Autor: daniel

  • Desmatamento destrói região mais rica do mundo

    Desmatamento destrói região mais rica do mundo

    Desmatamento destrói região mais rica do mundo

    Rondônia – A floresta amazônica pede socorro. A cada ano que passa milhares e milhares de hectares são destruídos por madeireiros, grileiros, pecuaristas e grandes produtores rurais, que por poder e dinheiro destroem a floresta, levando embora a fauna e a flora amazônicas, consideradas as mais ricas do mundo em biodiversidade. Muitas são as pesquisas divulgadas anualmente pelo Governo Federal, mas a realidade é ainda mais preocupante do que a mostrada pelos órgãos oficiais.

    Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo -entre os quais figuram Estados Unidos, China, Índia, África do Sul, Indonésia, Malásia e Colômbia- o Brasil está em primeiro lugar disparado: detém 23% do total de espécies do planeta. A Suíça, por exemplo, tem apenas um planta “endêmica” (que só existe lá), a Alemanha, 19 e o México, 3.000. O Brasil tem 20.000, apenas na Amazônia.

    Somente 5% de sua flora foi estudada até hoje e só 1% é utilizada como matéria-prima. A biodiversidade brasileira, portanto, é o cofre de um patrimônio químico inexplorado de remédios, alimentos, fertilizantes, pesticidas, cosméticos, solventes, óleos e energias, além de moléculas, enzimas e genes em número quase infinito.

    Quem preserva e quem destrói

    Organizações Não Governamentais como Greenpeace, WWF, ambientalistas brasileiros e estrangeiros desconfiam dos resultados apresentados pelo Governo em relação ao desmatamento. Filha de Rondônia, a ambientalista Rosangela Reis, residente na cidade de Ji-Paraná, disse que o processo de desmatamento na floresta amazônica se dá através de queimadas descontroladas, exploração irracional e antieconômica, baixa utilização das aéreas abertas, ausência de política florestal definindo o papel entre o desenvolvimento e a preservação e conservação de florestas e exclusão social.

    A ambientalista lembrou que já está comprovado que o ribeirinho, o pescador e os índios são agentes de preservação ambiental na Amazônia. “Temos que trabalhar com a população urbana, que deve aprender a preservar”, disse a ambientalista. Ela acredita que o Governo deveria investir mais em Educação Ambiental, nas escolas públicas, particulares, associações e nas comunidades.

    Campeões em desmatamento

    De acordo com dados do Ibama, o desmatamento na Amazônia entre o período de 2003- 2004 ficou em 26.130 mil quilômetros quadrados, o que representa um crescimento de 6,23%, se comparado a anos anteriores. Outras pesquisas divulgadas por Ongs e pesquisadores, já calculam uma área de aproximadamente 680 mil quilômetros quadrados de florestas destruídas, o que é maior, por exemplo, que paises da Europa como Portugal e França.

    Os estados do Pará, Rondônia e norte do Mato Grosso são considerados os campeões do desmatamento no Brasil. Em Rondônia unidades de conservação, como os Parques Nacionais são ameaçados constantemente por grileiros e madeireiros que invadem estas reservas protegidas por lei para roubar madeira e avançar com pastagens e plantações de soja, consideradas pelos ambientalistas como inimigas da floresta.

    O Ibama, um dos órgãos responsáveis pela fiscalização em toda a Amazônia Legal, não dispõe dos recursos necessários. Falta inclusive pessoal para fiscalizar toda a região, que em muitos lugares é de difícil acesso, podendo ser feito somente através de aeronaves. Na maioria das vezes o Ibama realiza operações em conjunto com a Policia Federal, Rodoviária, Exército e Ministério do Trabalho.

    Mudanças climáticas

    As conseqüências do desmatamento já podem ser sentidas pela comunidade amazônica, através das mudanças climáticas na região e outros fatores. O Brasil atualmente ocupa a 16ª posição no ranking mundial em emissões de CO2 e o 5º lugar em desmatamento e queimadas no planeta.

    As queimadas na Amazônia fazem aumentar o número de doenças respiratórias entre crianças e idosos, fecha aeroportos, aumenta o número de acidentes de trânsito nas rodovias, a perda da riqueza dos nutrientes do solo, recursos hídricos e da biodiversidade. “A floresta é muito importante para regular o clima no planeta, fixar CO2 na atmosfera, conservar os solos e a biodiversidade. A Amazônia detém um grande potencial econômico para ser explorado de forma correta, preservando o meio ambiente”, disse a ambientalista Rosangela Reis.

  • Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Invasores ocupam reserva dos Uru-Eu-Wau-Wau

    Jarú/RO – Os invasores estão indo mais longe na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Além de retirar a madeira, em derrubadas seletivas, eles estão plantando e criando gado nas fundiárias das aldeias. Os índios estão revoltados com a situação e ameaçam retirá-los do local a força, caso a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) não resolvam o problema.

    Com 1 milhão e 867 mil hectares, a Reserva Indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau é a maior do Estado de Rondônia e a terceira maior do País. Espalhados em pequenas aldeias, vivem os índios Uru-Eu, Wau-Wau, contactados pelos brancos no decorrer da década de 80. Há também na área, dois grupos de índios isolados.

    Desde o contato com os brancos, os Uru-Eu-Wau-Wau passaram a enfrentar vários problemas de invasões. Temidos pela habilidade no uso do arco e da flecha e unidos na defesa de suas terras, eles já conseguiram evitar muitas tentativas de depredação. Em uma ocasião, chegaram a expulsar cerca de dois mil garimpeiros que tentavam entrar na reserva em busca de ouro.

    Ocupação das divisas

    Nos últimos anos, no entanto, a situação se agravou. Os invasores passaram a retirar madeiras da área de forma seletiva e a ocupar as proximidades da divisa da reserva, com o plantio de várias culturas. Há também cercas de arames no meio da mata. “Nos dividimos em várias aldeias para tentar cuidar de toda a área, mas o número de invasores é cada vez maior”, disse Pureí Uru-Eu-Wau-Wau, presidente da Associação Jupaú.

    Mesmo afirmando que seu povo está disposto a defender suas terras a qualquer custo, Purei disse que há necessidade de mais apoio por parte da Funai e do Ibama. “Esta derrubada está chegando cada vez mais para dentro da reserva. Já estamos perdendo as terras em volta das divisas”, disse.

    Desrespeito e roubo

    O cacique Tanguipi Uru-Eu-Wau-Wau disse que fazendeiros e madeireiros da região estão desrespeitando e roubando seu povo, já que invadem a reserva e levam tudo que encontram.

    “Eles tiram nossa madeira, nossa caça e nossos peixes”, disse. Ele ressaltou também, que ao contrário do branco, o índio não está saindo da reserva para roubar na propriedade de ninguém.

    Tanguipi afirmou que seu povo só quer paz e respeito, mas que se as invasões não se encerrarem, poderá ocorrer mortes na área. “Já que eles continuam teimando é porque querem morrer”, disse.

    Fiscalização será intensificada

    O administrador executivo regional da Funai, Rômulo Siqueira de Sá, disse que a fundação tem trabalhado na área em conjunto com o Ibama, a Polícia Federal e outros órgãos de fiscalização, na tentativa de resolver o problema. Há poucos dias, segundo ele, foram presos dois invasores que estavam retirando madeira da reserva.

    A partir desta semana, segundo o administrador, a fiscalização será reforçada. “Estamos deslocando mais gente para percorrer toda a área e intensificar a vigilância”, disse. O presidente do Ibama, Osvaldo Pittaluga, foi procurado por várias vezes, por telefone, mas não foi encontrado para prestar informações sobre a atuação do instituto na reserva.

  • Defendida valorização da floresta em pé

    Brasília (DF) – O anúncio da redução de 31% no índice de desmatamento da Amazônia, feito pela ministra Marina Silva, no último dia 5, soou como uma boa notícia, no entanto, pesquisadores da área continuam alertando o Governo Brasileiro para a necessidade de estabelecer políticas que garantam a valorização da floresta em pé.

    A área desmatada foi reduzida de 27.200km2 para 18.900km2. De acordo com informações prestadas pela Assessoria de Imprensa do Ministério do Meio Ambiente, é a primeira vez que o desmatamento cai, desde 1997. É a primeira vez também, em 17 anos de monitoramento, que o governo apresenta os dados sobre desmatamento no mesmo ano em que eles ocorrem. O Ministério do Meio Ambiente comparou dados de 11 meses, sendo agosto de 2003 a julho de 2004, com agosto de 2004 a julho deste ano.

    Os dados do MMA, que têm como base levantamentos de satélite feitos pelo

    Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que houve uma queda

    acentuada em todos os estados, com redução expressiva do desmatamento nas

    áreas próximas à rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), onde houve maior

    intervenção do Governo Federal por meio das fiscalizações do Plano de Ação

    para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. Os números indicam

    leve crescimento do desmatamento apenas no sudeste do Pará e no sul do

    Amazonas.

