Autor: daniel

  • Aberta temporada de concessão de florestas

    Rondônia – No dia 21 de setembro (Dia da Árvore) o Ministério do Meio Ambiente anunciou o nome da primeira floresta nacional disponível para concessão, a Floresta Nacional (Flona) do Jamari, em Rondônia.

    Anunciada como uma panacéia contra o avanço do desmatamento descontrolado sobre as florestas brasileiras (das quais 92% do total fica na Amazônia) a possibilidade de conceder fatias de pequenas, médias e grandes extensões de florestas para exploração sustentável por entidades e ou empresas tem recebido duras críticas.

    A idéia é valorizar os projetos sustentáveis que ofereçam maior número de empregos e que possam trazer benefícios sociais sem prejuízos para a natureza.

    Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva a Lei de Gestão de Floretas Públicas, que rege a concessão de florestas, vai mudar a visão tradicional de remoção de florestas. “Temos cada vez mais que compreender que a floresta em pé é muito mais rentável do que a sua destruição, com perda da biodiversidade, com perda dos serviços ambientais e prejuízo às comunidades”.

    Segundo a ministra, a lei permitirá aprofundar o manejo sustentável, o uso dos componentes da biodiversidade, o ecoturismo e várias outras atividades.

    Ação anti-brasileira

    Já o geógrafo Aziz Ab’Saber, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor emérito do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), foi duro. Para ele, “a exploração de áreas ditas auto-sustentáveis é uma ação anti-brasileira em relação à biodiversidade”, e o aluguel de Flonas para particulares “é um absurdo”. Para Ab’Saber, o melhor manejo para a floresta envolveria o reaproveitamento de áreas já devastadas, a partir da borda da floresta, para o plantio e o uso de solo.

    Arrecadação

    Uma parcela de até 30% do montante que for arrecadado com licitação será destinado ao Serviço Florestal e ao Ibama, para ser investida na fiscalização, monitoramento e controle das áreas licitadas. O restante, pelo menos 70%, será destinado ao Instituto Chico Mendes -o gestor da unidade- ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, ao Estado de Rondônia e aos municípios onde se localizam as áreas manejadas.

    Edital

    A licitação das concessões compreendem lotes com áreas de 45 mil, 30 mil e 15 mil hectares. Essa divisão foi feita para permitir a participação de produtos de diferentes escalas.

    Sustentabilidade

    A Floresta Nacional do Jamari tem 220 mil hectares de extensão, dos quais 92 mil serão alvo da concessão. A licitação levará em conta os critérios de preço e técnica. Danificar o menor número de árvores e criar o maior número de empregos diretos, por exemplo, são itens que podem fazer a diferença na pontuação entre os concorrentes.

    A concessão de florestas públicas pode ser liberada por um período que vai de cinco a 40 anos. Podem participar das licitações empresas brasileiras, independentemente da origem do capital, desde que estejam instaladas no país.

  • Desarticulada quadrilha do cobre

    Alto Alegre/RO – A mineração predatória e irresponsável está deixando suas marcas na região de Alto Alegre dos Parecis, a 520 quilômetros de Porto Velho. Na última quinta-feira, a extração ilegal de minério de cobre resultou na prisão em flagrante de sete pessoas, uma máquina escavadeira e 3,6 mil quilos da matéria-prima, na Linha P40, no quilômetro oito. Os acusados foram levados para o Departamento de Polícia de Alta Floresta, mas foram liberados depois de pagarem fiança.

    Na operação, realizada pela policia ambiental e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sedam), os envolvidos foram enquadrados no artigo 2 da Lei 8176/91, que prevê detenção, de um a cinco anos, além de multa para quem explorar matéria-prima sem autorização legal, e no artigo 55 da Lei 9.605/98, que determina detenção, de seis meses a um ano e multa para a execução de pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem permissão.

    Segundo o prefeito do município, Mariton Benedito de Holanda, há pelo menos três meses, caminhões com placa de Ariquemes saem da cidade, à noite, carregados de minério. Segundo ele, pelo menos quatro equipes trabalham na região, extraindo o minério em sítios particulares com a conivência dos donos. “Eles ganham alguma coisa para deixar os mineradores trabalharem nas propriedades”, diz. Mas, Mariton afirma que, depois de descobrirem o potencial do negócio, os próprios sitiantes estão querendo assumir a extração.

