Categoria: Geral

  • PF prende envolvidos em protesto contra apreensão de madeira

    Espigão do Oeste/RO – A Polícia Federal reagiu ao protesto ocorrido no dia 17 do mês passado, onde cerca de 2 mil pessoas renderam agentes federais e tomaram dois caminhões de madeira apreendidos em Espigão do Oeste. Na manhã desta segunda-feira, dia 12, uma mega operação, envolvendo 92 homens, entre policiais, escrivãos e delegados, realizou busca e apreensão em 19 residências de suspeitos de liderar o movimento.

    A operação começou por volta das 4 horas da madrugada. Onze pessoas foram detidas, entre elas o presidente da Câmara de Vereadores, Joaldir Schultz, o Zonga e um assessor da prefeita de Espigão do Oeste, conhecido por Ninho. Os outros acusados são: Gildeon Barbosa Silva, Gean Cleison Fornasieri, Alberto Nicolau Storch, Elias Rodrigo da Silva – Arara, Edmilson José de Oliveira – Juruna, Fernando Ivo Ribeiro – Fernandão, Alexsander Batista Stringueto, Irlan Nascimento Ribeiro e Eloir Sérgio Corradi Regly.

    Segundo o delegado Rodrigo Carvalho, que comandou a operação, no dia da manifestação a apreensão da madeira foi realizada por apenas uma equipe. Os motoristas foram abordados em uma estrada da zona rural de Espigão do Oeste e não tinham a documentação da madeira. Em seguida os agentes conduziram a carga para o quartel da Polícia Militar, palco do protesto. “Não havia meia dúzia de policiais federais. Eles foram cercados por 2 mil pessoas, que atiraram pedras, foguetes, bombas improvisadas e conseguiram tomar os dois caminhões,” disse o delegado. Os veículos tiveram os pneus furados pelos manifestantes que ainda jogaram toda a madeira em frente ao quartel, destruindo parte do muro.

    Manifestação

    O comandante da Polícia Militar em Espigão do Oeste disse que a situação só foi controlada depois de quatro horas de manifestação, com a chegada de reforço policial de cidades vizinhas. Segundo ele, até a rede de energia elétrica foi alvo do protesto, o que fez com que a cidade ficasse sem energia por mais de três horas. “Foi um momento de muita tensão. A informação que temos é de que foi atirada até madeira na rede de energia elétrica na entrada da cidade,” relatou Aparecido Firmino, comandante da PM, em Espigão.

    Os acusados foram levados para prestar depoimento na base da Polícia Federal de Ji-Paraná. Depois seriam encaminhados para o presídio da mesma cidade. Segundo o delegado, eles vão ser indiciados por 12 crimes, entre eles desacato a autoridade, formação de quadrilha, lesão corporal e destruição do patrimônio público. Segundo o delegado, há mandado de prisão preventiva para mais oito pessoas, que já foram intimadas.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Espigão do Oeste/RO – Alvo de destruição desde novembro de 1999, pelos menos temporariamente, a Reserva Roosevelt deve ficar livre da exploração de diamantes. Para abrir negociações com o Governo Federal, os índios da etnia Cinta Larga decidiram suspender a garimpagem. Eles garantem que o garimpo está parado há quase 30 dias. “Já mandamos recolher todo o maquinário do baixão, só falta os caminhões fazerem o transporte”, assegurou o cacique Uita Cinta Larga. Nossa equipe de reportagem esteve na aldeia e conferiu a passagem de caminhões na estrada que dá acesso à área de garimpagem.

    Segundo as lideranças indígenas, a medida foi tomada para chamar a atenção do Ministério da Justiça sobre a situação do povo Cinta Larga. “O garimpo fica fechado, mas o Governo tem que garantir recursos para nossa comunidade. Hoje sem o garimpo o índio não tem como sobreviver. A única renda alternativa é a pecuária, mesmo assim índio não sabe cuidar de gado ainda, precisa ser treinado”, disse o cacique Pio Cinta Larga.

