Autor: daniel

  • Robôs vão defender a Amazônia

    O projeto ainda não está sendo divulgado pela empresa responsável, a Petrobras, mas existe a possibilidade de que nos próximos anos, ribeirinhos da região dividam o espaço nos rios e florestas com outros seres, ainda considerados estranhos, feitos de acrílico e com braços mecânicos. É o Robô Ambiental Híbrido, que está sendo criado com a finalidade de defender a Amazônia. O projeto, que é de um grupo de cientistas e técnicos, já foi divulgado pela revista Momento Brasil.

    A meta do “Robocop da Amazônia” é melhorar as condições de monitoramento da Petrobras sobre a região para prevenir e impedir desastres ambientais, caso ocorra algum acidente na produção ou transporte de combustível. A empresa enfrenta desafios cada vez maiores na Amazônia desde pelo menos 1988, quando começou a atuar na bacia do rio Solimões, onde se localiza a província mineral de Urucu, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus.

    O projeto também poderá beneficiar projetos de aproveitamento de recursos energéticos, como o Urucu-Porto Velho, cujas obras foram liberadas. A intenção é fazer o transporte da matéria-prima da floresta para as áreas de processamento.

    A idéia da criação do robô evoluiu a partir do projeto Cognatos, de José Vagner Garcia, evoluindo para um plano de construção de dezenas de robôs, provavelmente de três modelos distintos, para não apenas vigiar áreas específicas da Amazônia como também para a realização de estudos de experiências inovadoras em computação, sensoriamento remoto, bioquímica e biotecnologia.

    Amazonbots

    A Petrobras trata o assunto como segredo industrial, mas os primeiros protótipos desse AmazonBot indicam um equipamento com cerca de 2,5 metros de comprimento, 300 quilos de peso e fundo transparente. Ele é chamado híbrido porque poderá carregar um piloto, ou ser monitorado à distância.

    O que existe de concreto até agora projetado pela Petrobras é a existência de equipamentos encarregados de detectar anomalias ambientais, especialmente as provocadas por vazamentos de gás ou óleo em qualquer quantidade, além de promover pesquisas científicas de vários tipos. Para isso, a empresa conta com laboratório de robótica em seu centro de pesquisas, projetando cada vez mais equipamentos com maior capacidade ainda em percorrer a floresta e os rios de forma independente da presença humana.

    A idéia é prevenir para depois não remediar, porém é difícil, admitem os especialistas, trabalhar na criação destes robôs com quesitos de não poderem ser ruidosos; sem risco de poluição; ter comunicação com perfeição com os comandos da Amazônia e no Rio de Janeiro (Sede da Petrobras), através do satélite; possuir alta resistência; facilidade de manutenção e capacidade de manobra para se locomover na água e na lama, inclusive em condições impossíveis para qualquer ser humano.

    Fonte: Jornal Diário da Amazônia/; Jornal do Meio Ambiente/; Revista Momento Brasil.

  • Malária ataca garimpeiros na Reserva Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – O garimpo de diamantes na reserva indígena Roosevelt é a passagem de garimpeiros que procuram o Hospital Municipal de Espigão d’ Oeste com sintomas da malária. Em apenas cinco dias, vinte e duas pessoas fizeram exame de malária no hospital, todas estavam contaminadas pela doença. Dessas apenas uma não tinha passado pelo garimpo. “A realidade é essa. O garimpo está aí, e tudo está caindo em Espigão d’Oeste. A prova está nas fichas, eles não podem mentir,” afirma a diretora do hospital Ivani Lourdes Conte.

    Na semana passada, o garimpeiro Ermínio Pacífico Menezes, 46 anos, não resistiu e morreu de malária. Em estado grave ele foi atendido no hospital de Pimenta Bueno, que o encaminhou ao CEMETRON em Porto Velho. Ele morreu 200 quilômetros antes de chegar na capital. Do garimpo até o hospital de Pimenta Bueno o garimpeiro teve que percorrer mais de 150 quilômetros.

    Segundo a diretora do hospital de Espigão d’Oeste, Ivani Lourdes Conte, uma paciente com malária, que tinha chegado do garimpo, afirmou que mais de cinqüenta pessoas lá dentro apresentavam sintomas da doença e iriam procurar a unidade de saúde.

