Categoria: Geral

  • Defendida valorização da floresta em pé

    Brasília (DF) – O anúncio da redução de 31% no índice de desmatamento da Amazônia, feito pela ministra Marina Silva, no último dia 5, soou como uma boa notícia, no entanto, pesquisadores da área continuam alertando o Governo Brasileiro para a necessidade de estabelecer políticas que garantam a valorização da floresta em pé.

    A área desmatada foi reduzida de 27.200km2 para 18.900km2. De acordo com informações prestadas pela Assessoria de Imprensa do Ministério do Meio Ambiente, é a primeira vez que o desmatamento cai, desde 1997. É a primeira vez também, em 17 anos de monitoramento, que o governo apresenta os dados sobre desmatamento no mesmo ano em que eles ocorrem. O Ministério do Meio Ambiente comparou dados de 11 meses, sendo agosto de 2003 a julho de 2004, com agosto de 2004 a julho deste ano.

    Os dados do MMA, que têm como base levantamentos de satélite feitos pelo

    Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que houve uma queda

    acentuada em todos os estados, com redução expressiva do desmatamento nas

    áreas próximas à rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), onde houve maior

    intervenção do Governo Federal por meio das fiscalizações do Plano de Ação

    para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. Os números indicam

    leve crescimento do desmatamento apenas no sudeste do Pará e no sul do

    Amazonas.

    Controle e repressão

    De acordo com a ministra Marina Silva, a queda é consequência de

    iniciativas que combinam ações de comando e controle com grandes operações de

    repressão, como a Setembro Negro e Curupira, com outras de ordenamento

    fundiário e territorial e criação de áreas protegidas.

    O grande desafio agora, segundo a ministra, é combinar as ações de comando e controle com as ações de desenvolvimento sustentável. ”Para isso é fundamental a aprovação do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, que tramita há nove meses no Congresso Nacional”, disse.

    O PL irá possibilitar, por exemplo, a implantação de Distritos

    Florestais, áreas onde será estimulado o uso sustentável de produtos e

    serviços da floresta. O primeiro a ser implantado será o da BR-163, com 16

    milhões de hectares, sendo 5 milhões de hectares de área de manejo e expectativa de produção de 4,1 a 6,7 milhões de m3 de toras e geração de 100

    mil empregos diretos.

    Motivo de comemoração

    De acordo com o vice-presidente de Ciência da Conservação Internacional (CI-Brasil), José Maria Cardoso da Silva, a estimativa oficial traz uma boa notícia, no entanto, a velocidade com que a floresta vem sendo destruída ainda continua assustadora e não deve ser vista como motivo de comemoração. Segundo ele, há urgência de ações e políticas que garantam a floresta em pé. “É preciso estabelecer metas claras de quanto dos nossos extraordinários recursos biológicos na Amazônia permitiremos ser perdidos para sempre, pois sem ter metas quantitativas é impossível avaliar o sucesso ou o fracasso das políticas governamentais para a região”, afirma.

    A proposta de desmatamento zero e de uso inteligente das áreas já degradadas da floresta é defendida no artigo “Estratégias para evitar a perda de biodiversidade na Amazônia”, publicado recentemente por Silva, Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, e Peter Toledo, diretor da Rede Geoma. Os pesquisadores defendem que o total de área já desmatada na Amazônia Legal, cerca de 619 mil quilômetros quadrados, seria mais do que suficiente para que a região possa gerar a riqueza necessária para o bem-estar da população local e o desenvolvimento do país.

  • Madeireiros exploram reserva dos Suruís

    Cacoal/RO – Cerca de 200 caminhões carregados de madeira estariam saindo

    diariamente das aldeias da Reserva Indígena Suruí, localizada no município

    de Cacoal, em Rondônia. A denúncia, que corre de "boca em boca" na cidade, é

    confirmada pelos motoristas de caminhões boiadeiros, que transitam pelas

    mesmas estradas usadas pelos veículos das indústrias madeireiras. A

    exploração estaria sendo feita com a autorização dos índios, que se propõe a

    vender a madeira.

    Os motoristas dos caminhões boiadeiros contam que, apesar da exploração

    diminuir nesta época do ano, por causa do período chuvoso, ainda vêem

    constantemente caminhões carregados de madeira deixarem a reserva. Estariam

    sendo retirados da área todos os tipos de madeira, inclusive espécies

    nobres. "Tem madeireiro que entra até 60 quilômetros para dentro da reserva,

    porque na entrada não há mais o que explorar", disse um motorista, que

    preferiu não se identificar.

