Autor: daniel

  • Intensificadas ações para preservação das matas ciliares

    Porto Velho/ RO – Está sendo realizado, em todo o Estado, um trabalho de conscientização visando a proteção e recuperação das matas ciliares, através da realização de cursos para viveiristas e reflorestamento das áreas, feitas pela comunidade ribeirinha sob orientação de técnicos da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam).

    Em Ariquemes, para ser ter idéia, estão sendo utilizadas, no reflorestamento das matas ciliares da região, sementes nativas e mudas do Banco de Sementes do município, reativado há dois anos.

    A mata ciliar é a vegetação que protege as margens dos rios, lagos, minas nascentes e outros corpos de água, possui a função de diminuir a força direta das chuvas nas margens dos rios evitando erosão e impende que terra, areia e até lixo das enxurradas cheguem aos rios, evitando o seu entupimento (assoreamento) e a poluição.

    Proteção dos Rios

    A mata ciliar diminui os problemas de erosão do solo, além de manter o volume e a qualidade das águas dos rios e lagos. O equilíbrio dos ecossistemas aquáticos depende diretamente da proteção da vegetação que é a mata ciliar que age como reguladora para a sobrevivência e reprodução da fauna aquática.

    Além disso, é fonte da produção de alimentos, pois os peixes tiram parte significativa de sua alimentação de frutas silvestres das matas ciliares e florestas de igapós (alagadas temporariamente).

    Segundo o secretário da Sedam, Augustinho Pastore, o Código Florestal Brasileiro considera Área de Preservação Permanente, as florestas e demais formas de vegetação naturais, situadas ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água; ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios de água naturais ou artificiais, como também nas nascentes, ainda que intermitentes, e nos chamados olhos d’águas, qualquer que seja sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 metros de largura.

    Banco de Sementes

    O Banco de Sementes é um importante instrumento para recuperação de nascentes e matas ciliares, pois, tem como objetivo básico, auxiliar nas políticas de proteção e recuperação ambientais, reflorestamento e geração de riquezas através do setor madeireiro, pesquisa, produção, coleta, classificação e distribuição de sementes e mudas de essências florestais amazônicas.

    “Essa conscientização, não tem sido somente em nível de município e de comunidade e segmentos sociais, mas sim, na área rural a procura de pequenos agricultores para recuperação das suas nascentes, isso demonstra que quando é feito um trabalho de conscientização e educação ambiental, o resultado é altamente gratificante, pois nossas matas ciliares, voltarão a ser recuperadas de forma natural”, acrescentou a coordenadora do Banco de Sementes Luzinete Martins.

    O secretário Augustinho Pastore ressaltou que a Sedam, por meio do Banco de Sementes de Ariquemes, vem desenvolvendo projetos de recuperação das matas ciliares nos municípios de Colorado do Oeste, Ariquemes, Pimenta Bueno, Rio Crespo, Alto Paraíso, Cerejeiras, Presidente Médici, Machadinho D’Oeste, Monte Negro, Alta Floresta, dentre outros, atuando com re-povoamento florestal, sensibilização e capacitação dos extrativistas da Resex Rio Preto e Jacundá em parceria com o Sindicato da Indústria Madeireira de Ariquemes.

    Fonte: Amazoniavista

  • Morte de cacique sem esclarecimento

    Pimenta Bueno-A Polícia Civil ainda não concluiu as investigações sobre o assassinato do cacique Deusmar Ferreira Saquirabiar, conhecido como “Damião”. Ele foi morto com quatro tiros, no dia 23 de Junho, nas proximidades do terminal rodoviário da cidade de Pimenta Bueno. Entre os prováveis motivos do crime estão a disputa de terras e a exploração ilegal de madeiras na área indígena da vítima.

    A Polícia já analisou as imagens gravadas pelo circuito interno de TV instalado no terminal rodoviário, mas ainda não divulgou o resultado do trabalho.

    O cacique era um dos líderes da Reserva Mequéns, em Alta Floresta. A área indígena de Damião estava sendo explorada por madeireiros e há informações de que ele teria dado um prazo para que os madeireiros deixassem o local, ameaçando denunciá-los à Polícia Federal.

    Fonte: Amazoniaavista

  • Cacique é assassinado com quatro tiros

    Pimenta Bueno/RO – O cacique Deusmar Ferreira Saquirabiar, conhecido como “Damião”, um dos líderes da Reserva Mequéns, em Alta Floresta, foi morto com quatro tiros no peito, na madrugada de sexta-feira, dia 23, nas imediações do Terminal Rodoviário de Pimenta Bueno. Damião estava em companhia de uma jovem índia e conversou com algumas pessoas no local. Ele dirigia uma camioneta Hilux e foi alvejado no estacionamento do Terminal.