    Alto valor

    O cobre é um produto de alto valor, se comparado à maioria dos outros componentes da pauta estadual. A matéria-prima é o metal não ferroso mais utilizado, depois do alumínio, por ser excelente condutor de eletricidade e calor. Mais de 40% das reservas mundiais estão localizadas no Chile e nos Estados Unidos. No Brasil, foram extraídas quase 132 toneladas de cobre, que movimentaram mais de R$ 993 milhões.

    Segundo dados do Anuário Mineral Brasileiro de 2006, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), não existem reservas minerais medidas ou lavráveis de cobre em Rondônia. “Não há registro de cobre no Estado, além de Parecis”, afirma o geólogo Deolindo de Carvalho Neto, responsável pelo DNPM em Rondônia. Ele afirma que por duas vezes o DNPM de Rondônia formulou denúncia de extração ilegal de cobre ao Ministério Público e a Polícia Federal. “A empresa mineradora fez a denúncia afirmando que a sua área foi invadida”, afirma. Apesar de não ter vocação para mineração – o Estado representa 2,49% da atividade brasileira – o setor movimentou R$ 190 milhões, em 2005.

    Permissão para pesquisa

    Existem oito processos em andamento no DNPM de empresas que requerem autorizações de pesquisa de cobre ou minério de cobre, em Alto Alegre dos Parecis. Desde 1988, mineradoras grandes, como a Vale do Rio Doce, já buscavam permissão para pesquisa. Apenas a Mineração Paracaua tem o alvará de pesquisa para o cobre na região, concedido até abril de 2008. De acordo com Artur Oliveira, técnico em geologia e mineração do DNPM, a autorização foi dada em 2001, por três anos, e prorrogada em 2006, por mais dois anos.

  • Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Aldeia Roosevelt elege novo cacique

    Espigão do Oeste/RO – A comunidade Cinta Larga se reuniu em uma assembléia geral no dia 07 de setembro na aldeia central do Roosevelt para eleger as novas lideranças da etnia. A reunião começou pela manhã e contou com a participação de todas as tribos que se deslocaram até a aldeia central para participar do pleito.

    Em conformidade com as tradições a cerimônia foi toda realizada na língua materna (Tupi Mondé), começando com o candidato a cargo de cacique, Azumba Cinta Larga fazendo uma oração de agradecimento a Deus por aquele encontro. Os vários candidatos foram convidados a compor a mesa e depois cada um teve o uso da palavra para falar de suas propostas para a comunidade e tempo para pedir votos.

    A primeira eleição foi realizada para a escolha do novo presidente da associação indígena. Após a apuração dos votos foi eleito Marcelo Cinta Larga, tendo como vice o líder Pio Cinta Larga.

    A segunda eleição do dia foi realizada para a escolha do novo cacique da aldeia central do Roosevelt, apresentou os candidatos: Mascote, João Pelado, Canário, Azumba e João Pamaré que concorria pela reeleição. Após a contagem dos votos, foi eleito o novo cacique da aldeia central o líder Azumba Cinta Larga e como vice Canário Cinta Larga.

    Problemas das aldeias

    No dia seguinte uma nova reunião foi organizada pelos novos lideres que se reuniram com a comunidade indígena para discutirem os principais problemas das aldeias. Representantes das aldeias Capitão Cardoso, Juarez, Tenente Márquez, 14 de Abril, Flor do Prado mandaram seus representantes para participarem das discussões.

    O representante da educação escolar indígena Anemã Irun Cinta Larga também participou do encontro como representante da Seduc na coordenação das escolas indigenas das aldeias Cinta Larga. Cada liderança fez o uso da palavra para expor as suas dificuldades na comunidade. Ao final o novo presidente da associação indígena Marcelo Cinta Larga propôs criar uma nova identidade para a associação indígena, com ações voltadas para valorizar e resgatar as tradições e costumes do povo Cinta Larga.

