se espalhassem pelo bairro. “Encontramos os caramujos em cerca de 60% das residências”, disse.

    O caramujo africano é hermafrodita e sua reprodução é cruzada, necessitando apenas de um parceiro para trocar células sexuais. Ele alcança a maturidade sexual entre 4 e 5 meses, podendo fazer até 4 posturas por ano, que variam, cada uma, de 180 a 600 ovos. Conforme o biólogo Celso Dias, o período chuvoso é ideal para que os ovos se proliferem. Ele destacou que a forma segura encontrada para acabar com a espécie é somente a incineração. “O contato com os caramujos só deve ser com luvas ou uma sacola plástica”, disse.

    A secretária municipal de Saúde, Isabel Velasco, informou que a ação de combate ao caramujo deverá ter continuidade. Ela ressaltou, que o trabalho deverá ser estendido para o lixão municipal, já que vários moradores, antes da orientação, recolhiam os caramujos e colocavam no lixo doméstico. Ela enfatizou ainda, que até o momento, não foi registrado no município nenhum caso de contaminação pelos vermes que se hospedam no caramujo africano. “Esta ação é preventiva e precisamos do apoio da comunidade”, disse.

    O caramujo africano

    O caramujo africano é um molusco que já atingiu aproximadamente 20 estados do Brasil. Parcialmente arborícola e herbívoro generalista, compete com outras espécies nativas por comida ou espaço e ainda pode exercer o canibalismo, devorando ovos e caramujos jovens da mesma espécie, para sobreviver em ambientes pobres em cálcio e alimento.

    De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o caramujo é um hospedeiro do verme angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar a morte e também do verme angiostrongylus cantonensis, causador de um tipo de meningite denominada eosinofílica, ocorrendo quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meningites, podendo levar a cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.

    Os dois vermes podem ser encontrados tanto no interior dos caramujos quanto no muco que eles secretam para se locomover. Isso amplia os riscos de infestação no homem, que pode se contaminar com os vermes e suas larvas se ingeri-lo, manuseá-lo e levar a mão à boca ou ingerir alimentos sem a correta higienização, que tenham tido contato com o molusco.

  • Depois de três dias BR 364 é liberada

    Depois de três dias BR 364 é liberada

    Cacoal/RO – Índios de 23 etnias liberaram, às 21 horas de ontem, a BR 364. Eles manteram a rodovia fechada por 3 dias, no trecho que liga os municípios de Pimenta Bueno e Cacoal, no Estado de Rondônia e permaneceram no local até ter a garantia de que as suas reivindicações seriam atendidas. Entre as principais solicitações dos indígenas estava a exoneração do coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Orlando Castro Ribeiro e do coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Josafá Piahy Marreiro.

    Os líderes indígenas participaram de uma reunião, na tarde de ontem, na prefeitura municipal, com a prefeita Sueli Aragão, o senador Valdir Raupp e a deputada federal Marinha Raupp, todos integrantes do partido PMDB. Os índios cobraram das autoridades a exoneração do coordenador regional da Funasa, Josafá Marreiro, porque o mesmo havia sido indicado para o cargo pela bancada do partido. Depois de cerca de 3 horas de negociações, Sueli Aragão anunciou que teria mantido conversa telefônica com Josafá Marreiro e o mesmo teria afirmado que se fosse ele o motivo do movimento ele pediria a própria exoneração. O anúncio foi comemorado com palmas pelos índios que decidiram, então, liberar a rodovia.

    Entre os índios que participaram do movimento estavam representantes das etnias Cinta Larga, Surui, Apurinã, Terena, Tenharin, Kwazar, Sater Mawé, Munduruku, Mura, Mequéns, Apurinã do Amazonas, Parintintin, Aikaná, Kanoé, Wajurú, Orumaé, Orueu, Oroba e Orowin, além de outros povos do Estado do Mato Grosso do Sul e do Amazonas, que se juntaram ao protesto em solidariedade aos “parentes índios”.

    Conforme a carta aberta encaminhada ao Ministério da Justiça, as lideranças das comunidades indígenas, estariam indignadas com a forma que a administração executiva regional da Funai de Cacoal estaria tratando a execução das políticas e dos recursos apropriados aos índios. Por estes motivos eles teriam desencadeado o movimento em defesa de seus interesses e direitos constitucionais. No documento, as lideranças ressaltaram que o movimento teria o objetivo de chamar a Funai à responsabilidade parar tratar os recursos destinados aos índios.

