Autor: daniel

  • RO possui um sítio arqueológico para cada quilômetro de ocupação

    Porto Velho/RO – O Estado de Rondônia possui um dos maiores potenciais arqueológicos do País. A cada quilômetro e meio de ocupação podem ser encontrados sítios arqueológicos de até 23 mil anos. A sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), em Ji-Paraná, por exemplo, está localizada em cima de um sítio arqueológico.

    Na região de Guajará-Mirim foram encontrados materiais cerâmicos com data de 4.300 anos atrás. Segundo o arqueólogo Josuel Ângelo Ravani, os estudos avançam neste sentido, mas faltam pesquisas que incentivem descobertas mais antigas, mesmo assim, em Rondônia há achados importantíssimos para o estudo da arqueologia, como artes rupestres (petroglífos) esculpidas em pedras próximas a localidade de Nova Riachuelo (entre os municípios de Ji-Paraná e Presidente Médice). Neste local existem dezenas de rochas que retratam rituais e outras simbologias, além da virilidade masculina e feminina de povos nativos. Os petroglífos foram encontrados em 1984. Josuel Ravani acredita que além destes registros existam outros na região central do Estado.

    No município de Alta Floresta, em Rondônia, também foi encontrado o primeiro Sambaqui no meio do continente. Possuía seis metros de altura. Sambaquis são lixeiras de resto de conchas de moluscos, geralmente caracóis, um tipo de achado que só é comum no litoral. No Estado podem ser vistos no Vale do Guaporé.

    Vales

    Os achados em Rondônia são divididos em três regiões, sendo nos vales do Guaporé, Madeira e Ji-Paraná. A região do Madeira apresenta evidências de uma cultura mais evoluída, onde os nativos produziam cerâmicas e pintavam com várias cores. Segundo o arqueólogo, mesmo a ação do tempo e a acidez do solo não conseguiram apagar a coloração das tintas e a riqueza dos desenhos. As tintas eram feitas à base de produtos minerais, vegetais e animais.

    Já no Vale do Guaporé a comunidade era forte culturalmente. Possuía grupos maiores de nativos, mas não produzia cerâmica. Os habitantes do Vale do Ji-Paraná possuíam terras férteis e praticavam a agricultura de subsistência.

    Áreas indígenas

    Atualmente em Rondônia existem 16 áreas indígenas, onde vivem várias etnias, mesmo assim, os arqueólogos acreditam que muitas foram extintas. “Os nativos sofreram massacres desde o Brasil Colônia até meados da década de 70”, diz Ravani.

    O arqueólogo cita a exploração da borracha, implantação de linhas telegráficas e da ferrovia da Estrada de Ferro Madeira Mamoré como verdadeiros dizimadores de nativos. A divisão para a reforma agrária também contribuiu para que outros nativos fossem massacrados. “Foram desrespeitadas algumas regras e aconteceram misturas que nunca deveriam acontecer, como tentar a convivência entre Gaviões e Araras, duas etnias inimigas que nunca deveriam ser misturadas”, diz Josuel.

    Vestígios culturais

    Sítios arqueológicos são todos os vestígios culturais pré-históricos encontrados. Podem ser cerâmicos, líticos (pedra) e ósseos – em Rondônia só se encontram restos ósseos se tiverem carbonizados, pois a decomposição acontece muito rápido em virtude da acidez do solo.

    Basta que seja encontrada apenas uma evidência material para que a área seja considerada um sítio. “Vestígios culturais não impendem o progresso, desde que ocorra o respeito e o salvamento arqueológico”, diz Ravani. Os achados e as áreas são amparados por leis federais, estaduais e municipais.

    Sítio de Superfície – Onde são encontradas evidências na superfície. Podem ser encontrados resquícios de habitação, cerâmica e agricultura.

    Pré Cerâmicos – Ficam geralmente abaixo da superfície – Os locais onde eram acampamentos de caça, pesca, coleta e cerimoniais – onde se praticava ações relacionadas a ritos.

    Pré Cerâmica – Onde são encontrados materiais como madeira, ossos e material lítico. Geralmente os habitantes não produziam cerâmica.