    Os índios dizem que nesse momento o mais importante não é a legalização do garimpo, como já foi cogitado em Brasília. “Resolver a situação não é legalizar, é acabar com a perseguição que o índio vive passando. Hoje somos vistos na rua como se fôssemos bicho. Somos perseguidos. Não queremos mais viver nessa situação”, disse Pio. Diferente do que transparece na cidade -índios em carros caros-nas aldeias a situação é de pobreza.

    Durante a permanência de nossa equipe de reportagem na aldeia do cacique Pio, uma vaca teve que ser sacrificada, porque quebrou a perna durante a vacinação contra a febre aftosa. Em poucos minutos a carne foi distribuída na comunidade, mas não chegou a ser suficiente para atender a todas as famílias. Na aldeia há apenas carne com facilidade. O restante da alimentação precisa ser comprado em Espigão do Oeste, a cerca de 90 km da aldeia, distância feita em mais de 3 horas de viagem, por causa das péssimas condições das estradas.

    Riqueza no fundo do quintal

    Ao comentar as condições em que os índios estão vivendo, Uita lembrou a última vez que negociaram com o Governo Federal para fechar o garimpo. Houve uma liberação de recursos, através da FUNAI, mas segundo ele, os Cinta Largas nunca foram beneficiados. “Não podemos ficar passando fome com uma riqueza no fundo do nosso quintal, como aconteceu na outra vez que fechamos o garimpo,” relembra.

    Questionado se há prazos para o Governo apresentar uma solução para o garimpo, Pio Cinta Larga não foi claro em relação a retomada da garimpagem. “Estamos indo à Brasília para negociar mais uma vez com o Governo e estamos abertos a receber propostas,” afirmou.

    Segundo a liderança Panderê Cinta Larga, o Governo Federal teria feito uma proposta de instalar uma mineradora na reserva e repassar 25% do faturamento para a comunidade indígena, mas ele mesmo reconhece que a medida não deverá ser implantada dentro de um curto espaço de tempo. “Tem todo um processo burocrático que conhecemos, como a aprovação de lei e talvez essa não seja a medida mais adequada para nossa comunidade. Hoje olho para trás e prefiro a vida que levávamos antes do garimpo”, concluiu.

  • Crime ambiental na mira da PRF

    Cacoal/RO – A Polícia Rodoviária Federal vai intensificar as ações de combate ao crime ambiental no Brasil. A informação foi prestada pelo inspetor João Bosco Ribeiro da Silveira, chefe da 3ª Delegacia/21ªSRPRF-RO/AC. Segundo ele, durante o ano de 2005, a polícia flagrou vários crimes ambientais no país, em fiscalização de rotina. “Apesar do pouco efetivo e da grande malha viária, tem se conseguido a muito custo dar uma resposta à sociedade, no combate ao crime ambiental que ocorre nas rodovias federais”, disse.

    A Polícia Rodoviária Federal registrou, durante o ano de 2005, 1.408 ocorrências de crimes ambientais, sendo apreendidos no total 2.791 animais silvestres retirados ilegalmente da fauna brasileira, 6.037 metros cúbicos de carvão extraídos de forma irregular, 506.512 metros cúbicos de madeira também extraídas de forma irregular e 4.400 quilogramas de pescado ilegal. Foram constatadas também 69.000 irregularidades em veículos transportando substâncias tóxicas.

    A intensificação da fiscalização, segundo o inspetor, visa fortalecer o combate ao crime ambiental, principalmente a circulação de produtos com documentação falsificada ou adulterada. Ele citou como exemplo, a recente apreensão de uma grande quantidade de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) falsificadas, ocorrida no posto de Jarú/RO.

    De acordo com o inspetor, a disponibilidade de novas tecnologias no mercado de informática, como scanner e impressoras mais potentes, tem facilitado a vida dos falsificadores e dificultado a atuação da policia de modo geral, “que necessita sempre de atualização na área, para poder desempenhar um trabalho mais efetivo”.

