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  • Aprovado Plano Nacional de Recursos Hídricos

    O Brasil é o primeiro país da América Latina a possuir um Plano Nacional de Recursos Hídricos sob a ótica da gestão integrada. O documento foi aprovado nesta segunda-feira, dia 30, por unanimidade, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e traz um conjunto de diretrizes, metas e programas para garantir o uso racional da água no Brasil até 2020.

    Ao abrir a reunião do Conselho, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou o caráter inovador do plano brasileiro, que leva em conta não apenas aspectos hídricos, mas também fatores econômicos, culturais e sociais. Ela acrescentou que a matéria é de vital interesse para o País, que concentra 12% das reservas mundiais de água doce.Segundo a ministra, o desafio agora será a implementação do plano nas mesmas bases em que ele foi elaborado, “com ampla participação social, a partir do olhar dos usuários da sociedade civil e dos demais entes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos”..

    O Plano Nacional de Recursos Hídricos foi elaborado pela Secretaria de Recursos Hídricos do MMA, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), CNRH, e contou com a participação de cerca de sete mil pessoas, por meio de oficinas e seminários realizados em todo o Brasil. O documento traz metas de curto, médio e longo prazos e propõe a implementação de programas nacionais e regionais, bem como a harmonização e a adequação de políticas públicas, visando estabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda de água.

    O objetivo é assegurar as disponibilidades hídricas em quantidade e qualidade para o seu uso racional e sustentável.

    O secretário de Recursos Hídricos do MMA, João Bosco Senra, destacou que, ao elaborar o plano, o Brasil cumpre compromissos internacionais como o assumido com a Organização das Nações Unidas e com a Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10), que estipulou o ano de 2005 para que os países apresentassem seus planos de gestão integrada de recursos hídricos. “O Brasil é um dos poucos países do mundo e o único na América Latina a cumprir essa meta”, disse, acrescentando que, por esta razão, será apresentado no México, durante o 4° Fórum Mundial das Águas, entre os dias 16 e 22 de março de 2006.

  • Complexo turístico explora a natureza

    Complexo turístico explora a natureza

    Complexo turístico explora a natureza

    Cacoal/RO – As belezas naturais da região amazônica são as principais atrações do Cacoal Selva Park, um complexo turístico localizado a 12 km da área central da cidade. Além de sua estrutura hoteleira, formada por cabanas rústicas e apartamentos, o complexo oferece opções de lazer ligadas diretamente a natureza, como trilha ecológica, pista de arborismo, piscinas e lagos abastecidos por água mineral, além de várias espécies de animais silvestres. O complexo, que em 2001 foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), é formado por 300 hectares, sendo 165 de área preservada.

    A área foi adquirida pelo empresário Nério Bianchini em 1978 e apesar de sempre ter sido utilizada para o lazer, só passou a ser explorada como uma opção do turismo ecológico a partir dos últimos cinco anos. Há na reserva, amostras da flora e da fauna amazônica, que atraem não só a atenção de turistas, mas também de pesquisadores da região. O local é habitado inclusive por animais silvestres como capivara, anta, onça pintada e macaco, além de muitas araras.

    As fontes de água natural são as principais riquezas da reserva. “Todo o parque, desde as cabanas aos lagos e piscinas, é abastecido naturalmente pelas nascentes ”, disse Nério. Segundo ele, a água já foi analisada e apresentou 100% de pureza, sendo considerada própria para o consumo humano.

    Contemplação da natureza

    A pista de arborismo, a primeira do Estado, é a mais nova opção de lazer oferecida pelo Cacoal Selva Park. São 500 metros de percurso no ar, em pontes sustentadas pelas próprias árvores nativas da região. “É uma travessia segura, feita com o acompanhamento constante de guias treinados”, explicou Vera Bianchini, uma das proprietárias.

    O arborismo funciona como uma opção de esporte radical e como uma forma de contemplação da natureza, já que enquanto faz a travessia, o turista aprecia a diversidade biológica da reserva. “É um esporte bonito e que tem tudo a ver com nosso público”, disse Vera.

