Categoria: Geral

  • Luta contra caramujo africano

    Cacoal/RO – A Associação de Moradores do Bairro Nova Esperança em parceria com a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed), Secretaria Municipal de Saúde e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizaram, no último dia 18, uma ação de combate aos caramujos africanos que estão se proliferando na região. Angiostrongiliase abdominal e meningite eosinofílica são algumas das doenças que podem ser causadas pelo molusco. Além de coletar os caramujos, os participantes da ação orientaram os moradores quanto a forma de combate.

    Conforme o presidente da Associação de Moradores, Joberdes Bomfim da Silva, a infestação dos caramujos começou no último mês de novembro. Ele informou, que um morador levou a espécie para o bairro, pensando que ela fosse comestível e ao perceber que não era, soltou os moluscos com vida, o que fez com que eles se reproduzissem e se espalhassem pelo bairro. “Encontramos os caramujos em cerca de 60% das residências”, disse.

    O caramujo africano é hermafrodita e sua reprodução é cruzada, necessitando apenas de um parceiro para trocar células sexuais. Ele alcança a maturidade sexual entre 4 e 5 meses, podendo fazer até 4 posturas por ano, que variam, cada uma, de 180 a 600 ovos. Conforme o biólogo Celso Dias, o período chuvoso é ideal para que os ovos se proliferem. Ele destacou que a forma segura encontrada para acabar com a espécie é somente a incineração. “O contato com os caramujos só deve ser com luvas ou uma sacola plástica”, disse.

    A secretária municipal de Saúde, Isabel Velasco, informou que a ação de combate ao caramujo deverá ter continuidade. Ela ressaltou, que o trabalho deverá ser estendido para o lixão municipal, já que vários moradores, antes da orientação, recolhiam os caramujos e colocavam no lixo doméstico. Ela enfatizou ainda, que até o momento, não foi registrado no município nenhum caso de contaminação pelos vermes que se hospedam no caramujo africano. “Esta ação é preventiva e precisamos do apoio da comunidade”, disse.

    O caramujo africano

    O caramujo africano é um molusco que já atingiu aproximadamente 20 estados do Brasil. Parcialmente arborícola e herbívoro generalista, compete com outras espécies nativas por comida ou espaço e ainda pode exercer o canibalismo, devorando ovos e caramujos jovens da mesma espécie, para sobreviver em ambientes pobres em cálcio e alimento.

    De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o caramujo é um hospedeiro do verme angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar a morte e também do verme angiostrongylus cantonensis, causador de um tipo de meningite denominada eosinofílica, ocorrendo quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meningites, podendo levar a cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.

    Os dois vermes podem ser encontrados tanto no interior dos caramujos quanto no muco que eles secretam para se locomover. Isso amplia os riscos de infestação no homem, que pode se contaminar com os vermes e suas larvas se ingeri-lo, manuseá-lo e levar a mão à boca ou ingerir alimentos sem a correta higienização, que tenham tido contato com o molusco.

  • Setor madeireiro faz acordo para desbloquear 364

    Ariquemes/RO – Em reunião nesta quarta-feira (15) entre a bancada parlamentar de Rondônia no Congresso e representantes do setor madeireiro do Estado, chegou-se a uma solução para o impasse criado com o bloqueio da BR 364, na altura do município de Ariquemes. Desde às 12h de segunda-feira, a estrada estava obstruída pelos extratores de tora e madeireiros da região.

    “Estamos construindo saídas para valorizar o trabalho de quem está legalizado e para punir com firmeza quem não está, dentro do princípio de que é preciso combater o desmatamento”, disse o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Claudio Langone, que presidiu a reunião.

    O acordo foi firmado entre integrantes da Associação dos Extratores de Tora e Indústria Madereira (Atimer) de Rondônia, diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), membros da bancada, e o governo federal.

    Decidiu-se na reunião que o Ibama vai disponibilizar um cadastro técnico federal para viabilizar o registro dos extratores de tora e que a Atimer entregará ao órgão federal uma lista dos projetos de manejo que ainda não foram vistoriados na região. Esse procedimento é fundamental para a aprovação das projetos. Com essa lista, o Ibama vai programar, em no máximo 48h, as vistorias pendentes.

    Combate a ilegalidade

    A associação ainda se comprometeu em cooperar com o Ibama para combater a ilegalidade no comércio de madeira na região. O ministério, o Ibama, a bancada e a Atimer deverão acompanhar a votação do Zoneamento Ecológico Econômico do Estado de Rondônia na reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), prevista para acontecer nos dias 21 e 22 de fevereiro.