    Cemitérios – Onde são enterrados os nativos.

  • Mais uma quadrilha que atuava em Rondônia e Mato Grosso é desarticulada

    Porto Velho/RO – A Polícia Federal iniciou em conjunto com o Ibama, na madrugada desta terça-feira (5), a Operação Daniel, destinada a desarticular uma quadrilha que atuava no comércio ilegal de madeira nos estados de Mato Grosso (MT) e Rondônia (RO). Até o final da manhã 34 pessoas já haviam sido presas. Foram expedidos 58 mandados de prisão temporária e 63 de busca e apreensão. Cerca de 250 policiais das superintendências da PF de Rondônia, Roraima, Amazonas, Acre, Mato Grosso e do Distrito Federal participam da operação.

    De acordo com a Polícia Federal a quadrilha atuava em 10 municípios de Rondônia e 2 do Mato Grosso há pelo menos cinco anos. Entre os integrantes da organização criminosa estariam sete servidores do Ibama dos escritórios de Ji-Paraná e Costa Marques, três agentes da Polícia Rodoviária Federal de Rondonópolis, o coordenador técnico da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia e ex-superintendente do Ibama/RO, uma advogada, quatro contadores e 42 empresários e lobistas da região.

    Em coletiva de imprensa na sede do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a ministra Marina Silva ressaltou que as operações realizadas em parceria com PF têm dado forte contribuição ao combate a crimes ambientais. “Esse é um trabalho de muitas frentes e feito a várias mãos, por isso temos colhido resultados tão expressivos. Não vamos baixar a guarda”, alertou.

    Ação predatória

    Para a ministra houve um acirramento da ação predatória na Amazônia, no entanto, ela avalia que as práticas ilegais têm recebido resposta incisiva do poder público implicando, inclusive, na redução dos índices de desmatamento da região. “Nós entendemos que seria impossível combater crimes ambientais se não tivéssemos o trabalho de inteligência que expurgasse do nosso organismo, principalmente do poder público, todos aqueles tumores que estavam há décadas no sistema”.

    A ministra defendeu ainda participação mais efetiva dos estados nas ações de fiscalização de crimes ambientais. “O sistema não pode continuar sob responsabilidade exclusiva do governo federal. Temos feito um esforço para que cada um assuma suas competências, faça seu dever de casa”.

    As investigações tiveram início em fevereiro de 2006 após denúncia de um servidor do Ibama que estava sendo pressionado por empresários madeireiros a liberar ilegalmente Autorizações de Transporte de Produtos Florestais (ATPFs). Os empresários chegaram a oferecer de R$ 2 mil a R$5 mil para a liberação de ATPFs para empresas “fantasmas” que seriam utilizadas por madeireiras de Ji-Paraná, São Francisco do Guaporé e Costa Marques.

    Vídeos

    Com autorização judicial, a Polícia Federal gravou em vídeo 16 membros da quadrilha oferecendo vantagens indevidas ao servidor. Entre os crimes praticados estão a exploração e comércio ilícito de madeira retirada de unidades de conservação localizadas em Rondônia, constituição de empresas fantasmas, falsificação, adulteração, receptação e venda de ATPFs, além de furtos em gerências do Ibama e corrupção de servidores públicos.

    “Essa quadrilha atuava falsificando ATPFs, forjando ATPFs, corrompendo servidores públicos federais para promover a lavagem de madeira apreendida ilegalmente. Eles praticavam delitos de suporte. Crimes não ambientais que davam suporte ao crime ambiental”, explicou o delegado Jorge Pontes, chefe da Divisão de Crimes contra o meio Ambiente da PF.

    Para ele, a legislação brasileira em relação ao meio ambiente ainda é fraca e os altos lucros alcançados com a venda dos recursos naturais estimulam essa prática. “Infelizmente o crime organizado sempre conta com o apoio de agentes públicos e o crime ambiental se torna atrativo porque é altamente lucrativo”, acredita.