  • Projeto de “um milhão de mudas” está parado

    Ouro Preto/RO – Há dois anos e meio foi desenvolvido um projeto e apresentado no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que visa dotar a unidade da Ceplac de Ouro Preto de capacidade para produzir até um milhão de mudas que seriam repassadas posteriormente aos produtores e prefeituras no território regional que abrange mais de duas dezenas de municípios da região central, mas a proposta ainda não recebeu sinal positivo.

    Técnicos da estação experimental mencionaram que o projeto está agora na fase de “ajustes”, para que receba aval do MDA. No projeto, o MDA repassa a verba em parceria com as prefeituras gestoras do programa, cada uma com sua proporcionalidade.

    Com o projeto em vigor, seria possível introduzir na Ceplac uma “Casa Vegetativa” com capacidade de produzir espécies de árvores que serviria às prefeituras da região para plantio nas margens de rios afluentes, a fim de reviver as matas ciliares, seriamente prejudicadas pela degradação ocasionadas pelo crescimento desordenado do período migratório.

    Hoje a Ceplac produz algumas mudas para essa finalidade, mas em escala menor, que não atende a contento a demanda regional. Com o funcionamento do laboratório vegetativo a Ceplac poderia compor com mais prefeituras e instituições no plano de atividades voltadas ao meio ambiente.

    O problema do assoreamento das margens de rios importantes para as cidades da região central é gritante. Os dois únicos projetos que trabalhavam programas visando à reversão dessa situação (PGAI-GOP e Agenda 21), foram paralisados no ano passado e sua coordenadora, Wilma do Lago mudou-se para Brasília (DF).

    Os administradores que tomaram posse na eleição de 2004 não apresentaram projetos significativos de revigoramento do meio ambiente e proteção à biodiversidade, desinteresse que contribui negativamente para que seja dada continuidade a programas como o de distribuição de mudas por órgãos como a Ceplac.

  • Dois garimpeiros mortos por índios

    Espigão D’Oeste/RO- Faltando um dia para completar dois anos da chacina na Reserva Roosevelt, onde 29 garimpeiros foram mortos à noite durante emboscada feita por índios Cinta-Larga dentro de uma área de extração ilegal de diamantes, um novo conflito rompe uma trégua marcada pela tolerância da garimpagem ilegal em terras proibidas vigiadas por uma Força-tarefa envolvendo as polícias Federal e Militar.

    Surpreendidos por um grupo de índios os garimpeiros Lismar Nunes da Silva, o Pernambuco, e Francisco da Chagas, o Macarrão, foram assassinados. O terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva conseguiu escapar com vida após ter levado um tiro na barriga.

    O crime aconteceu no final do tarde do último dia cinco numa área de extração ilegal de diamantes a 50 quilômetros das aldeias comandadas pelos caciques João Bravo e Nacoça Pio Cinta-Larga.

    Arionilson foi levado por um outro garimpeiro a pé até uma base da Polícia Federal. Isso aconteceu às 6 horas de ontem, de onde foi levado de caminhonete a Pimenta Bueno. Na tarde de ontem o garimpeiro foi submetido a uma cirurgia em Cacoal e o estado de saúde dele é grave.

    Ontem policiais Federais, acompanhados de funcionários da Funai foram à aldeia do Cacique João Bravo Cinta-Larga. Por rádio os índios informaram que os corpos dos dois garimpeiros foram levados para a aldeia. Às 19 horas de ontem a Polícia Federal já estava na aldeia e a previsão era de que, na primeira hora dessa madrugada, eles estariam em Pimenta Bueno.

    O delegado da base central da Polícia Federal em Pimenta Bueno, Rodrigo Carvalho, informou que o motivo do crime ainda está sendo objeto de investigação. Sabe-se que os garimpeiros estavam na terra dos índios há pelo menos uma semana aventurando encontrar diamantes.

    O delegado informou também que os familiares das três vítimas moram em Pimenta Bueno e que as viúvas serão ouvidas no processo.

    Uma fonte revelou que a morte dos dois garimpeiros teria sido por causa de um desentendimento com os índios. Algo relacionado com a divisa de barranco na garimpagem ou o não-pagamento para poder garimpar em terras indígenas, prática comum.