    A entidade, bem como os integrantes da bancada, comprometeram-se em trabalhar para que possa ser efetivado o processo de descentralização da gestão florestal. “A exemplo do que aconteceu no Pará e no Mato Grosso, queremos criar uma agenda comum com o governo do estado, por meio de uma acordo de cooperação”, comentou Langone.

    O Ibama ainda se comprometeu em disponibilizar, em março, as regras para o plano de manejo de baixa intensidade, que se aplica principalmente nas pequenas e médias propriedade. A regulamentação dessas regras está em consulta pública e a Atimer deverá apresentar suas sugestões até o dia 24.

    O órgão federal também vai discutir formas de melhorar a relação entre o detentor do plano de manejo ou de autorização para desmatamento legal, os extratores de toras e a indústria madeireira de Rondônia. A Atimer, em contrapartida, deverá apresentar alternativas para compatibilizar a demanda da indústria madeireira e a oferta potencial do estado. Hoje, a demanda é muito superior ao que o Estado pode oferecer.

  • Aspectos climáticos da Bacia Amazônica

    A bacia Amazônica, possuindo a maior extensão de floresta quente e úmida do Globo, ocupa quase a metade do Território Brasileiro.

    Os sistemas de circulação atmosférica, que atuam diretamente, exercem importante papel na variação de composições climáticas na Amazônia, no tempo e no espaço.

    No setor oriental da Região sopram, periodicamente, ventos de E a NE do anticiclone subtropical semi-fixo do Atlântico Sul e do anticiclone subtropical semi-fixo dos Açores. Em virtude de possuírem uma subsistência superior e conseqüente inversão de temperaturas, tais ventos são acompanhados de tempo estável. No setor ocidental predomina a massa de ar equatorial (m Ec), formada pela convecção termodinâmica dos ventos de NE do anticiclone dos Açores e da convergência intertropical (CIT). Esta massa de ar, pela sua forte umidade específica e ausência de subsidência superior, está freqüentemente, sujeita a instalabilidades causadoras de chuvas abundantes. Sendo caracterizada por uma vasta planura situada próxima ao nível do mar e cortada de um extremo a outro pelo paralelo do equador, a Região possui clima quente.

    As áreas serranas da fronteira setentrional e da chapada dos Parecis em Rondônia (pela altitude bem acima da planura regional) possuem temperatura média anual inferior a 24º C. Neste aspecto o que bem caracteriza esta Região são temperaturas que variam de 24 a 26º C.

    Convém observar que durante o inverno toda zona meridional da Região, especialmente o setor sudoeste (Rondônia, Acre e parte do Amazonas) é freqüentemente invadido por tais anticiclones de origem polar, após transpor a cordilheira dos Andes, ao sul do Chile. Alguns são excepcionalmente poderosos e provocam o chamado fenômeno da friagem, caracterizada por forte umidade específica e relativa, acompanhada de chuvas frontais e sucedidas por tempo bom e extraordinária queda de temperatura que atinge a mínima como aquelas citadas.

    Além da direção predominante do vento e de sua velocidade, os fatores locais que governam o curso diurno da temperatura são a topografia, a altitude, a natureza do solo e a nebulosidade. No caso da Região a topografia e a altitude baixa favorecem o aumento da amplitude diurna, entretanto a natureza do solo, profundo e coberto pela vegetação pujante da selva, e a notável rede de rios largos, além da forte nebulosidade durante todo o ano agem em sentido contrário. É bem verdade que na Amazônia predominam calmarias, porém o ar está diariamente muito carregado de umidade. Por esses motivos a amplitude térmica diurna na Amazônia é um pouco inferior às registradas em outras regiões da zona equatorial.

    Se em relação à temperatura, a Região apresenta certa homogeneidade espacial e estacional, ou seja, pouca variedade térmica ao longo de seu território e uma variação estacional pouco significativa, o mesmo não acontece em relação à pluviosidade.

    Em virtude dos sistemas de circulação atmosférica a Região Amazônica constitui-se no domínio climático mais pluvioso do Brasil. Há uma área ou um corredor menos chuvoso, de orientação NW-SE, em Roraima que apresenta um total com cerca de 1.400 a 1.800 mm. Em linhas gerais levando-se em conta o regime de temperatura, toda a Região possui clima quente, uma vez que todos os meses se mantêm com temperatura média superior a 22º C.