    Controle e repressão

    De acordo com a ministra Marina Silva, a queda é consequência de

    iniciativas que combinam ações de comando e controle com grandes operações de

    repressão, como a Setembro Negro e Curupira, com outras de ordenamento

    fundiário e territorial e criação de áreas protegidas.

    O grande desafio agora, segundo a ministra, é combinar as ações de comando e controle com as ações de desenvolvimento sustentável. ”Para isso é fundamental a aprovação do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, que tramita há nove meses no Congresso Nacional”, disse.

    O PL irá possibilitar, por exemplo, a implantação de Distritos

    Florestais, áreas onde será estimulado o uso sustentável de produtos e

    serviços da floresta. O primeiro a ser implantado será o da BR-163, com 16

    milhões de hectares, sendo 5 milhões de hectares de área de manejo e expectativa de produção de 4,1 a 6,7 milhões de m3 de toras e geração de 100

    mil empregos diretos.

    Motivo de comemoração

    De acordo com o vice-presidente de Ciência da Conservação Internacional (CI-Brasil), José Maria Cardoso da Silva, a estimativa oficial traz uma boa notícia, no entanto, a velocidade com que a floresta vem sendo destruída ainda continua assustadora e não deve ser vista como motivo de comemoração. Segundo ele, há urgência de ações e políticas que garantam a floresta em pé. “É preciso estabelecer metas claras de quanto dos nossos extraordinários recursos biológicos na Amazônia permitiremos ser perdidos para sempre, pois sem ter metas quantitativas é impossível avaliar o sucesso ou o fracasso das políticas governamentais para a região”, afirma.

    A proposta de desmatamento zero e de uso inteligente das áreas já degradadas da floresta é defendida no artigo “Estratégias para evitar a perda de biodiversidade na Amazônia”, publicado recentemente por Silva, Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, e Peter Toledo, diretor da Rede Geoma. Os pesquisadores defendem que o total de área já desmatada na Amazônia Legal, cerca de 619 mil quilômetros quadrados, seria mais do que suficiente para que a região possa gerar a riqueza necessária para o bem-estar da população local e o desenvolvimento do país.

  • Considerações Hidrológicas da Bacia Amazônica

    A bacia amazônica abrange uma área de drenagem da ordem de 6.112 .000 Km², ocupando cerca de 42 % da superfície do território nacional. A maior rede hidrográfica mundial é da Bacia Amazônica, com área de drenagem da ordem de 6 x 106 km² prolongando-se dos Andes até o Oceano Atlântico.

    Ocupa cerca de 42% da superfície brasileira, estendendo-se além da fronteira da Venezuela à Bolívia.

    Seu principal curso d´água é o rio Amazonas, que com extensão de 6.570 km, nasce em território peruano, no riacho Lauricocha, originário da lagoa do Ninõ, nas geleiras da cordilheira de Santa Anna, cerca de 5.000m acima do nível do mar. O percurso inicial, da ordem de 45 Km, é realizado em quedas, no sentido norte, formando as lagoas Santa Anna, Cablocacha, Nieveurco, Tinquincocha, Yanacocha e Patarcocha.

    Após escoar no Lago Lauricocha, toma a denominação de Marañon, ainda no Andes, onde recebe pequenas contribuições, e após atravessar o Pongo de Manseriché, segue aproximadamente à direção leste até a foz, no Atlântico. Entra no Brasil na confluência com o rio Javari, somente a partir da confluência com o rio Javari, próximo a Tabatinga, sendo, então, chamado de Solimões e, somente a partir da confluência com o rio Negro, passa a ser denominado de Amazonas. Próximo a Manaus, bifurca-se com o Paraná do Careiro, estimando-se aí uma largura da ordem de 1.500m e profundidade em torno de 35 m. Entre a confluência do rio Negro e a região das ilhas, próximo a desembocadura, é conhecida por Baixo Amazonas.

    Considerando que a posição geográfica da bacia é praticamente paralela ao Equador, o regime das águas do Amazonas é diretamente influenciado pelos dois máximos de pluviosidade dos equinócios, sendo, por isso conhecido como regime fluvial de duas cheias. A bacia Amazônica está sujeita ao regime de interferência, portanto tem contribuintes dos hemisférios Norte e Sul, coincidindo a cheia de um hemisfério com a vazante do outro.