    Escolha democrática

    O técnico em educação indígena Anemã Irun Cinta Larga falou da importância dessas transições que acontecem nas comunidades indigenas. As eleições para escolha de novas lideranças acontecem cada vez que a comunidade não está satisfeita com o líder. Na escolha todos podem votar, menos criança. “A permanência de líder não tem tempo determinado, enquanto estiver atendendo bem os pedidos da comunidade ele permanece, não tem limite para ele ficar como cacique”, afirmou Anemã.

    A escolha dos caciques é democrática e sem restrições aos seus membros. Qualquer um da comunidade pode se candidatar para o cargo. Após o encontro o representante da educação escolar indígena Anemã Cinta Larga pediu as lideranças o apoio na manutenção da educação indígena dentro das aldeias. “Esse apoio de novos lideres é muito importante para que os pais mantenham os jovens nas escolas”, finalizou o professor Anemã.

  • Terra fértil da Amazônia é analisada

    Um grupo internacional de instituições de pesquisa está estudando uma forma de reproduzir o que os pesquisadores chamam de Terras Pretas de Índio, que são terras férteis, encontradas em diversos pontos da Floresta Amazônica, de forma aleatória, geralmente próxima aos rios. Nestes locais, durante milhares de anos as tribos indígenas que viviam ali enterraram todo o tipo de lixo usado por eles – orgânico e inorgânico. Muito tempo depois, descobriu-se que aqueles locais se transformaram nos solos mais férteis do mundo.

    Pesquisadores da Embrapa Solos, que faz parte do grupo de estudo, explicam que o objetivo é reproduzir estas terras num curto intervalo de tempo e de modo economicamente viável. Eles afirmam que as Terras Pretas de Índio contém três vezes mais fósforo e nitrogênio – que são os nutrientes para as plantas – se comparada ao solo comum, sem nunca ter recebido doses de fertilizantes. Além disso, consegue remover o carbono da atmosfera de modo muito mais eficaz do que qualquer outro tipo de solo (um hectare de Terra Preta pode estocar 250 toneladas de carbono ou mais, em contraponto a 100 toneladas nos solos próximos).

    Revolução Verde

    Os especialistas acreditam que, quando for possível reproduzir as Terras Pretas de Índio, haverá uma segunda Revolução Verde – só que desta vez, de uma forma ecologicamente correta. “Um verdadeiro ouro negro vegetal, que nós esperamos que se transforme em um passaporte para a tão desejada sustentabilidade da Agricultura Tropical”, explicam.

    Insumo agrícola

    De forma paralela, a Embrapa Solos também está estudando outras formas de aproveitamento dos lixões urbanos e rurais e propõe uma utilização mais nobre deste grande problema ambiental e de saúde pública: transformar os lixões em biocombustível ou insumos agrícolas. “As Terras Pretas de Índio são fruto da decomposição de todo aquele lixão que os nossos antigos índios enterraram”, explica o pesquisador Etelvino Henrique Novotny, da Embrapa Solos. O nome “Terra Preta” se deve ao alto acúmulo de carvão – ou biocarvão como também é chamado -, diferente dos solos comuns.

    Desde a década de 60, a ciência está estudando formas de aproveitamento e reprodutibilidade das Terras Pretas. Uma das últimas descobertas de utilização do carvão vegetal – presente nestas terras e fabricado na indústria – é como fertilizante e coadjuvante no seqüestro de gases do efeito estufa. Com o objetivo de estudar esses outros aproveitamentos do carvão vegetal foi formado o International Biochar Initiative (IBI), ao qual o pesquisador Etelvino, foi recém-convidado para fazer parte, ao lado de representantes de 13 países-membros.

  • Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Nível das águas do Rio Machado cai

    Ji-Paraná/RO – Em Ji-Paraná não chove há quase quatro meses e o nível do rio Machado, que deveria estar medindo entre seis e sete metros, está na marca dos 2,85 metros. Este ano é a pior estiagem desde o ano de 1989.

    O agrupamento do Corpo de Bombeiros de Ji-Paraná está aconselhando que as pessoas não utilizem barcos e lanchas no Machado, pois a quantidade de pedras à mostra jamais foi vista antes.