    Conforme o cacique Marcelo Cinta Larga, por várias vezes as lideranças tentaram dialogar com as pessoas responsáveis pela Funai e pela Funasa para encontrar uma solução para os problemas enfrentados pelos índios, mas não teriam sido atendidos. Ele ressaltou que a forma encontrada para chamar a atenção dos governantes foi o fechamento da rodovia e afirmou também que ela permaneceria fechada enquanto as reivindicações não fossem atendidas. “Nos queremos resolver o problema de forma pacífica, mas exigimos que o nosso povo seja respeitado”, disse.

    Reivindicações atendidas

    Além de terem sido atendidos com a mudança do administrador da Funai em Cacoal, Orlando Castro Silveira para Rômulo Siqueira e a exoneração do coordenar regional da Funasa, Josafá Marreiro, os índios reivindicaram, entre outras coisas, a nomeação de indígenas para a chefia de todos os postos indígenas subordinados a Cacoal, uma auditoria administrativa no grupo tarefa Cinta Larga, a execução do plano emergencial de proteção da terra indígena Cinta Larga e a extensão do mesmo para todas as terras indígenas sob a jurisdição da Funai/Cacoal e a elaboração dos planos de desenvolvimento sustentável e de proteção de todas as terras indígenas.

  • Desmatamento já compromete biodiversidade

    Porto Velho/RO – Rondônia já desmatou 25% dos 238.512,80 hectares de sua área, ou seja, 5% além do permitido pela legislação. O comprometimento da cobertura florestal do Estado já ameaça a biodiversidade e o ecossistema regionais, com a ameaça iminente de extermínio de diversas espécies animais e vegetais.

    As denúncias são do engenheiro florestal Carlos Alberto, de Belém (PA). Ele prevê a desertificação da região nos próximos dez anos, por causa dos desmatamentos e das queimadas indiscriminadas, que acontecem, tradicionalmente, durante o rigoroso verão amazônico, fenômeno que ocorre no período de março a outubro de cada ano. “Centenas de animais e vegetais já foram extintos pela ação humana no ecossistema”, assegura o engenheiro florestal.

    Retroagindo no tempo, ele lembra que a Portaria n 37, de 3 de abril de 1992, lista centenas de animais e vegetais ameaçados de extinção. Dentre estes, enumerou o pau-rosa, castanheira, sucupira, homélias, orquídeas, pau-brasil, cervo, mico-leão, tatu, ariranha, papagaio, arara e peixe-boi.

    Especialista em educação ambiental, Carlos Alberto explica que o desmatamento legalmente permitido na Região Norte era de 50% na propriedade rural, sendo reduzido para 20%, por força de lei. “Mesmo assim, por falta de fiscalização, a legislação florestal não vem sendo cumprida à risca. Pela extensão do Estado, pela diminuta quantidade de fiscais e operações de fiscalização e ações preventivas quase ausentes e a precária situação institucional, é muito otimismo dizer que o desmatamento está sob rigoroso controle”, disparou o técnico do Governo paraense.

    Limites ultrapassados

    De acordo com o renomado ambientalista, existem municípios com intensa produção (agropecuária, por exemplo), que já ultrapassaram todos os limites permitidos, como Rolim de Moura (70% de sua área), Presidente Médici (69%), Ouro Preto do Oeste (66%), Ariquemes e Cabixi com quase 60% de desmatamentos de suas áreas.

    Carlos Alberto diz que pouco ou quase nada tem sido feito, na prática, para conter o avanço do desmatamento indiscriminado, não só em Rondônia, mas sobretudo em toda a Amazônia brasileira.

    Mestrando em Desenvolvimento Regional Sustentável e Meio Ambiente, Carlos Alberto garante que Rondônia é um dos estados da Região Norte , onde a falta de fiscalização ostensiva está propiciando o desmatamento indiscriminado, pois os “toreros” continuam derrubando e transportando madeira ilegalmente, inclusive roubadas de áreas indígenas e das unidades de conservação permanente.

  • Caçadores ameaçam animais de reservas

    Ouro Preto do Oeste/RO – Há muitos anos a vida animal silvestre vem sendo reduzida nas três reservas ao entorno de Ouro Preto do Oeste e ao longo desse tempo não foi providenciado um esquema de proteção exclusivo e permanente dos inúmeros habitantes das áreas contíguas.

    Na reserva do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) só existe um guarda-parque para cuidar de uma fronteira que margeia três bairros do município. A reserva da Ceplac constantemente também sofre invasões de caçadores que hoje matam pacas e tatus, mais já contribuíram para o desaparecimento de animais silvestres que antes eram vistos nas reservas como capivara, preguiças e veados.