    Em virtude do predomínio do clima de elevada pluviosidade na quase totalidade do seu território, a Bacia Amazônica apresenta a mais densa e rica rede de drenagem conhecida, do que resulta possuir o maior sistema fluvial da Terra. Recolhendo grande parte da precipitação pluvial do Globo, os rios da Bacia Amazônica são permanentemente caudalosos; escoando cerca de 1/5 do volume da água doce de todo o planeta, o rio Amazonas é a artéria fluvial de maior vazão já medida, carregando 15 a 20% da água que todos os rios do mundo conduzem aos oceanos.

    A expressão continental da Bacia Amazônica reside no fato de ela drenar aproximadamente ¼ da superfície da América do Sul, abrangendo seis dos onze países sul-americanos.

    Não obstante possuir uma drenagem nitidamente do tipo exorreico, a Bacia Amazônica apresenta a singularidade de comunicar-se com outras grandes bacias hidrográficas sul-americanas, por vezes através de verdadeiras anastomoses entre diferentes sistemas fluviais. A ligação mais conhecida é aquela feita por meio do canal Casiquiare, que estabelece comunicação permanente entre as Bacias Amazônicas (rio Negro) e orinocense (rio Orenoco), permitindo navegação por pequenas embarcações durante todo o ano.

    O regime dos rios da Bacia Amazônica está, antes de tudo, condicionado ao regime pluvial reinante nesta vastíssima área geográfica, muito embora o Amazonas e seus formadores extremo-ocidentais de origem andina tenham também uma alimentação nival. A água proveniente do derretimento primaveril das neves andinas representa, porém, uma contribuição bem pequena quando comparada com o formidável volume d´água que cai na grande bacia; além disso, há uma certa regularidade na alimentação da rede hidrográfica amazônica pelo degelo andino.

    A explicação do regime fluvial amazônico em especial do rio Negro está no próprio regime das chuvas caídas na bacia, este dependendo, por sua vez, do comportamento da circulação geral atmosférica dentro da zona intertropical sul-americana, isto é, dos deslocamentos das massas de ar nesta larga faixa climática.

    Cortada pelo círculo do equador em sua porção extremo-norte, a Bacia Amazônica sofre, portanto, a influência do regime fluvial dos dois Hemisférios: no verão austral a vasta porção meridional da bacia, cerca de seis vezes maior que a setentrional, recebe maior quantidade de chuva que esta última, ocorrendo o inverso no verão boreal, quando as precipitações são mais abundantes na porção setentrional.

    A alimentação pluvial dos rios das vertentes norte e sul da Bacia Amazônica é garantida, alternadamente, pelas migrações no sentido dos meridionais, da massa Equatorial Continental, cujas chuvas são mais abundantes e constantes na porção ocidental da bacia, pois esta parte é o domínio, praticamente durante todo o ano, da massa Ec, portadora de copiosos aguaceiros de convecção.

    Com efeito, a subida das águas na Bacia do rio Negro tem início em abril e maio (águas provenientes das copiosas chuvas tombadas nesse Hemisfério, no verão boreal).

    Os rios denominados de água preta, em compensação, justificam plenamente tal apelido; suas águas, quando em grandes massas, são realmente muito escuras como as do famoso rio Negro. São transparentes e cristalinas; quando vistas em lugares rasos, com fundo de areia branca. Isto porque praticamente não transportam sedimentos, do que resulta não constituírem várzeas às suas margens nem ilhas em seus leitos, a não ser quando recebem afluentes de água branca, como acontece com o próprio rio negro.

    A cor escura das águas dos rios pretos decorre da forte dissolução de substâncias húmicas coloidais que provém do manto de matéria orgânica em decomposição, fornecida pela vegetação florestal que se desenvolve nas áreas inundáveis das suas nascentes e margens, bem como pelos solos podzólicos e arenosos das áreas campestres das suas cabeceiras. As áreas inundáveis destes rios, quando ocupadas por florestas, foram denominadas de igapós pelos indígenas, e as matas nelas existentes, caaigapós (matas alagadas).

    Os rios de águas claras, ou de águas limpas como o rio Branco, se caracterizam pelo diminuto transporte de sedimentos argilosos, os quais se depositam principalmente a jusante das últimas cachoeiras, corredeiras e rápidos por eles vencidos antes de atingirem a planície terciária. Essa deposição, muito fraca, só ocorre praticamente na época das grandes chuvas caídas em suas bacias, que se encontram geralmente sobre terrenos rochosos ou arenosos, com pouca quantidade de argilas. A areia oriunda, na sua maior parte, da meteorização das rochas pré-cambrianas dos escudos norte e sul amazônico – constitui o material básico na sedimentação provocada pelos rios de águas claras que, por isso, são ricos em praias e bancos de areias (coroas), emergentes nas vazantes.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas. Especialista em Hidrogeoquímica, voltada para a Região Amazônica.