    A preocupação da diretoria da unidade é com relação ao alto consumo de medicamentos. “Eles consomem tudo, é vitamina, é dipirona, é plasyl. Eles chegam com vômito, muita febre, dor de cabeça, e tem vezes que a febre é tanto que chega convulsionando. Eles chegam para nós num estado assim, muito defasado”, disse.

  • Projeto de “um milhão de mudas” está parado

    Ouro Preto/RO – Há dois anos e meio foi desenvolvido um projeto e apresentado no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que visa dotar a unidade da Ceplac de Ouro Preto de capacidade para produzir até um milhão de mudas que seriam repassadas posteriormente aos produtores e prefeituras no território regional que abrange mais de duas dezenas de municípios da região central, mas a proposta ainda não recebeu sinal positivo.

    Técnicos da estação experimental mencionaram que o projeto está agora na fase de “ajustes”, para que receba aval do MDA. No projeto, o MDA repassa a verba em parceria com as prefeituras gestoras do programa, cada uma com sua proporcionalidade.

    Com o projeto em vigor, seria possível introduzir na Ceplac uma “Casa Vegetativa” com capacidade de produzir espécies de árvores que serviria às prefeituras da região para plantio nas margens de rios afluentes, a fim de reviver as matas ciliares, seriamente prejudicadas pela degradação ocasionadas pelo crescimento desordenado do período migratório.

    Hoje a Ceplac produz algumas mudas para essa finalidade, mas em escala menor, que não atende a contento a demanda regional. Com o funcionamento do laboratório vegetativo a Ceplac poderia compor com mais prefeituras e instituições no plano de atividades voltadas ao meio ambiente.

    O problema do assoreamento das margens de rios importantes para as cidades da região central é gritante. Os dois únicos projetos que trabalhavam programas visando à reversão dessa situação (PGAI-GOP e Agenda 21), foram paralisados no ano passado e sua coordenadora, Wilma do Lago mudou-se para Brasília (DF).

    Os administradores que tomaram posse na eleição de 2004 não apresentaram projetos significativos de revigoramento do meio ambiente e proteção à biodiversidade, desinteresse que contribui negativamente para que seja dada continuidade a programas como o de distribuição de mudas por órgãos como a Ceplac.

  • Dois garimpeiros mortos por índios

    Espigão D’Oeste/RO- Faltando um dia para completar dois anos da chacina na Reserva Roosevelt, onde 29 garimpeiros foram mortos à noite durante emboscada feita por índios Cinta-Larga dentro de uma área de extração ilegal de diamantes, um novo conflito rompe uma trégua marcada pela tolerância da garimpagem ilegal em terras proibidas vigiadas por uma Força-tarefa envolvendo as polícias Federal e Militar.

    Surpreendidos por um grupo de índios os garimpeiros Lismar Nunes da Silva, o Pernambuco, e Francisco da Chagas, o Macarrão, foram assassinados. O terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva conseguiu escapar com vida após ter levado um tiro na barriga.

    O crime aconteceu no final do tarde do último dia cinco numa área de extração ilegal de diamantes a 50 quilômetros das aldeias comandadas pelos caciques João Bravo e Nacoça Pio Cinta-Larga.

    Arionilson foi levado por um outro garimpeiro a pé até uma base da Polícia Federal. Isso aconteceu às 6 horas de ontem, de onde foi levado de caminhonete a Pimenta Bueno. Na tarde de ontem o garimpeiro foi submetido a uma cirurgia em Cacoal e o estado de saúde dele é grave.

    Ontem policiais Federais, acompanhados de funcionários da Funai foram à aldeia do Cacique João Bravo Cinta-Larga. Por rádio os índios informaram que os corpos dos dois garimpeiros foram levados para a aldeia. Às 19 horas de ontem a Polícia Federal já estava na aldeia e a previsão era de que, na primeira hora dessa madrugada, eles estariam em Pimenta Bueno.

    O delegado da base central da Polícia Federal em Pimenta Bueno, Rodrigo Carvalho, informou que o motivo do crime ainda está sendo objeto de investigação. Sabe-se que os garimpeiros estavam na terra dos índios há pelo menos uma semana aventurando encontrar diamantes.

    O delegado informou também que os familiares das três vítimas moram em Pimenta Bueno e que as viúvas serão ouvidas no processo.