  • Convenção discute biopirataria

    Brasília – A Oitava Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), que acontecerá em Curitiba, de 20 a 31 de março deste ano, tratará de pelo menos dois temas de grande interesse de povos indígenas e comunidades locais: acesso e repartição de benefícios oriundos do uso de recursos genéticos e proteção dos chamados conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Os dois itens são importantes para combater um dos principais problemas enfrentados pelos países megadiversos: a biopirataria.

    A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) foi o primeiro instrumento legal internacional a reconhecer a relevância dos conhecimentos, inovações e práticas de comunidades indígenas e locais para conservação e uso sustentável da diversidade biológica (Artigos 8j e 10c).

    “Como resultado desses dispositivos, e da luta organizada dos representantes dessas comunidades na última década, eles possuem um espaço político considerável para participar e influenciar o processo da CDB”, destaca Bráulio Ferreira de Souza Dias, gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    Nesta linha, desde o ano passado, o Ministério investe na capacitação de líderes, para que estas comunidades possam participar do evento de forma efetiva. Além de uma cartilha, explicando como a convenção funciona, foram promovidos três cursos, em Curitiba, São Luís e Manaus.

    Entre os temas discutidos estavam histórico, atualidades e perspectivas internacionais da CDB e da COP 8; agrobiodiversidade e políticas públicas; conhecimento milenar indígena; preservação, recuperação e uso sustentável da biodiversidade em terras indígenas. O MMA também está apoiando financeiramente a viagem de lideranças para a reunião preparatória da COP 8, que acontece no final de janeiro, em Granada, Espanha.

    Principais temas

    Entre os principais pontos de discussão na COP 8 está a negociação para criação de um Regime Internacional de Acesso e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade. Entre outras regras, o Brasil defende que o regime seja vinculante, ou seja, tenha regras que devam ser cumpridas obrigatoriamente pelos países signatários e que regulamente também o tema dos conhecimentos tradicionais.

    A briga pela criação deste regime nasceu da constatação de que os recursos genéticos e os conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade vêm sendo sistematicamente acessados por instituições de pesquisa e empresas de desenvolvimento tecnológico de países usuários (pobres em biodiversidade e ricos em biotecnologia). Embora alguns dos países signatários da CDB tenham criado legislações específicas para o tema, elas não têm sido respeitadas fora das jurisdições nacionais.

    Atualmente, por não existir um instrumento que garanta o respeito a essas legislações, o acesso tem sido realizado sem o consentimento livre e informado das populações detentoras dos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais.

    Esses acessos ilegais têm resultado em pedidos de direitos de propriedade intelectual (patentes, registro, marcas, etc) que, em sua maioria, não repartem benefícios. As negociações internacionais sobre o tema têm importância estratégica para o Brasil, que é o país de maior biodiversidade e um dos grandes provedores de recursos genéticos. Algumas estimativas apontam que o mercado mundial de biotecnologia, o qual utiliza os princípios ativos e códigos genéticos existentes na natureza, movimenta, por ano, um valor total que pode ultrapassar U$ 700 bilhões.

  • ONGs italianas constroem hospital na Amazônia

    ONGs italianas constroem hospital na Amazônia

    Cacoal/RO – A Associação São Daniel Comboni, entidade da igreja católica, está construindo em Cacoal, o maior hospital da região. A unidade ocupará 15 mil m2 de área construída e oferecerá atendimento nas especialidades de oncologia, cardiologia, traumatologia e doenças tropicais. O projeto está sendo executado com recursos viabilizados pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) Senza Frontiere e Ingegneri Oltre e com o apoio da população do município.

    O projeto está avaliado em R$ 40 milhões. A unidade está sendo construída no Bairro Eldorado, a cerca de 2 quilômetros da região central da cidade, em um terreno de 50 mil m2, doado pelo morador local, João Pichek. Segundo o padre Franco Vialetto, presidente da Associação São Daniel Comboni, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal colaboraram com os serviços de terraplanagem, mas o apoio maior está sendo dado pelas ONGs italianas e pelo povo de Cacoal. A comunidade colabora com doação de materiais de construção e de mão de obra.