    O delegado titular de Pimenta Bueno, Arismar Araújo, em conjunto com a Polícia Federal, investiga as circunstâncias que levaram ao assassinato de Damião. O provável assassino do índio foi filmado pelo circuito interno de TV instalado na Rodoviária e também se aproximou de Damião, chegando a lhe pedir um cigarro. Quando o cacique e a jovem índia estavam no estacionamento, ele foi chamado pelo nome e em seguida alvejado com quatro tiros.

    A exploração de madeira na Reserva Mequéns pode ter sido a causa do crime. Local rico em cabreúva, madeira de qualidade e alto preço no mercado internacional, a Reserva há tempos vem sendo explorada de maneira ilegal por madeireiros. Damião teria dado um prazo para que os madeireiros deixassem o local, ameaçando denunciar tudo à Polícia Federal. Além disso, a disputa pelas riquezas e exploração das terras envolvia Damião Saquirabiar e seus filhos, bem como outros líderes, com quem eles não mantinham bom relacionamento.

    O delegado Arismar Araújo disse que toda a equipe de investigadores de Pimenta Bueno está empenhada no caso e que a gravação contendo as imagens do homem que conversou com Damião está sendo analisada. Por causa das pistas existentes, Araújo acredita que o caso se solucionará já nas próximas horas.

    Enterro

    O cacique Damião foi enterrado neste sábado em Cacoal. O velório aconteceu em uma funerária da cidade. A família proibiu que a imprensa acompanhasse o cortejo fúnebre. Até o portão do cemitério foi fechado para impedir a entrada de jornalistas.

    O enterro que aconteceu no cemitério Santo Antônio foi acompanhado por um grupo pequeno de familiares. Nenhum índio de outra etnia esteve presente. Segundo um funcionário da Funai que não quis se identificar, uma parte do povo Saquirabiá que vive na aldeia onde Damião era cacique, não conseguiu chegar até Cacoal por falta de condução.

    Fonte:Amazoniaavista

  • PF prende envolvidos em protesto contra apreensão de madeira

    Espigão do Oeste/RO – A Polícia Federal reagiu ao protesto ocorrido no dia 17 do mês passado, onde cerca de 2 mil pessoas renderam agentes federais e tomaram dois caminhões de madeira apreendidos em Espigão do Oeste. Na manhã desta segunda-feira, dia 12, uma mega operação, envolvendo 92 homens, entre policiais, escrivãos e delegados, realizou busca e apreensão em 19 residências de suspeitos de liderar o movimento.

    A operação começou por volta das 4 horas da madrugada. Onze pessoas foram detidas, entre elas o presidente da Câmara de Vereadores, Joaldir Schultz, o Zonga e um assessor da prefeita de Espigão do Oeste, conhecido por Ninho. Os outros acusados são: Gildeon Barbosa Silva, Gean Cleison Fornasieri, Alberto Nicolau Storch, Elias Rodrigo da Silva – Arara, Edmilson José de Oliveira – Juruna, Fernando Ivo Ribeiro – Fernandão, Alexsander Batista Stringueto, Irlan Nascimento Ribeiro e Eloir Sérgio Corradi Regly.

    Segundo o delegado Rodrigo Carvalho, que comandou a operação, no dia da manifestação a apreensão da madeira foi realizada por apenas uma equipe. Os motoristas foram abordados em uma estrada da zona rural de Espigão do Oeste e não tinham a documentação da madeira. Em seguida os agentes conduziram a carga para o quartel da Polícia Militar, palco do protesto. “Não havia meia dúzia de policiais federais. Eles foram cercados por 2 mil pessoas, que atiraram pedras, foguetes, bombas improvisadas e conseguiram tomar os dois caminhões,” disse o delegado. Os veículos tiveram os pneus furados pelos manifestantes que ainda jogaram toda a madeira em frente ao quartel, destruindo parte do muro.

    Manifestação

    O comandante da Polícia Militar em Espigão do Oeste disse que a situação só foi controlada depois de quatro horas de manifestação, com a chegada de reforço policial de cidades vizinhas. Segundo ele, até a rede de energia elétrica foi alvo do protesto, o que fez com que a cidade ficasse sem energia por mais de três horas. “Foi um momento de muita tensão. A informação que temos é de que foi atirada até madeira na rede de energia elétrica na entrada da cidade,” relatou Aparecido Firmino, comandante da PM, em Espigão.