    Uma fonte revelou que a morte dos dois garimpeiros teria sido por causa de um desentendimento com os índios. Algo relacionado com a divisa de barranco na garimpagem ou o não-pagamento para poder garimpar em terras indígenas, prática comum.

    A mesma fonte revelou ainda que o crime teria sido cometido por Robertinho Cinta-Larga, e por um outro índio chamado Zezão, que pertenceria a uma etnia da região de Juína, no Mato Grosso.

    Um dos garimpeiros ouvido pelo delegado Rodrigo Carvalho, disse que existem pelo menos 200 pessoas trabalhando nas terras dos índios. Parte estaria sem o consentimento da tribo, outra não só teria permissão, como pagam para ter o direito de explorar a reserva de diamantes.

    A garimpagem não é apenas manual. Existem muitas máquinas trabalhando dentro da reserva. Essas máquinas teriam entrado pela região do Mato Grosso, para onde partem aviões levando diamantes extraídos de forma ilegal.

    A Polícia Federal mantém bases em torno da reserva com pelo menos 50 homens como parte da Força-Tarefa que tem a participação da Polícia Militar.

    Massacre contra 29 garimpeiros

    O massacre de 29 garimpeiros clandestinos, mortos pelos índios cintas-largas em Rondônia, e os protestos contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, reabriram no país um debate caloroso sobre a questão indígena. O garimpo ilegal de diamantes, os limites dos direitos dos índios de defenderem suas terras e a desapropriação de cidades inteiras na demarcação das reservas foram alguns dos temas levantados ao longo das últimas semanas.

    Os garimpeiros foram assassinados pelos Cinta-Larga no início de abril, numa área próxima à reserva indígena Roosevelt, em Rondônia, que abriga 1.300 índios. A região possui as maiores jazidas de diamantes do país, o que gera constantes conflitos entre garimpeiros e índios. Os corpos foram encontrados dispostos lado a lado, em adiantado estado de decomposição, por uma equipe da Funai que conseguiu entrar na área, guiada pelos próprios guerreiros que participaram do ataque.

    Mas a questão não é tão simples como o presidente da Funai fez parecer. O fato é que os caciques da tribo dos Cinta-Larga João Bravo e Nacoça Pio, que vivem na reserva Roosevelt, já respondem a ação penal por contrabando de diamantes e formação de quadrilha. Eles são acusados, junto com funcionários da Funai e atravessadores de pedras preciosas, de participar da exploração ilegal de diamantes na reserva.

    Após a descoberta do massacre, a Funai e a Polícia Federal tiveram que negociar com os índios para entrar na reserva e resgatar os corpos das vítimas, numa operação difícil que envolveu inclusive a abertura de clareiras na mata para o pouso de helicópteros.

  • Ibama e PF preparam desocupação da Rebio Jaru

    Ouro Preto/RO – Os detentores de marcações na Fazenda Machadão (TD Bela Vista) devem se informar de uma possível operação de desocupação nas imediações da Reserva Biológica do Rio Jaru (Rebio-Jaru), prevista para ocorrer nos próximos dias.

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o apoio de agentes da Polícia Federal deve promover a operação de fiscalização na Rebio-Jaru, pelo lado de Vale do Paraíso, e também a retirada de posseiros que estiverem em terras consideradas dentro do limite da extensa reserva. Um helicóptero do Ibama sobrevoa á área da Rebio-Jaru no entorno da fronteira com Machadinho do Oeste. No fim de semana a aeronave estava nas imediações da reserva, no limite de Vale do Paraíso.

    A minuta que autoriza a ampliação da Rebio-Jaru, que obrigatoriamente vai envolver parte de terras da Fazenda TD Bela Vista (ou Machadão) foi assinada pelo presidente do Ibama, Marcus Barros em agosto de 2005, e pode se transformar em Decreto, pois segundo a gerência do escritório do Ibama, em Ji-Paraná, já está na mesa da ministra chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Roussef – restando a assinatura do presidente Lula. A partir do decreto de ampliação a Rebio-Jaru, que compreende 280.000ha – até a fronteira com o Mato Grosso – vai somar 340.000ha.