    O hospital deverá desenvolver também, em parceria com outras instituições, pesquisas na área da saúde que envolvam o estudo de plantas medicinais da Amazônia. De acordo com o padre, a equipe de técnicos que vai comandar o hospital, já está sendo formada. “Estamos mantendo contato com médicos e outros profissionais da área e há muitos manifestando interesse em trabalhar no hospital”, disse.

    Dificuldades com a Receita Federal

    A construção do hospital teve início em julho de 2004. Cerca de 40% das obras encontram-se em fase de acabamento, no entanto, Franco Vialetto prefere não marcar prazo de conclusão. Ele argumenta que nas obras de Deus não há cálculo humano. “É caminhando que se encontra colaboradores, pessoas de boa vontade”, disse.

    Franco Vialetto reclama, no entanto, das dificuldades enfrentadas junto a Receita Federal no sentido de receber equipamentos doados pelas ONGs italianas. Ele informou que há, na Itália, três carregamentos de equipamentos e materiais prontos para ser encaminhados ao Brasil, mas estaria havendo dificuldades para se conseguir a liberação de importação.

  • Exército apreende trinta castanheiras em operação

    Ariquemes/RO- Os soldados do Exercito Brasileiro que desembarcaram em Ariquemes no dia 27.03 retornaram ao 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC), levando mais de 100 metros cúbicos de madeiras, que foram apreendidas em operação conjunta com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), todas em Alto Paraíso.

    O município de Alto Paraíso, junto com Ariquemes, Buritis, Campo Novo, Cujubim, Monte Negro e Machadinho do Oeste formam os pontos de maior concentração de extração ilegal de madeiras. O comandante da operação, tenente Renato Acácio Suffi, revelou que foram apreendidas cerca de 30 toras de castanheira, espécie cuja extração é proibida por lei federal e corre o risco de extinção.

    Para a operação que durou apenas um dia, o exército disponibilizou seis caminhões e um ônibus. Todos os caminhões voltaram para o 5º BEC carregados. “O Exército Brasileiro trabalhou apenas em apoio ao Ibama, que dispõe de pequeno quantitativo de homens e equipamentos para fazer a remoção da madeira ilegal”, revelou o tenente Suffi.

    Novas operações

    O chefe do Ibama em Ariquemes , Evandro Haggemann, explicou que em vários municípios da região do Vale do Jamari, os donos de madeireiras deixam as toras jogadas em vias públicas. “Desta forma eles tentam burlar a fiscalização, dizendo que a madeira não é deles. Por isso solicitamos o apoio do exército para atuar no município de Alto Paraíso”, explica.

    Novas operações conjuntas entre o Exército e o Ibama não estão descartadas. “Estamos a disposição para trabalhar em prol da justiça, quando houver designação atenderemos prontamente o pedido”, revela.

  • História dos Suruís retratada em tela

    História dos Suruís retratada em tela

    História dos Suruís retratada em tela

    Cacoal/RO – A história do Povo Suruí, desde a época do contato com os brancos, aos dias atuais, está sendo

    retratada em telas, pela artista plástica Adlanes Cristóvão Suruí. Com habilidade na arte de pintura em óleo sobre tela,

    ela se dedica principalmente a mostrar os hábitos primitivos dos índios. “Em cada tela exponho alguma coisa só deles,

    como a forma de fazer cerâmica”, disse.

    A escolha do Povo Suruí não foi por acaso. Mulher do líder Almir Suruí, Adlanes convive com os costumes

    indígenas há 14 anos. ‘’Retrato os Suruís, porque são um povo que conheço”, disse.

    O trabalho de Adlanes agrada principalmente a quem vem de fora. Expostas na Organização Não Governamental (ONG)

    Kanidé, na capital do Estado, as telas são adquiridas principalmente por ambientalistas e pesquisadores estrangeiros.“Eles

    gostam e levam as telas embora”, conta Adlanes.

    Apesar da satisfação pela aprovação de seu trabalho, Adlanes se preocupa ao ver que está cada vez mais distante a

    possibilidade de concretização de seu projeto de reunir um bom número de telas e fazer uma grande exposição. “Aqui as

    pessoas não ligam muito, mas lá fora a cultura indígena é muito valorizada”, disse.