    Esta é a 13ª grande operação da PF em parceria com o Ibama desde 2003. Após o cumprimento dos mandados desta última operação o resultado total das 13 ações será de 415 pessoas presas, sendo 100 servidores do Ibama, 19 servidores públicos de outras instituições e 296 empresários, lobistas, advogados e contadores.

    O nome da operação foi inspirado na passagem bíblica que relata a história do profeta Daniel que, tendo sido lançado numa cova para ser devorado por leões, sobreviveu ileso.

  • MP firma Termo de Compromisso Ambiental

    Porto Velho/RO – O Ministério Público de Rondônia (MP/RO), firmou Termo de Compromisso Ambiental – TCA com o Consórcio responsável pelos estudos de aproveitamento hidrelétrico do Rio Madeira, formado pelas empresas Odebrecht e Furnas.

    Por força do TCA o MP-RO indicou e o Consórcio contratou a empresa de consultoria COBRAPE – Companhia Brasileira de Projetos, com sede em São Paulo/SP e escritório regional em Porto Velho, para efetuar levantamento completo dos Estudos de Impacto Ambiental –EIA e Relatório de Impacto Ambiental –RIMA, apresentados pelo Consórcio ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

    O TCA é um instrumento de consolidação da participação popular, das instituições e os órgãos locais (municipais e estaduais) no processo de discussão dos estudos do projeto Rio Madeira, até então afeto apenas à Divisão de Licenciamento do IBAMA, com sede em Brasília.

    Inovação

    A especificidade dos estudos e a competência do órgão ambiental responsável pela análise do projeto têm privado a sociedade e os órgãos oficiais de compreenderem o projeto por inteiro. A posição do MP/RO frente ao projeto é inovadora porque a atuação ocorre ainda na fase dos estudos, que deverá contar com contribuições da empresa de consultoria contratada, que desenvolve os trabalhos sob supervisão do MP.

    As discussões no âmbito do Ministério Público foram sistematizadas a partir de março deste ano e atualmente fazem parte do grupo de estudos a Procuradoria-Geral de Justiça, os Centros de Apoio Operacional da Cidadania, Infância e Juventude, Criminalidade e Presídios e Meio Ambiente e Urbanismo, além da Coordenadoria de Planejamento e Gestão.

    Relatório

    Ao longo de meses foram realizadas diversas reuniões e contatos com os proponentes do empreendimento, Secretarias Municipais e Estaduais, IBAMA, Ministério de Minas e Energia, Casa Civil da Presidência da República, Ministério do Meio Ambiente, Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, Empresa de Pesquisa Energética – EPE e COBRAPE, visando compreender a magnitude dos estudos e sua consolidação com força vinculativa, ou seja, o cumprimento das medidas indispensáveis ao resguardo do meio ambiente e da cidadania por parte dos vencedores do leilão, caso concedida a licença ambiental respectiva.

    A equipe da COBRAPE, composta de 34 (trinta e quatro) consultores independentes, é responsável pela análise do Estudo de Impacto Ambiental – EIA, realizado ao longo de três anos e deverá fornecer o primeiro relatório em 45 (quarenta e cinco) dias e o segundo no prazo de 06 (seis) meses, contendo as medidas indispensáveis à defesa do meio ambiente e as prováveis interferências sócio-econômicas verificadas na região por conta da construção e operação das Hidrelétricas do Rio Madeira e Jirau.

    O Termo de Compromisso Ambiental pode ser conferido no portal corporativo do Ministério Público: www.mp.ro.gov.br.

  • Focos de calor diminuem, mas fumaça ainda oferece riscos

    Porto Velho/RO – No mês de agosto em Rondônia foram registrados 2.840 focos de calor, 58% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando a incidência foi de 6.699 focos. Segundo dados do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), nem todos os focos estão relacionados as queimadas, mesmo assim, a fumaça proveniente de incêndios é o suficiente para tirar a tranqüilidade de motoristas que precisam trafegar nas estradas rondonienses.

    Em agosto, a fumaça também prejudicou as atividades no aeroporto internacional Jorge Teixeira, em Porto Velho. Na semana passada, mais de uma vez foi necessário algumas aeronaves operarem por instrumento, pela dificuldade que os pilotos encontraram em fazer decolagem visual.