    Área é comercializada

    Ocorre que a área da fazenda TD Bela Vista, que pertence a Nilton Niero, residente no Estado do Paraná, já vem sendo comercializada há cinco anos para a associação de posseiros que têm mais de 1000 associados, e existem colonos morando em marcações e mantendo plantações e criações. A retirada não deverá ser feita sem que posseiros contestem a compra da fazenda, que mede 84.000 ha. Muitos já pagaram por parcelas ao proprietário e como existe constante comercialização de lotes, a transferência de marcações é freqüente.

    O argumento do Ibama é de que a Rebio vem sofrendo degradação a cada ano, e que a partir da ampliação até a margem do Rio Machado vai-se criar uma barreira natural contra a ação de posseiros e madeireiros. A operação do Ibama e da Polícia Federal visa localizar possíveis moradores que podem estar trabalhando em terras da Rebio. Segundo o gerente do escritório do órgão em Ji-Paraná, Valmir de Jesus, quem for detido manuseando área da reserva será preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia Federal.

  • Da Selva para a cidade

    Porto Velho/RO- Um antibiótico natural poderosíssimo, capaz de prevenir e combater diversas doenças, tem diversos adeptos em Rondônia, apesar de sua comercialização ter sido proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É a vacina do sapo, também conhecida como kambô. Essa palavra indígena é usada tanto para se referir a rã phylomedusa bicolor quanto ao veneno obtido da secreção desse anfíbio. Na realidade não se trata de um sapo, e sim de uma rã.

    Os índios katukinas, do Acre, inicialmente eram os únicos detentores desse conhecimento. A vacina foi levada da selva para a cidade nos anos 60 pelo seringueiro Francisco Gomes Muniz, já morto. Ele viveu com os katukinas e aprendeu com o pajé a aplicar a vacina e a identificar a rã. De lá para cá, o kambô começou a ser aplicado nos centros urbanos do país.

    Em Porto Velho, a chamada vacina do sapo ganhou adeptos como a autônoma Maria Lopes, de 36 anos, que há cerca de um ano fez uma aplicação da substância. No caso, quem aplica a vacina não é chamado de doutor, e sim de “sapeiro”.

    “Soube que um sapeiro do Acre estava na cidade e fui procurá-lo”, conta ela. “Ele recomendou que eu tomasse quatro copos de água e fez três furinhos na batata da minha perna direita com um cipó incandescente. Com a ponta de um canivete, passou a secreção do sapo em cada furinho e me mandou sentar em uma cadeira. Comecei a sentir uma pressão muito grande na cabeça. Meus olhos se encheram de lágrimas e pareciam saltar para fora do meu rosto. Senti um mal estar horrível. Confesso que cheguei a me arrepender de ter feito aquilo. Vomitei várias vezes, mas logo depois já estava me sentindo bem. Minhas energias foram renovadas. Hoje, tenho mais disposição”, diz.

    Mas enquanto os adeptos e os “sapeiros” garantem a eficácia da chamada vacina do sapo, a Anvisa busca cada vez com maior insistência, a conscientização da população, além da regulamentação, para evitar abusos no consumo. A Anvisa já determinou a suspensão de toda a propaganda sobre as propriedades terapêuticas e medicinais da vacina. A agência considera o veneno algo típico da rotina indígena que está migrando descontroladamente para a cultura do homem branco e faz um alerta: Quem consome a substância está sujeito a sérios danos na saúde, já que o veneno está inserido em uma cultura, com rituais e alimentação apropriada. Ainda segundo a Anvisa, o uso do veneno fora das comunidades indígenas é perigosíssimo porque não há segurança comprovada e sequer uma avaliação científica.

    Reações são sinais de intoxicação

    As fortes reações provocadas pela vacina do sapo, de acordo com o cirurgião Alexandre Brito, de 33 anos, são sinais evidentes de intoxicação. Ele explica que a tontura, desorientação, aumento na freqüência dos batimentos cardíacos e na pressão arterial, deslocamento da pupila dos olhos e vômitos, reações típicas da vacina, são características tóxicas.

    “A forma como eles aplicam o veneno é muito perigosa. O furo feito na pele dos pacientes, para depois inserir a secreção, coloca a substância em contato direto com a circulação sanguínea e isso pode ser muito perigoso, porque há o risco de provocar sérias complicações e até uma parada cardíaca”, explica.

    Alexandre Brito alerta para que a população tenha cuidado antes de fazer a utilização de substâncias sem o poder de eficácia comprovado cientificamente, como o kambô.