    Os registros históricos mostram que o Povo Suruí foi contactado em 1969. Na época existia uma população de aproximadamente 5 mil pessoas. Uma epidemia de sarampo surgida após o contato, teria reduzido-a a 290. Hoje seriam cerca de 1.100 pessoas, residentes em aldeias do município de Cacoal.

  • Queda no desmatamento ligada a valorização econômica

    Manaus/AM – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmaram uma redução de 67,58% no desmatamento do Amazonas. Esses índices são resultados do comparativo entre 2004 e 2005. Na área mais crítica do desmatamento, que compreende os 12 municípios do sul do Estado, o Inpe também registrou uma redução de 31%.

    Em coletiva de imprensa realizada na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), o Secretário Virgílio Viana, junto com o diretor executivo do Instituto Nacional de Recursos Renováveis e Meio Ambiente (Ibama), Henrique Pereira, apresentaram os motivos desses resultados positivos.

    De acordo com o secretário da SDS, esses dados são resultados da dupla valorização econômica dos produtos florestais e coerção dos crimes ambientais. “Este resultado é fruto de nossas ações positivas de apoio ao manejo florestal, licenciamento ambiental e eliminação de ICMS para produtos florestais não madeireiros”, explicou Viana.

    O diretor executivo do Ibama ressalta que esses índices foram conseguidos mesmo com toda ação contrária dos grileiros e exploradores ilegais. “Infelizmente, cerca de 90% desse desmatamento acumulado foi provocado pelo desmatamento não-autorizado. Embora tenhamos dobrado o número de autorizações, ainda há muito desmatamento ilegal.”

    Além disso, o aumento dos focos de calor e a maior estiagem dos últimos anos, que contribuem diretamente com o aumento do desmatamento, não surtiram os efeitos negativos esperados. “No ano passado foram registrados mil focos de calor no estado. Este ano, esse número subiu para quatro mil focos e ainda tivemos a estiagem”, fala Adilson Cordeiro chefe do departamento de fiscalização do Ibama.

    Para o prefeito de Lábrea, Jean Barros, as ações de incentivo ao manejo da floresta, principalmente, ligadas à produção de castanha têm permitido que o desmatamento não avance em algumas regiões do município. “Queremos que este trabalho do Zona Franca Verde se fortaleça cada vez mais e sabemos que são as práticas racionais com a natureza que tem ajudado nos avanços contra o desmatamento e esperamos que isso se amplie em 2006”, explicou.

    Ligação com a seca

    Para o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o engenheiro florestal, Arnaldo Nogueira, a redução do desmatamento na Amazônia pode ter ligação com a estiagem registrada esse ano.

    “Teoricamente, esse ano deveria ter tido índices de aumento nas áreas florestais, porque com a prolongada vazante, os madeireiros teriam condições ambientais para atuar. Mas acredito que com o espaço dado a Amazônia por causa da vazante, tenham intimidado as ações dos madeireiros clandestinos”, afirmou.

    Madeira ilegal

    Estima-se que 70% da madeira extraída da Amazônia tenha origem criminosa. Ou seja, são exploradas, industrializadas e comercializadas por pessoas e empresas que desrespeitam as leis do país, disse o engenheiro florestal e campaigner do Greenpeace na Amazônia, Marcelo Marquesini.

    De acordo com ele, a clandestinidade de alguns madeireros muitas vezes ocorre devido a falta de políticas públicas dos governantes. “Não é o caso do Estado do Amazonas, porque vejo aqui grandes exemplos de trabalhos com manejos sustentáveis”, afirmou.

    Para o coordenador do programa Amazônia, da ONG ambiental WWF-Brasil, Luís Meneses, a diminuição da clandestinidade no uso ilegal dos recursos florestais só irá efetivamente acontecer quando houver uma melhoria nos problemas sociais dos moradores da floresta.

    “Sem dinheiro e com fome, todo ribeirinho é obrigado a utilizar indevidamente os recursos da floresta. Se houver melhoria nas condições de vida e social dessa classe, repercutirá no bem estar da floresta”, concluiu.

  • Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Manaus/Am – A previsão de que a 7ª pior vazante do último século, registrada em 2005, na Amazônia, poderia causar fortes impactos no sistema ambiental da região foi invalidada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e da Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM/Am).

    Estudos feitos pelos técnicos no mês passado indicaram que as mais de 150 toneladas de peixes mortos na seca não irão prejudicar a reprodução pesqueira. A possibilidade de haver uma enchente nas mesmas proporções em 2006, também foi descartada pelos especialistas.

    Na primeira quinzena de outubro (período da vazante), profissionais do meio ambiente como o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Rômulo Melo, preveu que haveria uma diminuição significativa na quantidade de peixes para o próximo ano, devido aos impactos ambientais gerados pela seca.

    "A recuperação das águas, depois da vazante, será lenta, dificultando a migração dos peixes das águas paradas para a reprodução nos grandes rios (época da piracema). Ou seja, além dos peixes que já morreram com a diminuição das águas nos igarapés e lagos, milhares de espécies migradoras podem perecer no percurso do rio Amazonas", ressaltou Melo.

    A mesma idéia defendia o secretário executivo de Pesca e Agricultura de Produção Rural (Sepror), Geraldo Bernadino. "Nessa vazante os igarapés e lagos diminuíram pelo menos 10 metros de altura. Esse fato pode prejudicar a produção pesqueira daqui a três anos. Isso aconteceria, porque os milhares de herbívoros e carnívoros mortos estariam se reproduzindo agora durante o mês de novembro", explicou.

    Durante o período latente da seca (setembro a outubro), estatísticas realizadas pelo Ibama em parceria com a Sepror confirmaram a morte de mais de 150 toneladas de peixes, residentes em paranás, igarapés e lagos. De acordo com Bernadino, esses foram os locais mais afetados com a vazante, devido a obstrução dos canais fluviais por blocos de areias, gerados com a diminuição das águas.

    Peixes terão reprodução normal

    Os pesquisadores Pedro Mera, Hiroshi Noda e Sidinéia Amadio, coordenados pelo agrônomo com especialização em Biologia Aquática, Roseval Leite, do INPA estiveram nos municípios de Manaquiri, Careiro da Várzea e Manacapuru (Am), após o término da seca (27/10) e invalidaram as suposições de impacto ambiental no setor pesqueiro.

    "Peixes residentes em grandes lagos como, curimatá, pescada, sardinha, piranha e tambaqui, não serão prejudicados durante o período da piracema (época de reprodução dos peixes), devido ao processo natural de renovação das águas", garantiu Roseval.

    Segundo o coordenador da expedição, restos das carnes dos peixes mortos que não foram absorvidos pelas bactérias se transformarão em grandes fontes de nutrientes para as terras que, juntamente com a chuva, gerará a reprodução em massa de algas, principal alimento dos peixes herbívoros.

    A possível diminuição das espécies carnívoras residentes dos lagos que morreram e não poderiam se multiplicar na piracema é contestada por Roseval. "Com o retorno das chuvas os lagos trocarão suas águas. Por isso as espécies de outros lagos não afetados estarão migrando para as regiões abaladas com a vazante. Esse fenômeno natural contribuirá para a reprodução dos carnívoros nas grandes redes fluviais, entre elas Amazonas, Solimões e rio Negro", observou.

    Hidrologia e clima não serão afetados

    De acordo com o gerente de hidrologia da CPRM, o hidrólogo Marco Oliveira, não existe indícios históricos de que a vazante registrada neste ano, possibilite um desequilíbrio hidrológico no setor fluvial da Amazônia no próximo ano.

    Oliveira informou que a maior seca, registrada em 1963, onde as águas dos rios ficaram na marca dos 13,64 metros, não influenciou na cheia do ano posterior. "Em nosso sistema, 1964 foi tido como um ano normal de cheia", explica.

    A mesma situação aconteceu com a segunda maior seca, em 1906, com 14,20 m e a terceira em 1997, que registrou uma marca de 14,35m de altura nos rios. A vazante de 2005 foi a sétima maior dos últimos 100 anos, onde encerrou o período de seca com 14,75 metros em 27 de outubro.