    Estima-se que a Amazônia, recebe no limite superior da atmosfera um máximo de 875 cal.cm-2.d-1, entre janeiro a dezembro e um mínimo de 730 cal.cm-2.d-1 em junho e julho, sendo que 50 % dessa quantidade chegam à superfície. Devido ao regime de temperatura, toda a região Norte do Brasil, na qual estão contida 70 % da bacia Amazônica, possui domínio climático quente, sendo que os principais subdomínios climáticos, o super úmido e o úmido. O super-úmido domina a porção Oeste da bacia, grosseiramente a parte de Manaus, onde o tipo climático é o equatorial, já na posição Leste da bacia a partir de Manaus, domina o úmido, com tipo climático tropical.

    A distribuição de precipitação na bacia é sensivelmente menos uniforme. O movimento meridional do Sol entre os paralelos 23o27’ cruzando a linha do Equador duas vezes por ano em intervalos de seis meses conjuntamente com a fonte de água e ar quente que é o Oceano Atlântico, são os principais fatores que determinam os padrões de clima e conseqüentemente a pluviosidade da região Amazônica. A quantidade média de vapor de água armazenado na atmosfera (água precipitável) é da ordem de 35 mm, enquanto a media mundial é de 28 mm, conferindo à região condições isotérmicas, com alta pluviosidade. A pluviosidade anual é maior na costa Norte com valores acima de 3.250 mm, sendo que esse valor decresce em direção a Amazônia Central atingindo um mínimo de 1.750 mm., a partir da Amazônia Central, a quantidade anual de precipitação começa a aumentar, desta feita em direções Nordeste e Sudeste. Na direção Nordeste, encontraram-se os maiores índices, ficando em torno de 3.500 mm e a Sudeste, esses valores são menores alcançando 2.250 a 2.500 mm. Porem, esses índices pode chegar a 5.000 mm.ano-1, na região Andina.

    Se considerarmos a bacia como um todo, 48% da precipitação (2.379 mm.ano-1) é evapotranspirado e 52 % é escoado pelo rio Amazonas. Podemos estimar ainda, que pela precipitação, a bacia recebe 11,87.1012 m3.ano-1 e, através da descarga do rio Amazonas, deixa o sistema 5,44.1012 m3.ano-1. Assim, a Amazônia pode ser caracterizada, por altas temperaturas com baixas amplitudes térmicas onde predomina o clima quente e úmido; precipitação bastante elevada durante o ano, em media 2.200 mm, e com uma ciclagem interna de vapor de água bastante intensa, onde a massa total desse vapor, é constituída de 50 % de vapor d’água de origem marinha (Oceano Atlântico) e 50 % originário da própria bacia, através da evapotranspiração.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas. Especialista em Hidrogeoquímica da Amazônica.

    Pesquisador da Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA/CPCRH; Professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas-UEA/EST; Consultor da Fundação de Ampara a Pesquisas do Estado do Amazonas-FAPEAM; Conselheiro Titular do Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Amazonas – CERH-AM

    [email protected]

  • Aprovado Plano Nacional de Recursos Hídricos

    O Brasil é o primeiro país da América Latina a possuir um Plano Nacional de Recursos Hídricos sob a ótica da gestão integrada. O documento foi aprovado nesta segunda-feira, dia 30, por unanimidade, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e traz um conjunto de diretrizes, metas e programas para garantir o uso racional da água no Brasil até 2020.

    Ao abrir a reunião do Conselho, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou o caráter inovador do plano brasileiro, que leva em conta não apenas aspectos hídricos, mas também fatores econômicos, culturais e sociais. Ela acrescentou que a matéria é de vital interesse para o País, que concentra 12% das reservas mundiais de água doce.Segundo a ministra, o desafio agora será a implementação do plano nas mesmas bases em que ele foi elaborado, “com ampla participação social, a partir do olhar dos usuários da sociedade civil e dos demais entes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos”..

    O Plano Nacional de Recursos Hídricos foi elaborado pela Secretaria de Recursos Hídricos do MMA, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), CNRH, e contou com a participação de cerca de sete mil pessoas, por meio de oficinas e seminários realizados em todo o Brasil. O documento traz metas de curto, médio e longo prazos e propõe a implementação de programas nacionais e regionais, bem como a harmonização e a adequação de políticas públicas, visando estabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda de água.