  • Relatório da ONU destaca o modelo brasileiro para gestão de água

    A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o Brasil como um dos países que mais avançaram

    na política de gestão de águas. Essa é a uma das conclusões do Relatório Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, apresentado no IV Fórum Mundial das Águas, que termina nesta quarta-feira (22) no México.

    O desempenho de 108 países foi analisado nos últimos três anos. Somente 14 apresentaram progressos nessa área. O Brasil, o único paíse sul-americando que recebeu destaque, foi um deles. O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), aprovado em janeiro deste ano pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, teve forte influência nesse resultado.

    Com ele, o Brasil cumpre o compromisso firmado na Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) de definir um plano de gestão integrado para os recursos hídricos. O objetivo do PNRH é assegurar quantidade e qualidade de água para o uso racional e sustentável. Iniciativas, como o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação (PAN- Brasil) e o Projeto Água Doce (PAD), para ampliar a renda e fortalecer o desenvolvimento sustentável nas chamadas Áreas Suscetíveis de Desertificação também contribuiram para o país assumir a posição de destaque.

    O relatório, intitulado “Água: uma Responsabilidade Compartilhada”, ainda revela dados alarmantes em relação à gestão da água potável no mundo: um quinto da população do planeta não possui água potável e 40% não dispõem de condições sanitárias básicas. O estudo, feito pela ONU a cada 3 anos, aponta a relação entre políticas de recursos hídricos e combate à pobreza.

    A expectativa para os próximos anos é ainda mais preocupante. Segundo o documento, a queda na vazão dos rios, crescimento da salinidade em estuários, perda de espécies de peixes e de plantas aquáticas e a redução dos sedimentos nas costas são problemas que devem aumentar significativamente até 2020. Eles terão impacto negativo na agricultura, na segurança alimentar e na pesca. As causas desse cenário são inúmeras. Uma delas é o aumento da procura por produtos agrícolas, principalmente aqueles que demandam água na produção, no mundo todo. O relatório observa que essa crescente demanda contribui hoje com 70% de retrações de água doce, sendo que apenas 30% retornam para o meio ambiente.

    As principais dificuldades dos países na gestão da água concentram-se na falta de conhecimento. Muitos países em desenvolvimento operam seus recursos hídricos sem levar em conta padrões precisos de oferta e procura. Outros obstáculos são: falhas de mercado, como sub-valorização do preço da água em zonas costeiras, pesca excessiva estimulada por subsídios, métodos destrutivos de pesca, como explosões de bancos de corais, mudanças climáticas.

    O relatório da ONU faz recomendações para os países melhorarem a gestão dos recursos hídricos. Ele sugere o pagamento de serviços ao ecossistema como forma de agregar valor a produtos originados de fontes naturais e determina que um sistema de gestão deve conter informações sobre “qual quando e como é distribuída a água” e decidir quem tem direito aos aos recursos e outros serviços adjacentes. Também determina que o desenvolvimento de um sistema de recursos hídricos deve contar com a participação dos governos federal, estaduais e municipais, além da sociedade civil.

    O documento foi produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e de governos nacionais, principalmente de países nórdicos. No relatório são avaliadas as tendências atuais e futuras para águas potáveis e marinhas de 66 áreas aquáticas localizadas entre fronteiras, com especial atenção para os países em desenvolvimento.

  • Luta contra caramujo africano

    Cacoal/RO – A Associação de Moradores do Bairro Nova Esperança em parceria com a Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (Facimed), Secretaria Municipal de Saúde e Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizaram, no último dia 18, uma ação de combate aos caramujos africanos que estão se proliferando na região. Angiostrongiliase abdominal e meningite eosinofílica são algumas das doenças que podem ser causadas pelo molusco. Além de coletar os caramujos, os participantes da ação orientaram os moradores quanto a forma de combate.

    Conforme o presidente da Associação de Moradores, Joberdes Bomfim da Silva, a infestação dos caramujos começou no último mês de novembro. Ele informou, que um morador levou a espécie para o bairro, pensando que ela fosse comestível e ao perceber que não era, soltou os moluscos com vida, o que fez com que eles se reproduzissem e se espalhassem pelo bairro. “Encontramos os caramujos em cerca de 60% das residências”, disse.