    “Não temos motivos para acreditar em desequilíbrios hidrológicos no sistema fluvial da Amazônia no próximo ano com um suposto aumento descontrolado da marca dos rios", declara.

    O hidrólogo ressaltou ainda que o curso dos rios vem subindo normalmente nos últimos 55 dias, com médias que chegavam a mais de nove centímetros por dia. "Atualmente (20/12/05) o rio aponta uma marca de 20,01m. Isso significa que ele já subiu cerca de 5,35 metros, normal nessa época do ano", comentou.

    O setor climático da região amazônica também não sofrerá influências da última estiagem, como afirma o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet/Am), Flávio Natal. Segundo ele, as precipitações (chuvas) registradas nos últimos 40 dias em toda a região estão acontecendo dentro da média estimada pelo instituto.

    "Estamos registrando uma queda de pelo menos 90 milímetros por dia. Em alguns casos ultrapassam os 120 mm, mas é em fevereiro que o processo de precipitação começa a aumentar. Além do mais, não existem fatores científicos que comprovem que um verão muito forte possa interferir no curso normal do inverno amazônico", declarou.

    Águas já estão navegáveis

    Os municípios que ficaram isolados pela seca, devido ao impossível acesso por meio de barcos, agora já podem ver chegar as embarcações em seus portos. Cidades como Manaquiri e Careiro da Várzea, no Amazonas, já estão com seu nível de água transitável.

    "Não agüentávamos mais tanto sofrimento: falta de comida, de água potável, além é claro do isolamento que não nos permitia sairmos da área", informou o presidente da comunidade Santa Marta, localizada no Manaquiri.

    As doenças também foram incidentes no período que decorreu a vazante. "Quando as águas baixavam, se criavam vários buracos no que restava dos igarapés, que serviam de focos para mosquitos infecciosos como dengue e malária, mas agora já podemos ver nossos paranás enchendo. Isso é grandioso, para quem viveu profundamente a seca ", declarou o líder do distrito de Purari, no Careiro da Várzea.

    De acordo com comandantes dos barcos ancorados no porto de Manaus (Am), todos os rios da Amazônia já estão transitáveis desde o último dia 29 de novembro. "Rios como o Madeira, o Solimões e o Rio Negro não oferecem mais dificuldades de navegabilidade em nenhuma região", afirmou Almir Silva, dono de embarcação.

  • Madeireiros exploram reserva dos Suruís

    Cacoal/RO – Cerca de 200 caminhões carregados de madeira estariam saindo

    diariamente das aldeias da Reserva Indígena Suruí, localizada no município

    de Cacoal, em Rondônia. A denúncia, que corre de "boca em boca" na cidade, é

    confirmada pelos motoristas de caminhões boiadeiros, que transitam pelas

    mesmas estradas usadas pelos veículos das indústrias madeireiras. A

    exploração estaria sendo feita com a autorização dos índios, que se propõe a

    vender a madeira.

    Os motoristas dos caminhões boiadeiros contam que, apesar da exploração

    diminuir nesta época do ano, por causa do período chuvoso, ainda vêem

    constantemente caminhões carregados de madeira deixarem a reserva. Estariam

    sendo retirados da área todos os tipos de madeira, inclusive espécies

    nobres. "Tem madeireiro que entra até 60 quilômetros para dentro da reserva,

    porque na entrada não há mais o que explorar", disse um motorista, que

    preferiu não se identificar.

    Há informações de que a exploração já dura 20 anos e que estaria ocorrendo

    inclusive com a conivência de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio

    Ambiente (Ibama). Os servidores envolvidos também estariam lucrando

    financeiramente com a exploração ilegal.

    Denúncias são investigadas

    O administrador da Funai, em Cacoal, Orlando Castro Silveira, que assumiu o

    cargo há pouco mais de 30 dias, disse que todas as denúncias relacionadas a

    reserva estão sendo investigadas. Apesar de afirmar que a Funai necessita de

    mais recursos para fazer a fiscalização necessária, ele informou que deverá

    ser realizada uma operação na área, dentro dos próximos dias, com o apoio do

    Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Ambiental.