    Alguns anos atrás, toda a Amazônia era completamente regular. No mês certo chovia, depois chegava a seca. Segundo informações do pesquisador em meteorologia, Daniel Panobianco, chuva só na segunda semana de outubro. “O calor excessivo é efeito da anomalia negativa de chuvas este ano. A estiagem começou muito antes do que se esperava”, explicou o pesquisador.

    A conseqüência do calor afeta a qualidade do ar, que segundo Panobianco, em alguns dias já chegou a ser avaliada como inadequado. Como conseqüência, os hospitais ficam lotados com crianças e idosos que apresentam falta de ar, tosse seca, ardor nos olhos, nariz e garganta. Cuidados simples e caseiros podem umidificar o ar dentro de casa e aliviar os sintomas provocados pelo ar seco.

    A umidade relativa do ar de Rondônia está abaixo de 12%, o que é considerado como estado de emergência pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação pode piorar, caso venha uma frente fria nos próximos dias. De acordo com o pesquisador, quanto mais friagens, mais tardia será à volta da estação chuvosa.

  • Rondônia está mais quente nos últimos 16 anos

    Porto Velho/RO – No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje, 05 de junho, uma triste constatação para os mais de 1,5 milhões de habitantes de Rondônia: o Estado se tornou mais quente nos últimos 16 anos. E este seria apenas um dos sintomas do aquecimento global.

    A previsão é de que até o final deste século teremos na Amazônia, uma vegetação de savana – árvores de pequeno e médio portes, com caules retorcidos e pobreza de diversidade.

    Segundo a expectativa de estudiosos do aquecimento global, este fenômeno seguirá um arco, começando pelo Pará, indo para Mato Grosso e atingindo Rondônia.

    Estudo realizado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), revela que nos últimos 16 anos a temperatura em Rondônia aumentou em torno de 0,2 a 0,5 graus centígrados. A elevação pode parecer pouca, mas na região tropical, onde Rondônia está situada, as mudanças acontecem de forma gradual.

    “Pesquisei as temperaturas locais desde 1928 até 2006, consideramos variações anuais e dividimos pelos 16 anos. Isto significa que em determinados períodos o calor ficou realmente mais intenso”, afirma o meteorologista e climatologista do Sipam, Ranyere Nóbrega.

    Segundo Nóbrega, a elevação de temperaturas também está relacionada com o crescimento da cidade. A junção de prédios, asfalto e a retirada de vegetação natural contribuem com o aumento de temperatura e nem mesmo a arborização da cidade iria resolver o problema de excesso de calor. “As árvores podem transmitir uma impressão de menos calor por causa das sombras, mas isso não significa a diminuição no registro dos termômetros, que manteriam altas temperaturas”, revela.

    Savana

    Pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) calculam o tamanho do estrago que o aquecimento global trará à Amazônia neste século. Eles cruzaram dados de 15 modelos de computador usados pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) com outros de vegetação e clima feitos no Brasil e constataram que até 18% da área que atualmente é mata deve virar uma vegetação rala, semelhante ao cerrado. Com o clima mais seco, a savana tende a crescer. Pelo estudo, a floresta amazônica vai ganhar 30,4% de savana entre 2090 e 2099.

    Explicações

    O pesquisador Ranyere Nóbrega, do Sipam de Rondônia, ressalta que o clima na Terra está mudando e a tendência é que estas alterações sejam mais notadas nos próximos anos. “Estamos tendo o fenômeno La Niña, que traz mais chuvas e tem entrada de ar frio. O El Niño é o contrário disto. Estes dois fenômenos antes aconteciam uma vez a cada década, hoje eles não têm mais um padrão”, explicou.

    As principais causas do aquecimento global são: alta emissão de dióxido de carbono (CO²) e metano no ar. O Brasil é o quarto lugar na emissão de CO² e cerca de 60% deste total vem das queimadas e do desmatamento. Os Estados Unidos estão em primeiro lugar no ranking de países poluidores.