    O objetivo é assegurar as disponibilidades hídricas em quantidade e qualidade para o seu uso racional e sustentável.

    O secretário de Recursos Hídricos do MMA, João Bosco Senra, destacou que, ao elaborar o plano, o Brasil cumpre compromissos internacionais como o assumido com a Organização das Nações Unidas e com a Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10), que estipulou o ano de 2005 para que os países apresentassem seus planos de gestão integrada de recursos hídricos. “O Brasil é um dos poucos países do mundo e o único na América Latina a cumprir essa meta”, disse, acrescentando que, por esta razão, será apresentado no México, durante o 4° Fórum Mundial das Águas, entre os dias 16 e 22 de março de 2006.

  • Complexo turístico explora a natureza

    Complexo turístico explora a natureza

    Complexo turístico explora a natureza

    Cacoal/RO – As belezas naturais da região amazônica são as principais atrações do Cacoal Selva Park, um complexo turístico localizado a 12 km da área central da cidade. Além de sua estrutura hoteleira, formada por cabanas rústicas e apartamentos, o complexo oferece opções de lazer ligadas diretamente a natureza, como trilha ecológica, pista de arborismo, piscinas e lagos abastecidos por água mineral, além de várias espécies de animais silvestres. O complexo, que em 2001 foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), é formado por 300 hectares, sendo 165 de área preservada.

    A área foi adquirida pelo empresário Nério Bianchini em 1978 e apesar de sempre ter sido utilizada para o lazer, só passou a ser explorada como uma opção do turismo ecológico a partir dos últimos cinco anos. Há na reserva, amostras da flora e da fauna amazônica, que atraem não só a atenção de turistas, mas também de pesquisadores da região. O local é habitado inclusive por animais silvestres como capivara, anta, onça pintada e macaco, além de muitas araras.

    As fontes de água natural são as principais riquezas da reserva. “Todo o parque, desde as cabanas aos lagos e piscinas, é abastecido naturalmente pelas nascentes ”, disse Nério. Segundo ele, a água já foi analisada e apresentou 100% de pureza, sendo considerada própria para o consumo humano.

    Contemplação da natureza

    A pista de arborismo, a primeira do Estado, é a mais nova opção de lazer oferecida pelo Cacoal Selva Park. São 500 metros de percurso no ar, em pontes sustentadas pelas próprias árvores nativas da região. “É uma travessia segura, feita com o acompanhamento constante de guias treinados”, explicou Vera Bianchini, uma das proprietárias.

    O arborismo funciona como uma opção de esporte radical e como uma forma de contemplação da natureza, já que enquanto faz a travessia, o turista aprecia a diversidade biológica da reserva. “É um esporte bonito e que tem tudo a ver com nosso público”, disse Vera.

  • ONGs italianas constroem hospital na Amazônia

    ONGs italianas constroem hospital na Amazônia

    Cacoal/RO – A Associação São Daniel Comboni, entidade da igreja católica, está construindo em Cacoal, o maior hospital da região. A unidade ocupará 15 mil m2 de área construída e oferecerá atendimento nas especialidades de oncologia, cardiologia, traumatologia e doenças tropicais. O projeto está sendo executado com recursos viabilizados pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) Senza Frontiere e Ingegneri Oltre e com o apoio da população do município.

    O projeto está avaliado em R$ 40 milhões. A unidade está sendo construída no Bairro Eldorado, a cerca de 2 quilômetros da região central da cidade, em um terreno de 50 mil m2, doado pelo morador local, João Pichek. Segundo o padre Franco Vialetto, presidente da Associação São Daniel Comboni, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal colaboraram com os serviços de terraplanagem, mas o apoio maior está sendo dado pelas ONGs italianas e pelo povo de Cacoal. A comunidade colabora com doação de materiais de construção e de mão de obra.

    O hospital deverá desenvolver também, em parceria com outras instituições, pesquisas na área da saúde que envolvam o estudo de plantas medicinais da Amazônia. De acordo com o padre, a equipe de técnicos que vai comandar o hospital, já está sendo formada. “Estamos mantendo contato com médicos e outros profissionais da área e há muitos manifestando interesse em trabalhar no hospital”, disse.

    Dificuldades com a Receita Federal

    A construção do hospital teve início em julho de 2004. Cerca de 40% das obras encontram-se em fase de acabamento, no entanto, Franco Vialetto prefere não marcar prazo de conclusão. Ele argumenta que nas obras de Deus não há cálculo humano. “É caminhando que se encontra colaboradores, pessoas de boa vontade”, disse.