    A mesma fonte revelou ainda que o crime teria sido cometido por Robertinho Cinta-Larga, e por um outro índio chamado Zezão, que pertenceria a uma etnia da região de Juína, no Mato Grosso.

    Um dos garimpeiros ouvido pelo delegado Rodrigo Carvalho, disse que existem pelo menos 200 pessoas trabalhando nas terras dos índios. Parte estaria sem o consentimento da tribo, outra não só teria permissão, como pagam para ter o direito de explorar a reserva de diamantes.

    A garimpagem não é apenas manual. Existem muitas máquinas trabalhando dentro da reserva. Essas máquinas teriam entrado pela região do Mato Grosso, para onde partem aviões levando diamantes extraídos de forma ilegal.

    A Polícia Federal mantém bases em torno da reserva com pelo menos 50 homens como parte da Força-Tarefa que tem a participação da Polícia Militar.

    Massacre contra 29 garimpeiros

    O massacre de 29 garimpeiros clandestinos, mortos pelos índios cintas-largas em Rondônia, e os protestos contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, reabriram no país um debate caloroso sobre a questão indígena. O garimpo ilegal de diamantes, os limites dos direitos dos índios de defenderem suas terras e a desapropriação de cidades inteiras na demarcação das reservas foram alguns dos temas levantados ao longo das últimas semanas.

    Os garimpeiros foram assassinados pelos Cinta-Larga no início de abril, numa área próxima à reserva indígena Roosevelt, em Rondônia, que abriga 1.300 índios. A região possui as maiores jazidas de diamantes do país, o que gera constantes conflitos entre garimpeiros e índios. Os corpos foram encontrados dispostos lado a lado, em adiantado estado de decomposição, por uma equipe da Funai que conseguiu entrar na área, guiada pelos próprios guerreiros que participaram do ataque.

    Mas a questão não é tão simples como o presidente da Funai fez parecer. O fato é que os caciques da tribo dos Cinta-Larga João Bravo e Nacoça Pio, que vivem na reserva Roosevelt, já respondem a ação penal por contrabando de diamantes e formação de quadrilha. Eles são acusados, junto com funcionários da Funai e atravessadores de pedras preciosas, de participar da exploração ilegal de diamantes na reserva.

    Após a descoberta do massacre, a Funai e a Polícia Federal tiveram que negociar com os índios para entrar na reserva e resgatar os corpos das vítimas, numa operação difícil que envolveu inclusive a abertura de clareiras na mata para o pouso de helicópteros.

  • Ibama e PF preparam desocupação da Rebio Jaru

    Ouro Preto/RO – Os detentores de marcações na Fazenda Machadão (TD Bela Vista) devem se informar de uma possível operação de desocupação nas imediações da Reserva Biológica do Rio Jaru (Rebio-Jaru), prevista para ocorrer nos próximos dias.

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o apoio de agentes da Polícia Federal deve promover a operação de fiscalização na Rebio-Jaru, pelo lado de Vale do Paraíso, e também a retirada de posseiros que estiverem em terras consideradas dentro do limite da extensa reserva. Um helicóptero do Ibama sobrevoa á área da Rebio-Jaru no entorno da fronteira com Machadinho do Oeste. No fim de semana a aeronave estava nas imediações da reserva, no limite de Vale do Paraíso.

    A minuta que autoriza a ampliação da Rebio-Jaru, que obrigatoriamente vai envolver parte de terras da Fazenda TD Bela Vista (ou Machadão) foi assinada pelo presidente do Ibama, Marcus Barros em agosto de 2005, e pode se transformar em Decreto, pois segundo a gerência do escritório do Ibama, em Ji-Paraná, já está na mesa da ministra chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Roussef – restando a assinatura do presidente Lula. A partir do decreto de ampliação a Rebio-Jaru, que compreende 280.000ha – até a fronteira com o Mato Grosso – vai somar 340.000ha.