    Pesquisador da Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-CPCRH/INPA e Professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas-EST/UEA

    [email protected]

  • Madeireiros exploram reserva dos Suruís

    Cacoal/RO – Cerca de 200 caminhões carregados de madeira estariam saindo

    diariamente das aldeias da Reserva Indígena Suruí, localizada no município

    de Cacoal, em Rondônia. A denúncia, que corre de "boca em boca" na cidade, é

    confirmada pelos motoristas de caminhões boiadeiros, que transitam pelas

    mesmas estradas usadas pelos veículos das indústrias madeireiras. A

    exploração estaria sendo feita com a autorização dos índios, que se propõe a

    vender a madeira.

    Os motoristas dos caminhões boiadeiros contam que, apesar da exploração

    diminuir nesta época do ano, por causa do período chuvoso, ainda vêem

    constantemente caminhões carregados de madeira deixarem a reserva. Estariam

    sendo retirados da área todos os tipos de madeira, inclusive espécies

    nobres. "Tem madeireiro que entra até 60 quilômetros para dentro da reserva,

    porque na entrada não há mais o que explorar", disse um motorista, que

    preferiu não se identificar.

    Há informações de que a exploração já dura 20 anos e que estaria ocorrendo

    inclusive com a conivência de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio

    Ambiente (Ibama). Os servidores envolvidos também estariam lucrando

    financeiramente com a exploração ilegal.

    Denúncias são investigadas

    O administrador da Funai, em Cacoal, Orlando Castro Silveira, que assumiu o

    cargo há pouco mais de 30 dias, disse que todas as denúncias relacionadas a

    reserva estão sendo investigadas. Apesar de afirmar que a Funai necessita de

    mais recursos para fazer a fiscalização necessária, ele informou que deverá

    ser realizada uma operação na área, dentro dos próximos dias, com o apoio do

    Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Ambiental.

    De acordo com o administrador, além de não dispor das condições de trabalho

    necessárias, a Funai enfrenta dificuldades no sentido de convencer o índio a

    não vender a madeira de suas terras. Os indígenas alegam que vendem a

    madeira porque precisam sobreviver e não recebem o apoio necessário do

    Governo Federal. "De qualquer forma não se pode justificar o que é ilegal,

    então temos que combater a exploração", disse.

    Sem conhecimento

    A gerente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, disse que não

    tem conhecimento de denúncias específicas de envolvimento de funcionários do

    instituto com a exploração da madeira da terra dos Suruís. Ela afirmou,

    porém, que tanto o Ibama quanto a Polícia Federal estão investigando muitas

    denúncias de participação de servidores em crimes ambientais.

    Segundo a gerente, para que a denúncia seja investigada, é preciso que seja

    registrada por carta ou telefone junto aos escritórios do Ibama ou pela

    chamada linha verde, no 0800 618080. É necessário, porém, conforme a

    gerente, que a denúncia ofereça fortes indicativos em relação ao denunciado,

    inclusive endereço de localização da pessoa acusada, datas e locais da

    prática do crime.

  • Instalada comissão sobre biossegurança

    Até o dia 23, o Ministério do Meio Ambiente e demais pastas indicarão titulares e suplentes à nova Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável pela liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) no País. O MMA também apontará representantes da sociedade civil, a partir de lista tríplice elaborada pelo setor ambiental. "Nosso interesse é o de agilizar a instalação da comissão", afirmou João Capobianco, secretário de Biodiversidade e Florestas.

    Também para agilizar os trabalhos da CTNBio, o Ministério do Meio Ambiente instalou, na última sexta-feira (16), sua Comissão Interna sobre Biossegurança de OGMs. Participam membros das secretarias de Biodiversidade e Florestas, de Qualidade Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável, do Ibama e do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Eventualmente, membros de outras entidades governistas, do setor privado, de instituições de ensino e pesquisa e da sociedade civil poderão ser convidados a integrar a comissão. "É mais uma demonstração clara de que o Ministério não tem o menor interesse em protelar qualquer processo nessa área", ressaltou Capobianco.