    Os acusados foram levados para prestar depoimento na base da Polícia Federal de Ji-Paraná. Depois seriam encaminhados para o presídio da mesma cidade. Segundo o delegado, eles vão ser indiciados por 12 crimes, entre eles desacato a autoridade, formação de quadrilha, lesão corporal e destruição do patrimônio público. Segundo o delegado, há mandado de prisão preventiva para mais oito pessoas, que já foram intimadas.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Índios interrompem garimpagem na Reserva Roosevelt

    Espigão do Oeste/RO – A garimpagem de diamantes na Reserva Indígena Roosevelt, localizada no município de Espigão do Oeste, a cerca de 500 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia, foi paralisada. Pelo menos é isso que garantem os caciques da Tribo Cinta Larga, que há 30 dias expulsaram mais 270 garimpeiros do local. No dia 20 de maio os barracos também foram derrubados e o maquinário foi retirado da área.

    Cerca de 2 mil índios habitam a Reserva Roosevelt, formada por 231 mil hectares. A destruição ambiental da área vem tomando proporções cada vez maiores. A Funai (Fundação Nacional do Índio) já elaborou um plano de recuperação da área degradada, mas o projeto só deverá ser colocado em prática depois que a situação da garimpagem ilegal for resolvida.

    Funcionários da Funai acreditam que no mínimo 10 mil garimpeiros tenham estado no local nos últimos seis anos. Somente no trecho conhecido como Baixão, a área garimpada já ultrapassa 10 km de extensão.

    A terra dos Cinta Larga já foi palco também de vários conflitos entre índios e garimpeiros. Há dois anos, 29 corpos de garimpeiros foram retirados da área em uma única operação policial. Funcionários da Funai acreditam, porém, que no mínimo 100 já teriam sido assassinados dentro da reserva.

    Negociação

    Os caciques João Bravo, Alfredo, Uita e Tataré afirmaram que decidiram fechar o garimpo, na tentativa de negociar com o Governo Federal a legalização da garimpagem. Eles não informaram, no entanto, por quanto tempo vão aguardar uma posição das autoridades. “O fechamento do garimpo representa prejuízo para nós, mas vamos mantê-lo fechado para que as autoridades confiem em nossa palavra”, disse Tataré.

    O desejo dos índios é de que a garimpagem seja feita apenas por eles, sem a participação de homens brancos. “Homem branco traz muitos problemas aos índios”, disse João Bravo.

    Estupros

    Mesmo afirmando que querem usar as riquezas encontradas em suas terras para melhorar a vida de quem vive na reserva, os índios reclamam que até agora o garimpo só trouxe problemas ao Povo Cinta Larga. O cacique Uita afirmou que houve inclusive casos de garimpeiros que estupraram crianças indígenas. “Houve vários estupros. A gente não fala, porque ninguém acredita em nós”, reclamou.

    Quanto ao assassinato de garimpeiros, Uita disse que foram praticados por índios de aldeias distantes da área do garimpo. “Isso aí não foi feito por gente daqui. Nós vamos proibir até a entrada de vários parentes que vem de fora fazer besteira aqui dentro”, disse.

    Fiscalização

    Além da fiscalização que é feita pelos índios, a Polícia Federal e a Polícia Militar mantém barreiras nas principais entradas do garimpo. Homens da Funai e da Polícia Ambiental também permanecem na reserva.

    O delegado Rodrigo Carvalho, disse que a Polícia Federal mantém seis bases de fiscalização do garimpo, mas que muitas máquinas, equipamentos e garimpeiros acabam conseguindo entrar na área por caminhos alternativos, usando inclusive propriedades rurais particulares. “As vezes conseguimos deter esse pessoal, mas outras vezes não”, disse.

    Quanto ao estupro de crianças indígenas dentro da reserva, o delegado disse que a Polícia Federal ainda não foi informada sobre o assunto.

  • Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Uru-Eu-Wau-Wau realizam festa da menina moça

    Jaru-RO – Os índios da etnia Uru-Eu-Wau-Wau se reuniram nos dias 10, 11 e 12 de maio, para participar de mais duas festas da menina moça. O cerimonial é realizado sempre que uma índia, com idade entre 10 e 13 anos, deixa de ser criança para entrar na fase adulta. Na maioria das vezes a menina sai da festa já casada.