    Área é comercializada

    Ocorre que a área da fazenda TD Bela Vista, que pertence a Nilton Niero, residente no Estado do Paraná, já vem sendo comercializada há cinco anos para a associação de posseiros que têm mais de 1000 associados, e existem colonos morando em marcações e mantendo plantações e criações. A retirada não deverá ser feita sem que posseiros contestem a compra da fazenda, que mede 84.000 ha. Muitos já pagaram por parcelas ao proprietário e como existe constante comercialização de lotes, a transferência de marcações é freqüente.

    O argumento do Ibama é de que a Rebio vem sofrendo degradação a cada ano, e que a partir da ampliação até a margem do Rio Machado vai-se criar uma barreira natural contra a ação de posseiros e madeireiros. A operação do Ibama e da Polícia Federal visa localizar possíveis moradores que podem estar trabalhando em terras da Rebio. Segundo o gerente do escritório do órgão em Ji-Paraná, Valmir de Jesus, quem for detido manuseando área da reserva será preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia Federal.

  • Relatório da ONU destaca o modelo brasileiro para gestão de água

    A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o Brasil como um dos países que mais avançaram

    na política de gestão de águas. Essa é a uma das conclusões do Relatório Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, apresentado no IV Fórum Mundial das Águas, que termina nesta quarta-feira (22) no México.

    O desempenho de 108 países foi analisado nos últimos três anos. Somente 14 apresentaram progressos nessa área. O Brasil, o único paíse sul-americando que recebeu destaque, foi um deles. O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), aprovado em janeiro deste ano pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, teve forte influência nesse resultado.

    Com ele, o Brasil cumpre o compromisso firmado na Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) de definir um plano de gestão integrado para os recursos hídricos. O objetivo do PNRH é assegurar quantidade e qualidade de água para o uso racional e sustentável. Iniciativas, como o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN- Brasil) e o Projeto Água Doce (PAD), para ampliar a renda e fortalecer o desenvolvimento sustentável nas chamadas Áreas Suscetíveis de Desertificação também contribuiram para o país assumir a posição de destaque.

    O relatório, intitulado “Água: uma Responsabilidade Compartilhada”, ainda revela dados alarmantes em relação à gestão da água potável no mundo: um quinto da população do planeta não possui água potável e 40% não dispõem de condições sanitárias básicas. O estudo, feito pela ONU a cada 3 anos, aponta a relação entre políticas de recursos hídricos e combate à pobreza.

    A expectativa para os próximos anos é ainda mais preocupante. Segundo o documento, a queda na vazão dos rios, crescimento da salinidade em estuários, perda de espécies de peixes e de plantas aquáticas e a redução dos sedimentos nas costas são problemas que devem aumentar significativamente até 2020. Eles terão impacto negativo na agricultura, na segurança alimentar e na pesca. As causas desse cenário são inúmeras. Uma delas é o aumento da procura por produtos agrícolas, principalmente aqueles que demandam água na produção, no mundo todo. O relatório observa que essa crescente demanda contribui hoje com 70% de retrações de água doce, sendo que apenas 30% retornam para o meio ambiente.

    As principais dificuldades dos países na gestão da água concentram-se na falta de conhecimento. Muitos países em desenvolvimento operam seus recursos hídricos sem levar em conta padrões precisos de oferta e procura. Outros obstáculos são: falhas de mercado, como sub-valorização do preço da água em zonas costeiras, pesca excessiva estimulada por subsídios, métodos destrutivos de pesca, como explosões de bancos de corais, mudanças climáticas.

    O relatório da ONU faz recomendações para os países melhorarem a gestão dos recursos hídricos. Ele sugere o pagamento de serviços ao ecossistema como forma de agregar valor a produtos originados de fontes naturais e determina que um sistema de gestão deve conter informações sobre “qual quando e como é distribuída a água” e decidir quem tem direito aos aos recursos e outros serviços adjacentes. Também determina que o desenvolvimento de um sistema de recursos hídricos deve contar com a participação dos governos federal, estaduais e municipais, além da sociedade civil.