    Os grupos de macacos que antes cruzavam a BR e perambulava pelas plantações da Ceplac raramente são vistos. A cada dia se afugentam em áreas mais isoladas das florestas.

    No Parque Municipal Chico Mendes a situação é mais controlada, porque oito guarda-parques fazem a vigília permanente da entrada do morro que dá acesso às rampas de salto e a estação de TV e da Embratel, 412 metros acima. Porém, basta um descuido que caçadores surgem, conforme informou o presidente da Associação do Morro.

    Fiscalização ineficiente

    Há duas semanas um veículo do Ibama, de Ji-Paraná, veio à cidade de Ouro Preto, mas a ação era contra um morador que tinha pássaro exótico preso em gaiola. Diligências nas áreas de reservas federais devem ser feitas pelo Ibama com apoio da Polícia Federal, porém nas áreas de reserva nativas urbanas de Ouro Preto, solicitações de proteção aos animais e pássaros silvestres das reservas da Ceplac, INPA e do morro Chico Mendes não ocorrem com freqüência.

    Antes, no interior das florestas mais fechadas do INPA e da Ceplac só havia trilhas de pesquisadores, mas hoje podem ser vistas armadilhas e pontos de espera de caçadores.

    Um guarda-parque do Chico Mendes salientou que os caçadores só dão tréguas mais prolongadas quando acontece operação de fiscalização no interior das matas, como ocorreu há cinco anos, quando o Ibama, a Polícia Federal e funcionários do INPA estiveram vasculhando todas as fronteiras da área.

  • Aspectos climáticos da Bacia Amazônica

    A bacia Amazônica, possuindo a maior extensão de floresta quente e úmida do Globo, ocupa quase a metade do Território Brasileiro.

    Os sistemas de circulação atmosférica, que atuam diretamente, exercem importante papel na variação de composições climáticas na Amazônia, no tempo e no espaço.

    No setor oriental da Região sopram, periodicamente, ventos de E a NE do anticiclone subtropical semi-fixo do Atlântico Sul e do anticiclone subtropical semi-fixo dos Açores. Em virtude de possuírem uma subsistência superior e conseqüente inversão de temperaturas, tais ventos são acompanhados de tempo estável. No setor ocidental predomina a massa de ar equatorial (m Ec), formada pela convecção termodinâmica dos ventos de NE do anticiclone dos Açores e da convergência intertropical (CIT). Esta massa de ar, pela sua forte umidade específica e ausência de subsidência superior, está freqüentemente, sujeita a instalabilidades causadoras de chuvas abundantes. Sendo caracterizada por uma vasta planura situada próxima ao nível do mar e cortada de um extremo a outro pelo paralelo do equador, a Região possui clima quente.

    As áreas serranas da fronteira setentrional e da chapada dos Parecis em Rondônia (pela altitude bem acima da planura regional) possuem temperatura média anual inferior a 24º C. Neste aspecto o que bem caracteriza esta Região são temperaturas que variam de 24 a 26º C.

    Convém observar que durante o inverno toda zona meridional da Região, especialmente o setor sudoeste (Rondônia, Acre e parte do Amazonas) é freqüentemente invadido por tais anticiclones de origem polar, após transpor a cordilheira dos Andes, ao sul do Chile. Alguns são excepcionalmente poderosos e provocam o chamado fenômeno da friagem, caracterizada por forte umidade específica e relativa, acompanhada de chuvas frontais e sucedidas por tempo bom e extraordinária queda de temperatura que atinge a mínima como aquelas citadas.

    Além da direção predominante do vento e de sua velocidade, os fatores locais que governam o curso diurno da temperatura são a topografia, a altitude, a natureza do solo e a nebulosidade. No caso da Região a topografia e a altitude baixa favorecem o aumento da amplitude diurna, entretanto a natureza do solo, profundo e coberto pela vegetação pujante da selva, e a notável rede de rios largos, além da forte nebulosidade durante todo o ano agem em sentido contrário. É bem verdade que na Amazônia predominam calmarias, porém o ar está diariamente muito carregado de umidade. Por esses motivos a amplitude térmica diurna na Amazônia é um pouco inferior às registradas em outras regiões da zona equatorial.

    Se em relação à temperatura, a Região apresenta certa homogeneidade espacial e estacional, ou seja, pouca variedade térmica ao longo de seu território e uma variação estacional pouco significativa, o mesmo não acontece em relação à pluviosidade.