    A menina passa a permanecer a maior parte do tempo na maloca, no mínimo uma semana antes da festa, período em que recebe orientações dos pais sobre a nova fase de sua vida. Um dia antes, é banhada pela mãe com óleo de babaçu, em sinal de purificação. Os preparativos para a festa também começam no dia anterior, quando os índios da aldeia e seus convidados saem em busca de caça, peixe, mandioca, castanha e lenha.

    Às 3 horas da manhã todos que estão na aldeia são chamados para ajudar a descascar castanhas. Às 6 os pais enfeitam a menina com pulseiras e colares e cantam para ela, orientando-a sobre suas novas responsabilidades. Quando não há casamento, a menina é banhada novamente pela mãe e em seguida começa a trabalhar, preparando a comida da festa.

    Casamento surpresa

    De acordo com os índios mais velhos da aldeia, quem decide sobre os casamentos são os pais dos jovens. O noivo pode ser escolhido com antecedência ou momentos antes do casamento.

    A festa da menina moça Deí, 11 anos, da Aldeia Alto Jaru, acabou em casamento. Ela e o jovem Buri foram informados de que se casariam no momento da cerimônia. Em silêncio os dois aceitaram a decisão dos familiares e cumpriram os rituais matrimoniais.

    Deitados e cobertos na rede, Dei e Buri ouviram os conselhos dos mais velhos, que os orientaram em relação as responsabilidades do casamento. Em seguida receberam autorização para sair da maloca. Ela com baldes na mão e ele com flechas. A partir daí a festa teve continuidade, enquanto Deí assumiu os deveres de uma mulher casada e passou a cozinhar para os familiares e convidados.

    Valorização cultural

    Os membros da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, destacaram a importância da festa para a valorização cultural do Povo Uru-Eu-Wau-Wau. “Estamos aqui como convidados para mostrar que apoiamos essas manifestações e que isso é importante não só para eles, mas também para nós, que somos de outra cultura”, disse a historiadora Ivaneide Bandeira Cardoso.

    Segundo o antropólogo Samuel Cruz, os Uru-Eu-Wau-Wau deixaram de fazer suas manifestações culturais por um bom tempo, mas agora estão retomando esta prática, valorizando sua própria cultura. “Isso com certeza terá reflexos também na relação deles com o território”, disse. Samuel destacou também a importância da festa no sentido de reunir os moradores das aldeias vizinhas, fortalecendo os laços parentescos.

  • Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Índios decidem fechar garimpo de diamante

    Espigão do Oeste/RO – Alvo de destruição desde novembro de 1999, pelos menos temporariamente, a Reserva Roosevelt deve ficar livre da exploração de diamantes. Para abrir negociações com o Governo Federal, os índios da etnia Cinta Larga decidiram suspender a garimpagem. Eles garantem que o garimpo está parado há quase 30 dias. “Já mandamos recolher todo o maquinário do baixão, só falta os caminhões fazerem o transporte”, assegurou o cacique Uita Cinta Larga. Nossa equipe de reportagem esteve na aldeia e conferiu a passagem de caminhões na estrada que dá acesso à área de garimpagem.

    Segundo as lideranças indígenas, a medida foi tomada para chamar a atenção do Ministério da Justiça sobre a situação do povo Cinta Larga. “O garimpo fica fechado, mas o Governo tem que garantir recursos para nossa comunidade. Hoje sem o garimpo o índio não tem como sobreviver. A única renda alternativa é a pecuária, mesmo assim índio não sabe cuidar de gado ainda, precisa ser treinado”, disse o cacique Pio Cinta Larga.

    Os índios dizem que nesse momento o mais importante não é a legalização do garimpo, como já foi cogitado em Brasília. “Resolver a situação não é legalizar, é acabar com a perseguição que o índio vive passando. Hoje somos vistos na rua como se fôssemos bicho. Somos perseguidos. Não queremos mais viver nessa situação”, disse Pio. Diferente do que transparece na cidade -índios em carros caros-nas aldeias a situação é de pobreza.

    Durante a permanência de nossa equipe de reportagem na aldeia do cacique Pio, uma vaca teve que ser sacrificada, porque quebrou a perna durante a vacinação contra a febre aftosa. Em poucos minutos a carne foi distribuída na comunidade, mas não chegou a ser suficiente para atender a todas as famílias. Na aldeia há apenas carne com facilidade. O restante da alimentação precisa ser comprado em Espigão do Oeste, a cerca de 90 km da aldeia, distância feita em mais de 3 horas de viagem, por causa das péssimas condições das estradas.