    Franco Vialetto reclama, no entanto, das dificuldades enfrentadas junto a Receita Federal no sentido de receber equipamentos doados pelas ONGs italianas. Ele informou que há, na Itália, três carregamentos de equipamentos e materiais prontos para ser encaminhados ao Brasil, mas estaria havendo dificuldades para se conseguir a liberação de importação.

  • Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Impactos da seca na Amazônia são descartados

    Manaus/Am – A previsão de que a 7ª pior vazante do último século, registrada em 2005, na Amazônia, poderia causar fortes impactos no sistema ambiental da região foi invalidada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e da Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM/Am).

    Estudos feitos pelos técnicos no mês passado indicaram que as mais de 150 toneladas de peixes mortos na seca não irão prejudicar a reprodução pesqueira. A possibilidade de haver uma enchente nas mesmas proporções em 2006, também foi descartada pelos especialistas.

    Na primeira quinzena de outubro (período da vazante), profissionais do meio ambiente como o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Rômulo Melo, preveu que haveria uma diminuição significativa na quantidade de peixes para o próximo ano, devido aos impactos ambientais gerados pela seca.

    "A recuperação das águas, depois da vazante, será lenta, dificultando a migração dos peixes das águas paradas para a reprodução nos grandes rios (época da piracema). Ou seja, além dos peixes que já morreram com a diminuição das águas nos igarapés e lagos, milhares de espécies migradoras podem perecer no percurso do rio Amazonas", ressaltou Melo.

    A mesma idéia defendia o secretário executivo de Pesca e Agricultura de Produção Rural (Sepror), Geraldo Bernadino. "Nessa vazante os igarapés e lagos diminuíram pelo menos 10 metros de altura. Esse fato pode prejudicar a produção pesqueira daqui a três anos. Isso aconteceria, porque os milhares de herbívoros e carnívoros mortos estariam se reproduzindo agora durante o mês de novembro", explicou.

    Durante o período latente da seca (setembro a outubro), estatísticas realizadas pelo Ibama em parceria com a Sepror confirmaram a morte de mais de 150 toneladas de peixes, residentes em paranás, igarapés e lagos. De acordo com Bernadino, esses foram os locais mais afetados com a vazante, devido a obstrução dos canais fluviais por blocos de areias, gerados com a diminuição das águas.

    Peixes terão reprodução normal

    Os pesquisadores Pedro Mera, Hiroshi Noda e Sidinéia Amadio, coordenados pelo agrônomo com especialização em Biologia Aquática, Roseval Leite, do INPA estiveram nos municípios de Manaquiri, Careiro da Várzea e Manacapuru (Am), após o término da seca (27/10) e invalidaram as suposições de impacto ambiental no setor pesqueiro.

    "Peixes residentes em grandes lagos como, curimatá, pescada, sardinha, piranha e tambaqui, não serão prejudicados durante o período da piracema (época de reprodução dos peixes), devido ao processo natural de renovação das águas", garantiu Roseval.

    Segundo o coordenador da expedição, restos das carnes dos peixes mortos que não foram absorvidos pelas bactérias se transformarão em grandes fontes de nutrientes para as terras que, juntamente com a chuva, gerará a reprodução em massa de algas, principal alimento dos peixes herbívoros.

    A possível diminuição das espécies carnívoras residentes dos lagos que morreram e não poderiam se multiplicar na piracema é contestada por Roseval. "Com o retorno das chuvas os lagos trocarão suas águas. Por isso as espécies de outros lagos não afetados estarão migrando para as regiões abaladas com a vazante. Esse fenômeno natural contribuirá para a reprodução dos carnívoros nas grandes redes fluviais, entre elas Amazonas, Solimões e rio Negro", observou.

    Hidrologia e clima não serão afetados

    De acordo com o gerente de hidrologia da CPRM, o hidrólogo Marco Oliveira, não existe indícios históricos de que a vazante registrada neste ano, possibilite um desequilíbrio hidrológico no setor fluvial da Amazônia no próximo ano.

    Oliveira informou que a maior seca, registrada em 1963, onde as águas dos rios ficaram na marca dos 13,64 metros, não influenciou na cheia do ano posterior. "Em nosso sistema, 1964 foi tido como um ano normal de cheia", explica.