    O documento foi produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e de governos nacionais, principalmente de países nórdicos. No relatório são avaliadas as tendências atuais e futuras para águas potáveis e marinhas de 66 áreas aquáticas localizadas entre fronteiras, com especial atenção para os países em desenvolvimento.

  • Luta contra caramujo africano

    Cacoal/RO – A Associação de Moradores do Bairro Nova Esperança em parceria com a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed), Secretaria Municipal de Saúde e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizaram, no último dia 18, uma ação de combate aos caramujos africanos que estão se proliferando na região. Angiostrongiliase abdominal e meningite eosinofílica são algumas das doenças que podem ser causadas pelo molusco. Além de coletar os caramujos, os participantes da ação orientaram os moradores quanto a forma de combate.

    Conforme o presidente da Associação de Moradores, Joberdes Bomfim da Silva, a infestação dos caramujos começou no último mês de novembro. Ele informou, que um morador levou a espécie para o bairro, pensando que ela fosse comestível e ao perceber que não era, soltou os moluscos com vida, o que fez com que eles se reproduzissem e se espalhassem pelo bairro. “Encontramos os caramujos em cerca de 60% das residências”, disse.

    O caramujo africano é hermafrodita e sua reprodução é cruzada, necessitando apenas de um parceiro para trocar células sexuais. Ele alcança a maturidade sexual entre 4 e 5 meses, podendo fazer até 4 posturas por ano, que variam, cada uma, de 180 a 600 ovos. Conforme o biólogo Celso Dias, o período chuvoso é ideal para que os ovos se proliferem. Ele destacou que a forma segura encontrada para acabar com a espécie é somente a incineração. “O contato com os caramujos só deve ser com luvas ou uma sacola plástica”, disse.

    A secretária municipal de Saúde, Isabel Velasco, informou que a ação de combate ao caramujo deverá ter continuidade. Ela ressaltou, que o trabalho deverá ser estendido para o lixão municipal, já que vários moradores, antes da orientação, recolhiam os caramujos e colocavam no lixo doméstico. Ela enfatizou ainda, que até o momento, não foi registrado no município nenhum caso de contaminação pelos vermes que se hospedam no caramujo africano. “Esta ação é preventiva e precisamos do apoio da comunidade”, disse.

    O caramujo africano

    O caramujo africano é um molusco que já atingiu aproximadamente 20 estados do Brasil. Parcialmente arborícola e herbívoro generalista, compete com outras espécies nativas por comida ou espaço e ainda pode exercer o canibalismo, devorando ovos e caramujos jovens da mesma espécie, para sobreviver em ambientes pobres em cálcio e alimento.

    De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o caramujo é um hospedeiro do verme angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar a morte e também do verme angiostrongylus cantonensis, causador de um tipo de meningite denominada eosinofílica, ocorrendo quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meningites, podendo levar a cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.

    Os dois vermes podem ser encontrados tanto no interior dos caramujos quanto no muco que eles secretam para se locomover. Isso amplia os riscos de infestação no homem, que pode se contaminar com os vermes e suas larvas se ingeri-lo, manuseá-lo e levar a mão à boca ou ingerir alimentos sem a correta higienização, que tenham tido contato com o molusco.

  • Aspectos climáticos da Bacia Amazônica

    A bacia Amazônica, possuindo a maior extensão de floresta quente e úmida do Globo, ocupa quase a metade do Território Brasileiro.

    Os sistemas de circulação atmosférica, que atuam diretamente, exercem importante papel na variação de composições climáticas na Amazônia, no tempo e no espaço.

    No setor oriental da Região sopram, periodicamente, ventos de E a NE do anticiclone subtropical semi-fixo do Atlântico Sul e do anticiclone subtropical semi-fixo dos Açores. Em virtude de possuírem uma subsistência superior e conseqüente inversão de temperaturas, tais ventos são acompanhados de tempo estável. No setor ocidental predomina a massa de ar equatorial (m Ec), formada pela convecção termodinâmica dos ventos de NE do anticiclone dos Açores e da convergência intertropical (CIT). Esta massa de ar, pela sua forte umidade específica e ausência de subsidência superior, está freqüentemente, sujeita a instalabilidades causadoras de chuvas abundantes. Sendo caracterizada por uma vasta planura situada próxima ao nível do mar e cortada de um extremo a outro pelo paralelo do equador, a Região possui clima quente.