    A comissão interna receberá pautas da CTNBio e tomará decisões em conjunto, definindo a posição do Ministério do Meio Ambiente sobre a liberação comercial de OGMs, por exemplo. Além disso, identificará assuntos na área da biotecnologia onde a atuação do Ministério seja necessária, subsidiará debates técnicos com outros órgãos de governo e demais instituições brasileiras, antecipará análises quanto a impactos ambientais decorrentes do uso de OGMs, e ainda promoverá debates públicos sobre biossegurança.

    Com a implementação da comissão interna, o MMA cumpre o determinado no Decreto 5591/2005. O texto regulamentou a Lei 11205/2005, que envolve o uso de organismos geneticamente modificados e de células- tronco embrionárias.

  • Temperatura deve aumentar ainda mais

    Manaus – O mundo está cada vez mais quente. Enquanto o aumento da temperatura global girou em torno de 0,7ºC desde 1900, as previsões são de que chegue a 3,5ºC até 2.100, o que significa cinco vezes mais que a mudança ocorrida até agora.

    De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Fearnside, PhD em ecologia, os impactos do aquecimento da temperatura variam desde derreamento de calotas polares até mudanças na distribuição de diversas espécies. “Várias mudanças preocupantes, como liberação de carbono dos solos e o aquecimento da água dos mares, têm as suas explicações mais lógicas no aquecimento global”, disse.

    Estas mudanças, segundo o pesquisador, provavelmente estão ligadas a outros fenômenos climáticos, como o aumento da freqüência do El Niño, que leva a mais secas e incêndios florestais na Amazônia. O mesmo se aplicaria ao aquecimento da água no Atlântico, que estaria ligado a seca e vazante forte de 2005.

    Combustíveis fósseis

    Quanto as causas do aquecimento, o pesquisador explicou que a temperatura aumenta em virtude da liberação de gases como gás carbônico (CO2), metano (CH4) e oxido nitroso (N2O). Os gases impedem a passagem de calor da superfície da terra para o espaço, esquentando o planeta, já que a energia entra na luz solar, na forma de ultravioleta, e não consegue sair com a mesma facilidade quando transformada em calor.

    Os gases de efeito estufa são produzidos pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural e pelas mudanças do uso da terra, inclusive ações relacionadas ao desmatamento e a construção de hidrelétricas.

    Mais água e menos chuva

    O aumento da temperatura faz com que as árvores na Amazônia precisem de mais água para fazer fotossíntese e sobreviver. Isso ocorre ao mesmo tempo em que a quantidade de chuva diminui.

    O processo faz com que mais árvores morram na floresta em pé e pode levar à transformação da mata em um tipo de savana, semelhante ao cerrado. “O aumento da vulnerabilidade à entrada de incêndios e o aumento da quantidade de madeira morta, implica em um impacto ainda maior sobre a floresta”, disse o pesquisador.

    Simulações feitas pelo Centro Hadley, do Escritório Meteorológico do Reino Unido-UKMO, um dos principais modelos climáticos do mundo, indicam uma mortalidade catastrófica da floresta amazônica até 2080, mesmo sem o efeito agravante de incêndios. Isso, se não houver redução das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Situação fora de controle

    De acordo com Philip Fearnside, a primeira coisa que deve ser feita para diminuir o aumento da temperatura é reduzir brutalmente a emissão de gases pela sociedade humana, tanto pela queima de combustíveis como pelo desmatamento.

    Há também no meio científico, segundo o pesquisador, a preocupação de que o efeito estufa possa fugir ao controle humano e que apenas eliminando as emissões humanas, mesmo por completo, não haveria como frear as emissões do solo e das florestas. “A mortalidade de árvores e a entrada de incêndios na floresta durante a atual seca na Amazônia, é uma lembrança valiosa da fragilidade destes sistemas e do fato que muitos impactos da mudança climática escapam da vontade humana”, afirmou.

    Valorização da floresta em pé

    De acordo com o pesquisador, além de tomar medidas de repressão contra o desmatamento na Amazônia, o Governo precisa enfrentar as causas que levam ao desmatamento, inclusive as políticas sobre grandes obras de infra-estrutura que abrem acesso a novas áreas de floresta, como é o caso da rodovia BR-163.

    Em um nível considerado básico, segundo o pesquisador, o Governo precisa também transformar a economia da região amazônica para ser baseada no valor dos serviços ambientais da floresta em pé, “ao invés de ser baseado na destruição da mata para madeira, carne de boi, soja e outras mercadorias materiais”.