    Há informações de que a exploração já dura 20 anos e que estaria ocorrendo

    inclusive com a conivência de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio

    Ambiente (Ibama). Os servidores envolvidos também estariam lucrando

    financeiramente com a exploração ilegal.

    Denúncias são investigadas

    O administrador da Funai, em Cacoal, Orlando Castro Silveira, que assumiu o

    cargo há pouco mais de 30 dias, disse que todas as denúncias relacionadas a

    reserva estão sendo investigadas. Apesar de afirmar que a Funai necessita de

    mais recursos para fazer a fiscalização necessária, ele informou que deverá

    ser realizada uma operação na área, dentro dos próximos dias, com o apoio do

    Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Ambiental.

    De acordo com o administrador, além de não dispor das condições de trabalho

    necessárias, a Funai enfrenta dificuldades no sentido de convencer o índio a

    não vender a madeira de suas terras. Os indígenas alegam que vendem a

    madeira porque precisam sobreviver e não recebem o apoio necessário do

    Governo Federal. "De qualquer forma não se pode justificar o que é ilegal,

    então temos que combater a exploração", disse.

    Sem conhecimento

    A gerente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, disse que não

    tem conhecimento de denúncias específicas de envolvimento de funcionários do

    instituto com a exploração da madeira da terra dos Suruís. Ela afirmou,

    porém, que tanto o Ibama quanto a Polícia Federal estão investigando muitas

    denúncias de participação de servidores em crimes ambientais.

    Segundo a gerente, para que a denúncia seja investigada, é preciso que seja

    registrada por carta ou telefone junto aos escritórios do Ibama ou pela

    chamada linha verde, no 0800 618080. É necessário, porém, conforme a

    gerente, que a denúncia ofereça fortes indicativos em relação ao denunciado,

    inclusive endereço de localização da pessoa acusada, datas e locais da

    prática do crime.

  • Instalada comissão sobre biossegurança

    Até o dia 23, o Ministério do Meio Ambiente e demais pastas indicarão titulares e suplentes à nova Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pela liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) no País. O MMA também apontará representantes da sociedade civil, a partir de lista tríplice elaborada pelo setor ambiental. "Nosso interesse é o de agilizar a instalação da comissão", afirmou João Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas.

    Também para agilizar os trabalhos da CTNBio, o Ministério do Meio Ambiente instalou, na última sexta-feira (16), sua Comissão Interna sobre Biossegurança de OGMs. Participam membros das secretarias de Biodiversidade e Florestas, de Qualidade Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável, do Ibama e do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Eventualmente, membros de outras entidades governistas, do setor privado, de instituições de ensino e pesquisa e da sociedade civil poderão ser convidados a integrar a comissão. "É mais uma demonstração clara de que o Ministério não tem o menor interesse em protelar qualquer processo nessa área", ressaltou Capobianco.

    A comissão interna receberá pautas da CTNBio e tomará decisões em conjunto, definindo a posição do Ministério do Meio Ambiente sobre a liberação comercial de OGMs, por exemplo. Além disso, identificará assuntos na área da biotecnologia onde a atuação do Ministério seja necessária, subsidiará debates técnicos com outros órgãos de governo e demais instituições brasileiras, antecipará análises quanto a impactos ambientais decorrentes do uso de OGMs, e ainda promoverá debates públicos sobre biossegurança.

    Com a implementação da comissão interna, o MMA cumpre o determinado no Decreto 5591/2005. O texto regulamentou a Lei 11205/2005, que envolve o uso de organismos geneticamente modificados e de células- tronco embrionárias.

  • Temperatura deve aumentar ainda mais

    Manaus – O mundo está cada vez mais quente. Enquanto o aumento da temperatura global girou em torno de 0,7ºC desde 1900, as previsões são de que chegue a 3,5ºC até 2.100, o que significa cinco vezes mais que a mudança ocorrida até agora.

    De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Fearnside, PhD em ecologia, os impactos do aquecimento da temperatura variam desde derreamento de calotas polares até mudanças na distribuição de diversas espécies. “Várias mudanças preocupantes, como liberação de carbono dos solos e o aquecimento da água dos mares, têm as suas explicações mais lógicas no aquecimento global”, disse.