    As áreas serranas da fronteira setentrional e da chapada dos Parecis em Rondônia (pela altitude bem acima da planura regional) possuem temperatura média anual inferior a 24º C. Neste aspecto o que bem caracteriza esta Região são temperaturas que variam de 24 a 26º C.

    Convém observar que durante o inverno toda zona meridional da Região, especialmente o setor sudoeste (Rondônia, Acre e parte do Amazonas) é freqüentemente invadido por tais anticiclones de origem polar, após transpor a cordilheira dos Andes, ao sul do Chile. Alguns são excepcionalmente poderosos e provocam o chamado fenômeno da friagem, caracterizada por forte umidade específica e relativa, acompanhada de chuvas frontais e sucedidas por tempo bom e extraordinária queda de temperatura que atinge a mínima como aquelas citadas.

    Além da direção predominante do vento e de sua velocidade, os fatores locais que governam o curso diurno da temperatura são a topografia, a altitude, a natureza do solo e a nebulosidade. No caso da Região a topografia e a altitude baixa favorecem o aumento da amplitude diurna, entretanto a natureza do solo, profundo e coberto pela vegetação pujante da selva, e a notável rede de rios largos, além da forte nebulosidade durante todo o ano agem em sentido contrário. É bem verdade que na Amazônia predominam calmarias, porém o ar está diariamente muito carregado de umidade. Por esses motivos a amplitude térmica diurna na Amazônia é um pouco inferior às registradas em outras regiões da zona equatorial.

    Se em relação à temperatura, a Região apresenta certa homogeneidade espacial e estacional, ou seja, pouca variedade térmica ao longo de seu território e uma variação estacional pouco significativa, o mesmo não acontece em relação à pluviosidade.

    Em virtude dos sistemas de circulação atmosférica a Região Amazônica constitui-se no domínio climático mais pluvioso do Brasil. Há uma área ou um corredor menos chuvoso, de orientação NW-SE, em Roraima que apresenta um total com cerca de 1.400 a 1.800 mm. Em linhas gerais levando-se em conta o regime de temperatura, toda a Região possui clima quente, uma vez que todos os meses se mantêm com temperatura média superior a 22º C.

    Estima-se que a Amazônia, recebe no limite superior da atmosfera um máximo de 875 cal.cm-2.d-1, entre janeiro a dezembro e um mínimo de 730 cal.cm-2.d-1 em junho e julho, sendo que 50 % dessa quantidade chegam à superfície. Devido ao regime de temperatura, toda a região Norte do Brasil, na qual estão contida 70 % da bacia Amazônica, possui domínio climático quente, sendo que os principais subdomínios climáticos, o super úmido e o úmido. O super-úmido domina a porção Oeste da bacia, grosseiramente a parte de Manaus, onde o tipo climático é o equatorial, já na posição Leste da bacia a partir de Manaus, domina o úmido, com tipo climático tropical.

    A distribuição de precipitação na bacia é sensivelmente menos uniforme. O movimento meridional do Sol entre os paralelos 23o27’ cruzando a linha do Equador duas vezes por ano em intervalos de seis meses conjuntamente com a fonte de água e ar quente que é o Oceano Atlântico, são os principais fatores que determinam os padrões de clima e conseqüentemente a pluviosidade da região Amazônica. A quantidade média de vapor de água armazenado na atmosfera (água precipitável) é da ordem de 35 mm, enquanto a media mundial é de 28 mm, conferindo à região condições isotérmicas, com alta pluviosidade. A pluviosidade anual é maior na costa Norte com valores acima de 3.250 mm, sendo que esse valor decresce em direção a Amazônia Central atingindo um mínimo de 1.750 mm., a partir da Amazônia Central, a quantidade anual de precipitação começa a aumentar, desta feita em direções Nordeste e Sudeste. Na direção Nordeste, encontraram-se os maiores índices, ficando em torno de 3.500 mm e a Sudeste, esses valores são menores alcançando 2.250 a 2.500 mm. Porem, esses índices pode chegar a 5.000 mm.ano-1, na região Andina.