    A mesma situação aconteceu com a segunda maior seca, em 1906, com 14,20 m e a terceira em 1997, que registrou uma marca de 14,35m de altura nos rios. A vazante de 2005 foi a sétima maior dos últimos 100 anos, onde encerrou o período de seca com 14,75 metros em 27 de outubro.

    “Não temos motivos para acreditar em desequilíbrios hidrológicos no sistema fluvial da Amazônia no próximo ano com um suposto aumento descontrolado da marca dos rios", declara.

    O hidrólogo ressaltou ainda que o curso dos rios vem subindo normalmente nos últimos 55 dias, com médias que chegavam a mais de nove centímetros por dia. "Atualmente (20/12/05) o rio aponta uma marca de 20,01m. Isso significa que ele já subiu cerca de 5,35 metros, normal nessa época do ano", comentou.

    O setor climático da região amazônica também não sofrerá influências da última estiagem, como afirma o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet/Am), Flávio Natal. Segundo ele, as precipitações (chuvas) registradas nos últimos 40 dias em toda a região estão acontecendo dentro da média estimada pelo instituto.

    "Estamos registrando uma queda de pelo menos 90 milímetros por dia. Em alguns casos ultrapassam os 120 mm, mas é em fevereiro que o processo de precipitação começa a aumentar. Além do mais, não existem fatores científicos que comprovem que um verão muito forte possa interferir no curso normal do inverno amazônico", declarou.

    Águas já estão navegáveis

    Os municípios que ficaram isolados pela seca, devido ao impossível acesso por meio de barcos, agora já podem ver chegar as embarcações em seus portos. Cidades como Manaquiri e Careiro da Várzea, no Amazonas, já estão com seu nível de água transitável.

    "Não agüentávamos mais tanto sofrimento: falta de comida, de água potável, além é claro do isolamento que não nos permitia sairmos da área", informou o presidente da comunidade Santa Marta, localizada no Manaquiri.

    As doenças também foram incidentes no período que decorreu a vazante. "Quando as águas baixavam, se criavam vários buracos no que restava dos igarapés, que serviam de focos para mosquitos infecciosos como dengue e malária, mas agora já podemos ver nossos paranás enchendo. Isso é grandioso, para quem viveu profundamente a seca ", declarou o líder do distrito de Purari, no Careiro da Várzea.

    De acordo com comandantes dos barcos ancorados no porto de Manaus (Am), todos os rios da Amazônia já estão transitáveis desde o último dia 29 de novembro. "Rios como o Madeira, o Solimões e o Rio Negro não oferecem mais dificuldades de navegabilidade em nenhuma região", afirmou Almir Silva, dono de embarcação.

  • Madeireiros exploram reserva dos Suruís

    Cacoal/RO – Cerca de 200 caminhões carregados de madeira estariam saindo

    diariamente das aldeias da Reserva Indígena Suruí, localizada no município

    de Cacoal, em Rondônia. A denúncia, que corre de "boca em boca" na cidade, é

    confirmada pelos motoristas de caminhões boiadeiros, que transitam pelas

    mesmas estradas usadas pelos veículos das indústrias madeireiras. A

    exploração estaria sendo feita com a autorização dos índios, que se propõe a

    vender a madeira.

    Os motoristas dos caminhões boiadeiros contam que, apesar da exploração

    diminuir nesta época do ano, por causa do período chuvoso, ainda vêem

    constantemente caminhões carregados de madeira deixarem a reserva. Estariam

    sendo retirados da área todos os tipos de madeira, inclusive espécies

    nobres. "Tem madeireiro que entra até 60 quilômetros para dentro da reserva,

    porque na entrada não há mais o que explorar", disse um motorista, que

    preferiu não se identificar.

    Há informações de que a exploração já dura 20 anos e que estaria ocorrendo

    inclusive com a conivência de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio

    Ambiente (Ibama). Os servidores envolvidos também estariam lucrando

    financeiramente com a exploração ilegal.

    Denúncias são investigadas

    O administrador da Funai, em Cacoal, Orlando Castro Silveira, que assumiu o

    cargo há pouco mais de 30 dias, disse que todas as denúncias relacionadas a

    reserva estão sendo investigadas. Apesar de afirmar que a Funai necessita de

    mais recursos para fazer a fiscalização necessária, ele informou que deverá

    ser realizada uma operação na área, dentro dos próximos dias, com o apoio do

    Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Ambiental.