    As estatísticas da Polícia Rodoviária Federal demonstram que não foi registrado, este ano, nenhum acidente que esteja relacionado a fumaça que toma alguns trechos das estradas, mas os profissionais que precisam das malhas viárias para trabalhar sabem que é necessário redobrar os cuidados nesta época do ano.

    O caminhoneiro Raimundo Souza da Silva afirmou que há duas semanas preferiu parar o caminhão e avaliar, de longe, se havia condições de passar pela fumaça que vinha de uma queimada, numa propriedade situada na BR 364, sentido Cuiabá. “Não quis me arriscar, há três anos quase bati em outro caminhão numa tentativa dessas. Depois que o carro entra na fumaça você perde quase toda a visibilidade e tudo pode acontecer”, adverte.

    Conscientização

    Mesmo assim, técnicos que entendem do assunto consideram positivo a diminuição nos focos de incêndio em Rondônia. “Isso é reflexo da fiscalização que está sendo feita em todo o Estado. Os agricultores sabem que a multa é pesada”, diz Luiz Alberto Catanhede, coordenador do Prevfogo do Ibama.

    Mais quente

    O meteorologista do Sipam, Luiz Alves dos Santos Neto explica que o mês de agosto em Rondônia foi o mês mais quente dos últimos cinco anos. “Foi também muito seco, ou seja, favorecendo todas as características para queimadas. O quer deve ter acontecido foi conscientização mesmo por parte da população”, acredita.

    Migração

    Os focos de calor em Rondônia diminuíram de um ano para o outro, mesmo assim ainda foram maior do que o incidente no Estado vizinho, o Acre, que registrou 161 focos de calor em agosto, contra 2100 no mesmo período do ano passado. Por isso é possível que a fumaça proveniente de Rondônia esteja migrando para o Acre. “Isso já aconteceu há alguns anos aqui em Rondônia, quando os ventos trouxeram fumaça de queimadas do Mato Grosso”, diz Ana Cristina Strava Corrêa, coordenadora da Divisão de Análise Ambiental do Sipam.

  • Cavernas de calcário em risco

    Espigão do Oeste/RO – As únicas duas cavernas de calcário de Rondônia, situadas entre os municípios de Espigão do Oeste e Pimenta Bueno, região central do Estado, correm o risco de degradação por parte de empresas mineradoras. A distância entre as máquinas que exploram calcário na região e as cavernas é de aproximadamente 50 metros, o que preocupa geólogos e profissionais ligados ao meio ambiente. Eles explicam que uma vez exploradas, as cavernas correm o risco de desabar e de sumir do mapa de Estado.

    Segundo o gerente de geologia e reservas minerais do Serviço Geológico do Brasil, Gilmar José Rizzotto, a preocupação é decorrente da pouca fiscalização que é feita ao patrimônio da União.

    Atualmente fiscais do Departamento Nacional de Preservação Mineral em Rondônia só visitam a área uma vez por ano, em virtude do pouco número de profissionais para atuar no Estado. “Até a última visita as cavernas continuavam intactas. A empresa que explora calcário nas proximidades não ganharia nada mexendo nas cavernas”, diz Deolindo Carvalho Neto, chefe do 19º Distrito. Segundo ele, nos próximos dois meses uma equipe de fiscalização deve vistoriar o local novamente. “Atualmente estamos envolvidos com a fiscalização de diamantes”, explica.

    A empresa que explora calcário na região possui concessão para a atividade e licenciamento ambiental, mas não pode tocar nas cavernas.

    Potencial turístico

    As cavernas que existem na região de Espigão do Oeste receberam no mês de abril deste ano a primeira visita dos técnicos do Serviço Geológico do Brasil, que se encantaram com o potencial turístico encontrado. A maior delas possui cerca de 40 metros e uma entrada de quatro. No interior possui três metros de largura e oferece condições para que um adulto caminhe tranqüilamente, mas os riscos naturais impediram a equipe de chegar ao final da aventura. “O local possui muitos morcegos, escorpiões e pegadas de animais maiores, o que desmotivou a equipe de adentrar à caverna”, diz Rizzotto.