    Estas mudanças, segundo o pesquisador, provavelmente estão ligadas a outros fenômenos climáticos, como o aumento da freqüência do El Niño, que leva a mais secas e incêndios florestais na Amazônia. O mesmo se aplicaria ao aquecimento da água no Atlântico, que estaria ligado a seca e vazante forte de 2005.

    Combustíveis fósseis

    Quanto as causas do aquecimento, o pesquisador explicou que a temperatura aumenta em virtude da liberação de gases como gás carbônico (CO2), metano (CH4) e oxido nitroso (N2O). Os gases impedem a passagem de calor da superfície da terra para o espaço, esquentando o planeta, já que a energia entra na luz solar, na forma de ultravioleta, e não consegue sair com a mesma facilidade quando transformada em calor.

    Os gases de efeito estufa são produzidos pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural e pelas mudanças do uso da terra, inclusive ações relacionadas ao desmatamento e a construção de hidrelétricas.

    Mais água e menos chuva

    O aumento da temperatura faz com que as árvores na Amazônia precisem de mais água para fazer fotossíntese e sobreviver. Isso ocorre ao mesmo tempo em que a quantidade de chuva diminui.

    O processo faz com que mais árvores morram na floresta em pé e pode levar à transformação da mata em um tipo de savana, semelhante ao cerrado. “O aumento da vulnerabilidade à entrada de incêndios e o aumento da quantidade de madeira morta, implica em um impacto ainda maior sobre a floresta”, disse o pesquisador.

    Simulações feitas pelo Centro Hadley, do Escritório Meteorológico do Reino Unido-UKMO, um dos principais modelos climáticos do mundo, indicam uma mortalidade catastrófica da floresta amazônica até 2080, mesmo sem o efeito agravante de incêndios. Isso, se não houver redução das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Situação fora de controle

    De acordo com Philip Fearnside, a primeira coisa que deve ser feita para diminuir o aumento da temperatura é reduzir brutalmente a emissão de gases pela sociedade humana, tanto pela queima de combustíveis como pelo desmatamento.

    Há também no meio científico, segundo o pesquisador, a preocupação de que o efeito estufa possa fugir ao controle humano e que apenas eliminando as emissões humanas, mesmo por completo, não haveria como frear as emissões do solo e das florestas. “A mortalidade de árvores e a entrada de incêndios na floresta durante a atual seca na Amazônia, é uma lembrança valiosa da fragilidade destes sistemas e do fato que muitos impactos da mudança climática escapam da vontade humana”, afirmou.

    Valorização da floresta em pé

    De acordo com o pesquisador, além de tomar medidas de repressão contra o desmatamento na Amazônia, o Governo precisa enfrentar as causas que levam ao desmatamento, inclusive as políticas sobre grandes obras de infra-estrutura que abrem acesso a novas áreas de floresta, como é o caso da rodovia BR-163.

    Em um nível considerado básico, segundo o pesquisador, o Governo precisa também transformar a economia da região amazônica para ser baseada no valor dos serviços ambientais da floresta em pé, “ao invés de ser baseado na destruição da mata para madeira, carne de boi, soja e outras mercadorias materiais”.

    Entre os serviços ambientais, o pesquisador citou a estocagem de carbono -para evitar o efeito estufa- que é mais próximo da compensação com fluxos financeiros significativos nas próximas décadas, já que o Governo tem se posicionado até agora contra crédito de carbono pela manutenção da floresta. “É preciso mudar esta posição para se valer de algo que tem um valor suficientemente alto para contrapor as forças do desmatamento na região”, disse.

  • Acadêmicos discutem internacionalização da Amazônia

    Cacoal – O interesse internacional pela Amazônia foi um dos principais assuntos debatidos durante a semana científica realizada pela União das Escolas Superiores de Cacoal (Unesc).

    Professores universitários, acadêmicos e representantes de Organizações Não Governamentais (ONG), discutiram o tema “Internacionalização da Amazônia: mito ou realidade”. As discussões foram coordenadas pelo professor Nelson Rangel Soares Filho.

    Os participantes do debate se posicionaram contra a internacionalização. Nelson Rangel fez um breve relato das tentativas de domínio da região. Segundo ele, há centenas de anos a Amazônia vem sendo objeto de cobiças internacionais. Ele citou como uma de suas fontes, o escritor Arthur Cezar Ferreira Reis, autor da obra A Amazônia e a Cobiça Internacional. “O escritor mostra, com conhecimento de causa, que por trás de muitos projetos e programas de ajuda internacional, o que há mesmo é o camuflado interesse de dominar o vasto território de matas úmidas”, disse.