    Entre os serviços ambientais, o pesquisador citou a estocagem de carbono -para evitar o efeito estufa- que é mais próximo da compensação com fluxos financeiros significativos nas próximas décadas, já que o Governo tem se posicionado até agora contra crédito de carbono pela manutenção da floresta. “É preciso mudar esta posição para se valer de algo que tem um valor suficientemente alto para contrapor as forças do desmatamento na região”, disse.

  • Acadêmicos discutem internacionalização da Amazônia

    Cacoal – O interesse internacional pela Amazônia foi um dos principais assuntos debatidos durante a semana científica realizada pela União das Escolas Superiores de Cacoal (Unesc).

    Professores universitários, acadêmicos e representantes de Organizações Não Governamentais (ONG), discutiram o tema “Internacionalização da Amazônia: mito ou realidade”. As discussões foram coordenadas pelo professor Nelson Rangel Soares Filho.

    Os participantes do debate se posicionaram contra a internacionalização. Nelson Rangel fez um breve relato das tentativas de domínio da região. Segundo ele, há centenas de anos a Amazônia vem sendo objeto de cobiças internacionais. Ele citou como uma de suas fontes, o escritor Arthur Cezar Ferreira Reis, autor da obra A Amazônia e a Cobiça Internacional. “O escritor mostra, com conhecimento de causa, que por trás de muitos projetos e programas de ajuda internacional, o que há mesmo é o camuflado interesse de dominar o vasto território de matas úmidas”, disse.

    Relacionando fatos históricos, o professor disse que as tentativas de domínio partiram de vários povos, inclusive dos espanhóis, holandeses e ingleses. Ele comentou também sobre um plano de domínio traçado ainda em 1981, pelo Conselho Mundial de Igrejas Cristãs.

    Nações mais ricas

    De acordo com o professor, os interesses sobre a Amazônia, defendidos pelas nações mais ricas do mundo, não somam com os interesses brasileiros. Segundo ele, há necessidade de urgente conscientização da importância da Amazônia para o mundo e para o Brasil. “As diretrizes, os documentos e os pronunciamentos de líderes sobre a Amazônia, deixam velados a realidade da internacionalização e a perca da soberania nacional”, afirmou.

    Na opinião do professor, uma política de desenvolvimento sustentável da Amazônia deve ter por fundamento a manutenção da soberania brasileira sobre a região, a melhoria da qualidade de vida de seu povo, a integração as demais regiões do País e dos Países vizinhos, viabilizando-se seu acesso ao Pacífico e ao Caribe e a exploração das fontes energéticas e reservas naturais, preservando-se ao meio ambiente. Deve também fortalecer os órgãos governamentais de Justiça, Policia Federal, Receita Federal, Forças Armadas e Previdência como fatores inibidores de práticas ilícitas, principalmente na região de fronteiras. “O desenvolvimento da Amazônia, aproveitando as alternativas que ela oferece, colocará o Brasil entre as grandes potências mundiais”, disse.

    Alento e esperança

    Segundo o professor, a Amazônia necessita de medidas que dêem alento e esperança às populações que precisam sair do quadro de pressões. Essas necessidades passariam, necessariamente, por medidas políticas, sociais e econômicas. Ele acredita que deve-se buscar o papel da Amazônia como prioridade nacional, priorizando o homem e a melhoria da qualidade de vida. O desenvolvimento deve, entretanto, ser compatível com as peculiaridades da região.

    Afirmando que destaca-se em primeiro lugar na Amazônia, as florestas e as águas, o professor disse que é preciso buscar desenvolver as potencialidades econômicas, conservando o meio ambiente de maneira racional e sustentável, aprimorando a tecnologia e seu uso de maneira limpa. O professor citou também a necessidade de identificar as grandes áreas destinadas à proteção das comunidades indígenas, a preservação de ecossistemas e ao controle extrativistas. Deve haver também, segundo ele, incentivo as agroindústrias, pesca, pecuária de búfalos, avicultura e criação de animais silvestres, além de criar reservas florestais de preservação permanente para o desenvolvimento futuro, especialmente voltado para o eco-turismo.

    Plantação de florestas

    Outra sugestão feita durante as discussões foi a de desenvolver técnicas de plantação de florestas industriais e energéticas nas áreas de capoeiras e terras degradadas, aproveitando as vantagens do clima, radiação solar e condições favoráveis de fotossíntese para o crescimento e amadurecimento prematuro das plantas. Além disso, foi sugerido o desenvolvimento da agricultura orgânica e a criação de políticas públicas para exportação e a busca de novas fronteiras comerciais, principalmente com os países de fronteira.