    A outra possui extensão total de 10 metros e duas entradas. Esta, os técnicos do Serviço Geológico conseguiram atravessar. Também oferece as mesmas condições para que um adulto caminhe.

    Segundo Gilmar Rizzotto, apesar das cavernas serem ricas em animais, o que pode favorecer estudos biológicos, é pobre em espeleotema – depósito mineral originado em cavernas, sendo as formas mais conhecidas as estalactites, originadas a partir do teto, e as estalagmites, formadas no piso. As cavernas de calcário de Rondônia possuem poucas estalactites e não foram encontradas estalagmites.

    Divulgação

    O ‘achado’ é novo para os técnicos e desconhecido para a maior parte da população.

    Apesar dos riscos a que o patrimônio natural está exposto, Rizzotto vislumbra a possibilidade de divulgação das cavernas mundialmente. “Estas cavernas possuem importância geo-turística muito relevante. Além de serem praticamente inexploradas, possuem vales e canyons, no entorno, que favorecem atividades como rapel e canoagem”, frisa.

    Localização

    As cavernas estão situadas a 150 km de Espigão do Oeste. Entrada pelo lado direito de quem se dirige ao município.

    Outras cavernas

    Em Rondônia existem mais quatro cavernas, formadas de um outro tipo de rocha, o laterito (pedra jacaré), duas no município de Candeias do Jamari, uma em Vista Alegre do Abunã e uma em Porto Velho, nas proximidades do Parque Ecológico.

  • Pesca do tambaqui proibida por três anos

    Porto Velho/RO – A pesca do tambaqui (Colossoma macropomum), espécie de peixe nativo da Bacia Amazônica, está proibida até 01 de agosto de 2009. A medida visa manter a preservação da espécie, que sofreu diminuição no estoque natural em pelo menos 80% nos últimos 30 anos. A construção de hidrelétricas, desmatamento das matas ciliares e a pesca predatória são responsáveis pela redução no estoque de peixes desta espécie em toda a Amazônia.

    Segundo o chefe do Núcleo de Pesca do Ibama, Jácomo Antonio Mediote, esta é a primeira vez que o Ibama renova a portaria que proíbe a pesca do tambaqui por três anos consecutivos. A proibição teve início há oito anos e era revalidada todos os anos. “Se a proibição for direta por 20 anos, mesmo assim não conseguiremos obter a quantidade existente há duas décadas. O processo de destruição é rápido, porém a reposição é um processo lento e gradual e depende da colaboração de todos”, cita.

    A partir de agora os peixes da espécie tambaqui a ser comercializados serão só os criados em cativeiro, cujo comerciante terá que comprovar sua origem. Se for nativo, o pescador será penalizado com a lei de crimes ambientais, que inclui apreensão da mercadoria e o pagamento de multas.

    Rio Guaporé

    De acordo com Jácomo Mediote, a exceção em relação à pescaria ocorrerá somente de 1º de abril a 31 de julho na região do Rio Guaporé, que corresponde aos municípios de Pimenteiras, Guajará Mirim e Costa Marques. “Foi constatado que nesta região há mais peixes desta espécie no estoque natural, pois eles migram para lá na época da reprodução e o local em si proporciona condições naturais para o pescado, como oferta de alimento natural e o fato de a área ser preservada, tanto do lado brasileiro quanto do boliviano”, explica. Além disso, por possuir muitos lagos e baías, a maioria dos berçários naturais de peixes está situada na região do Rio Guaporé.

    Tambaqui

    O tambaqui alcança cerca de 90cm de comprimento total. Antigamente eram capturados exemplares com até 45kg. Hoje esse porte praticamente não existe mais. É uma espécie migradora e realiza migrações reprodutivas, tróficas e de dispersão. Durante a época de cheia entra na mata inundada, onde se alimenta de frutos e sementes. Durante a seca, os indivíduos jovens ficam nos lagos de várzea, onde se alimentam de zooplâncton e os adultos migram para os rios de águas barrentas para desovar. Nessa época, não se alimentam, vivendo da gordura que acumularam durante a época cheia. É uma das espécies comerciais mais importantes da Amazônia central.