    Relacionando fatos históricos, o professor disse que as tentativas de domínio partiram de vários povos, inclusive dos espanhóis, holandeses e ingleses. Ele comentou também sobre um plano de domínio traçado ainda em 1981, pelo Conselho Mundial de Igrejas Cristãs.

    Nações mais ricas

    De acordo com o professor, os interesses sobre a Amazônia, defendidos pelas nações mais ricas do mundo, não somam com os interesses brasileiros. Segundo ele, há necessidade de urgente conscientização da importância da Amazônia para o mundo e para o Brasil. “As diretrizes, os documentos e os pronunciamentos de líderes sobre a Amazônia, deixam velados a realidade da internacionalização e a perca da soberania nacional”, afirmou.

    Na opinião do professor, uma política de desenvolvimento sustentável da Amazônia deve ter por fundamento a manutenção da soberania brasileira sobre a região, a melhoria da qualidade de vida de seu povo, a integração as demais regiões do País e dos Países vizinhos, viabilizando-se seu acesso ao Pacífico e ao Caribe e a exploração das fontes energéticas e reservas naturais, preservando-se ao meio ambiente. Deve também fortalecer os órgãos governamentais de Justiça, Policia Federal, Receita Federal, Forças Armadas e Previdência como fatores inibidores de práticas ilícitas, principalmente na região de fronteiras. “O desenvolvimento da Amazônia, aproveitando as alternativas que ela oferece, colocará o Brasil entre as grandes potências mundiais”, disse.

    Alento e esperança

    Segundo o professor, a Amazônia necessita de medidas que dêem alento e esperança às populações que precisam sair do quadro de pressões. Essas necessidades passariam, necessariamente, por medidas políticas, sociais e econômicas. Ele acredita que deve-se buscar o papel da Amazônia como prioridade nacional, priorizando o homem e a melhoria da qualidade de vida. O desenvolvimento deve, entretanto, ser compatível com as peculiaridades da região.

    Afirmando que destaca-se em primeiro lugar na Amazônia, as florestas e as águas, o professor disse que é preciso buscar desenvolver as potencialidades econômicas, conservando o meio ambiente de maneira racional e sustentável, aprimorando a tecnologia e seu uso de maneira limpa. O professor citou também a necessidade de identificar as grandes áreas destinadas à proteção das comunidades indígenas, a preservação de ecossistemas e ao controle extrativistas. Deve haver também, segundo ele, incentivo as agroindústrias, pesca, pecuária de búfalos, avicultura e criação de animais silvestres, além de criar reservas florestais de preservação permanente para o desenvolvimento futuro, especialmente voltado para o eco-turismo.

    Plantação de florestas

    Outra sugestão feita durante as discussões foi a de desenvolver técnicas de plantação de florestas industriais e energéticas nas áreas de capoeiras e terras degradadas, aproveitando as vantagens do clima, radiação solar e condições favoráveis de fotossíntese para o crescimento e amadurecimento prematuro das plantas. Além disso, foi sugerido o desenvolvimento da agricultura orgânica e a criação de políticas públicas para exportação e a busca de novas fronteiras comerciais, principalmente com os países de fronteira.

    As sugestões passaram também pelo desenvolvimento de programas de capacitação de recursos humanos e de desenvolvimento científicos e tecnológicos com a participação das universidades e das indústrias, visando facilitar a mobilidade vertical dos grupos de baixa renda da Amazônia, priorizando o uso de modernas tecnologias educacionais no treinamento e capacitação de mão de obra. Foi proposto ainda a imediata divisão territorial, criando territórios federais, buscando minorar os sérios problemas de administração relacionados à grande extensão da região.

  • Mapa integra ZEE da Amazônia Legal

    O Ministério do Meio Ambiente lança, em dezembro, o Mapa Integrado dos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos dos Estados da Amazônia Legal. Trata-se do primeiro produto do Programa ZEE, elaborado por representantes dos nove estados amazônicos, do Consórcio ZEE Brasil e da Cooperação Técnica Alemã. O detalhamento foi acertado em outubro, durante reunião do Grupo de Trabalho para Integração dos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos dos Estados da Amazônia.