    Rondônia não possui dados separados sobre sua contribuição no aquecimento global, mas o pesquisador afirma que a junção de queimadas e agropecuária é um fator preocupante. O modelo de pecuária extensiva, por exemplo, que utiliza grandes áreas, influi diretamente na emissão de gases poluidores. Na queimada usada para limpar as áreas, se forma o dióxido de carbono. Já a pecuária gera o metano.

    Outra fonte bem conhecida na emissão de CO² é a descarga dos carros. A queima dos combustíveis fósseis, como os derivados do petróleo também é muito poluente. “Independente da origem, uma coisa é certa: os níveis de dióxido de carbono nunca estiveram tão altos”, ressaltou.

    Mudanças

    As mudanças começam a ser sentidas com ondas de frio ou épocas de seca intensa. As friagens em Rondônia, por exemplo, estão mais constantes e rápidas. Os fenômenos que antes aconteciam com raridade, agora estão mais intensos e freqüentes, um problema que não está acontecendo só em Rondônia, todo o mundo começou a perceber alterações no comportamento climatológico nos últimos anos, segundo Ranyere Nóbrega.

    Consequências

    O aquecimento global pode ocasionar falta de água potável, dificuldades para cultivo de alimentos e o aumento de doenças tropicais como malária e dengue. Além disso, seca como a que aconteceu em 2005 poderão ser bem mais frequentes.

    Como colaborar

    Com o uso racional da energia elétrica. “Principalmente porque temos em Rondônia, termoelétricas, que queimam o diesel, altamente poluente”, lembra Nóbrega.Troca das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes – as brancas e utilizando transportes não poluentes, como a bicicleta, por exemplo.

  • Curiós são os mais cobiçados por traficantes

    Porto Velho – Os curiós (Oryzoborus angolensis) representam a espécie mais cobiçada por criadores e pessoas que traficam animais da fauna rondoniense. Só no ano passado, dos 408 animais que deram entrada no viveiro do Ibama, após serem apreendidos em criadouros ilegais, 119 eram curiós, entretanto, segundo técnicos que atuam no Ibama, esse número não representa a quantidade desses pássaros que vivem enclausurados ou que são destinados ao tráfico nacional e internacional de animais.

    Somente nos três primeiros meses deste ano, o Ibama já apreendeu 83 animais, destes, 31 são curiós. “O número de animais em cativeiros deve ser muito maior, mas é preciso que seja feita a denúncia para que Ibama consiga chegar até eles”, alerta João Veríssimo de Souza, responsável pelo setor de Fauna do Ibama.

    Para tentar inibir este número, a superintendência do Ibama lançou recentemente no Estado, a campanha “Curió, denuncie quem prende ou vende”. Apesar de a campanha levar somente o nome do curió, é válida para todos os demais animais silvestres. “O curió foi escolhido por ser o animal mais contrabandeado em Rondônia”, explica Nanci Costa, superintendente substituta do Ibama. Ela alerta que todas as pessoas da sociedade são responsáveis pela fauna e também pela flora existente em nosso planeta. “Às vezes pode acontecer de se saber de alguém que cria ilegalmente e se fazer vista grossa. Isso não pode acontecer. É preciso denunciar”, lembra.

    A denúncia de criação ilegal e de tráfico de animais pode ser feita por telefone e o denunciante não precisa se identificar. Está à disposição da sociedade a linha verde, pelo número: 0800-61-80-80. A ligação é gratuita. O Ibama também disponibiliza a linha 3217-3598 para atender as denúncias.

    Multas e prisões

    No ano passado, as apreensões de animais silvestres encontrados em cativeiros de Rondônia resultaram em 15 autos de infração e R$ 22,5 mil em multas. Segundo a lei de Crimes Ambientais, “é crime matar, perseguir, caçar, apanhar espécies da fauna silvestre sem a devida autorização ou permissão do órgão competente”. Para quem infringir a orientação a lei prevê de seis meses a um ano de detenção e multa de R$ 500 por pássaro. O valor é acrescido de mais R$ 500 se o animal estiver em extinção.