    Riqueza no fundo do quintal

    Ao comentar as condições em que os índios estão vivendo, Uita lembrou a última vez que negociaram com o Governo Federal para fechar o garimpo. Houve uma liberação de recursos, através da FUNAI, mas segundo ele, os Cinta Largas nunca foram beneficiados. “Não podemos ficar passando fome com uma riqueza no fundo do nosso quintal, como aconteceu na outra vez que fechamos o garimpo,” relembra.

    Questionado se há prazos para o Governo apresentar uma solução para o garimpo, Pio Cinta Larga não foi claro em relação a retomada da garimpagem. “Estamos indo à Brasília para negociar mais uma vez com o Governo e estamos abertos a receber propostas,” afirmou.

    Segundo a liderança Panderê Cinta Larga, o Governo Federal teria feito uma proposta de instalar uma mineradora na reserva e repassar 25% do faturamento para a comunidade indígena, mas ele mesmo reconhece que a medida não deverá ser implantada dentro de um curto espaço de tempo. “Tem todo um processo burocrático que conhecemos, como a aprovação de lei e talvez essa não seja a medida mais adequada para nossa comunidade. Hoje olho para trás e prefiro a vida que levávamos antes do garimpo”, concluiu.

  • Crime ambiental na mira da PRF

    Cacoal/RO – A Polícia Rodoviária Federal vai intensificar as ações de combate ao crime ambiental no Brasil. A informação foi prestada pelo inspetor João Bosco Ribeiro da Silveira, chefe da 3ª Delegacia/21ªSRPRF-RO/AC. Segundo ele, durante o ano de 2005, a polícia flagrou vários crimes ambientais no país, em fiscalização de rotina. “Apesar do pouco efetivo e da grande malha viária, tem se conseguido a muito custo dar uma resposta à sociedade, no combate ao crime ambiental que ocorre nas rodovias federais”, disse.

    A Polícia Rodoviária Federal registrou, durante o ano de 2005, 1.408 ocorrências de crimes ambientais, sendo apreendidos no total 2.791 animais silvestres retirados ilegalmente da fauna brasileira, 6.037 metros cúbicos de carvão extraídos de forma irregular, 506.512 metros cúbicos de madeira também extraídas de forma irregular e 4.400 quilogramas de pescado ilegal. Foram constatadas também 69.000 irregularidades em veículos transportando substâncias tóxicas.

    A intensificação da fiscalização, segundo o inspetor, visa fortalecer o combate ao crime ambiental, principalmente a circulação de produtos com documentação falsificada ou adulterada. Ele citou como exemplo, a recente apreensão de uma grande quantidade de Autorização para Transporte de Produtos Florestais (ATPF) falsificadas, ocorrida no posto de Jarú/RO.

    De acordo com o inspetor, a disponibilidade de novas tecnologias no mercado de informática, como scanner e impressoras mais potentes, tem facilitado a vida dos falsificadores e dificultado a atuação da policia de modo geral, “que necessita sempre de atualização na área, para poder desempenhar um trabalho mais efetivo”.

  • Extração de diamantes destrói território indígena em RO

    Espigão do Oeste/RO – O impacto ambiental é chocante na Reserva Indígena Roosevelt, em Espigão d’Oeste, Rondônia. A terra dos índios da etnia Cinta Larga tem mais de 27 milhões de hectares. Lá está a maior jazida de diamante do mundo. Aos poucos a garimpagem clandestina pela pedra preciosa vai corroendo este lado da Amazônia. Segundo a Polícia Federal, uma linha extensa de mais de dez quilômetros já foi totalmente destruída pelas máquinas. Destruição que não tem previsão de chegar ao fim.

    Depois do massacre de 29 garimpeiros na reserva, em 2004, a Polícia Federal intensificou a fiscalização nas barreiras que dão acesso ao território indígena. Mesmo assim, por passagens clandestinas, garimpeiros, máquinas e combustível continuam entrando livremente. O coordenador da Operação Roosevelt, delegado Mauro Spósito, diz que é preciso trabalhar de forma passiva nesta área. “Já explodimos pelo menos três passagens clandestinas. A invasão da Polícia Federal ao garimpo seria um risco muito grande de confronto com os índios”, disse o delegado.

    No final de 2004, numa negociação do coordenador da operação com as lideranças Cinta Larga, restos de máquinas foram retirados de dentro da reserva. Poucos meses depois, a garimpagem continuou a todo vapor. Os índios entregaram só os maquinários que não tinham mais utilidades. No último ano, mais de trinta garimpeiros foram presos, tentando entrar na reserva. “Todos respondem processo por formação de quadrilha e extração ilegal de minério”.afirma Spósito.