    De acordo com o administrador, além de não dispor das condições de trabalho

    necessárias, a Funai enfrenta dificuldades no sentido de convencer o índio a

    não vender a madeira de suas terras. Os indígenas alegam que vendem a

    madeira porque precisam sobreviver e não recebem o apoio necessário do

    Governo Federal. "De qualquer forma não se pode justificar o que é ilegal,

    então temos que combater a exploração", disse.

    Sem conhecimento

    A gerente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, disse que não

    tem conhecimento de denúncias específicas de envolvimento de funcionários do

    instituto com a exploração da madeira da terra dos Suruís. Ela afirmou,

    porém, que tanto o Ibama quanto a Polícia Federal estão investigando muitas

    denúncias de participação de servidores em crimes ambientais.

    Segundo a gerente, para que a denúncia seja investigada, é preciso que seja

    registrada por carta ou telefone junto aos escritórios do Ibama ou pela

    chamada linha verde, no 0800 618080. É necessário, porém, conforme a

    gerente, que a denúncia ofereça fortes indicativos em relação ao denunciado,

    inclusive endereço de localização da pessoa acusada, datas e locais da

    prática do crime.

  • Fazendeiros desmatam terras indígenas Kayapó

    São Félix do Xingu/ Pará – Cerca de 700 hectares de florestas foram invadidos e desmatados por fazendeiros na Terra Indígena (TI) Kaypó, próximo ao município de São Félix do Xingu, no extremo norte da reserva, entre as aldeias Kikretum e Kokraimoro. As primeiras denúncias da Fundação Nacional do Índio (Funai) à Polícia Federal e ao IBAMA foram feitas há três meses, mas as invasões, além de não combatidas, se intensificaram. Com a ausência de providência por parte das autoridades, os índios ameaçam usar a força para garantir a integridade se seu território.

    Desde a semana passada, uma comissão da Funai está no local para fazer um levantamento detalhado do estrago provocado pelos fazendeiros e acalmar os índios que ameaçam expulsar os invasores. Imagens de satélite analisadas pelos técnicos da Organização Não-Governamental Conservação Internacional comprovam a existência de áreas desmatadas na TI Kayapó.

    Ameaça de conflito

    A Funai teme que a demora da ação das autoridades no local leve a um conflito entre os índios e os fazendeiros. Em abril de 2004, um conflito na reserva dos índios Cinta-larga, em Rondônia, resultou na morte de 29 garimpeiros que haviam invadido suas terras. A matança poderia ter sido evitada se o governo tivesse atendido às denúncias que já vinham sendo feitas há pelo menos dois anos. “Estamos tentando articular, desde de setembro, junto ao Ibama e a Polícia Federal, uma operação para tirarmos os invasores da área dos Kayapó, mas não obtivemos nenhum apoio”, reclama Eimar Araújo, responsável pela Funai regional de Marabá.

    Araújo afirmou que os indigenistas ainda vêm trabalhando para evitar que os índios usem de violência, mas teme que com o aumento das invasões os esforços sejam em vão. Nas últimas semanas, algumas lideranças indígenas conseguiram negociar a saída pacífica de alguns invasores da área, mas eles denunciam que passados alguns dias todos estavam de volta nos seus acampamentos. “Se o Estado brasileiro demorar ainda mais, os índios vão agir da maneira deles. Isto significa que haverá um cenário de violência e conflito com perdas de vidas humanas”, alerta Araújo.

  • Obras da BR-319 terão continuidade

    Obras da BR-319 terão continuidade

    Obras da BR-319 terão continuidade

    Careiro/Am – Embora o Ministério do Meio Ambiente (MMA) tenha se pronunciado contra o processo de recuperação da BR-319 (Manaus/Porto Velho), as obras terão continuidade. A decisão judicial do Tribunal Regional Federal (TRF), que saiu no último dia 17, desfaz o embargo determinado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), por falta do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA).

    No sábado passado (26), o ministro dos Transportes (MT), Alfredo Nascimento e o governador do Amazonas, Eduardo Braga, percorreram o trecho da rodovia até o quilômetro 160, localizado na ponte do rio Tupana (Careiro Castanho/Am), para observar a retomada das obras.

    Alfredo Nascimento afirmou que “é necessário que o Ministério do Meio Ambiente entenda que neste projeto de recuperação não cabe o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente, pois todos sabem que essa estrada já existia, mas não havia sido restaurada”.