    Clone

    A lei abre exceção para os casos em que os animais são tratados em criadores regulares. Em Porto Velho estão cadastrados dois mil criadores regulares de pássaros, que também são fiscalizados para evitar a propagação de criação ilegal, mas não faltam tentativas de burlarem a fiscalização. Até mesmo as anilhas estão sendo clonadas pelos criadores ilegais e pelos traficantes.

    A anilha é uma pulseira colocada no pássaro com um número de registro. Atualmente os criminosos estão copiando o número de uma anilha original e fabricando outra peça com a mesma numeração. Como os números são cadastrados, geralmente a fraude é descoberta, o animal é apreendido e o fraudador multado em R$ 500 por pássaro.

    De acordo com a Polícia Federal, entre as anilhas enviadas pelo IBAMA para perícia, há algumas clonadas por ourives dos Estados da Bahia e de Goiás. A Polícia Federal também atua no combate ao tráfico de animais silvestres e dá apoio ao IBAMA, quando este é solicitado.

    Contrabando

    O Brasil é uma das principais fontes do contrabando de fauna, com 15% a 20% do total mundial. Mais de 12 milhões de animais são tirados, a cada ano, do País, conforme dados apresentados durante a Conferência Sul-Americana sobre o comércio ilegal da Fauna Silvestre. Essa sangria agrava o risco de extinção que pesa sobre 208 espécies brasileiras, dentre elas, o curió.

    O mercado internacional é estimulado por pessoas que buscam exemplares raros. Para se ter idéia, um curió, com seu som de violino, pode ter custo igual ao de um automóvel zero quilômetro. A Conferência serviu para alertar que a reprodução de pássaros ornamentais e canoros já é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa, inclusive, a partir de fêmeas adquiridas de contrabando.

    Canto

    O Curió é uma ave passeriforme da família Fringillidae, granívora, nativa do Brasil e desde muito tempo apreciada pelo seu canto. Mede cerca de 15 cm. O macho é preto na parte superior do corpo, castanho-avermelhado na parte inferior e branco na parte interna das asas. Ave em extinção na natureza e bastante comum entre os chamados “criadores amadoristas” devido ao intenso tráfico para utilização em torneios de canto, onde uma ave campeã pode valer um bom dinheiro.

    São submetidos a diversas formas de “condicionamento” para forçá-los a cantarem, como o confinamento em pequenas caixas para ficarem ouvindo gravações de cantos, exatamente como uma das técnicas de “lavagem cerebral” feita em humanos durante sessões de tortura. Deve-se notar que o tráfico e a receptação e manutenção de animais ilegais é crime no Brasil, assim como os maus tratos. Aqueles que vêem um crime ser cometido e se omitem também estão incentivando que mais animais se extinguam na natureza e fiquem na mão de torturadores, os quais se dizem “amadores”, mas objetivam mesmo é o lucro fácil que a venda de um único exemplar de canto bonito pode render.

  • Rondonienses embarcam no sonho do ouro

    Porto Velho/RO – A intervenção pela União, ocorrida no garimpo ilegal de ouro que já está sendo chamado de “Novo Eldorado da Amazônia”, não impede o deslocamento diário de milhares de trabalhadores de Rondônia, que saem em busca do ouro. O garimpo está localizado ao norte do município de Apuí, no Estado do Amazonas e nas proximidades de Jacarecanga, no Pará, a 70 quilômetros de Apuí.

    Somente no último final de semana, sete ônibus partiram lotados de Porto Velho em direção à mina. Com a descoberta do novo foco de ouro, a história volta a se repetir na região norte e o sonho pela riqueza fácil mais uma vez atrai homens de várias localidades, que sem se importar com as dificuldades deixam para trás a família, para certificarem-se de que a “fofoca” desta vez pode fazer mudar suas vidas.

    Em menos de dois meses, o número de garimpeiros que trabalham no local – cinco grotas abertas com cerca de 30 hectares – aumentou de 50 para cerca de 5 mil homens.

    Os ônibus continuam partindo de Porto Velho em direção ao garimpo, todas as segundas, quartas, sextas e sábados. De acordo com os motoristas, sempre lotados. As viagens são organizadas por uma agência de viagens e iniciam nas proximidades da rodoviária.