    O trabalho é inédito, pois, até então, estados trabalhavam isoladamente, sem trocar experiências e sem uma visão macrorregional do ZEE. Pela primeira vez, partes do projeto encontram-se em um produto único que permitirá uma perspectiva abrangente dos ZEEs da Amazônia, sem inviabilizar as especificidades e detalhamentos de cada estado.

    A primeira grande integração de projetos será incorporada, posteriormente, à base de dados do Macrodiagnóstico da Amazônia Legal, elaborado em 1994 e atualizado periodicamente pelo MMA. Sobre esses dois pilares deverão ser elaborados os Cenários e Tendênciais, viabilizando-se, assim, o MacroZEE da Amazônia Legal em bases sólidas, com a participação dos estados e demais segmentos da região.

    O MacroZEE contará com um sistema integrador de informações, elaboração de cenários para a região e o apoio a estados e municípios em planejamento e gestão territorial. O mapa incorporará o que já foi desenvolvido pelos estados.

  • Estrada vira patrimônio nacional

    Porto Velho – A Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) será tombada como patrimônio histórico nacional. A cerimônia de tombamento será realizada no dia 10 de novembro, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

    O processo de tombamento da EFMM tramita no IPHAN há cerca de 10 anos. Nos últimos dois, passou a ser defendido também pelo deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO). “Finalmente a estrada de ferro teve sua importância e valor histórico reconhecidos, o que significa uma grande vitória para o povo de Rondônia”, afirmou o deputado.

    Segundo Valverde, o tombamento representa mais uma ação de recuperação da importância histórica da EFMM. “É mais uma conquista do povo de nosso Estado, que via na destruição do acervo da ferrovia, um descaso para com a memória de todos aqueles que

    participaram, inclusive com suas vidas, da construção da obra”, disse.

  • Quilombolas formam vila

    Quilombolas formam vila

    Quilombolas formam vila

    Vale do Guaporé – Às margens do Rio Guaporé, no município de São Francisco, em Rondônia, está localizada a Comunidade de Santo Antônio, formada por descendentes de quilombolas de um antigo Quilombo. 16 casas de palha abrigam 104 pessoas de uma mesma família. “Aqui quem não é neto, é sobrinho, primo ou cunhado de alguém”, disse o jovem Roberto Lopes Barros, líder da comunidade.

    Casas deixadas por seus moradores com portas e janelas abertas dão sinais da tranqüilidade existente no local. “Vivemos em harmonia. Aqui não sabemos o que é criminalidade”, disse Roberto. A maior dificuldade enfrentada, segundo os moradores, sempre foi o fato da comunidade estar localizada em área de reserva biológica, o que impedia o trabalho no plantio e na comercialização de produtos agrícolas. Com o recente reconhecimento como Comunidade Quilombolas, a expectativa é a de que a vida em Santo Antônio possa melhorar. Entre outras dificuldades, está o atendimento na área de saúde, que é prestado somente em Costa Marques. O acesso até a cidade é somente pelo rio. “Gastamos 2h30min de barco voadeira para chegar a Costa Marques”, informou Roberto.

    Quanto à preservação da área, Roberto disse que não será prejudicada. Segundo ele, a intenção é a de transformá-la em reserva extrativista, de forma que a comunidade possa viver não só da pesca e da mandioca, mas também do cultivo de produtos como arroz e feijão e da exploração do potencial turístico do local. “Queremos segurança para poder viver aqui, sem estarmos preocupados com a possibilidade de receber, de repente, uma ordem de despejo”, disse.

    Os que chegam de fora

    Os únicos moradores que não nasceram em Santo Antônio, são os que se deslocaram para o local após casar-se com um dos descendentes de quilombolas. A professora da escola da comunidade, Rosália Coelho Aranha, é uma destas pessoas. Ela dá aula para 15 alunos de 1ª a 4ª série, que estudam numa mesma sala e num único expediente.

    Os irmãos Romão e Epifânio Lopes Calasans, de 64 e de 68 anos, são os descendentes de quilombolas mais antigos de Santo Antônio. Eles acreditam que o número de moradores, que diminuiu com o passar dos anos, volte a crescer, já que a comunidade deixou de ser reserva biológica. “Estudei nesta escola. Na época éramos em 86 alunos”, disse Romão. Satisfeito com a vida que leva, ele não pensa em deixar o local. “Meus pais nasceram aqui. Eu nasci aqui e esta sempre será a minha terra”, afirmou.