    O caramujo africano é hermafrodita e sua reprodução é cruzada, necessitando apenas de um parceiro para trocar células sexuais. Ele alcança a maturidade sexual entre 4 e 5 meses, podendo fazer até 4 posturas por ano, que variam, cada uma, de 180 a 600 ovos. Conforme o biólogo Celso Dias, o período chuvoso é ideal para que os ovos se proliferem. Ele destacou que a forma segura encontrada para acabar com a espécie é somente a incineração. “O contato com os caramujos só deve ser com luvas ou uma sacola plástica”, disse.

    A secretária municipal de Saúde, Isabel Velasco, informou que a ação de combate ao caramujo deverá ter continuidade. Ela ressaltou, que o trabalho deverá ser estendido para o lixão municipal, já que vários moradores, antes da orientação, recolhiam os caramujos e colocavam no lixo doméstico. Ela enfatizou ainda, que até o momento, não foi registrado no município nenhum caso de contaminação pelos vermes que se hospedam no caramujo africano. “Esta ação é preventiva e precisamos do apoio da comunidade”, disse.

    O caramujo africano

    O caramujo africano é um molusco que já atingiu aproximadamente 20 estados do Brasil. Parcialmente arborícola e herbívoro generalista, compete com outras espécies nativas por comida ou espaço e ainda pode exercer o canibalismo, devorando ovos e caramujos jovens da mesma espécie, para sobreviver em ambientes pobres em cálcio e alimento.

    De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), o caramujo é um hospedeiro do verme angiostrongylus costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal, doença que provoca fortes dores abdominais, febre, perda do apetite e vômitos, podendo culminar com a perfuração do intestino, hemorragias e em alguns casos, levar a morte e também do verme angiostrongylus cantonensis, causador de um tipo de meningite denominada eosinofílica, ocorrendo quando o verme se aloja no sistema nervoso central do paciente, provocando a inflamação das meningites, podendo levar a cegueira, paralisia e, em casos extremos, à morte.

    Os dois vermes podem ser encontrados tanto no interior dos caramujos quanto no muco que eles secretam para se locomover. Isso amplia os riscos de infestação no homem, que pode se contaminar com os vermes e suas larvas se ingeri-lo, manuseá-lo e levar a mão à boca ou ingerir alimentos sem a correta higienização, que tenham tido contato com o molusco.

  • Depois de três dias BR 364 é liberada

    Depois de três dias BR 364 é liberada

    Cacoal/RO – Índios de 23 etnias liberaram, às 21 horas de ontem, a BR 364. Eles manteram a rodovia fechada por 3 dias, no trecho que liga os municípios de Pimenta Bueno e Cacoal, no Estado de Rondônia e permaneceram no local até ter a garantia de que as suas reivindicações seriam atendidas. Entre as principais solicitações dos indígenas estava a exoneração do coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Orlando Castro Ribeiro e do coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Josafá Piahy Marreiro.

    Os líderes indígenas participaram de uma reunião, na tarde de ontem, na prefeitura municipal, com a prefeita Sueli Aragão, o senador Valdir Raupp e a deputada federal Marinha Raupp, todos integrantes do partido PMDB. Os índios cobraram das autoridades a exoneração do coordenador regional da Funasa, Josafá Marreiro, porque o mesmo havia sido indicado para o cargo pela bancada do partido. Depois de cerca de 3 horas de negociações, Sueli Aragão anunciou que teria mantido conversa telefônica com Josafá Marreiro e o mesmo teria afirmado que se fosse ele o motivo do movimento ele pediria a própria exoneração. O anúncio foi comemorado com palmas pelos índios que decidiram, então, liberar a rodovia.

    Entre os índios que participaram do movimento estavam representantes das etnias Cinta Larga, Surui, Apurinã, Terena, Tenharin, Kwazar, Sater Mawé, Munduruku, Mura, Mequéns, Apurinã do Amazonas, Parintintin, Aikaná, Kanoé, Wajurú, Orumaé, Orueu, Oroba e Orowin, além de outros povos do Estado do Mato Grosso do Sul e do Amazonas, que se juntaram ao protesto em solidariedade aos “parentes índios”.