    Em virtude dos sistemas de circulação atmosférica a Região Amazônica constitui-se no domínio climático mais pluvioso do Brasil. Há uma área ou um corredor menos chuvoso, de orientação NW-SE, em Roraima que apresenta um total com cerca de 1.400 a 1.800 mm. Em linhas gerais levando-se em conta o regime de temperatura, toda a Região possui clima quente, uma vez que todos os meses se mantêm com temperatura média superior a 22º C.

    Estima-se que a Amazônia, recebe no limite superior da atmosfera um máximo de 875 cal.cm-2.d-1, entre janeiro a dezembro e um mínimo de 730 cal.cm-2.d-1 em junho e julho, sendo que 50 % dessa quantidade chegam à superfície. Devido ao regime de temperatura, toda a região Norte do Brasil, na qual estão contida 70 % da bacia Amazônica, possui domínio climático quente, sendo que os principais subdomínios climáticos, o super úmido e o úmido. O super-úmido domina a porção Oeste da bacia, grosseiramente a parte de Manaus, onde o tipo climático é o equatorial, já na posição Leste da bacia a partir de Manaus, domina o úmido, com tipo climático tropical.

    A distribuição de precipitação na bacia é sensivelmente menos uniforme. O movimento meridional do Sol entre os paralelos 23o27’ cruzando a linha do Equador duas vezes por ano em intervalos de seis meses conjuntamente com a fonte de água e ar quente que é o Oceano Atlântico, são os principais fatores que determinam os padrões de clima e conseqüentemente a pluviosidade da região Amazônica. A quantidade média de vapor de água armazenado na atmosfera (água precipitável) é da ordem de 35 mm, enquanto a media mundial é de 28 mm, conferindo à região condições isotérmicas, com alta pluviosidade. A pluviosidade anual é maior na costa Norte com valores acima de 3.250 mm, sendo que esse valor decresce em direção a Amazônia Central atingindo um mínimo de 1.750 mm., a partir da Amazônia Central, a quantidade anual de precipitação começa a aumentar, desta feita em direções Nordeste e Sudeste. Na direção Nordeste, encontraram-se os maiores índices, ficando em torno de 3.500 mm e a Sudeste, esses valores são menores alcançando 2.250 a 2.500 mm. Porem, esses índices pode chegar a 5.000 mm.ano-1, na região Andina.

    Se considerarmos a bacia como um todo, 48% da precipitação (2.379 mm.ano-1) é evapotranspirado e 52 % é escoado pelo rio Amazonas. Podemos estimar ainda, que pela precipitação, a bacia recebe 11,87.1012 m3.ano-1 e, através da descarga do rio Amazonas, deixa o sistema 5,44.1012 m3.ano-1. Assim, a Amazônia pode ser caracterizada, por altas temperaturas com baixas amplitudes térmicas onde predomina o clima quente e úmido; precipitação bastante elevada durante o ano, em media 2.200 mm, e com uma ciclagem interna de vapor de água bastante intensa, onde a massa total desse vapor, é constituída de 50 % de vapor d’água de origem marinha (Oceano Atlântico) e 50 % originário da própria bacia, através da evapotranspiração.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas. Especialista em Hidrogeoquímica da Amazônica.

    Pesquisador da Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA/CPCRH; Professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas-UEA/EST; Consultor da Fundação de Ampara a Pesquisas do Estado do Amazonas-FAPEAM; Conselheiro Titular do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Amazonas – CERH-AM

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  • Setor madeireiro faz acordo para desbloquear 364

    Ariquemes/RO – Em reunião nesta quarta-feira (15) entre a bancada parlamentar de Rondônia no Congresso e representantes do setor madeireiro do Estado, chegou-se a uma solução para o impasse criado com o bloqueio da BR 364, na altura do município de Ariquemes. Desde às 12h de segunda-feira, a estrada estava obstruída pelos extratores de tora e madeireiros da região.

    “Estamos construindo saídas para valorizar o trabalho de quem está legalizado e para punir com firmeza quem não está, dentro do princípio de que é preciso combater o desmatamento”, disse o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Claudio Langone, que presidiu a reunião.

    O acordo foi firmado entre integrantes da Associação dos Extratores de Tora e Indústria Madereira (Atimer) de Rondônia, diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), membros da bancada, e o governo federal.

    Decidiu-se na reunião que o Ibama vai disponibilizar um cadastro técnico federal para viabilizar o registro dos extratores de tora e que a Atimer entregará ao órgão federal uma lista dos projetos de manejo que ainda não foram vistoriados na região. Esse procedimento é fundamental para a aprovação das projetos. Com essa lista, o Ibama vai programar, em no máximo 48h, as vistorias pendentes.