    De acordo com o administrador, além de não dispor das condições de trabalho

    necessárias, a Funai enfrenta dificuldades no sentido de convencer o índio a

    não vender a madeira de suas terras. Os indígenas alegam que vendem a

    madeira porque precisam sobreviver e não recebem o apoio necessário do

    Governo Federal. "De qualquer forma não se pode justificar o que é ilegal,

    então temos que combater a exploração", disse.

    Sem conhecimento

    A gerente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, disse que não

    tem conhecimento de denúncias específicas de envolvimento de funcionários do

    instituto com a exploração da madeira da terra dos Suruís. Ela afirmou,

    porém, que tanto o Ibama quanto a Polícia Federal estão investigando muitas

    denúncias de participação de servidores em crimes ambientais.

    Segundo a gerente, para que a denúncia seja investigada, é preciso que seja

    registrada por carta ou telefone junto aos escritórios do Ibama ou pela

    chamada linha verde, no 0800 618080. É necessário, porém, conforme a

    gerente, que a denúncia ofereça fortes indicativos em relação ao denunciado,

    inclusive endereço de localização da pessoa acusada, datas e locais da

    prática do crime.

  • Considerações Hidrológicas da Bacia Amazônica

    A bacia amazônica abrange uma área de drenagem da ordem de 6.112 .000 Km², ocupando cerca de 42 % da superfície do território nacional. A maior rede hidrográfica mundial é da Bacia Amazônica, com área de drenagem da ordem de 6 x 106 km² prolongando-se dos Andes até o Oceano Atlântico.

    Ocupa cerca de 42% da superfície brasileira, estendendo-se além da fronteira da Venezuela à Bolívia.

    Seu principal curso d´água é o rio Amazonas, que com extensão de 6.570 km, nasce em território peruano, no riacho Lauricocha, originário da lagoa do Ninõ, nas geleiras da cordilheira de Santa Anna, cerca de 5.000m acima do nível do mar. O percurso inicial, da ordem de 45 Km, é realizado em quedas, no sentido norte, formando as lagoas Santa Anna, Cablocacha, Nieveurco, Tinquincocha, Yanacocha e Patarcocha.

    Após escoar no Lago Lauricocha, toma a denominação de Marañon, ainda no Andes, onde recebe pequenas contribuições, e após atravessar o Pongo de Manseriché, segue aproximadamente à direção leste até a foz, no Atlântico. Entra no Brasil na confluência com o rio Javari, somente a partir da confluência com o rio Javari, próximo a Tabatinga, sendo, então, chamado de Solimões e, somente a partir da confluência com o rio Negro, passa a ser denominado de Amazonas. Próximo a Manaus, bifurca-se com o Paraná do Careiro, estimando-se aí uma largura da ordem de 1.500m e profundidade em torno de 35 m. Entre a confluência do rio Negro e a região das ilhas, próximo a desembocadura, é conhecida por Baixo Amazonas.

    Considerando que a posição geográfica da bacia é praticamente paralela ao Equador, o regime das águas do Amazonas é diretamente influenciado pelos dois máximos de pluviosidade dos equinócios, sendo, por isso conhecido como regime fluvial de duas cheias. A bacia Amazônica está sujeita ao regime de interferência, portanto tem contribuintes dos hemisférios Norte e Sul, coincidindo a cheia de um hemisfério com a vazante do outro.

    Em virtude do predomínio do clima de elevada pluviosidade na quase totalidade do seu território, a Bacia Amazônica apresenta a mais densa e rica rede de drenagem conhecida, do que resulta possuir o maior sistema fluvial da Terra. Recolhendo grande parte da precipitação pluvial do Globo, os rios da Bacia Amazônica são permanentemente caudalosos; escoando cerca de 1/5 do volume da água doce de todo o planeta, o rio Amazonas é a artéria fluvial de maior vazão já medida, carregando 15 a 20% da água que todos os rios do mundo conduzem aos oceanos.

    A expressão continental da Bacia Amazônica reside no fato de ela drenar aproximadamente ¼ da superfície da América do Sul, abrangendo seis dos onze países sul-americanos.