    O garimpeiro Elizeu Monteiro é mais uma das pessoas que viajou no sonho da riqueza rápida. Ele embarcou no ônibus que saiu dia 16, de Porto Velho às 23h. As despesas com a viagem ficaram em torno de R$ 200, fora o gasto com alimentação. As compras precisam ser levadas de casa, assim como uma barraca ou rede. “Só o que temos certeza quando saímos é que vamos nos abrigar dentro da mata, debaixo de uma lona”, diz.

    Fofoca

    Mesmo com as dificuldades, esses trabalhadores demonstram muita persistência. Elizeu já trabalha no ramo há 20 anos e nem pensa duas vezes em partir em direção a uma fofoca de ouro – termo utilizado para confirmar a existência de minério em uma determinada área. Ele mora no distrito de Triunfo (Candeias do Jamari) e viajou junto com outros três companheiros. Um deles, Manoel Theodoro de Souza, já garimpou no rio Madeira, na Venezuela e no Suriname. “Onde tem uma fofoca lá eu estou”, diz. “Puxei 900 gramas de uma vez na Serra Sem Calça (próximo ao município de Jaru) determinada vez”, orgulha-se.

    O motorista do ônibus que leva os trabalhadores ao garimpo, Cláudio da Silva Araújo, reveza o trabalho com outros colegas. Segundo ele, a viagem é longa e cansativa. O ônibus sai às 23h de Porto Velho e chega ao garimpo às 17h do dia seguinte. “Nada impede a ida deles ao local. Todos têm o mesmo sonho”, comenta. Segundo ele, a grama do ouro nas localidades próximas ao garimpo custa R$ 40,00.

    Promessa de ouro

    O garimpo é uma atividade em que os praticantes precisam de um aliado muito forte para trabalhar, a sorte. É por causa dela e da promessa de conseguir até 30 quilos de ouro em uma única rocha, que os garimpeiros estão se mobilizando atrás da fortuna. Até o presidente da cooperativa de garimpeiros (Minacoop), Washington Charles Cordeiro Campos, parte para o garimpo de Apuí essa semana.

    “Vou lá junto com o vice-presidente para organizar a atividade dos garimpeiros”, afirma. Agora é a hora de os governos aprovarem a exploração em benefício de milhares de trabalhadores que estão atuando no local. Querendo ou não, são empregos que estão sendo gerados e todos os que possuem familiares aqui virão gastar na Capital. Além disso, a maioria dos garimpeiros é de Rondônia”, defende.

    De acordo com Washington, a procura pelo garimpo está motivando trabalhadores que atuavam no rio Madeira e de outros pontos de extração do Estado. “Para se ter uma idéia, praticamente já não encontramos batéia (bacia que serve para lavar sedimentos de minerais preciosos), para comprar em Porto Velho”, disse.

    União dificulta ingresso

    Nem tudo pode ser sonho. Os trabalhadores que chegarem ao garimpo esta semana correm o risco de não poder explorar o minério, em virtude de um bloqueio de novas autorizações de estudos de viabilidade e de direito de exploração da reserva, emitido pela União, e que pode impedir a entrada de novos trabalhadores no garimpo.

    Dois requerimentos de direito de exploração, que estavam em andamento no Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), tiveram a tramitação suspensa com a intervenção. Um deles é do lavrador José Ferreira da Silva Filho, que se diz dono das terras onde foi descoberto o minério e que cobra até 10% de comissão da exploração aos garimpeiros.

    Segundo a engenheira Maria José Salum, diretora de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, a intenção do governo é regulamentar a reserva e firmar parceria com os próprios garimpeiros.

  • Puroborás lutam pelo reconhecimento

    Vale do Guaporé/RO – Contactado pelo Marechal Candido Mariano Rondon, em 1919, o povo Puroborá, que vivia em uma área entre os municípios de São Francisco do Guaporé e Seringueiras já conquistou importantes vitórias na luta que vem empreendendo desde 2002 pela busca do reconhecimento de sua etnia.