    Combate a ilegalidade

    A associação ainda se comprometeu em cooperar com o Ibama para combater a ilegalidade no comércio de madeira na região. O ministério, o Ibama, a bancada e a Atimer deverão acompanhar a votação do Zoneamento Ecológico Econômico do Estado de Rondônia na reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), prevista para acontecer nos dias 21 e 22 de fevereiro.

    A entidade, bem como os integrantes da bancada, comprometeram-se em trabalhar para que possa ser efetivado o processo de descentralização da gestão florestal. “A exemplo do que aconteceu no Pará e no Mato Grosso, queremos criar uma agenda comum com o governo do estado, por meio de uma acordo de cooperação”, comentou Langone.

    O Ibama ainda se comprometeu em disponibilizar, em março, as regras para o plano de manejo de baixa intensidade, que se aplica principalmente nas pequenas e médias propriedade. A regulamentação dessas regras está em consulta pública e a Atimer deverá apresentar suas sugestões até o dia 24.

    O órgão federal também vai discutir formas de melhorar a relação entre o detentor do plano de manejo ou de autorização para desmatamento legal, os extratores de toras e a indústria madeireira de Rondônia. A Atimer, em contrapartida, deverá apresentar alternativas para compatibilizar a demanda da indústria madeireira e a oferta potencial do estado. Hoje, a demanda é muito superior ao que o Estado pode oferecer.

  • Monitoramento mostra poluição do Pirarara

    Cacoal/RO – As águas do Pirarara, um dos principais rios da região central do Estado, apresentam vários indicadores de poluição e são consideradas impróprias para o consumo humano. A constatação foi feita pela bióloga Maria Dinar Pinheiro, como trabalho de conclusão de curso de graduação. “A contaminação da água interfere na saúde das pessoas, na autoregulação e no funcionamento dos ecossistemas”, lembrou Maria Dinar.

    O trabalho foi realizado com o objetivo de verificar, através de análises físico-químicas, microbiológicas e microscópicas, o grau de poluição do Rio Pirarara, no perímetro urbano do município. Segundo Maria Dinar, as coletas de amostras de água foram realizadas com repetições entre setembro e outubro de 2005, em cinco pontos estratégicos distribuídos ao longo do rio. “As amostras foram acondicionadas e transportadas sob condições ideais até os laboratórios responsáveis pelas análises”, explicou.

    Detectou-se, através das análises microbiológicas, a presença de coliformes totais e fecais e de enterobactérias em um grau elevado, deixando a água imprópria para o consumo. As análises físico-químicas evidenciaram alteração em cloreto, proveniente da quantidade de esgotos lançados diretamente ao rio.

    Preservação de rios e nascentes

    Segundo a pesquisadora, o estudo realizado mostra a necessidade de um monitoramento mais aprofundado nas águas do Rio Pirarara, envolvendo mais parâmetros e maiores números de pontos e coletas, que quantifiquem com exatidão as populações existentes, para que se possa chegar a conclusões mais precisas. No estudo, Maria Dinar também faz um alerta à população e às autoridades do município, para que se ocupem mais com a conservação e manejo dos rios que cortam a cidade e com a preservação das poucas nascentes nela situadas.

    De acordo com Maria Dinar, o esforço conjunto trará resultados benéficos e efetivos em menor prazo. Ela sugere que sejam criadas leis que possam evitar que a população polua o rio, bem como programas contínuos de educação ambiental.

  • ANA forma banco de dados sobre água e cultura

    A Agência Nacional de Águas (ANA) está formando um banco de dados sobre a água na cultura brasileira. O acervo inclui desde músicas e canções populares, poesias, livros e peças de teatro até manifestações na escultura, pintura, paisagismo, arquitetura e urbanismo. Também estão sendo registradas expressões sobre o tema na língua portuguesa e nas línguas indígenas, bem como no humor, nas tradições religiosas e nos rituais e crenças populares.

    A iniciativa está alinhada com o tema escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para celebrar, em 22 de março de 2006, o Dia Mundial da Água. A data foi adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1992 e tem um tema específico a cada ano. A celebração do Dia Mundial da Água tem por objetivo fomentar em todo o mundo, de acordo com o contexto e as prioridades de cada nação, atividades de conscientização pública sobre a conservação e o uso da água, assim como a implementação da Agenda 21.

    O resultado do trabalho da ANA, bem como outras iniciativas brasileiras sobre o tema, será apresentado nos eventos associados à 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), entre os dias 20 e 31 de março, em Curitiba.