    Se considerarmos a bacia como um todo, 48% da precipitação (2.379 mm.ano-1) é evapotranspirado e 52 % é escoado pelo rio Amazonas. Podemos estimar ainda, que pela precipitação, a bacia recebe 11,87.1012 m3.ano-1 e, através da descarga do rio Amazonas, deixa o sistema 5,44.1012 m3.ano-1. Assim, a Amazônia pode ser caracterizada, por altas temperaturas com baixas amplitudes térmicas onde predomina o clima quente e úmido; precipitação bastante elevada durante o ano, em media 2.200 mm, e com uma ciclagem interna de vapor de água bastante intensa, onde a massa total desse vapor, é constituída de 50 % de vapor d’água de origem marinha (Oceano Atlântico) e 50 % originário da própria bacia, através da evapotranspiração.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas. Especialista em Hidrogeoquímica da Amazônica.

    Pesquisador da Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA/CPCRH; Professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas-UEA/EST; Consultor da Fundação de Ampara a Pesquisas do Estado do Amazonas-FAPEAM; Conselheiro Titular do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Amazonas – CERH-AM

    [email protected]

  • Setor madeireiro faz acordo para desbloquear 364

    Ariquemes/RO – Em reunião nesta quarta-feira (15) entre a bancada parlamentar de Rondônia no Congresso e representantes do setor madeireiro do Estado, chegou-se a uma solução para o impasse criado com o bloqueio da BR 364, na altura do município de Ariquemes. Desde às 12h de segunda-feira, a estrada estava obstruída pelos extratores de tora e madeireiros da região.

    “Estamos construindo saídas para valorizar o trabalho de quem está legalizado e para punir com firmeza quem não está, dentro do princípio de que é preciso combater o desmatamento”, disse o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Claudio Langone, que presidiu a reunião.

    O acordo foi firmado entre integrantes da Associação dos Extratores de Tora e Indústria Madereira (Atimer) de Rondônia, diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), membros da bancada, e o governo federal.

    Decidiu-se na reunião que o Ibama vai disponibilizar um cadastro técnico federal para viabilizar o registro dos extratores de tora e que a Atimer entregará ao órgão federal uma lista dos projetos de manejo que ainda não foram vistoriados na região. Esse procedimento é fundamental para a aprovação das projetos. Com essa lista, o Ibama vai programar, em no máximo 48h, as vistorias pendentes.

    Combate a ilegalidade

    A associação ainda se comprometeu em cooperar com o Ibama para combater a ilegalidade no comércio de madeira na região. O ministério, o Ibama, a bancada e a Atimer deverão acompanhar a votação do Zoneamento Ecológico Econômico do Estado de Rondônia na reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), prevista para acontecer nos dias 21 e 22 de fevereiro.

    A entidade, bem como os integrantes da bancada, comprometeram-se em trabalhar para que possa ser efetivado o processo de descentralização da gestão florestal. “A exemplo do que aconteceu no Pará e no Mato Grosso, queremos criar uma agenda comum com o governo do estado, por meio de uma acordo de cooperação”, comentou Langone.

    O Ibama ainda se comprometeu em disponibilizar, em março, as regras para o plano de manejo de baixa intensidade, que se aplica principalmente nas pequenas e médias propriedade. A regulamentação dessas regras está em consulta pública e a Atimer deverá apresentar suas sugestões até o dia 24.

    O órgão federal também vai discutir formas de melhorar a relação entre o detentor do plano de manejo ou de autorização para desmatamento legal, os extratores de toras e a indústria madeireira de Rondônia. A Atimer, em contrapartida, deverá apresentar alternativas para compatibilizar a demanda da indústria madeireira e a oferta potencial do estado. Hoje, a demanda é muito superior ao que o Estado pode oferecer.