    Em 2007, um grupo de Trabalho da Funai deverá fazer um laudo antropológico para dar andamento ao processo que inclui a demarcação da terra onde viveram os antepassados Puroborá. Os recursos para o trabalho foram incluídos no orçamento da Funai de 2007.

    A área esta hoje ocupada por fazendeiros, mas por lei deve ser devolvida aos índios, com o pagamento de indenizações pelas benfeitorias encontradas na região, segundo o administrador substituto da Funai em Porto Velho, Osman Brasil.

    O reconhecimento do povo Puroborá está calcado na Resolução 069, da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Governo Brasileiro, que dá o direito de reconhecimento de remanescentes de povos como os indígenas e que no Brasil também inclui os quilombolas.

    Embora a lei seja clara a respeito, sabe-se que a retomada das terras do Puroborás não será fácil. “Nós encontramos muita resistência na região. Além de tentativas de captação dos índios pelos fazendeiros, também já foram feitas ameaças de morte para que os indígenas desistissem de retomar a terra”, relata Antonio Evangelista Sansão Puruborá, um dos líderes e articulador do processo de reconhecimento do povo.

    De acordo com Osman Brasil, os Puroborás foram expulsos de suas terras na década de 1970, quando foi criada a terra indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau. Mais três povos, Wajuru, Cujubim e Miqueleno, também reivindicaram o reconhecimento em Rondônia.

  • Animais peçonhentos se tornam ameaça

    Porto Velho/RO – São registrados por ano em Rondônia cerca de 600 acidentes envolvendo animais peçonhentos. O problema se agrava nesta época do ano, em virtude do período de chuvas. Estes animais só atacam quando se sentem ameaçados.

    As cobras Jararaca, Coral e Surucucu ‘bico de jaca’ representam 90% das ocorrências de acidentes com animais peçonhentos no Estado. O restante fica por conta das aranhas – 8%- e os escorpiões -2%- segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

    Segundo o biólogo Flávio Terrassine, a chuva não é o único motivo que faz com que os animais saiam da toca nos quatro meses de inverno. “Essa é a época de acasalamento. De cada 20 aranhas que chegam até nós, por exemplo, 18 são machos, todas em busca de fêmeas para o acasalamento”, explica. Escorpiões, abelhas e formigas, especialmente a amazônica ‘tuncandeira’ complementam a lista de peçonhentos.

    Flávio, que também é pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), diz que a maioria dos acidentes com animais peçonhentos poderia ser evitada, se as pessoas não invadissem o espaço desses bichos. “Só atacam quando se sentem ameaçados e os ataques geralmente acontecem no momento de se alimentar ou defender”, explica. Segundo ele, também há a falta de informação. “As pessoas não se vestem adequadamente para entrar no mato. É preciso calçar botas e vestir calças compridas”, orienta.

    A aranha ‘armadeira’ é a mais comum na região. Ela pode alcançar até 13 centímetros, bem menor que a temida caranguejeira, mas muito mais perigosa. “Como o nome já sugere, ela é agressiva, se arma para atacar”, ressalta Flávio. Elas habitam com maior freqüência bananeiras e terrenos baldios, o que eleva o risco de ataques, levando em conta o grande número de imóveis abandonados, ao longo dos municípios rondonienses.

    Veneno

    As serpentes Sucuri e Jibóia, de acordo com o biólogo Saymon de Albuquerque habitam a região de Porto Velho. O pesquisador desmente a antiga crendice de que em alguns meses elas ficam venenosas. “Nem uma nem outra é venenosa, em época alguma”, afirma. Condutas adotadas, especialmente por ribeirinhos, para curar a picada de cobras são reprovadas pelos pesquisadores. “Amarrar com tipóia, cortar a parte mordida, colocar urina, seja o que for, não resolve. Só mesmo o soro antiofídico para curar”, afirma o biólogo.

    Captura

    O Corpo de Bombeiros recomenda a população a não matar animais. Segundo informações da corporação, o procedimento correto é acionar os bombeiros que farão a captura dos bichos com os instrumentos adequados. Os serviços podem ser solicitados pelo telefone número 193. Os bombeiros soltam o animal em seu habitat natural e em área isolada da população.