  • Pesca proibida a partir de novembro

    Pesca proibida a partir de novembro

    Pesca proibida a partir de novembro

    Brasília (DF) – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, assinou instrução normativa definindo períodos e regras para o defeso na Bacia do Rio Amazonas, Ilha do Marajó, e bacias dos rios Araguari, Flexal, Cassiporé, Calçoene, Cunani e Uaça, no Amapá, para a temporada 2005/2006. O texto foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, dia 19.

    A proibição da pesca atinge inclusive rios afetados pela seca. “A medida é adotada todos os anos pelo governo, independentemente do nível de água nos rios, para proteger a reprodução de muitos peixes. Esse ano, no entanto, o respeito ao defeso será fundamental para a recuperação dos estoques em mananciais que sofreram com a estiagem”, disse Simão Marrul, gerente de Recursos Pesqueiros do MMA.

    A proibição da pesca será de 3 de novembro e 15 de março de 2006, ocorrendo em épocas diferentes para cada estado (tabela abaixo). Também serão suspensos campeonatos e gincanas de pesca. A Instrução Normativa 43/2005 define, ainda, uma série de espécies por estado cuja captura será proibida. O objetivo, conforme Marrul, é fazer com que esses peixes possam se reproduzir e, na próxima temporada, garantir o sustento de muitas famílias e atividades econômicas que dependem diretamente da pesca.

    Durante a piracema, serão permitidas apenas a captura de peixes com fins científicos autorizada pelo Ibama e também a pesca com linha ou vara de mão.

    A partir da determinação do período de defeso, os pescadores artesanais terão direito ao seguro desemprego, como previsto na Lei 8287/1991.

    Período de defeso por estado

    Mato Grosso – de 3 de novembro a 28 de fevereiro de 2006

    Acre – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Amazonas – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Pará – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Rondônia – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Amapá – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Roraima – de 1º de março de 2006 a 30 de junho de 2006

    Ilha do Marajó – de 1º de janeiro de 2006 a 30 de abril de 2006

    Bacias de Araguari, – de 15 de novembro a 15 de março de 2006

    Flexal, Cassiporé,

    Calçoene, Cunani e Uaça

  • ONG quer preservar a água

    Cacoal – A Organização Não Governamental (ONG) H2O Amazônia Ambiental, criada há cerca de um ano, com o objetivo de combater a agressão ao meio ambiente, elegeu a água como prioridade de trabalho. Os membros da entidade estão mapeando todas as informações em relação aos recursos hídricos da região. “Decidimos priorizá-la, porque estamos cientes de que trata-se de uma riqueza local que não recebe a devida atenção”, disse o presidente da H2O, Jaridson Costa.

    A ONG é formada por 15 pessoas, representando vários segmentos sociais do município. Segundo o presidente, a criação da entidade foi motivada pela intenção de um grupo de pessoas em preservar um berçário de aves existente no Igarapé Tamarupá, afluente do Rio Machado, que corta a região de Cacoal, município sede da entidade. O local é considerado um santuário ecológico.

    De acordo com o presidente, a ONG é formada por pessoas sensíveis as urgências da comunidade local, a partir da defesa do Rio Machado, “que é um dos tributários do Amazonas, o maior rio do planeta, que tem também a maior bacia hidrográfica e o maior sistema aquático de rios do mundo”.

    Campo de pesquisa

    Segundo o presidente da H2O, a ONG visa também fomentar dados no campo da pesquisa em outras cidades e estados da região norte e centro oeste. “Isto já está se desenhando através de um consórcio de municípios afetados pelos mesmos problemas e com mesmo potencial de organização, tanto pela sociedade quanto pelos governos locais”, afirmou.

    Entre os compromissos firmados pela ONG, está o de promover a compreensão dos problemas sócio-ambientais no Estado de Rondônia que, junto com os Estados do Pará e do Mato Grosso, formam o chamado arco do desflorestamento, possuindo a maior área de degradação da floresta amazônica. “Com a responsabilidade de contribuir para transformações nas atitudes ecológicas, tendo como marco norteador a educação ambiental, a H2O vem trabalhando com as multidimensões geográficas, históricas, biológicas e sociais, considerando o ambiente amazônico como um todo”, disse.