  • Incêndio destrói vegetação do Parque Chico Mendes

    Ouro Preto/RO – Um incêndio de duas frentes, que começou na quarta-feira, dia 9, por volta das 11 horas, causou uma devastação na área em recuperação da reserva do Parque Municipal Chico Mendes, onde também funciona a torre de retransmissão regional da Embratel.

    A devastação foi tamanha que até no inicio dessa semana, ainda havia focos de fogo no morro. A rede de cabo de fibra ótica que desce da torre da Embratel teve 300 metros destruídos. O fogo atingiu também a estrada de acesso às rampas de salto de parapentes e queimou parte da grama de onde os pilotos efetuam os saltos.

    O Corpo de Bombeiros, guarda-parques, membros da associação de chacareiros e voluntários ajudaram a combater o incêndio, que se espalhou a partir de dois focos que surgiram, na parte norte e noroeste do morro.

    Agentes do Ibama também estiveram no parque e constataram que um dos responsáveis pelo fogo teria sido o dono de uma chácara localizada nas proximidades, além de um outro homem, que chegou a ser detido, mas foi liberado em virtude de suspeita de problemas mentais. No outro dia, o mesmo homem voltou à reserva, portando uma caixa de fósforos e ameaçando atear fogo novamente, mas voltou a ser imobilizado e entregue à polícia.

    Mata nativa

    O fogo provocado no morro do Parque Municipal Chico Mendes causou estrago devastador na vegetação, prejudicando o restabelecimento da mata nativa, que vem se formando lentamente, após consecutivas queimadas. Ainda não existe uma dimensão exata do tamanho da área incendiada, mas a olho nu a destruição foi quase que geral.

    A partir de 1999, a área do parque Chico Mendes passou a receber operações de plantio de mudas de espécies diversas. Milhares de sementes foram lançadas por voluntários nas áreas degradadas. O incêndio da semana passada destruiu praticamente tudo e o reflexo da devastação ecológica ficará claro quando as folhas secas das árvores queimadas começarem a cair.

    Queimadas descontroladas

    A primeira reserva a sofrer incêndio neste ano foi a do Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA). Numa parte da área, houve um incêndio há cerca de 30 dias, que destruiu cinco hectares. Segundo Jairo Estevam, guarda-parque da reserva, a destruição foi em proporção considerada alarmante.

    A última semana foi marcada por queimadas descontroladas em vários pontos da região central. Alem do incêndio devastador que foi registrado na reserva do Parque Municipal Chico Mendes, outras ocorrências surgiram na cidade e na área rural. O empresário Dérico Lorenzetti, que tem um lote na BR-364, a 11 quilômetros, no sentido Jaru, compareceu na Delegacia de Polícia, para comunicar que um incêndio que originou-se numa propriedade perto da sua, avançou verticalmente e foi queimando cerca, pasto e tudo que encontrava pela frente. O responsável pelo principio do fogo não foi identificado.

    Laudicéia Ramos do Nascimento, moradora da linha 81 (RO-470), no quilômetro 24, lote 34, também registrou na polícia que sua moradia incendiou e praticamente tudo que havia na casa foi consumido pelo fogaréu.

  • Pavimentação da 319 deve gerar novas unidades de conservação

    Manaus/AM – Pelo menos 13 novas unidades de conservação deverão ser criadas ainda este ano, com a pavimentação da estrada 319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM). A informação é do Ibama, que adotou a medida para reprimir a possível ocupação de terras de forma desordenada. Atualmente várias equipes do instituto estão realizando estudos no local, que está sob Limitação Administrativa Provisória (Alap).

    A preocupação de ambientalistas é a de que o anúncio da pavimentação ou construção de estradas na Amazônia provoque uma corrida de especulação e ocupação desordenada da terra, com grandes prejuízos para a natureza e para as populações locais, mesmo que a obra não venha a ser implementada. “Rondônia é o Estado da Amazônia que apresenta mais problemas ambientais. Receber uma grande população numa área vizinha à BR é um avanço para o desmatamento”, adverte André Muggiati, membro da organização ambientalista Greenpeace.