    Segundo o ministro, o projeto não prevê mudanças no percurso de rios ou derrubada de árvores; nem a possibilidade de ocorrer assoreamentos em canais fluviais; ou ainda a intervenção em comunidades étnicas/indígenas, portanto, não requer licenciamento.

    Já para Eduardo Braga, o embargamento se deu por questões pessoais. “Muita gente fora do Estado não quer ver o desenvolvimento do Amazonas. O interesse não é no meio ambiente”, afirma.

    Revitalização x Grilagem

    Mesmo tendo suas margens registradas em nome da União, a BR-319 continua sendo alvo dos invasores. Estes se apossam das terras para explorá-la, sem responsabilidade ambiental.

    O anúncio de revitalização da rodovia fez aumentar a corrida para os terrenos dos municípios do Careiro Castanho, Beruri, Manaquiri, no Amazonas, ainda sem fiscalização atuante. Para Alfredo Nascimento, o processo de grilagem é impossível de se evitar, mas é fácil de se conter. “Com o reinício das obras estaremos entrando em uma outra etapa. Instituições serão convocadas para nos ajudar nesse sonho que é a BR-319. Nesse processo, toda a ação perniciosa contra o a obra será facilmente vencida”, garante.

    O recurso para a recuperação das obras nos próximos 12 meses foi fixado em R$ 360 milhões. Esse valor equivale a somente dois terços do investimento total. O restante será orçado no próximo ano.

    Exigências do MMA

    Quando esteve em Manaus, no dia 27 de outubro desse ano, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se mostrou irredutível quanto as exigências para a restauração da BR-319.

    A ministra se baseia na Portaria 10, dos ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes, alegando que o caso da BR-319 não se enquadra na dispensa de estudo de impacto ambiental. "O correto é seguir a legislação e realizar estudos prévios de impacto ambiental. Qualquer exceção deve ser avaliada tecnicamente no decorrer do processo", justificou a ministra.

    Para a ministra, as obras interrompidas em um trecho da BR-319 aumentarão a capacidade da estrada, o que configuraria reconstrução e não recuperação. Marina ressaltou ainda que a possível reconstrução pode causar impactos ambientais inestimáveis, prejudicando muito o ecossistema da região.

    O superintendente regional do Ibama, Marcus Barros defende que o caso diz respeito somente à metade da estrada, cerca de 400 quilômetros. "Na outra parte, bastaria um Termo de Ajustamento de Conduta, imposto ao Ministério dos Transportes", salientou.

    Além das fronteiras políticas

    Já para o ex-gerente executivo do Ibama e professor da Universidade Federal do Ibama, Frederico Arruda, as obras de recuperação da BR-319 podem trazer graves conseqüências ambientais e sociais para a região, como o aumento desenfreado da prática de grilagem. “Por isso, há necessidade de transpor a discussão em torno do embargo das obras para além das fronteiras meramente políticas”, afirma.

    Arruda defende a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental pelo Ministério dos Transportes. “Temos que deixar de tratar essa questão de maneira emotiva, algumas vezes até apelativa. Não se trata de quem é contra ou a favor da obra. O mínimo que podemos fazer é não pensar só no asfaltamento, mas também na possível destruição ambiental e social que a obra vai trazer”, afirmou.

    Segundo Arruda, o Estado brasileiro não tem demonstrado capacidade no combate a ação de agentes devoradores da floresta. “A Amazônia nunca foi tão destruída como nos últimos anos”, argumenta.

    Histórico

    A construção da BR-319, no trecho Manaus – Divisa AM/RO, foi concluída pelo então Departamento Nacional de Estrada e Rodovias (DNER) em 1973, período em que foi aberta ao tráfego, mas, oficialmente, a rodovia foi inaugurada no dia 27 de março de 1976.

    A extensão total desta obra, ligando Manaus a Porto Velho, é de 870 quilômetros, sendo que 859,5 quilômetros estão localizados em território amazonense.

    A estrada foi totalmente abandonada pelos governos anteriores e ficou em péssimo estado de conversação. No dia 9 de julho passado, foi assinado a ordem de serviço que deu início à recuperação da estrada, que liga a Amazônia Ocidental ao Centro-Sul do País.

    A rodovia possui 125 pontes. Deste total, 450 quilômetros, compreendidos entre os municípios de Careiro Castanho, Humaitá e Carreiro da Várzea, no Amazonas, são considerados intrafegáveis. Há trechos onde houve a perda do asfalto, o rompimento de bueiros e a queda de pontes.