    Mais mortes

    A prova de que o garimpo é um barril de pólvora foi o assassinato de mais dois garimpeiros, um dia antes do massacre completar dois anos. Lismar Nunes da Silva, conhecido por Pernambuco e Francisco das Chagas foram mortos a tiros e flechadas. Um terceiro garimpeiro, Arionilson Bispo da Silva, conseguiu sobreviver ao ataque. Ele foi atingido com um tiro de espingarda. “Ele estava em um estado de saúde muito ruim, falando com bastante dificuldade. Disse não conhecer o índio que teria feito isso e falou não saber os motivos, pois o índio simplesmente chegou atirando e dois mortos ficaram no garimpo, enquanto ele conseguiu sair,” declarou o delegado Rodrigo Carvalho, que atuou no caso.

    Segundo Carvalho, o clima é de tensão no local. “A gente ouviu outro garimpeiro que ajudou a socorrê-lo e ele disse que no garimpo, na última semana, não havia nenhuma liderança indígena e a situação era de bastante instabilidade, porque ele disse que só tinha índio sem patente, índio sem importância, e muita bebida alcoólica, o que favorece o acontecimento de brigas”.

    Depois das duas últimas mortes, a Polícia Federal já anunciou que mais uma vez será feita a retirada de maquinários. “Vamos prender todos os garimpeiros que insistirem em permanecer no local”, alertou o delegado Mauro Spósito. Ele diz que a PF aguarda apenas a negociação da Fundação Nacional do Índio com as lideranças indígenas, para começar a operação.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Festival combate pesca predatória

    Cacoal/RO – Será realizado no dia 30 de abril o 2º Festival de Pesca Esportiva de Cacoal, evento que vai reunir cerca de 100 equipes vindas de toda a região central do estado. A competição é promovida pela Associação Ecológica Amigos da Pesca (Aspec), em parceria com a prefeitura e iniciativa privada. Serão oferecidos R$ 20 mil em prêmios.

    O secretário de Indústria e Comércio de Cacoal, Moisés Fernandes, disse que o festival vai abrir a temporada de pesca em Rondônia, depois de encerrado o Período do Defeso da Piracema, que terminou no dia 15 de março. O Defeso da Piracema é determinado pela Lei n° 7.679, de 23 de novembro de 1988, e estabelecido anualmente pelo Ibama, com a colaboração de órgãos, instituições e associações envolvidas com a pesca em cada bacia hidrográfica.

    A prefeita Sueli Aragão (PMDB) afirmou que o II Festival de Pesca Esportiva de Cacoal será um momento importante para a conscientização da comunidade local quanto à preservação dos recursos naturais e para a divulgação das potencialidades turísticas do município. Várias equipes de outras cidades já começaram a reservar apartamentos e cabanas nos hotéis de Cacoal que, nos últimos anos, vem se despontando na frente em infra-estrutura hoteleira e de turismo, em função da eficácia nos investimentos públicos.

    Os peixes fisgados durante a competição serão devolvidos com vida ao Rio Machado, onde 20 fiscais vão atuar durante o evento para medir, fotografar e devolver o pescado às águas. “A comunidade vai entender que o mais importante não é pegar os peixes e matá-los, mas respeitar a natureza, os peixes e as futuras gerações”, disse o secretário de Indústria e Comércio.

    Segundo o secretário de Indústria e Comércio, a Associação Ecológica Amigos da Pesca de Cacoal já conseguiu mostrar à comunidade que um bom pescador é aquele que sai para pescar, independente de qual seja o resultado. “Se o pescador traz o peixe, complementou a premissa de tudo o que ele organizou. Se ele não traz ou deixou de pegar o peixe esperado, não fica nervoso ou aborrecido, porque realizou a pescaria da mesma forma e é isso o que importa”. O objetivo do festival é combater ações predatórias por meio do conhecimento e prática das leis da pesca.

    A competição terá duração de seis horas. Os pescadores deverão ter em mãos a Carteira de Pesca emitida pelo Ibama, vão usar coletes salva-vidas e estarão assegurados contra acidentes durante a prova. Os pescadores poderão pescar com linhada de mão, molinete ou carretilha, com varas e linhas de medidas livres. O vencedor será a equipe que pescar o maior peixe, em comprimento, de todas as espécies, exceto peixe elétrico, raia, munssum e pirambóia. As inscrições estarão abertas até o dia 29 de abril.