    As sugestões passaram também pelo desenvolvimento de programas de capacitação de recursos humanos e de desenvolvimento científicos e tecnológicos com a participação das universidades e das indústrias, visando facilitar a mobilidade vertical dos grupos de baixa renda da Amazônia, priorizando o uso de modernas tecnologias educacionais no treinamento e capacitação de mão de obra. Foi proposto ainda a imediata divisão territorial, criando territórios federais, buscando minorar os sérios problemas de administração relacionados à grande extensão da região.

  • Três espécies deixam a lista de animais ameaçados

    A merluza (Merluccius hubbsi), o peroá (Balistes capriscus) e o tubarão-golfinho (Lamna nasus) estão fora da Lista Brasileira da Fauna Ameaçada de Extinção. Além disso, o vermelho (Lutjanus analis), o molusco búzio- de-chapéu (Strombus goliath), o tubarão-azeiteiro (Carcharhinus porosus), o tubarão-toninha (Carcharhinus signatus) e o tubarão-galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus) passam a ser classificados como espécies sobre-explotadas, pescadas ou capturadas acima da sua capacidade natural de renovação, e não mais como diretamente ameaçadas de extinção.

    As alterações na lista foram avaliadas e aprovadas por técnicos e pesquisadores do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, da Secretaria de Aqüicultura e Pesca, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, das sociedades brasileiras de Zoologia, de Ictiologia, de Estudos de Elasmobrânquios, de Microbiologia, Botânica do Brasil, da Rede de Jardins Botânicos, da Sociedade de Zoológicos do Brasil e da Fundação Biodiversitas.

    Outras alterações na relação são a substituição da espécie sobreexplotada Brazchyplatystoma filamentosum (dourada) pela Brazchyplatystoma rousseauxii (dourada) e a troca da referência genérica Semaprochilodus spp pelas espécies sobreexplotadas do peixe jaraqui Semaprochilodus insignis e Semaprochilodus taeniurus.

    De acordo com o gerente de Recursos Genéticos do MMA, Lídio Coradin, as alterações foram solicitadas em abril pela Secretaria de Aqüicultura e Pesca à Secretaria de Espécies Ameaçadas de Extinção, Sobreexplotadas ou Amea-çadas de Sobreexplotação, vinculada à Comissão Nacional da Biodiversidade. Foram enviados 17 pedidos de modificações, mas, além das divulgadas, não houve consenso sobre quatro tipos de cação, raia viola, lagostim e tubarão-lixa, que continuarão sob análise. O grupo também decidiu manter o peixe namorado, de alto valor comercial, entre as espécies sobreexplotadas e não eliminá-lo da lista, como havia sido pleiteado.

    As listas brasileiras de espécies ameaçadas são revisadas a cada cinco anos. A última lista de peixes foi divulgada em maio de 2003.

  • Mapa integra ZEE da Amazônia Legal

    O Ministério do Meio Ambiente lança, em dezembro, o Mapa Integrado dos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos dos Estados da Amazônia Legal. Trata-se do primeiro produto do Programa ZEE, elaborado por representantes dos nove estados amazônicos, do Consórcio ZEE Brasil e da Cooperação Técnica Alemã. O detalhamento foi acertado em outubro, durante reunião do Grupo de Trabalho para Integração dos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos dos Estados da Amazônia.

    O trabalho é inédito, pois, até então, estados trabalhavam isoladamente, sem trocar experiências e sem uma visão macrorregional do ZEE. Pela primeira vez, partes do projeto encontram-se em um produto único que permitirá uma perspectiva abrangente dos ZEEs da Amazônia, sem inviabilizar as especificidades e detalhamentos de cada estado.

    A primeira grande integração de projetos será incorporada, posteriormente, à base de dados do Macrodiagnóstico da Amazônia Legal, elaborado em 1994 e atualizado periodicamente pelo MMA. Sobre esses dois pilares deverão ser elaborados os Cenários e Tendênciais, viabilizando-se, assim, o MacroZEE da Amazônia Legal em bases sólidas, com a participação dos estados e demais segmentos da região.

    O MacroZEE contará com um sistema integrador de informações, elaboração de cenários para a região e o apoio a estados e municípios em planejamento e gestão territorial. O mapa incorporará o que já foi desenvolvido pelos estados.