    Conforme a carta aberta encaminhada ao Ministério da Justiça, as lideranças das comunidades indígenas, estariam indignadas com a forma que a administração executiva regional da Funai de Cacoal estaria tratando a execução das políticas e dos recursos apropriados aos índios. Por estes motivos eles teriam desencadeado o movimento em defesa de seus interesses e direitos constitucionais. No documento, as lideranças ressaltaram que o movimento teria o objetivo de chamar a Funai à responsabilidade parar tratar os recursos destinados aos índios.

    Conforme o cacique Marcelo Cinta Larga, por várias vezes as lideranças tentaram dialogar com as pessoas responsáveis pela Funai e pela Funasa para encontrar uma solução para os problemas enfrentados pelos índios, mas não teriam sido atendidos. Ele ressaltou que a forma encontrada para chamar a atenção dos governantes foi o fechamento da rodovia e afirmou também que ela permaneceria fechada enquanto as reivindicações não fossem atendidas. “Nos queremos resolver o problema de forma pacífica, mas exigimos que o nosso povo seja respeitado”, disse.

    Reivindicações atendidas

    Além de terem sido atendidos com a mudança do administrador da Funai em Cacoal, Orlando Castro Silveira para Rômulo Siqueira e a exoneração do coordenar regional da Funasa, Josafá Marreiro, os índios reivindicaram, entre outras coisas, a nomeação de indígenas para a chefia de todos os postos indígenas subordinados a Cacoal, uma auditoria administrativa no grupo tarefa Cinta Larga, a execução do plano emergencial de proteção da terra indígena Cinta Larga e a extensão do mesmo para todas as terras indígenas sob a jurisdição da Funai/Cacoal e a elaboração dos planos de desenvolvimento sustentável e de proteção de todas as terras indígenas.

  • Desmatamento já compromete biodiversidade

    Porto Velho/RO – Rondônia já desmatou 25% dos 238.512,80 hectares de sua área, ou seja, 5% além do permitido pela legislação. O comprometimento da cobertura florestal do Estado já ameaça a biodiversidade e o ecossistema regionais, com a ameaça iminente de extermínio de diversas espécies animais e vegetais.

    As denúncias são do engenheiro florestal Carlos Alberto, de Belém (PA). Ele prevê a desertificação da região nos próximos dez anos, por causa dos desmatamentos e das queimadas indiscriminadas, que acontecem, tradicionalmente, durante o rigoroso verão amazônico, fenômeno que ocorre no período de março a outubro de cada ano. “Centenas de animais e vegetais já foram extintos pela ação humana no ecossistema”, assegura o engenheiro florestal.

    Retroagindo no tempo, ele lembra que a Portaria n 37, de 3 de abril de 1992, lista centenas de animais e vegetais ameaçados de extinção. Dentre estes, enumerou o pau-rosa, castanheira, sucupira, homélias, orquídeas, pau-brasil, cervo, mico-leão, tatu, ariranha, papagaio, arara e peixe-boi.

    Especialista em educação ambiental, Carlos Alberto explica que o desmatamento legalmente permitido na Região Norte era de 50% na propriedade rural, sendo reduzido para 20%, por força de lei. “Mesmo assim, por falta de fiscalização, a legislação florestal não vem sendo cumprida à risca. Pela extensão do Estado, pela diminuta quantidade de fiscais e operações de fiscalização e ações preventivas quase ausentes e a precária situação institucional, é muito otimismo dizer que o desmatamento está sob rigoroso controle”, disparou o técnico do Governo paraense.

    Limites ultrapassados

    De acordo com o renomado ambientalista, existem municípios com intensa produção (agropecuária, por exemplo), que já ultrapassaram todos os limites permitidos, como Rolim de Moura (70% de sua área), Presidente Médici (69%), Ouro Preto do Oeste (66%), Ariquemes e Cabixi com quase 60% de desmatamentos de suas áreas.

    Carlos Alberto diz que pouco ou quase nada tem sido feito, na prática, para conter o avanço do desmatamento indiscriminado, não só em Rondônia, mas sobretudo em toda a Amazônia brasileira.

    Mestrando em Desenvolvimento Regional Sustentável e Meio Ambiente, Carlos Alberto garante que Rondônia é um dos estados da Região Norte , onde a falta de fiscalização ostensiva está propiciando o desmatamento indiscriminado, pois os “toreros” continuam derrubando e transportando madeira ilegalmente, inclusive roubadas de áreas indígenas e das unidades de conservação permanente.