    Não obstante possuir uma drenagem nitidamente do tipo exorreico, a Bacia Amazônica apresenta a singularidade de comunicar-se com outras grandes bacias hidrográficas sul-americanas, por vezes através de verdadeiras anastomoses entre diferentes sistemas fluviais. A ligação mais conhecida é aquela feita por meio do canal Casiquiare, que estabelece comunicação permanente entre as Bacias Amazônicas (rio Negro) e orinocense (rio Orenoco), permitindo navegação por pequenas embarcações durante todo o ano.

    O regime dos rios da Bacia Amazônica está, antes de tudo, condicionado ao regime pluvial reinante nesta vastíssima área geográfica, muito embora o Amazonas e seus formadores extremo-ocidentais de origem andina tenham também uma alimentação nival. A água proveniente do derretimento primaveril das neves andinas representa, porém, uma contribuição bem pequena quando comparada com o formidável volume d´água que cai na grande bacia; além disso, há uma certa regularidade na alimentação da rede hidrográfica amazônica pelo degelo andino.

    A explicação do regime fluvial amazônico em especial do rio Negro está no próprio regime das chuvas caídas na bacia, este dependendo, por sua vez, do comportamento da circulação geral atmosférica dentro da zona intertropical sul-americana, isto é, dos deslocamentos das massas de ar nesta larga faixa climática.

    Cortada pelo círculo do equador em sua porção extremo-norte, a Bacia Amazônica sofre, portanto, a influência do regime fluvial dos dois Hemisférios: no verão austral a vasta porção meridional da bacia, cerca de seis vezes maior que a setentrional, recebe maior quantidade de chuva que esta última, ocorrendo o inverso no verão boreal, quando as precipitações são mais abundantes na porção setentrional.

    A alimentação pluvial dos rios das vertentes norte e sul da Bacia Amazônica é garantida, alternadamente, pelas migrações no sentido dos meridionais, da massa Equatorial Continental, cujas chuvas são mais abundantes e constantes na porção ocidental da bacia, pois esta parte é o domínio, praticamente durante todo o ano, da massa Ec, portadora de copiosos aguaceiros de convecção.

    Com efeito, a subida das águas na Bacia do rio Negro tem início em abril e maio (águas provenientes das copiosas chuvas tombadas nesse Hemisfério, no verão boreal).

    Os rios denominados de água preta, em compensação, justificam plenamente tal apelido; suas águas, quando em grandes massas, são realmente muito escuras como as do famoso rio Negro. São transparentes e cristalinas; quando vistas em lugares rasos, com fundo de areia branca. Isto porque praticamente não transportam sedimentos, do que resulta não constituírem várzeas às suas margens nem ilhas em seus leitos, a não ser quando recebem afluentes de água branca, como acontece com o próprio rio negro.

    A cor escura das águas dos rios pretos decorre da forte dissolução de substâncias húmicas coloidais que provém do manto de matéria orgânica em decomposição, fornecida pela vegetação florestal que se desenvolve nas áreas inundáveis das suas nascentes e margens, bem como pelos solos podzólicos e arenosos das áreas campestres das suas cabeceiras. As áreas inundáveis destes rios, quando ocupadas por florestas, foram denominadas de igapós pelos indígenas, e as matas nelas existentes, caaigapós (matas alagadas).

    Os rios de águas claras, ou de águas limpas como o rio Branco, se caracterizam pelo diminuto transporte de sedimentos argilosos, os quais se depositam principalmente a jusante das últimas cachoeiras, corredeiras e rápidos por eles vencidos antes de atingirem a planície terciária. Essa deposição, muito fraca, só ocorre praticamente na época das grandes chuvas caídas em suas bacias, que se encontram geralmente sobre terrenos rochosos ou arenosos, com pouca quantidade de argilas. A areia oriunda, na sua maior parte, da meteorização das rochas pré-cambrianas dos escudos norte e sul amazônico – constitui o material básico na sedimentação provocada pelos rios de águas claras que, por isso, são ricos em praias e bancos de areias (coroas), emergentes nas vazantes.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas. Especialista em Hidrogeoquímica, voltada para a Região Amazônica.

    Pesquisador da Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-CPCRH/INPA e Professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas-EST/UEA

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