    Para o superintendente do Ibama, Osvaldo Pitalluga, o estudo no local também serve para destinar terras indígenas, reservas extrativistas e separar a área para agricultura. “A intenção é cumprir todos os passos antes que seja feita a pavimentação na BR”, explica.

    A BR 319 é a segunda no País a passar por esta análise e separação de terras antes de ser pavimentada. “Seguindo exemplo do que foi feito na BR 163, que liga o Mato Grosso (MT) ao Pará (PA)”, explica o analista ambiental do Ibama, Júlio Rosa da Silva.

    No Amazonas

    Localizada no coração do Estado do Amazonas, a rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) passa pelo problema do desmatamento ilegal. Para reverter este processo, a região do entorno da BR-319 foi decretada como Área sob Limitação Administrativa Provisória, o que deve frear o crescimento desordenado e predatório e promover o desenvolvimento da região em bases sustentáveis.

    As Limitações Administrativas são porções de território com alto risco de danos graves aos seus recursos naturais, onde se proíbe o desmatamento pelo prazo de sete meses para a realização de estudos com vistas à criação de Unidades de Conservação.

    Atualmente as obras da rodovia estão parcialmente paralisadas por conta de uma determinação do Tribunal de Contas da União.

    Distrito Florestal Sustentável

    Além da criação das unidades de conservação, está sendo planejada a implantação de um Distrito Florestal Sustentável na região da rodovia BR-319.

    O Distrito Florestal Sustentável tem a finalidade de estimular a integração entre políticas públicas e as ações dos setores sociais e empresariais, visando o desenvolvimento regional com atividades de base florestal. O objetivo é estabelecer um novo padrão de desenvolvimento baseado na floresta em pé.

    “Nas Unidades de Conservação a serem criadas, as Florestas Nacionais e as Florestas Estaduais se inserem no modelo de desenvolvimento sustentável que se busca para a Amazônia, a exploração através de manejo sustentável”, explica o analista ambiental Júlio Rosa da Silva.

    Unidades a serem criadas

    Parque Nacional do Caorei, Parque Nacional do Umari, Parque Nacional do Jari, Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Canutama, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Ipixuna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Igaó-Açu, Reserva Extrativista do Médio Purus, Ampliação da Floresta Nacional Balata-Tufari, Floresta Nacional de Iquiri, Floresta Nacional de Tapauá, Floresta Estadual de Beruri, Reserva Extrativista do Ituxi, Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Capanã Grande.

  • Animais correm risco de extinção em Rondônia

    Porto Velho/RO – Treze espécies de animais entre mamíferos, pássaros e peixes correm o risco de sumir das florestas e rios rondonienses. Eles foram citados na Lista de Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, um inventário publicado em 2005 pela Fundação Biodiversitas.

    Entre os animais citados está a Onça Pintada, ícone dos animais selvagens encontrados na Amazônia. Técnicos do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chamam a atenção ao fato de os treze animais serem somente os listados no Estado, havendo espécies que mesmo encontradas nas florestas rondonienses podem ter sido listadas nos estados vizinhos – relatório subestimado – o que representa que há bem mais animais em risco.

    Entre os animais citados em Rondônia encontram-se o tamanduá bandeira e o tatu canastra, mas o que mais corre risco de desaparecer é o pássaro Bicudo, que foi encontrado somente em um município do Estado, o qual os técnicos nem quiseram citar para não chamar a atenção dos traficantes da fauna.

    Unidades de conservação

    Segundo o analista ambiental do Ibama, Élio Tadeu Karzat, os animais em extinção vivem naturalmente em Unidades de Conservação, e são citados como um dos critérios para que sejam criadas novas unidades. Suas existências passam a ser monitoradas por equipes de fiscalização de órgãos ambientalistas que vistoriam e multam pessoas flagradas criando ou caçando animais da natureza. A multa varia de R$ 500 a R$ 5 mil e o caçador pode até ser preso.

    Para tentar controlar a fauna, no Brasil existem grupos de trabalhos que desenvolvem projetos para manter a preservação do patrimônio genético das espécies mais ameaçadas de extinção e praticam reprodução em cativeiro, programas de reintrodução, coletas e armazenagem de material biológico e genético, entre outras técnicas para evitar que animais como a ararinha azul, espécie que não existe mais na natureza, somente em cativeiro, não sejam extintos. A ararinha azul é uma espécie que vivia na região do nordeste do País.

    Segundo ainda o analista ambiental do Ibama, para que um animal seja citado como em risco de extinção são avaliadas a quantidade, distribuição e tamanho da população e se só existem em um lugar, casos chamados endêmicos. “Há vários animais que não foram listados, mas já estão correndo risco. Existem casos em que o senso da população ainda está subestimado, pela dificuldade na coleta de informações”, explica Karzat.

    Prevenção

    Para que algumas espécies não sejam extintas, os técnicos recomendam à população a nunca adquirir nenhum animal vindo da natureza. Os que mais despertam a atenção para serem criados em domicílios são papagaios, araras, macacos, pássaros e tartarugas. “Vale lembrar que estes animais representam riscos, pois podem ter doenças transmissíveis”, diz Karzat.

    A caça em Rondônia é citada como um problema cultural sério e difícil de controlar, mas segundo o analista ambiental, a população pode ajudar a fiscalizar, fazendo denúncia pelo telefone chamado Linha Verde: 0800-618080.

    Conheça os animais ameaçados

    Cuíca de Colete (espécie de gambá), Tatu Canastra, Tamanduá Bandeira, Cachorro Vinagre (cachorro do mato), Gato Maracajá, Onça Pintada, Ariranha (espécie de musquelídeo), Peixe Boi da Amazônia (pode ser encontrado na calha do rio Madeira), Cervo do Pantanal, Bicudo.

    Peixes em sobrepesca:

    Tambaqui, Tucunaré, Pirarucu

    * Retirado mais recursos do que a natureza pode repor. Nestes casos para preservação da espécie são estabelecidas proibições de pesca em época da reprodução e tamanho mínimo para captura.

  • Estação Ecológica do Cuniã será ampliada

    Porto Velho / RO – A Estação Ecológica de Cuniã (Esec) deve ser ampliada para 98 mil hectares até o final deste ano. A ampliação é decorrente do resultado favorável de uma consulta pública realizada neste final de semana em Porto Velho. Deste total, 85 mil hectares pertencem à capital, na área de divisa com o município de Humaitá, no sul do Amazonas.

    De acordo com a superintendente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, serão ampliadas a Estação Ecológica, área de proteção integral e a reserva extrativista, uma unidade de uso sustentável. “A comunidade que reside na reserva extrativista é co-gestora da área e foi absolutamente favorável à ampliação porque entende que a região é suscetível à invasões”, explica. Segundo a superintendente, inicialmente alguns moradores do município de Humaitá (AM) eram contra a ampliação, alegando que sobraria pouca área para a agricultura, mas acabaram entendendo a necessidade de proteção, para que seja assegurada à preservação do ecossistema para as futuras gerações.

    Importância

    O Ibama considera importante a área para a conservação da biodiversidade, combate ao desmatamento e para que sejam amenizados os impactos decorrentes da degradação ambiental e fragmentação do ecossistema, elementos fundamentais para determinadas espécies, como os pumas, as onças-pintadas, ameaçadas de extinção, as queixadas e os catetos. A área a ser ampliada foi considerada como de importância biológica extrema pelo Programa Nacional de Diversidade Biológica por possuir formações de transição entre floresta ombrófila aberta e cerrado e as principais nascentes dos igarapés Cuniã e Aponiã, da bacia do Rio Madeira.

    Grande parte da terra está desocupada, mesmo assim, há imagens de satélites que detectam desmatamento próximo à área. Atualmente a estação ecológica possui duas áreas sem interligação, que após a ampliação ficarão interligadas e preservarão as cabeceiras dos rios e lagos que abastece o lago do Cuniã.

    As comunidades extrativistas que residem no lago Cuniã vivem da pesca. A distância Esec a BR 319 é de aproximadamente dois quilômetros.